
Frases que dizem muito...
terça-feira, 18 de março de 2008
DIÁRIO DE OBSERVADOR: O primeiro dia em Milanello

DIÁRIO DE OBSERVADOR: Miguel Ruben faz testes em Milanello

"Quando me disseram que o AC Milan queria ver-me a treinar em Itália, nem quis acreditar. Disse mesmo: o Milan? O AC Milan? Não pode ser». Miguel Ruben, juvenil do Trofense, reconhece que esse cenário de sonho causou perplexidade inicial, mas cedo despertou para uma realidade igualmente bela. De facto, a promessa de 16 anos vai partir para Itália no domingo, seguindo-se uma semana de treinos em Milanello.
"Segundo vim a saber depois, já tinha sido observado em três jogos dos juvenis, mas não fazia ideia. A dada altura, dois italianos e uma pessoa que arranhava português foram bater no vidro do carro da minha mãe para explicar que me queriam convidar para treinar no AC Milan. Falaram também com o meu pai, que quis que tudo passasse pelo Trofense, e o clube libertou-me para esse treinos. É um sonho tornado realidade”,
Ponta-de-lança à moda antiga, homem de área com bom jogo aéreo e muita agressividade em busca dos golos, Miguel Ruben nutre grande admiração por Lisandro López (F.C. Porto), mas nada que se compare com a paixão pelo futebol de Didier Drogba (Chelsea), o modelo a seguir.
Miguel Ruben passou por S. Félix e Feirense antes de chegar à Trofa. Por estes dias, vai treinando com a equipa principal, jogando a meio da semana na Liga Intercalar e ao fim-de-semana pelos juvenis. Já jogou pela selecção da A.F. Aveiro, mas ainda não chegou à equipa nacional, apesar de ter talento suficiente para despertar o interesse do AC Milan.
O avançado espera cruzar-se com Kaká, Pato e Ronaldo em Milanello: "Viajo no domingo e regresso a Portugal na sexta-feira. Isso dará tempo para fazer quatro ou cinco treinos. A minha família já está preparada para a possibilidade de eu não voltar, eu também me sinto pronto para o desafio, mas vamos ver como corre. De qualquer forma, já é uma oportunidade excelente."
Uma vez por dia, ao início da noite, Miguel Ruben vai contar aos leitores do site maisfutebol o que viu, como correu o seu treino nos juniores do AC Milan e quem conheceu neste admirável mundo novo. O jovem português chegou neste domingo a Itália, instalou-se em Milanello e vai permanecer na Academia até sexta-feira.
domingo, 16 de março de 2008
DIÁRIO DE TREINADOR: Que jogo estranho...
Esta semana nem sei bem o que dizer deste jogo, foi tudo muito estranho. Era um encontro com uma das equipas mais fortes do campeonato, mas eu tinha uma enorme confiança num bom resultado. Nesta semana trabalhei a organização ofensiva.
O jogo começou da forma que eu esperava, a minha equipa a trocar muito bem a bola e a defender de forma muito organizada. A primeira parte ia decorrendo de forma equilibrada mas sempre com a minha equipa a dominar o jogo. A 5 minutos do fim numa má decisão do meu guarda-redes, que saiu da baliza para chutar a bola deixado-a nos pés de um adversário que com a baliza aberta marca o primeiro golo. Na jogada seguinte o adversário remata de longe e consegue mais um golo. Dominámos a primeira parte e acabámos a perder 0-2.
Os miúdos sentiram muito esta situação, todos eles diziam “mister estamos a jogar bem e a perder”. Tentei transmitir confiança à equipa, tinha medo que se fossem abaixo.
A segunda parte começa praticamente com mais um golo da equipa adversária, num lance cheio de ressaltos, sempre para a equipa adversária (uma constante durante o jogo) a bola sobra para o avançado contrário que remata para o terceiro golo. Depois deste momento o jogo ficou resolvido. Ainda houve mais dois golos, é incrível que num jogo tão equilibrado o resultado tenha acabado em 0-5.
Foi pena ter acabado esta segunda fase com um jogo assim. Agora é esperar pelo sorteio da 3ª Fase, gostava de começar em casa. Esta semana não há campeonato mas irei realizar um jogo de treino na sexta-feira, logo temos de continuar a trabalhar da mesma forma, isto é, sem férias.
sexta-feira, 14 de março de 2008
DIÁRIO DE OBSERVADOR: Morreu quem descobriu Maradona

quarta-feira, 12 de março de 2008
FUTEBOL JOVEM E O MUNDO: FC Paulista

Os jogadores brasileiros são reconhecidos internacionalmente pela sua técnica e criatividade mas, também são muitas vezes criticados pela sua compreensão táctica. Esta equipa sub-17 do FC Paulista, compete na segunda divisão e tem um técnico que está a tentar alterar esta visão que se tem do jogador brasileiro.
Rodrigo Leitão adoptou uma metodologia diferente, baseada na compreensão do jogo. A sua metodologia ainda não foi adoptada pelo clube, mas tem esperança que tal aconteça. Mas o que tem esta metodologia de diferente que me faça estar aqui a falar? Rodrigo Leitão divide o seu trabalho, de igual forma, entre sessões de treino e outras actividades como: filmes, leitura de livros ou outras formas de interacção. Assim é fácil perceber que esta metodologia é muito diferente da habitualmente utilizada no Brasil. Em vez de fazer sessões de treino direccionadas para simulações de movimentos ofensivos utiliza jogos com uma evolução gradual no conhecimento do jogo.
“A ideia central do nosso trabalho é que os jogadores não são apenas preparados para o jogo. Habitualmente eles trabalham de segunda a sexta e jogam ao sábado, mas a nossa prática não pode ser baseada ou unicamente direccionada para esses jogos. O que nós queremos é que os atletas compreendam o que acontece em campo e isso é prepará-los para uma carreira. O jogo deve ser uma parte do processo de ensino. Jogadores profissionais devem treinar para um jogo específico, mas nós temos um diference foco”.
A sessão de trabalho dos sub-17 do FC Paulista é baseada em actividades divertidas, orientadas para a modificação dos atletas, da maneira como eles pensam o jogo. Usam esse desenvolvimento para desenvolver novas concepções de futebol. Isto acontece devido à cooperação entre o trabalho de Rodrigo Leitão e os outros membros do staff.
“ A sessão de treino tem um objectivo que serve de guia para toda a sessão. Os jogadores irão trabalhar nas actividades, que são orientadas para esse objectivo, desde o inicio até ao fim da sessão. Todos os exercícios irão ter elementos do que o treino pretende desenvolver. Quando falo em jogos, não me estou a referir ao contexto global. O jogo é formal, 11x11 com o objectivo de marcar golo. Nós criámos situações adaptadas, com diferentes condicionantes direccionadas para uma aprendizagem específica. Isto cria um ambiente de aprendizagem que permite aos jogadores diminuir a sua resistência à compreensão do jogo”
Mais uma vez tive acesso a uma sessão de treino. Pude ver que o técnico Rodrigo começa com um exercício 3x2+Gr e vai aumentado o número de jogadores até chegar ao 11x11 inserindo algumas condicionantes. Parece-me que realmente são exercícios direccionados para o raciocínio táctico dos jogadores, curioso é que a partir dos 3x3+Gr começa a utilizar “sweeper” (libero).
Depois de cada treino, o treinador e jogadores juntam-se para falar sobre a sessão e discutir sobre o que eles aprenderam. Cada situação é discutida até se decidir qual a melhor estratégia a seguir para resolver determinado problema.
“Quando cheguei nenhum jogador do FC Paulista queria saber de reflexões tácticas. Eles queriam era jogar, para assim utilizar o seu talento no campo. Isto gerou uma série de conflitos iniciais que foram estrategicamente resolvidos".
CRONICA SEMANAL: Não é por causa das botas...

Esta situação fez-me recordar um “spot publicitário” da Nike. Quando o ouvi considerei-o uma autêntica aula de psicologia (desportiva). Hoje não irei escrever mais, vou apenas tentar traduzir esse “spot” sem perder o sentido do mesmo.
Desejo apenas que os treinadores e pais consigam de alguma forma transmitir algo semelhante aos jovens deste país.
“Não é por causa das botas... mas sim saber para onde se vai... não se esquecer de onde se começou... é ter a coragem de falhar... não desistir quando perdemos... aproveitar tudo o que nos é dado e fazer disso algo ainda melhor... é trabalhar antes de crescer... acreditar no que está dentro de nós... é fazer aquilo que nos dizem que somos capazes! Não é por causa da botas... mas o que se faz com elas calçadas... é ser aquilo para que se nasceu”
terça-feira, 11 de março de 2008
DIÁRIO DE TREINADOR: Será a melhor opção?
Hoje ficou confirmado, mais um dos meus miúdos foi para um grande. Tem sido constante o assédio destes clubes.
Com toda a certeza que uns vão dizer, que bom, é sinal que se está a trabalhar bem e é bom para o miúdo ir para lá. Pois eu duvido e muito!
O miúdo em questão tem 6 anos, sim não me enganei, nasceu em 2001. A equipa de 2001/2002 do meu clube ganhou há pouco tempo um torneio a esse clube grande, o que eles fizeram? Deram a volta à cabeça de dois pais e levaram dois miúdos para lá. Um dos pais, depois de o filho ter treinado, resolveu voltar, parece que gosta mais da nossa forma de trabalhar, outro completamente deslumbrado por ser um clube grande resolveu tirar o miúdo do clube que o potencializou, onde estão todos os amigos do seu filho de 6 anos!
Será que foi a melhor opção? Penso que não, o miúdo nesta idade, gosta é de brincar com os amigos seja onde for.
Depois desse torneio, já voltaram a perder com a nossa equipa, mais dois jogadores foram abordados. Eu pergunto, não seria melhor pensarem porque o nosso clube lhes continua a ganhar? Podem sempre continuar a levar os nossos miúdos. Assim talvez consigam.
Só tenho pena que alguns pais se deixem levar na conversa e que se deslumbrem por estes clubes, duvido que este miúdo evolua como estava a acontecer e é isso que me deixa triste, este miúdo tem 6 anos e um talento enorme mas devido a esta opção do pai pode estar a comprometer o seu desenvolvimento. Espero sinceramente estar errado, que tudo corra da melhor forma e que o meu “bebezinho” seja feliz!
sábado, 8 de março de 2008
DIÁRIO DE TREINADOR: A "minha vida" numa história.
Nas minhas leituras habituais encontrei uma história muito interessante. A personagem principal dá pelo nome de Bill Shankly, o principal responsável pela grande equipa do Liverpool dos anos 60.
Shankly só pensava em futebol e a sua mulher, que se queixava que raramente o via a falar sobre outra coisa, lembra que, certo ano, no dia do aniversário de casamento, ele finalmente a convidou para dar um passeio romântico. Incrédula e esfuziante colocou o melhor vestido e a melhor maquilhagem. Não tardaria porém a saber que a surpresa de Shankly seria passar a tarde a ver um jogo das reservas do Rochdale, um clube da 3ª divisão “Vês, Nessi, dizia Shankly, é aqui que às vezes se descobrem os grandes jogadores do futuro!”. Nada mais romântico, de facto, para os apaixonados do futebol feito sentimento.
DIÁRIO DE TREINADOR: Quem corre por gosto...
Esta semana o trabalho foi direccionado para a manutenção da posse de bola e para a criatividade dos miúdos, hoje dei toda a liberdade para experimentarem as fintas e dribles que lhes passassem pela cabeça, apenas duas condições, se tivessem um colega melhor posicionado deviam passar e se houvesse cobertura defensiva da parte da equipa do adversário não deviam arriscar (eu sabia que a equipa adversário marca H-H, logo não há coberturas defensivas).
Enfim foi interessante ver os miúdos jogarem de forma tão divertida e animada, acabou com o resultado de 5-1 para a minha equipa mas as oportunidades de golo foram imensas.
Como o jogo foi em casa do adversário, apenas cheguei ao clube às 12:00. Hora de passar pelos treinos das escolas de futebol e ver como tudo decorreu durante o dia, se havia algo a resolver, acabei por ficar no treino da turma de 97/98. Terminei as minhas funções às 13:30, pausa para almoço com um colega para falar de um assunto diferente. Futebol!
Às 15:30 de volta ao clube para de seguida ir com os meus miúdos de 99/2000 para a 3ª jornada de um torneio onde o clube participa. Confesso que me dá um gozo enorme treinar este equipa, onde tudo começou do zero e a evolução é enorme, estão muito fortes! Dois jogos, duas vitórias e duas exibições que me deixaram muito orgulhoso. O mesmo se passou com a nossa equipa de 2001/2002.
Chego a casa às 20:00. Cansado? Não, muito feliz! Amanhã há mais!
quarta-feira, 5 de março de 2008
DIÁRIO DE OBSERVADOR: Jovens talentos na Internet

DIÁRIO DE OBSERVADOR: O dilema de Bilbao

Tudo porque Enric Saborit, de 15 anos, lateral esquerdo catalão que frequenta as escolas do Espanhol de Barcelona, deverá ingressar no Atlético na próxima época. Enric Saborit, que é visto, como um jovem muito interessante, inclusive já realizou vários jogos pela selecção catalã.
Este jovem vai mudar-se para o País Basco, onde reside a sua mãe que depois de visitar a academia do Atlético, terá acordado com os responsáveis do clube a sua integração no clube.
Como seria de esperar, as opiniões dividem-se. O coordenador da formação do Atlético, Luís Solar, considera existirem dezenas de casos similares ao longo da história do clube e que, por isso, não há nenhuma alteração profunda na filosofia do Atlético, já um dos seus antecessores no cargo, José María Amorrortu defende que este é um caso atípico, sem precedente, mas embora o aborde com algumas reservas, não o considera, à partida, inválido.
Outro dos assuntos em destaque na semana diz respeito aos dois jovens que o técnico Joaquín Caparrós utilizou na equipa principal, no amigável contra o Amorebieta, da terceira divisão local. São eles Iker Muniain e Jonás Ramalho. O destaque é ainda maior dado a idade dos atletas. Muniain tem 15 anos e Ramalho 14!
Se pensa que a notícia acaba nas idades dos atletas engane-se, a utilização dos dois jovens traz ainda outras particularidades. Jonás Ramalho, ou ‘El Adelantado’ como já é conhecido, não foi só o mais jovem jogador de sempre a alinhar pela equipa principal do Atlético de Bilbao, como o primeiro atleta negro a fazê-lo. De origens humildes, filho de pai angolano e mãe basca, Ramalho nasceu bem perto de San Mamés e é tido como uma das grandes, talvez a maior, esperanças da formação do Atlético de Bilbao, onde evolui há cerca de cinco anos, depois de ter começado nas escolinhas de futebol Lagun Artea, em Leioa, terra da progenitora.
CRÓNICA SEMANAL: Platini quer combater assédio aos jovens
Quando o Chelsea mostrou interesse na contratação do jovem prodígio italiano, Vincenzo Camilleri, de 15 anos ao Reggina, que também era seguido de perto pelo Manchester United, nunca pensou que iria iniciar uma batalha, já não era a primeira vez que comprava jovens desta idade, veja-se por exemplo caso dos portugueses, Ricardo Fernandes e Fábio Ferreira contratados ao Sporting CP.O presidente do Reggina, Lillo Foti, que tinha grandes esperanças no futuro do jogador, mostrou o seu desagrado pela transferência, “Deixaram-no assinar contrato mas obviamente só o usarão a partir de 7 de Março quando fizer 16 anos”, comentou um irritado.
Foti considerava que algo tinha de ser feito não só pelo Reggina mas por “todo o futebol italiano”, para defender os clubes de ficarem sem os seus atletas mais promissores após um grande trabalho nas camadas jovens.
Esta situação levou a que Michel Platini fala-se da intenção de “combater o actual sistema de tranferências de jogadores jovens”. O presidente da UEFA não gostou da e afirmou que, na sua opinião, os jogadores jovens “devem assinar o seu primeiro contrato profissional com os clubes que os formaram”. O ex-internacional francês referiu que está do lado do Reggina no caso do jovem Camilleri, que se recusou, inclusivamente, a jogar pela equipa italiana por já ter acordo com o clube londrino.
“Estou completamente contra a contratação de jogadores menores de outro país. Temos que acordar um regulamento. Eu fui para Itália com 27 anos, não saí do Nancy com 14 anos”, afirmou Platini.
Eu não sou tão radical como Michel Platini, não sou totalmente contra a contratação de jovens de outro país, por exemplo se um clube português contratar um jovem de Angola, Guiné-Bissau, etc. que estava no seu país a passar necessidades não pode ser considerado errado, mas claro que algo tem de ser feito para proteger os clubes mais pequenos do assédio às suas pérolas. Cabe a Platini como presidente da UEFA e aos vários dirigentes desportivos reunir e discutir que estratégias a seguir.
terça-feira, 4 de março de 2008
FUTEBOL JOVEM E O MUNDO: Fiorentina
Esta semana irei falar de um clube pelo qual muitos portugueses têm um carinho especial. A Fiorentina.Quando em 2002 o clube foi castigado e despromovido à série C2 (4ªdivisão) muito pensaram que seria o fim mas, a família Della Valle resolveu investir e entre outras decisões contractou Pantaleo Corvino ao Lecce, já em 2005, para a formação do clube.
Após 7 anos no Lecce, Corvino aceitou a proposta “O meu trabalho na Fiorentina é trazer, para o nosso futebol jovem, jogadores que futuramente estejam prontos para entrar na equipa principal e que tenham um elevado valor nacional e internacional.”
Corvino fala dos seus deveres como coordenador da formação, e como pensa que deve ser avaliado o seu trabalho. Alguns clubes, portugueses e estrangeiros, deviam ter acesso a estas palavras, “ Os recursos técnicos de uma equipa não podem apenas ser medidos pelo que o conseguem ir comprar mas também pelo que conseguem produzir internamente nas suas camadas jovens”
Para explicar o seu segredo para descobrir jovens talentosos, onde Corvino marca a diferença em Itália, refere, “Quase toda a gente consegue identificar um jogador decente, mas compreender o potencial de um jovem é trabalho para um especialista”. Eu também desempenho funções de observação e tenho exactamente esta opinião. Acredito sinceramente que o facto de treinar diversos miúdos nos últimos anos me tem ajudado a perceber este potencial nos jovens, embora a experiência seja dos principais factores, penso que melhoramos a cada observação, a cada treino.
Depois de seleccionados esses jovens talentosos é fundamental fazer um trabalho de qualidade ao nível do treino. Para tal são necessários treinadores de qualidade porque senão provavelmente o que irá acontecer é arruinar esse potencial anteriormente observado. Corvino dá liberdade a cada treinador, tal como os jogadores, não há dois treinadores iguais, cada um tem as suas ideias. Assim todas as semanas há uma reunião onde essas ideias são discutidas sempre com base nas ideias que o clube pré estabeleceu. Para o clube, nas camadas jovens o principal objectivo é o desenvolvimento dos aspectos técnicos sobrepondo-se à vertente táctica.
Tive acesso a um “plano de treino” da equipa sub-15 da Fiorentina, equipa essa treinada por Stefano Carobbi. Posso dizer que não me fascinou, por exemplo, para aquecimento têm aquele exercício típico dos jogadores frente onde um atira a bola com a mão e o colega vai passando de primeira, de cabeça, etc. Tem também, já na parte principal um exercício de marcação individual e o clube justifica essa opção dizendo que os defesas perderem a habilidade para marcar!
sábado, 1 de março de 2008
DIÁRIO DE OBSERVADOR: Duas situações diferentes com um problema semelhante

Hoje irei falar de duas situações que aconteceram em dois jogos que observei e que me parece que infelizmente acontecem muito.
A primeira situação aconteceu no jogo onde participou a minha equipa. A equipa de defrontei tinha 2 guarda-redes e sei que um deles é mais bem mais fraco que o outro. Sei eu e sabe o seu treinador que o deixa maioritariamente a suplente, até aqui tudo bem é a opção dele e compreende-se, o que não acho mais correcto, e importa aqui referir que é exclusivamente a minha opinião é mostrar ao miúdo que ele não conta. Claro que o treinador não diz a esse jovem o que eu disse, mas os miúdos percebem! Num jogo com duas partes de 25minutos, se ele apenas entra a 5 minutos do final e inclusive quando vai a entrar o treinador diz “espera, deixa marcar o canto primeiro” claro que ele fica a saber que a vontade do treinador é a de nem colocá-lo em campo.
A minha equipa também tem dois guarda-redes, joga uma parte cada um e, quem foi titular neste jogo será o suplente na semana seguinte. Não sei se é a maneira correcta, é apenas a minha maneira.
A outra situação passou-se no mesmo dia num jogo de sub-13. Uma das equipas tinha dois avançados com um nível superior aos restantes. Essa mesma equipa conseguiu colocar-se em vantagem e o treinador decide retirar esses dois atletas para descansarem, na jogada seguinte a equipa adversária marca e a primeira atitude desse treinador foi colocá-los de novo em jogo.
Com esta atitude o treinador está por um lado a mostrar a esses dois jogadores que são mais importantes que os outros. Mas até aceito, os miúdos também percebem que o são mesmo sem esta situação, mas e os restantes? Não está o treinador a mostrar à sua equipa que não confia nos restantes?
Para concluir apenas quero reforçar a ideia que esta é uma opinião pessoal e, enquanto não me convencerem do contrário a minha é a mais correcta.
DIÁRIO DE TREINADOR: Uma equipa com personalidade
Esta semana era contra uma equipa que estava ao mesmo nível, é isso que indica a classificação, ambas queriam ganhar para ficar à frente do adversário. Notei que os meus miúdos estavam com uma grande atitude, uma enorme vontade de mostrar o que sabem. Foi isso que aconteceu!
O jogo iniciou com uma jogada de perigo para a minha equipa mas infelizmente não foi aproveitada. A partir daí o jogo tornou-se equilibrado em termos de oportunidades, mas foi "engraçado" assistir a um jogo entre duas formas diferentes de encarar o jogo, a minha equipa a trocar a bola a cumprir tudo o que lhes é ensinado e que pertence ao nosso modelo de jogo, a equipa adversária num futebol directo incluindo o guarda-redes que, por incrível que pareça, foi o jogador adversário que mais rematou à baliza!
O golo da equipa adversária surge num destes lances, pontapé para a frente bola por cima dos defesas e para a nossa grande área onde estava acampado o avançado adversário (neste escalão não há fora de jogo) que à saída do meu guarda-redes coloca a bola na baliza e faz o primeiro golo do jogo.
O meu guarda-redes sentiu um pouco esse golo e a forma como foi alcançado, nas duas reposições seguintes da bola em jogo também chutou para a frente, mas depressa lhe foi transmitido que não era esta a nossa forma de jogar e que ele sabia o que fazer. Há uns dias utilizei umas palavras de um treinador sueco, Stefan Billborn, que diziam “Como treinadores temos de ser consistentes e ter fé nos nossos jogadores, se eles se sentirem confortáveis iram tomar iniciativa mesmo que às vezes cometam erros. Não podemos mudar o nosso estilo de jogo só porque jogamos num campo com má qualidade ou contra um adversário específico.” Concordo plenamente!
E foi a jogar da nossa forma que conseguimos o nosso golo, numa jogada bonita onde chegamos até à linha final a trocar a bola de forma brilhante, cruzamento e o médio do lado contrário apenas teve de empurrar a bola. Como dizem os miúdos “Chocolate”!
O jogo acabou com um empate, se calhar o futebol directo até resulta, mas tal como disse aos meus miúdos no final do jogo, não importa o resultado, importante sim é jogar bem e aí a vitória foi claramente nossa. Eles entenderam o recado e no blaneário festejaram. Parabéns aos miúdos que demonstraram uma personalidade fantástica, que compreendem o jogo e que sabem jogar futebol.
sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
FUTJOVEM.BLOGSPOT.COM: Sondagem
Diário de Treinador: 11 votos (44%)
Crónica Semanal: 8 votos (32%)

Diário de Observador: 5 votos (20%)

Personalidades: 1 voto (4%)

Selecção Nacional: 0 votos (0%)
Noticias Nac./Inter.: 0 votos (0%)
Campeonatos Nacionais: 0 votos (0%)
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
FUTEBOL JOVEM E O MUNDO: Brommapojkarna
Hoje vou iniciar uma nova categoria, Futebol Jovem e o Mundo. Nesta nova categoria irei falar de vários clubes e treinadores espalhados pelo mundo e claro que é tudo relacionado com o futebol jovem.
Nesta primeira semana irei até à Suécia, mais propriamente à cidade de Bromma, onde encontramos um clube, o Brommapojkarna, com um extraordinário programa para o seu futebol jovem.O Brommapojkarna tem como filosofia contratar treinadores jovens, "pensamos que é mais fácil para um jogador identificar-se com um treinador jovem". Como exemplo temos Stefan Billborn, treinador da equipa Sub-16 bem como da escola de futebol.
Neste momento Brommapojkarna é considerado o melhor clube sueco no que diz respeito à formação de jovens jogadores. Stefan Billborn viu vários dos jovens que já treinou serem chamados para as selecções jovens da Suécia e conseguiu atingir a final do Campeonato do Mundo de clubes sub-16 em Hong Kong.
Irei utilizar as palavras deste técnico para descrever a metodologia utilizada e que me fez estar aqui a falar deste clube praticamente desconhecido.
"O básico para cada jovem é vencer no 1x1. Como treinador quero um jogador tecnicamente desenvolvido e criativo bem como mentalmente positivo. As habilidades técnicas estão inseridas naquilo que chamamos "skills toolbox". Nós temos de colocar os jogadores em situações, que os levem a utilizar essas habilidades debaixo da pressão de um adversário. Este tipo de treino leva a que os jogadores refinem as suas habilidades em espaços reduzidos. Quando já tiverem assimiladas têm de reconhecer os locais e a altura em que as devem utilizar”
É muito interessante um clube sueco ter esta metodologia, virada para a técnica individual dos seus jogadores. Mas será fácil implementar esta filosofia num país onde este tipo de futebol não é usual? Billborn responde “Como treinadores temos de ser consistentes e ter fé nos nossos jogadores, se eles se sentirem confortáveis iram tomar iniciativa mesmo que às vezes cometam erros. Não podemos mudar o nosso estilo de jogo só porque jogamos num campo com má qualidade ou contra um adversário específico.”
Mas esta metodologia não assenta só em aprender habilidades técnicas, mas também na forma como serão adquiridas. Stefan Billborn tenta sempre estimular a mente dos seus jogadores colocando perguntas durante os exercícios e jogos."Com que pé deves receber a bola nesta situação?” ou “ Quando é melhor passar do que driblar?”. Estas são algumas das questões utilizadas. Os jogadores assim têm a sua mente estimulada e ficam com um conhecimento mais profundo do jogo. Os jogadores não são robots. Uma maneira de aprender é descobrir a resposta por si próprio e não sempre através do que diz o treinador. Esta forma de ensino é conhecida também por método socrático, colocar questões em vez de dar logo as respostas.
Muito mais havia para falar deste clube e desta metodologia! Deixo apenas uma frase final: “É da responsabilidade do treinador fazer com que os jogadores usem a cabeça”...
DIÁRIO DE OBSERVADOR: Os meninos de Milão
Quando Pato rematou e na sua estreia fez um grande golo, estava instalada a euforia em Milão. Já toda a gente sabia que ali estava um talento mas a sua afirmação tão rápida impressionou até os adeptos do Milan. Já no rival Inter, apesar de líderes, muitos adeptos sentiram-se em desvantagem, pois não tinham um jovem em que pudessem depositar todas as suas esperanças num futuro brilhante.
Não tinham, mas depressa arranjaram. Mario Balotelli, ou ‘Turbomario’ já está a empolgar a parte ‘nerazzurra’ de Milão. Com somente 17 anos, Balotelli já é a maior esperança do Inter de ver um craque crescer vindo da formação.
Mario Balotelli Barwuah é um jovem que nasceu em Palermo, a capital da Sicília, em 12/08/1990. Palermo, é a cidade italiana mais próxima da África, por isso é visto como uma porta de entrada para imigrantes desse continente que procuram a sua sorte na Europa. Foi o que se passou com os pais de Balotelli oriundos do Gana. O seu nome italiano é devido ao facto de ter sido criado por um casal italiano.Futjovem.blogspot.com
Em campo, o atacante é o protótipo do jogador africano, com uma explosão impressionante e uma habilidade visível. Contudo, tendo crescido na Itália, tem uma interpretação do jogo que o poupa de dribles desnecessários. O clube está empolgadíssimo. Se ele tiver espaço, isto é, hipóteses para jogar, tem tudo para crescer.
Futjovem.blogspot.com
18 Segundos. Foi o tempo que Alberto Paloschi precisou para sair do banco de suplentes, entrar no campo, receber um passe e, da entrada da área, disparar um míssil longe do alcance do Guarda-Redes dando a vitória ao Milan sobre o Siena. Estava dada a resposta ao Inter e ao aparecimento de Balotelli. Paloschi não teve os mesmos holofotes, aliás muitos adeptos “rossoneros” nem o conheciam. Assim, sem alarido, vindo das camadas jovens do clube, impressionou nos três primeiros jogos pela equipa principal, actuando, no total, 173 minuto e onde conseguiu 3 golos, dois na taça de Itália e outro para o campeonato nacional.
Futjovem.blogspot.com
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
FUTJOVEM.BLOGSPOT.COM: Desafio aos leitores

Os leitores mais assíduos provavelmente repararam que coloquei mais um "contador" novo no blogue, foi apenas por curiosidade de ver os países que assediam a este local.
Neste momento foram 24 países diferentes, mas isto deu-me uma ideia. Há um tempo atrás fiz um post com a história de um treinador brasileiro que esteve na Austrália, onde era contada a sua experiencia nesse pais e as formas de trabalhar.
É daí que surge este novo desafio, caso algum leitor tenha vivido uma experiência relacionada com o futebol de formação noutro pais e esteja disposto a partilhar, envie um email com o seu testemunho para fut.jovem@gmail.com e futuramente será publicado.
Aguardo os vossos emails!
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
DIÁRIO DE TREINADOR: Processo de treino
Concordo plenamente com esta frase, primeiro ensinamos aos nossos atletas depois vão treinar essas aprendizagens com o objectivo de as aperfeiçoar. Para muitos provavelmente isto vai parecer lógico mas acreditem que a realidade já me mostrou que nem todos pensam nisto.
Já houve treinadores que me disseram que ficam admirados com os seus atletas, nos jogos não fazem aquilo que ele os manda fazer nos treinos. Eu pergunto-me, será que ele os ensinou a fazer? Um exemplo prático, nos diversos jogos que vejo, seja os meus ou de outras equipas, diversos treinadores ficam alterados quando os seus jogadores “vão à queima”. É comum ouvir o treinador gritar, “estou farto de lhe dizer isto nos treinos”.
E porque não optar por ensinar o atleta o que é a contenção? Transmitir para o que serve e quais as vantagens que ele pode alcançar ao efectuar correctamente esse principio de jogo. Aí sim podemos ir para o treino aperfeiçoar e com toda a certeza que irá correr melhor.
Muitos dos treinadores esperam que os seus jogadores joguem de uma forma que parece um jogo de playstation, isto é, eles do banco dizem, a cada situação que ocorre no jogo, o que eles devem fazer o mesmo se passa nos treinos. Eu sou da opinião que os devemos ensinar a pensar, ou seja, que eles saibam qual a melhor forma de resolver determinado problema. Assim quando acontecer uma situação de 1x1 o meu jogador já não “vai à queima” e eu não digo, “estou farto de lhe dizer isto nos treinos”.
DIÁRIO DE TREINADOR: Bom jogo
O trabalho incidiu sobre a organização defensiva, espírito de sacrifício e agressividade. Todos os miúdos sabiam que era muito complicado vencer este jogo mas notei durante a semana uma atitude extremamente positiva em relação ao jogo.
Era muito importante começar bem, segurar o ímpeto ofensivo da equipa adversária e à medida que o tempo fosse avançando ganhar confiança e procurar a surpresa, mas no primeiro minuto do jogo, num lance muito estranho a bola, entre alguns ressaltos, passa a linha de golo, ninguém ficou com a certeza se tinha sido golo ou não, aliás nenhum atleta nem espectador festejou o golo. Fiquei com algum receio da reacção dos miúdos a este golo mas novamente fizeram questão de provar que têm uma excelente atitude e sem receio disputaram o jogo de igual para igual durante a primeira parte, inclusive tivemos uma excelente oportunidade de golo que infelizmente não foi aproveitada. A primeira parte acabou com o resultado de 0-3, sendo que o último golo foi no último minuto. Não estávamos com sorte, mas foi uma primeira parte muito positiva.
A segunda parte já não correu da forma que eu estava à espera, cometemos alguns erros e estas equipas aproveitam e vão dilatando o resultado. Outro dos objectivos que tinha para este jogo era conseguir um golo e infelizmente não conseguimos, ainda acertamos duas vezes nos postes! O jogo acabou com uma resultado exagerado de 0-8, não mostra o que realmente se passou, no global fizemos uma jogo muito bom e onde se notou claramente que a equipa está a evoluir e sinceramente sendo uma equipa com jogadores sub-9 e sub-10 é isso que me deixa satisfeito e foi isso que lhes transmiti no final e que eles assimilaram e concordaram.
Agora que esta segunda fase está a chegar a um ponto importante sinto-me satisfeito com o trabalho realizado. Tenho todos os meus jogos gravados e é perfeitamente visível a evolução porque estão a passar estes jovens. Ainda há muitos jogos e temos de continuar a trabalhar.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
CRÓNICA SEMANAL: Declarações da Secretária de Estado
Esta semana resolvi juntar-me à polémica que se instalou devido às declarações da Secretária de Estado da Reabilitação, Idália Moniz.Futjovem.blogspot.com
A secretária de estado afirmou que "as escolinhas de futebol são uma das razões para o abandono escolar" em Braga, onde, "para além de questões como a negligência dos pais e o abandono escolar", aquelas recebem "muita atenção" porque "as crianças não podem trocar a escola por locais onde aprendem a jogar futebol".
Será que ninguém lhe disse que as escolas de futebol funcionam depois de terminarem as aulas? É ridículo dizer que faltam às aulas para irem para as escolas de futebol. Por exemplo a escola de futebol onde eu trabalho é para miúdos desde os 5 aos 14/15, miúdos que estão dentro da escolaridade obrigatória, só mostra que a Sra. Secretária não está por dentro do assunto das escolas de futebol, devia procurar informar-se melhor em vez de perder tempo a dar entrevistas para criticar.
Idália Moniz continua dizendo que "Havia um conjunto de sinalizações que correspondiam a meninos que tinham absentismo escolar e, ao mesmo tempo, frequentavam escolinhas de futebol. A Comissão (de Protecção de Crianças e Jovens em Risco de Braga) desenvolveu um projecto com as escolinhas e hoje são os próprios treinadores que os sensibilizam para não faltarem à escola".
Eu acredito que a maioria dos treinadores já sensibilizavam os jovens para a importância da escola, mas mais uma vez eu reforço nenhum miúdo falta às aulas para ir para uma escola de futebol, que pais deixam isso acontecer pensando que o miúdo vai ser jogador quando está numa escola de futebol? Nem quando estão nos clubes grandes, onde têm mais hipóteses de singrar no mundo do futebol isso acontece. Na minha humilde opinião, em vez de tentarem atribuir as culpas para as escolas de futebol, podiam tentar perguntar aos miúdos porque não gostam de estar na escola, provavelmente ficariam com uma visão mais clara do que se passa na realidade.
Idália Moniz ainda usou o seu caso pessoal para falar deste tema, "Tenho um filho que joga andebol no Belenenses e sei que a secção de Andebol faz depender as convocatórias do aproveitamento escolar".
Parabéns à secção de Andebol por esta atitude, mas será que ela foi perguntar às restantes secções desse e de outros clubes o que costuma fazer?
Segundo a governante, o que acontece é que "algumas crianças que faltam às aulas frequentam escolinhas de futebol" e, como há "um interesse comum", é importante encontrar-se "uma forma de as cativar".
Claro senhora secretária peça ajuda a outras pessoas/entidades para resolver os problemas que a sua secretaria e ministério da educação não consegue. Numa coisa tem razão é preciso cativá-las para a escola, agora não peça aos treinadores para fazer isso, essa é a sua competência. Eu até acho que neste momento os miúdos ficam tempo de mais na escola, têm muitas actividades depois das aulas e muitas eles nem gostam de fazer, os governantes deste país pensam que quanto mais tempo os miúdos ficam na escola mais aprendem, eu acho que é errado. Deixem os miúdos socializarem, eles precisam de tempos livres para gozar a juventude, assim também se aprende e muito.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
DIÁRIO DE TREINADOR: Como explico aos miúdos?
O jogo iniciou e desde o primeiro minuto, a equipa adversária, habituada ao mau terreno do seu campo (como é possível um clube destes ter aquelas condições) utilizou um futebol directo. Ora a minha equipa não sabe jogar assim e mesmo com este campo demos um "baile de bola". Estávamos a realizar um jogo extraordinário, com as oportunidades de golo a surgirem umas atrás das outras. Acabámos a primeira parte a vencer 2-0 mas era um resultado muito curto para o que se passou.
Na segunda parte uma pessoa mudou o jogo, nunca aqui falei dos árbitros mas desta vez tem de ser. Quando fui para este jogo já sabia que o ambiente ia ser complicado e que os árbitros muitas vezes deixam-se levar por isso, mas nunca pensei notar uma alteração tão grande de uma parte para outra. Depois do intervalo o árbitro começou a marcar faltas por tudo e por nada, cortou claramente o ritmo ao jogo e a minha equipa sentiu isso, não conseguíamos fazer um ataque sem ter de parar 2/3 vezes. Com tudo isso a equipa adversária lá consegui equilibrar e marcar um golo. Mas o incrível aconteceu na jogada seguinte onde, em mais um lance de futebol directo e avançado adversário recebe a bola e corre em direcção à baliza, dentro da área por azar pisa a bola e consequentemente cai, o árbitro esse conseguiu ver ali um penalty!! Os miúdos ficaram de rastos com este lance, é complicado para estes jogadores, são miúdos não compreendem que há equipas com mais poder que outras... A equipa adversária, empatou o jogo.
Agora eu pergunto, como explico aos miúdos que neste jogo, onde fomos mesmo muito superiores nos impediram de ganhar? Como explico o penalty que o árbitro marcou quando um jogador pisou uma bola e caiu? E os outros dois que não marcaram para nós?
Parabéns à minha equipa que deu uma lição de futebol, tenho jogadores que, com toda a certeza, já percebem melhor o jogo que alguns adultos que se encontravam naquele campo.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
DIÁRIO DE OBSERVADOR: Um projecto interessante

CRÓNICA SEMANAL: Uma boa ideia
Acabaram de ficar definidos, os 132 nomes que participarão do draft espanhol. Entre os seleccionados, estão Sergio Asenjo, Markel Susaeta e Bojan Krkic, três das maiores revelações da Liga espanhola nessa temporada.
Estes jogadores seleccionados para este draft, não estão à disposição para serem contratados pelos clubes, a exemplo do que ocorre nos Estados Unidos, trata-se sim, do maior prémio atribuído às promessas do futebol jovem do pais vizinho. O Fútbol Draft.
Nesta terceira edição, o evento, que ocorrerá entre os dias 11 e 12 de Maio no estádio Santiago Bernabéu, além de eleger os destaques para o futuro, também terá discussões em torno do trabalho realizado nas divisões inferiores. Profissionais como os técnicos das equipas de formação espanholas, Iñaki Sáez e Ginés Menéndez, e o romeno Gica Craioveanu, representante da Liga, prestarão suas contribuições não só nesses debates, mas, também, na votação que formará as três equipes - divididas nas categorias ouro, prata e bronze.
Para esse ano, a novidade é a decisão de se restringir o alcance da selecção, isto é, só poderão ser escolhidos jovens entre os 20 e 16 anos. O processo de construção das equipes do Fútbol Draft ocorrerá em quatro etapas. Está previsto, para breve, a escolha de 77 nomes, provenientes da primeira lista. No próximo dia 26 de Março, essa lista será reduzida para 55, enquanto, em 16 de Abril, serão anunciados os 33 nomes finais para as três equipas.
Realmente parece-me uma excelente ideia e uma forma de todos os adeptos conhecerem as suas futuras estrelas e perceber como se está a trabalhar no futebol de formação nesse país. De referir que ainda há poucos dias a nossa selecção de sub-16 perdeu com a selecção espanhola por 7-0! Provavelmente faz-nos falta também estes debates para discutir o trabalho realizado no futebol de formação...
crónica dispovel em http://mestresdofutebol.blogspot.com/
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
DIÁRIO DE OBSERVADOR: Uma dura realidade

Esta semana fui observar um jogo que me mostrou uma "triste" realidade. Não irei referir o nome da equipa observada, mas espero que esta situação seja de alguma forma utilizada como um exemplo a não seguir.
Este clube, alegadamente por falta de condições apenas possui uma equipa para os escalões de sub-10, sub-11, sub-12 e sub-13, ou seja, há atletas a competir com adversários 3 anos mais velhos. Nesta equipa existem jovens de muita qualidade que, todas as semanas, são goleados porque não estão a competir no campeonato apropriado à sua idade.
Se o clube não tem condições, porque faz esta equipa? Porque leva estes miúdos, todas as semanas, a outros campos para serem goleados? Estão a prejudicar a formação destes jovens que, volto a referir, têm muita qualidade.
Sei que a maioria destes miúdos são de familias com dificuldades, assim não têm possibilidade de os colocar em outros clubes onde se paga uma mensalidade mas, as várias equipas vizinhas deviam aproveitar estes miúdos e coloca-los nos escalões apropriados, nem que abrissem uma excepção, com toda a certeza seria benéfico para ambas as partes.
domingo, 10 de fevereiro de 2008
DIÁRIO DE TREINADOR: Bom jogo, mau resultado.
Esta semana tinha um jogo extremamente difícil, com uma das melhores equipas do campeonato e com a possibilidade de ter alguns dos melhores jogadores de outros clubes.
Foi uma semana onde apenas realizei um treino devido ao período de carnaval e onde não pude contar com alguns atletas, apesar de todas estas contrariedades estava confiante em conseguir um bom jogo e também um bom resultado. Foi um jogo em que planeei uma alteração no sistema de jogo para uma determinada altura do encontro, essa alteração estava prevista por ter "estudado" a forma de jogar dessa equipa.
O jogo começa com os meus miúdos sem medo nenhuma da equipa adversária, que grande jogo estava a fazer, sinceramente penso que estávamos a ser superiores. A dada altura informei os meus atletas que era a hora de alterar o sistema táctico e o resultado foi o esperado, a equipa adversária ficou baralhada e por duas vezes tivemos um jogador isolado frente ao guarda-redes e não conseguimos aproveitar. Nos 3 minutos finais da primeira parte dois erros da nossa equipa deram dois golos da equipa adversária! É mesmo verdade, quem não marca sofre.
Na segunda parte entramos mal e a cometer erros que não são habituais e com as individualidades como uma equipa destas tem o resultado foi sendo dilatado, em 2 minutos sofremos 3 golos. Tive de transmitir, aos meus atletas, alguma calma, estavam completamente em baixo. Mas estes miúdos realmente têm uma grande atitude e, dentro do campo conversaram uns com os outros e juntos conseguiram adquirir alguma calma e voltaram de novo a estar por cima no encontro tendo novamente desperdiçado algumas oportunidades incluindo 2 bolas ao poste.
O resultado final de 6-0 não mostra o que realmente se passou em campo, a vitória da equipa adversária é justa, mas nunca por estes números. De salientar a mentalidade e a forma como jogou a minha equipa, até o árbitro deu os parabéns e considerou o resultado exagerado.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
CRÓNICA SEMANAL: Centros de Estágio
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
DIÁRIO DE TREINADOR: Porquê treinador de jovens?
quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
Formação em Método de Coerver
DIÁRIO DE TREINADOR: Uma história para pensar...
Tom Tutko, o conhecido psicólogo americano, regressava a casa com o filho, depois de o ter acompanhado num jogo de futebol. A derrota que a equipa acabara de sofrer fez com que ele, enquanto especialista de psicologia, sentisse necessidade de dizer algo.
"Sabes João, 50% das equipas que entram num jogo de futebol perde; por isso a derrota é um resultado perfeitamente normal!"
Da parte do filho não sentiu qualquer reacção.
"Lembro-me bem, quando tinha a tua idade, de um dia ter participado numa competição que gostava muito de ganhar, e depois, ao não conseguir esse resultado, ter ficado muito triste", insistiu ele tentando acarinhar o filho com as suas palavras!
Perante tal insistência, o filho aproximou-se dele, pôs uma mão à volta do pescoço do pai e disse-lhe: "Não estejas preocupado...!"
Tutko entendeu, nesse momento, que quem estava mais perturbado com o resultado do jogo era ele... e não o filho!
O desporto jovem deve servir para os jovens retirarem satisfação por se relacionarem e criarem amizades com outros jovens, sejam eles companheiros ou adversários nesse momento. Também deve servir para melhorarem as suas capacidades e por via disso melhorar a sua auto-estima e assim continuarem interessados pela prática desportiva. Não quero com isto dizer que devemos esquecer de incutir nos jovens o desejo de serem melhores e de vitória, mas não deve ser essa a nossa maior preocupação enquanto treinadores e pais.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
DIÁRIO DE TREINADOR: Um dia em cheio
Esta semana mostrou-me porque eu gosto de ser treinador de jovens, mesmo tendo estado o dia todo "ocupado" com os miúdos posso dizer que cheguei ao fim com uma felicidade enorme.
Começando do inicio com a equipa de competição disputei a 4ªJornada, tendo até então obtido uma vitória, um empate e uma derrota. Era importante vencer este jogo para continuar a cumprir com os objectivos que eu defini para esta equipa. Este jogo fez-me ver, que ainda se trabalha muito mal no futebol jovem. Defrontei uma equipa que marcava H-H o campo todo e era esse o principal feedback do treinador. Revelando um pouco como joga a minha equipa, os meus miúdos têm ordens para sempre que um adversário que venha realizar contenção e não tenha cobertura defensiva eles devem realizar 1x1. Ora jogando a equipa adversária com marcação individual essa cobertura nunca acontecia e o jogo tornou-se naquilo que os meus atletas chamam de "joga bonito" tendo eu visto todo o tipo de fintas e dribles que eles conhecem.
Sendo o mais breve possível a primeira parte acabou com o resultado de 6-0 e três bolas ao poste, aspecto este curioso pois foi sempre o mesmo atleta a ter essa infelicidade. Na segunda parte a equipa adormeceu à sombra do resultado e o final do jogo chegou com o marcador em 8-0.
Passando agora para a segunda parte deste meu dia, fui com os meus "bebezinhos" de 99/2000 disputar a 1ª Jornada do Portugal Cup, um torneio muito conceituado para escolas de formação que se irá disputar durante os próximos 6 meses. Até agora só tinha ido com alguns deles a um torneio e com bons resultados, estava ansioso por ver os frutos do trabalho que tenho desenvolvido com eles.
Em cada jornada as equipas têm de disputar dois jogos, o único aspecto negativo que aponto à organização deste torneio é o facto desse dois jogos serem seguidos e com pouco tempo de pausa entre eles.
Falando agora dos jogos posso dizer que estou mesmo muito orgulhoso, estes miúdos jogam muito!!! Não me estou só a referir à técnica individual de cada um, mas também à atitude competitiva que já possuem e principalmente à capacidade que têm de entender o jogo. Não vou ser hipócrita e dizer que não me interessava o resultado, claro que sim, todas as equipas presentes o fazem, mas nunca irei comprometer a formação destes miúdos, esse sim o meu grande objectivo.
No final do dia acabamos com duas vitórias expressivas, 6-1 no primeiro encontro e 8-2 no segundo e, com todas as pessoas que viram o jogo a aplaudir e admiradas com a qualidade demonstrada por estes "bebezinhos". Só prova que estamos no bom caminho!
Quero também referir a presença de alguns observadores das equipas grandes que estão sempre prontos a aproveitar o trabalho realizado por todos estes clubes. Sei que ficaram interessados em alguns dos meus atletas, inclusive abordaram o pai de um deles. Que tal também terem uma palavra com o clube que os está a formar? Eu quando desempenho esse papel tenho sempre a preocupação de falar com o treinador, é quem os conhece melhor...
Por fim referir os maiores elogios que recebi e esses vieram dos miúdos e pais (esses é que me interessam), "mister gostamos muito de jogar nesta equipa" e "esteja descansado que daqui não vão sair, aqui é que eles estão a evoluir".
Tenho muito orgulho em ser treinador de todos estes miúdos e da relação que tenho com eles!
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
DIÁRIO DE TREINADOR: Uma questão de atitude
Como sabem, sou treinador de uma equipa de escolas B (sub-10 e sub-9). Há duas semanas iniciou a segunda fase do campeonato. A associação de futebol a que pertenço achou por bem que as equipas a defrontar seriam as mesmas da primeira fase, algo que não concordo porque não é motivante para os atletas, mas não é essa a questão.
Na primeira fase defrontei uma equipa que tem tradições no futebol português (a equipa sénior está na primeira liga) e os miúdos estiveram muito bem conseguindo derrotar essa equipa por 2-1. Ora o treinador dessa mesma equipa achou por bem nesta segunda fase levar 4 atletas mais velhos (sub-11). Curiosamente, o resultado foi ainda mais dilatado tendo a minha equipa obtido uma vitória por 4-1.
Embora não me considere senhor da verdade, nem nada que se pareça, há coisas que me parecem apenas um problema de bom senso. O treinador dessa equipa, que tinha no mínimo mais 15 anos do que eu, esteve constantemente a criticar os seus atletas com uma linguagem, que nem com adultos deve ter. No final do encontro protestou com tudo e com todos tendo mesmo realizado algumas ameaças para o jogo da segunda volta, que será realizado no seu estádio.
Será que só eu penso que as crianças aprendem com o ambiente em que vivem?
- Os jovens que vivem com as criticas constantes do treinador… aprendem a censurar.
- Os jovens que vivem com a hostilidade do treinador, pais, dirigentes… aprendem a ser conflituosos.
- Os jovens que vivem com treinadores que os ridicularizam… aprendem a ser envergonhadas e a sentir-se culpados.
Eu sou da opinião que as pessoas, especialmente os jovens, aprendem melhor seguindo um bom exemplo, do que através das palavras que lhes sejam ditas sobre a maneira correcta de agir, principalmente da forma como foram as deste treinador.
