
Frases que dizem muito...
quarta-feira, 5 de março de 2008
DIÁRIO DE OBSERVADOR: Jovens talentos na Internet

DIÁRIO DE OBSERVADOR: O dilema de Bilbao

Tudo porque Enric Saborit, de 15 anos, lateral esquerdo catalão que frequenta as escolas do Espanhol de Barcelona, deverá ingressar no Atlético na próxima época. Enric Saborit, que é visto, como um jovem muito interessante, inclusive já realizou vários jogos pela selecção catalã.
Este jovem vai mudar-se para o País Basco, onde reside a sua mãe que depois de visitar a academia do Atlético, terá acordado com os responsáveis do clube a sua integração no clube.
Como seria de esperar, as opiniões dividem-se. O coordenador da formação do Atlético, Luís Solar, considera existirem dezenas de casos similares ao longo da história do clube e que, por isso, não há nenhuma alteração profunda na filosofia do Atlético, já um dos seus antecessores no cargo, José María Amorrortu defende que este é um caso atípico, sem precedente, mas embora o aborde com algumas reservas, não o considera, à partida, inválido.
Outro dos assuntos em destaque na semana diz respeito aos dois jovens que o técnico Joaquín Caparrós utilizou na equipa principal, no amigável contra o Amorebieta, da terceira divisão local. São eles Iker Muniain e Jonás Ramalho. O destaque é ainda maior dado a idade dos atletas. Muniain tem 15 anos e Ramalho 14!
Se pensa que a notícia acaba nas idades dos atletas engane-se, a utilização dos dois jovens traz ainda outras particularidades. Jonás Ramalho, ou ‘El Adelantado’ como já é conhecido, não foi só o mais jovem jogador de sempre a alinhar pela equipa principal do Atlético de Bilbao, como o primeiro atleta negro a fazê-lo. De origens humildes, filho de pai angolano e mãe basca, Ramalho nasceu bem perto de San Mamés e é tido como uma das grandes, talvez a maior, esperanças da formação do Atlético de Bilbao, onde evolui há cerca de cinco anos, depois de ter começado nas escolinhas de futebol Lagun Artea, em Leioa, terra da progenitora.
CRÓNICA SEMANAL: Platini quer combater assédio aos jovens
Quando o Chelsea mostrou interesse na contratação do jovem prodígio italiano, Vincenzo Camilleri, de 15 anos ao Reggina, que também era seguido de perto pelo Manchester United, nunca pensou que iria iniciar uma batalha, já não era a primeira vez que comprava jovens desta idade, veja-se por exemplo caso dos portugueses, Ricardo Fernandes e Fábio Ferreira contratados ao Sporting CP.O presidente do Reggina, Lillo Foti, que tinha grandes esperanças no futuro do jogador, mostrou o seu desagrado pela transferência, “Deixaram-no assinar contrato mas obviamente só o usarão a partir de 7 de Março quando fizer 16 anos”, comentou um irritado.
Foti considerava que algo tinha de ser feito não só pelo Reggina mas por “todo o futebol italiano”, para defender os clubes de ficarem sem os seus atletas mais promissores após um grande trabalho nas camadas jovens.
Esta situação levou a que Michel Platini fala-se da intenção de “combater o actual sistema de tranferências de jogadores jovens”. O presidente da UEFA não gostou da e afirmou que, na sua opinião, os jogadores jovens “devem assinar o seu primeiro contrato profissional com os clubes que os formaram”. O ex-internacional francês referiu que está do lado do Reggina no caso do jovem Camilleri, que se recusou, inclusivamente, a jogar pela equipa italiana por já ter acordo com o clube londrino.
“Estou completamente contra a contratação de jogadores menores de outro país. Temos que acordar um regulamento. Eu fui para Itália com 27 anos, não saí do Nancy com 14 anos”, afirmou Platini.
Eu não sou tão radical como Michel Platini, não sou totalmente contra a contratação de jovens de outro país, por exemplo se um clube português contratar um jovem de Angola, Guiné-Bissau, etc. que estava no seu país a passar necessidades não pode ser considerado errado, mas claro que algo tem de ser feito para proteger os clubes mais pequenos do assédio às suas pérolas. Cabe a Platini como presidente da UEFA e aos vários dirigentes desportivos reunir e discutir que estratégias a seguir.
terça-feira, 4 de março de 2008
FUTEBOL JOVEM E O MUNDO: Fiorentina
Esta semana irei falar de um clube pelo qual muitos portugueses têm um carinho especial. A Fiorentina.Quando em 2002 o clube foi castigado e despromovido à série C2 (4ªdivisão) muito pensaram que seria o fim mas, a família Della Valle resolveu investir e entre outras decisões contractou Pantaleo Corvino ao Lecce, já em 2005, para a formação do clube.
Após 7 anos no Lecce, Corvino aceitou a proposta “O meu trabalho na Fiorentina é trazer, para o nosso futebol jovem, jogadores que futuramente estejam prontos para entrar na equipa principal e que tenham um elevado valor nacional e internacional.”
Corvino fala dos seus deveres como coordenador da formação, e como pensa que deve ser avaliado o seu trabalho. Alguns clubes, portugueses e estrangeiros, deviam ter acesso a estas palavras, “ Os recursos técnicos de uma equipa não podem apenas ser medidos pelo que o conseguem ir comprar mas também pelo que conseguem produzir internamente nas suas camadas jovens”
Para explicar o seu segredo para descobrir jovens talentosos, onde Corvino marca a diferença em Itália, refere, “Quase toda a gente consegue identificar um jogador decente, mas compreender o potencial de um jovem é trabalho para um especialista”. Eu também desempenho funções de observação e tenho exactamente esta opinião. Acredito sinceramente que o facto de treinar diversos miúdos nos últimos anos me tem ajudado a perceber este potencial nos jovens, embora a experiência seja dos principais factores, penso que melhoramos a cada observação, a cada treino.
Depois de seleccionados esses jovens talentosos é fundamental fazer um trabalho de qualidade ao nível do treino. Para tal são necessários treinadores de qualidade porque senão provavelmente o que irá acontecer é arruinar esse potencial anteriormente observado. Corvino dá liberdade a cada treinador, tal como os jogadores, não há dois treinadores iguais, cada um tem as suas ideias. Assim todas as semanas há uma reunião onde essas ideias são discutidas sempre com base nas ideias que o clube pré estabeleceu. Para o clube, nas camadas jovens o principal objectivo é o desenvolvimento dos aspectos técnicos sobrepondo-se à vertente táctica.
Tive acesso a um “plano de treino” da equipa sub-15 da Fiorentina, equipa essa treinada por Stefano Carobbi. Posso dizer que não me fascinou, por exemplo, para aquecimento têm aquele exercício típico dos jogadores frente onde um atira a bola com a mão e o colega vai passando de primeira, de cabeça, etc. Tem também, já na parte principal um exercício de marcação individual e o clube justifica essa opção dizendo que os defesas perderem a habilidade para marcar!
sábado, 1 de março de 2008
DIÁRIO DE OBSERVADOR: Duas situações diferentes com um problema semelhante

Hoje irei falar de duas situações que aconteceram em dois jogos que observei e que me parece que infelizmente acontecem muito.
A primeira situação aconteceu no jogo onde participou a minha equipa. A equipa de defrontei tinha 2 guarda-redes e sei que um deles é mais bem mais fraco que o outro. Sei eu e sabe o seu treinador que o deixa maioritariamente a suplente, até aqui tudo bem é a opção dele e compreende-se, o que não acho mais correcto, e importa aqui referir que é exclusivamente a minha opinião é mostrar ao miúdo que ele não conta. Claro que o treinador não diz a esse jovem o que eu disse, mas os miúdos percebem! Num jogo com duas partes de 25minutos, se ele apenas entra a 5 minutos do final e inclusive quando vai a entrar o treinador diz “espera, deixa marcar o canto primeiro” claro que ele fica a saber que a vontade do treinador é a de nem colocá-lo em campo.
A minha equipa também tem dois guarda-redes, joga uma parte cada um e, quem foi titular neste jogo será o suplente na semana seguinte. Não sei se é a maneira correcta, é apenas a minha maneira.
A outra situação passou-se no mesmo dia num jogo de sub-13. Uma das equipas tinha dois avançados com um nível superior aos restantes. Essa mesma equipa conseguiu colocar-se em vantagem e o treinador decide retirar esses dois atletas para descansarem, na jogada seguinte a equipa adversária marca e a primeira atitude desse treinador foi colocá-los de novo em jogo.
Com esta atitude o treinador está por um lado a mostrar a esses dois jogadores que são mais importantes que os outros. Mas até aceito, os miúdos também percebem que o são mesmo sem esta situação, mas e os restantes? Não está o treinador a mostrar à sua equipa que não confia nos restantes?
Para concluir apenas quero reforçar a ideia que esta é uma opinião pessoal e, enquanto não me convencerem do contrário a minha é a mais correcta.
DIÁRIO DE TREINADOR: Uma equipa com personalidade
Esta semana era contra uma equipa que estava ao mesmo nível, é isso que indica a classificação, ambas queriam ganhar para ficar à frente do adversário. Notei que os meus miúdos estavam com uma grande atitude, uma enorme vontade de mostrar o que sabem. Foi isso que aconteceu!
O jogo iniciou com uma jogada de perigo para a minha equipa mas infelizmente não foi aproveitada. A partir daí o jogo tornou-se equilibrado em termos de oportunidades, mas foi "engraçado" assistir a um jogo entre duas formas diferentes de encarar o jogo, a minha equipa a trocar a bola a cumprir tudo o que lhes é ensinado e que pertence ao nosso modelo de jogo, a equipa adversária num futebol directo incluindo o guarda-redes que, por incrível que pareça, foi o jogador adversário que mais rematou à baliza!
O golo da equipa adversária surge num destes lances, pontapé para a frente bola por cima dos defesas e para a nossa grande área onde estava acampado o avançado adversário (neste escalão não há fora de jogo) que à saída do meu guarda-redes coloca a bola na baliza e faz o primeiro golo do jogo.
O meu guarda-redes sentiu um pouco esse golo e a forma como foi alcançado, nas duas reposições seguintes da bola em jogo também chutou para a frente, mas depressa lhe foi transmitido que não era esta a nossa forma de jogar e que ele sabia o que fazer. Há uns dias utilizei umas palavras de um treinador sueco, Stefan Billborn, que diziam “Como treinadores temos de ser consistentes e ter fé nos nossos jogadores, se eles se sentirem confortáveis iram tomar iniciativa mesmo que às vezes cometam erros. Não podemos mudar o nosso estilo de jogo só porque jogamos num campo com má qualidade ou contra um adversário específico.” Concordo plenamente!
E foi a jogar da nossa forma que conseguimos o nosso golo, numa jogada bonita onde chegamos até à linha final a trocar a bola de forma brilhante, cruzamento e o médio do lado contrário apenas teve de empurrar a bola. Como dizem os miúdos “Chocolate”!
O jogo acabou com um empate, se calhar o futebol directo até resulta, mas tal como disse aos meus miúdos no final do jogo, não importa o resultado, importante sim é jogar bem e aí a vitória foi claramente nossa. Eles entenderam o recado e no blaneário festejaram. Parabéns aos miúdos que demonstraram uma personalidade fantástica, que compreendem o jogo e que sabem jogar futebol.
sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
FUTJOVEM.BLOGSPOT.COM: Sondagem
Diário de Treinador: 11 votos (44%)
Crónica Semanal: 8 votos (32%)

Diário de Observador: 5 votos (20%)

Personalidades: 1 voto (4%)

Selecção Nacional: 0 votos (0%)
Noticias Nac./Inter.: 0 votos (0%)
Campeonatos Nacionais: 0 votos (0%)
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
FUTEBOL JOVEM E O MUNDO: Brommapojkarna
Hoje vou iniciar uma nova categoria, Futebol Jovem e o Mundo. Nesta nova categoria irei falar de vários clubes e treinadores espalhados pelo mundo e claro que é tudo relacionado com o futebol jovem.
Nesta primeira semana irei até à Suécia, mais propriamente à cidade de Bromma, onde encontramos um clube, o Brommapojkarna, com um extraordinário programa para o seu futebol jovem.O Brommapojkarna tem como filosofia contratar treinadores jovens, "pensamos que é mais fácil para um jogador identificar-se com um treinador jovem". Como exemplo temos Stefan Billborn, treinador da equipa Sub-16 bem como da escola de futebol.
Neste momento Brommapojkarna é considerado o melhor clube sueco no que diz respeito à formação de jovens jogadores. Stefan Billborn viu vários dos jovens que já treinou serem chamados para as selecções jovens da Suécia e conseguiu atingir a final do Campeonato do Mundo de clubes sub-16 em Hong Kong.
Irei utilizar as palavras deste técnico para descrever a metodologia utilizada e que me fez estar aqui a falar deste clube praticamente desconhecido.
"O básico para cada jovem é vencer no 1x1. Como treinador quero um jogador tecnicamente desenvolvido e criativo bem como mentalmente positivo. As habilidades técnicas estão inseridas naquilo que chamamos "skills toolbox". Nós temos de colocar os jogadores em situações, que os levem a utilizar essas habilidades debaixo da pressão de um adversário. Este tipo de treino leva a que os jogadores refinem as suas habilidades em espaços reduzidos. Quando já tiverem assimiladas têm de reconhecer os locais e a altura em que as devem utilizar”
É muito interessante um clube sueco ter esta metodologia, virada para a técnica individual dos seus jogadores. Mas será fácil implementar esta filosofia num país onde este tipo de futebol não é usual? Billborn responde “Como treinadores temos de ser consistentes e ter fé nos nossos jogadores, se eles se sentirem confortáveis iram tomar iniciativa mesmo que às vezes cometam erros. Não podemos mudar o nosso estilo de jogo só porque jogamos num campo com má qualidade ou contra um adversário específico.”
Mas esta metodologia não assenta só em aprender habilidades técnicas, mas também na forma como serão adquiridas. Stefan Billborn tenta sempre estimular a mente dos seus jogadores colocando perguntas durante os exercícios e jogos."Com que pé deves receber a bola nesta situação?” ou “ Quando é melhor passar do que driblar?”. Estas são algumas das questões utilizadas. Os jogadores assim têm a sua mente estimulada e ficam com um conhecimento mais profundo do jogo. Os jogadores não são robots. Uma maneira de aprender é descobrir a resposta por si próprio e não sempre através do que diz o treinador. Esta forma de ensino é conhecida também por método socrático, colocar questões em vez de dar logo as respostas.
Muito mais havia para falar deste clube e desta metodologia! Deixo apenas uma frase final: “É da responsabilidade do treinador fazer com que os jogadores usem a cabeça”...
DIÁRIO DE OBSERVADOR: Os meninos de Milão
Quando Pato rematou e na sua estreia fez um grande golo, estava instalada a euforia em Milão. Já toda a gente sabia que ali estava um talento mas a sua afirmação tão rápida impressionou até os adeptos do Milan. Já no rival Inter, apesar de líderes, muitos adeptos sentiram-se em desvantagem, pois não tinham um jovem em que pudessem depositar todas as suas esperanças num futuro brilhante.
Não tinham, mas depressa arranjaram. Mario Balotelli, ou ‘Turbomario’ já está a empolgar a parte ‘nerazzurra’ de Milão. Com somente 17 anos, Balotelli já é a maior esperança do Inter de ver um craque crescer vindo da formação.
Mario Balotelli Barwuah é um jovem que nasceu em Palermo, a capital da Sicília, em 12/08/1990. Palermo, é a cidade italiana mais próxima da África, por isso é visto como uma porta de entrada para imigrantes desse continente que procuram a sua sorte na Europa. Foi o que se passou com os pais de Balotelli oriundos do Gana. O seu nome italiano é devido ao facto de ter sido criado por um casal italiano.Futjovem.blogspot.com
Em campo, o atacante é o protótipo do jogador africano, com uma explosão impressionante e uma habilidade visível. Contudo, tendo crescido na Itália, tem uma interpretação do jogo que o poupa de dribles desnecessários. O clube está empolgadíssimo. Se ele tiver espaço, isto é, hipóteses para jogar, tem tudo para crescer.
Futjovem.blogspot.com
18 Segundos. Foi o tempo que Alberto Paloschi precisou para sair do banco de suplentes, entrar no campo, receber um passe e, da entrada da área, disparar um míssil longe do alcance do Guarda-Redes dando a vitória ao Milan sobre o Siena. Estava dada a resposta ao Inter e ao aparecimento de Balotelli. Paloschi não teve os mesmos holofotes, aliás muitos adeptos “rossoneros” nem o conheciam. Assim, sem alarido, vindo das camadas jovens do clube, impressionou nos três primeiros jogos pela equipa principal, actuando, no total, 173 minuto e onde conseguiu 3 golos, dois na taça de Itália e outro para o campeonato nacional.
Futjovem.blogspot.com
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
FUTJOVEM.BLOGSPOT.COM: Desafio aos leitores

Os leitores mais assíduos provavelmente repararam que coloquei mais um "contador" novo no blogue, foi apenas por curiosidade de ver os países que assediam a este local.
Neste momento foram 24 países diferentes, mas isto deu-me uma ideia. Há um tempo atrás fiz um post com a história de um treinador brasileiro que esteve na Austrália, onde era contada a sua experiencia nesse pais e as formas de trabalhar.
É daí que surge este novo desafio, caso algum leitor tenha vivido uma experiência relacionada com o futebol de formação noutro pais e esteja disposto a partilhar, envie um email com o seu testemunho para fut.jovem@gmail.com e futuramente será publicado.
Aguardo os vossos emails!
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
DIÁRIO DE TREINADOR: Processo de treino
Concordo plenamente com esta frase, primeiro ensinamos aos nossos atletas depois vão treinar essas aprendizagens com o objectivo de as aperfeiçoar. Para muitos provavelmente isto vai parecer lógico mas acreditem que a realidade já me mostrou que nem todos pensam nisto.
Já houve treinadores que me disseram que ficam admirados com os seus atletas, nos jogos não fazem aquilo que ele os manda fazer nos treinos. Eu pergunto-me, será que ele os ensinou a fazer? Um exemplo prático, nos diversos jogos que vejo, seja os meus ou de outras equipas, diversos treinadores ficam alterados quando os seus jogadores “vão à queima”. É comum ouvir o treinador gritar, “estou farto de lhe dizer isto nos treinos”.
E porque não optar por ensinar o atleta o que é a contenção? Transmitir para o que serve e quais as vantagens que ele pode alcançar ao efectuar correctamente esse principio de jogo. Aí sim podemos ir para o treino aperfeiçoar e com toda a certeza que irá correr melhor.
Muitos dos treinadores esperam que os seus jogadores joguem de uma forma que parece um jogo de playstation, isto é, eles do banco dizem, a cada situação que ocorre no jogo, o que eles devem fazer o mesmo se passa nos treinos. Eu sou da opinião que os devemos ensinar a pensar, ou seja, que eles saibam qual a melhor forma de resolver determinado problema. Assim quando acontecer uma situação de 1x1 o meu jogador já não “vai à queima” e eu não digo, “estou farto de lhe dizer isto nos treinos”.
DIÁRIO DE TREINADOR: Bom jogo
O trabalho incidiu sobre a organização defensiva, espírito de sacrifício e agressividade. Todos os miúdos sabiam que era muito complicado vencer este jogo mas notei durante a semana uma atitude extremamente positiva em relação ao jogo.
Era muito importante começar bem, segurar o ímpeto ofensivo da equipa adversária e à medida que o tempo fosse avançando ganhar confiança e procurar a surpresa, mas no primeiro minuto do jogo, num lance muito estranho a bola, entre alguns ressaltos, passa a linha de golo, ninguém ficou com a certeza se tinha sido golo ou não, aliás nenhum atleta nem espectador festejou o golo. Fiquei com algum receio da reacção dos miúdos a este golo mas novamente fizeram questão de provar que têm uma excelente atitude e sem receio disputaram o jogo de igual para igual durante a primeira parte, inclusive tivemos uma excelente oportunidade de golo que infelizmente não foi aproveitada. A primeira parte acabou com o resultado de 0-3, sendo que o último golo foi no último minuto. Não estávamos com sorte, mas foi uma primeira parte muito positiva.
A segunda parte já não correu da forma que eu estava à espera, cometemos alguns erros e estas equipas aproveitam e vão dilatando o resultado. Outro dos objectivos que tinha para este jogo era conseguir um golo e infelizmente não conseguimos, ainda acertamos duas vezes nos postes! O jogo acabou com uma resultado exagerado de 0-8, não mostra o que realmente se passou, no global fizemos uma jogo muito bom e onde se notou claramente que a equipa está a evoluir e sinceramente sendo uma equipa com jogadores sub-9 e sub-10 é isso que me deixa satisfeito e foi isso que lhes transmiti no final e que eles assimilaram e concordaram.
Agora que esta segunda fase está a chegar a um ponto importante sinto-me satisfeito com o trabalho realizado. Tenho todos os meus jogos gravados e é perfeitamente visível a evolução porque estão a passar estes jovens. Ainda há muitos jogos e temos de continuar a trabalhar.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
CRÓNICA SEMANAL: Declarações da Secretária de Estado
Esta semana resolvi juntar-me à polémica que se instalou devido às declarações da Secretária de Estado da Reabilitação, Idália Moniz.Futjovem.blogspot.com
A secretária de estado afirmou que "as escolinhas de futebol são uma das razões para o abandono escolar" em Braga, onde, "para além de questões como a negligência dos pais e o abandono escolar", aquelas recebem "muita atenção" porque "as crianças não podem trocar a escola por locais onde aprendem a jogar futebol".
Será que ninguém lhe disse que as escolas de futebol funcionam depois de terminarem as aulas? É ridículo dizer que faltam às aulas para irem para as escolas de futebol. Por exemplo a escola de futebol onde eu trabalho é para miúdos desde os 5 aos 14/15, miúdos que estão dentro da escolaridade obrigatória, só mostra que a Sra. Secretária não está por dentro do assunto das escolas de futebol, devia procurar informar-se melhor em vez de perder tempo a dar entrevistas para criticar.
Idália Moniz continua dizendo que "Havia um conjunto de sinalizações que correspondiam a meninos que tinham absentismo escolar e, ao mesmo tempo, frequentavam escolinhas de futebol. A Comissão (de Protecção de Crianças e Jovens em Risco de Braga) desenvolveu um projecto com as escolinhas e hoje são os próprios treinadores que os sensibilizam para não faltarem à escola".
Eu acredito que a maioria dos treinadores já sensibilizavam os jovens para a importância da escola, mas mais uma vez eu reforço nenhum miúdo falta às aulas para ir para uma escola de futebol, que pais deixam isso acontecer pensando que o miúdo vai ser jogador quando está numa escola de futebol? Nem quando estão nos clubes grandes, onde têm mais hipóteses de singrar no mundo do futebol isso acontece. Na minha humilde opinião, em vez de tentarem atribuir as culpas para as escolas de futebol, podiam tentar perguntar aos miúdos porque não gostam de estar na escola, provavelmente ficariam com uma visão mais clara do que se passa na realidade.
Idália Moniz ainda usou o seu caso pessoal para falar deste tema, "Tenho um filho que joga andebol no Belenenses e sei que a secção de Andebol faz depender as convocatórias do aproveitamento escolar".
Parabéns à secção de Andebol por esta atitude, mas será que ela foi perguntar às restantes secções desse e de outros clubes o que costuma fazer?
Segundo a governante, o que acontece é que "algumas crianças que faltam às aulas frequentam escolinhas de futebol" e, como há "um interesse comum", é importante encontrar-se "uma forma de as cativar".
Claro senhora secretária peça ajuda a outras pessoas/entidades para resolver os problemas que a sua secretaria e ministério da educação não consegue. Numa coisa tem razão é preciso cativá-las para a escola, agora não peça aos treinadores para fazer isso, essa é a sua competência. Eu até acho que neste momento os miúdos ficam tempo de mais na escola, têm muitas actividades depois das aulas e muitas eles nem gostam de fazer, os governantes deste país pensam que quanto mais tempo os miúdos ficam na escola mais aprendem, eu acho que é errado. Deixem os miúdos socializarem, eles precisam de tempos livres para gozar a juventude, assim também se aprende e muito.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
DIÁRIO DE TREINADOR: Como explico aos miúdos?
O jogo iniciou e desde o primeiro minuto, a equipa adversária, habituada ao mau terreno do seu campo (como é possível um clube destes ter aquelas condições) utilizou um futebol directo. Ora a minha equipa não sabe jogar assim e mesmo com este campo demos um "baile de bola". Estávamos a realizar um jogo extraordinário, com as oportunidades de golo a surgirem umas atrás das outras. Acabámos a primeira parte a vencer 2-0 mas era um resultado muito curto para o que se passou.
Na segunda parte uma pessoa mudou o jogo, nunca aqui falei dos árbitros mas desta vez tem de ser. Quando fui para este jogo já sabia que o ambiente ia ser complicado e que os árbitros muitas vezes deixam-se levar por isso, mas nunca pensei notar uma alteração tão grande de uma parte para outra. Depois do intervalo o árbitro começou a marcar faltas por tudo e por nada, cortou claramente o ritmo ao jogo e a minha equipa sentiu isso, não conseguíamos fazer um ataque sem ter de parar 2/3 vezes. Com tudo isso a equipa adversária lá consegui equilibrar e marcar um golo. Mas o incrível aconteceu na jogada seguinte onde, em mais um lance de futebol directo e avançado adversário recebe a bola e corre em direcção à baliza, dentro da área por azar pisa a bola e consequentemente cai, o árbitro esse conseguiu ver ali um penalty!! Os miúdos ficaram de rastos com este lance, é complicado para estes jogadores, são miúdos não compreendem que há equipas com mais poder que outras... A equipa adversária, empatou o jogo.
Agora eu pergunto, como explico aos miúdos que neste jogo, onde fomos mesmo muito superiores nos impediram de ganhar? Como explico o penalty que o árbitro marcou quando um jogador pisou uma bola e caiu? E os outros dois que não marcaram para nós?
Parabéns à minha equipa que deu uma lição de futebol, tenho jogadores que, com toda a certeza, já percebem melhor o jogo que alguns adultos que se encontravam naquele campo.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
DIÁRIO DE OBSERVADOR: Um projecto interessante

CRÓNICA SEMANAL: Uma boa ideia
Acabaram de ficar definidos, os 132 nomes que participarão do draft espanhol. Entre os seleccionados, estão Sergio Asenjo, Markel Susaeta e Bojan Krkic, três das maiores revelações da Liga espanhola nessa temporada.
Estes jogadores seleccionados para este draft, não estão à disposição para serem contratados pelos clubes, a exemplo do que ocorre nos Estados Unidos, trata-se sim, do maior prémio atribuído às promessas do futebol jovem do pais vizinho. O Fútbol Draft.
Nesta terceira edição, o evento, que ocorrerá entre os dias 11 e 12 de Maio no estádio Santiago Bernabéu, além de eleger os destaques para o futuro, também terá discussões em torno do trabalho realizado nas divisões inferiores. Profissionais como os técnicos das equipas de formação espanholas, Iñaki Sáez e Ginés Menéndez, e o romeno Gica Craioveanu, representante da Liga, prestarão suas contribuições não só nesses debates, mas, também, na votação que formará as três equipes - divididas nas categorias ouro, prata e bronze.
Para esse ano, a novidade é a decisão de se restringir o alcance da selecção, isto é, só poderão ser escolhidos jovens entre os 20 e 16 anos. O processo de construção das equipes do Fútbol Draft ocorrerá em quatro etapas. Está previsto, para breve, a escolha de 77 nomes, provenientes da primeira lista. No próximo dia 26 de Março, essa lista será reduzida para 55, enquanto, em 16 de Abril, serão anunciados os 33 nomes finais para as três equipas.
Realmente parece-me uma excelente ideia e uma forma de todos os adeptos conhecerem as suas futuras estrelas e perceber como se está a trabalhar no futebol de formação nesse país. De referir que ainda há poucos dias a nossa selecção de sub-16 perdeu com a selecção espanhola por 7-0! Provavelmente faz-nos falta também estes debates para discutir o trabalho realizado no futebol de formação...
crónica dispovel em http://mestresdofutebol.blogspot.com/
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
DIÁRIO DE OBSERVADOR: Uma dura realidade

Esta semana fui observar um jogo que me mostrou uma "triste" realidade. Não irei referir o nome da equipa observada, mas espero que esta situação seja de alguma forma utilizada como um exemplo a não seguir.
Este clube, alegadamente por falta de condições apenas possui uma equipa para os escalões de sub-10, sub-11, sub-12 e sub-13, ou seja, há atletas a competir com adversários 3 anos mais velhos. Nesta equipa existem jovens de muita qualidade que, todas as semanas, são goleados porque não estão a competir no campeonato apropriado à sua idade.
Se o clube não tem condições, porque faz esta equipa? Porque leva estes miúdos, todas as semanas, a outros campos para serem goleados? Estão a prejudicar a formação destes jovens que, volto a referir, têm muita qualidade.
Sei que a maioria destes miúdos são de familias com dificuldades, assim não têm possibilidade de os colocar em outros clubes onde se paga uma mensalidade mas, as várias equipas vizinhas deviam aproveitar estes miúdos e coloca-los nos escalões apropriados, nem que abrissem uma excepção, com toda a certeza seria benéfico para ambas as partes.
domingo, 10 de fevereiro de 2008
DIÁRIO DE TREINADOR: Bom jogo, mau resultado.
Esta semana tinha um jogo extremamente difícil, com uma das melhores equipas do campeonato e com a possibilidade de ter alguns dos melhores jogadores de outros clubes.
Foi uma semana onde apenas realizei um treino devido ao período de carnaval e onde não pude contar com alguns atletas, apesar de todas estas contrariedades estava confiante em conseguir um bom jogo e também um bom resultado. Foi um jogo em que planeei uma alteração no sistema de jogo para uma determinada altura do encontro, essa alteração estava prevista por ter "estudado" a forma de jogar dessa equipa.
O jogo começa com os meus miúdos sem medo nenhuma da equipa adversária, que grande jogo estava a fazer, sinceramente penso que estávamos a ser superiores. A dada altura informei os meus atletas que era a hora de alterar o sistema táctico e o resultado foi o esperado, a equipa adversária ficou baralhada e por duas vezes tivemos um jogador isolado frente ao guarda-redes e não conseguimos aproveitar. Nos 3 minutos finais da primeira parte dois erros da nossa equipa deram dois golos da equipa adversária! É mesmo verdade, quem não marca sofre.
Na segunda parte entramos mal e a cometer erros que não são habituais e com as individualidades como uma equipa destas tem o resultado foi sendo dilatado, em 2 minutos sofremos 3 golos. Tive de transmitir, aos meus atletas, alguma calma, estavam completamente em baixo. Mas estes miúdos realmente têm uma grande atitude e, dentro do campo conversaram uns com os outros e juntos conseguiram adquirir alguma calma e voltaram de novo a estar por cima no encontro tendo novamente desperdiçado algumas oportunidades incluindo 2 bolas ao poste.
O resultado final de 6-0 não mostra o que realmente se passou em campo, a vitória da equipa adversária é justa, mas nunca por estes números. De salientar a mentalidade e a forma como jogou a minha equipa, até o árbitro deu os parabéns e considerou o resultado exagerado.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
CRÓNICA SEMANAL: Centros de Estágio
