Frases que dizem muito...

"A forma não é física. A forma é muito mais do que isso. O físico é o menos importante na abrangência da forma desportiva. Sem organização e talento na exploração de um modelo de jogo, as deficiências são explícitas, mas pouco têm a ver com a forma física." (José Mourinho)

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

DIÁRIO DE TREINADOR: 4 meses de trabalho...

Parece-me importante nesta fase fazer um balanço destes últimos 4 meses de actividade. Como alguns de vocês sabem este ano iniciem um novo projecto, num novo clube, clube esse que me convidou presumo eu por pensarem que tinha alguma coisa a acrescentar.

Infelizmente não saí do meu antigo clube da melhor maneira, algumas divergências de ideias sobre o futebol levaram-me a mim e a outros colegas a deixar um projecto a que nos dedicámos totalmente e que estava a ser muito positivo para nós mas principalmente para o clube. Ainda hoje, penso que as nossas ideias eram as correctas e que tínhamos tudo para continuar a evoluir da mesma forma como o estávamos a fazer. Mas não foi abandonar o clube o que mais me custou, mas sim todos os miúdos com quem trabalhava e com quem tinha uma relação muito boa, não só os da minha equipa de competição mas todos os que estavam na nossa escola de futebol. Ainda hoje dou por mim a tentar saber como está a ser o seu desenvolvimento. Embora a mensagem que o clube tenha passado para fora não fosse a correcta nunca entrámos em diálogo pois quem lidava connosco directamente sabia o que realmente se passava. Como o clube disse ficaram melhor servidos, desta forma ficou o assunto resolvido, mas será que hoje ainda pensam da mesma maneira? Eu penso!

Iniciei o novo projecto com a máxima dedicação e entrega, não o sei fazer de outra forma, claro que também com algumas expectativas.

Hoje essas expectativas foram claramente cumpridas e muito ultrapassadas, encontrei um grupo de treinadores fantástico, é incrível como nos ajudámos mutuamente, em todos os nossos jogos temos sempre dois ou três colegas a assistir com quem posteriormente trocamos ideias de como melhorar as nossas equipas e os nossos miúdos. Temos também a preocupação de conhecer as equipas e os atletas uns dos outros de forma a que também os miúdos percebam este grande “espírito de família” como diz um dos meus colegas. Há realmente um ambiente fantástico, que ajuda muito à motivação diária e que é visível em todos nós.

Também o grupo de miúdos com quem trabalho, sejam os 33 das minhas equipas de competição, sejam os da minha turma da escola de futebol, seja também os dos outros escalões e com quem me cruzo diariamente é fantástico. Desta forma é fácil o balanço ser claramente positivo e os desejos para o próximo ano são de continuação de um excelente trabalho.

Como dizia um treinador com quem trabalhei enquanto atleta e que muito me transmitiu, “desejo a todos o dobro daquilo que me desejam a mim”.

DIÁRIO DE TREINADOR: Algo para melhorar...

Antes de mais espero que esta altura de Natal e Ano Novo esteja a correr da melhor maneira para todos os leitores.

Embora este texto venha quase com uma semana de atraso é importante escrever pois sei que há pessoas que têm acompanhado o meu diário de treinador.

Este fim-de-semana passado tínhamos dois jogos muito complicados, a equipa A contra uma equipa em fase crescente com excelentes resultados nos últimos jogos, a equipa B jogava contra a melhor equipa do campeonato, um excelente teste para estes miúdos.

Para o jogo da equipa A levei os miúdos menos utilizados, embora consciente da grande dificuldade do jogo. Também houve alguns miúdos que estavam impossibilitados de ir a este jogo por diversas razões. A confiança e o objectivo para este jogo estavam iguais a todos os outros, assim, procurávamos uma nova vitória.

Começámos bem o jogo e logo aos 4 minutos conseguimos vantagem no marcador num excelente lance colectivo, esta vantagem foi reforçada dez minutos depois.

Com este resultado não poderíamos perder o domínio do jogo, a nossa manutenção da posse de bola teria de começar a ser um aspecto fundamental, foi aqui que falhámos, talvez pela ausência dos miúdos com mais minutos e que conseguiriam nesta altura assumir o jogo, a equipa adversária cresceu, perdemos o controlo do sector intermédio e nos últimos 3 minutos da primeira parte consentimos dois golos e o empate.

Ao intervalo procurei dizer a estes miúdos que confiava neles e que a vitória era um objectivo perfeitamente alcançável.

No primeiro minuto da segunda parte a equipa sofre um novo golo e passámos a estar em desvantagem, a partir daqui os pais dos miúdos tanto da nossa equipa como da adversária começaram a trocar algumas palavras, penso que nunca mais os miúdos se conseguiram concentrar totalmente no jogo. Viu-se um jogo confuso, jogado com pouca inteligência e muito à base da emoção, conseguimos empatar aos 10 minutos da segunda parte mas logo no minuto seguinte eles voltaram a ficar em vantagem, voltamos a empatar a três minutos do fim mas no último lance do encontro com muita sorte eles conseguem vencer.

Foi a primeira derrota da equipa e apesar dos pais e os miúdos se queixarem da arbitragem (com alguma razão) não foi por isso que perdemos. A culpa foi nossa, minha principalmente que não consegui transmitir aos miúdos as ideias que pretendia, dos pais que não ajudaram os miúdos a terem a calma suficiente neste encontro. No meio disto tudo como eu digo “aproveitam-se os miúdos”. Foi uma lição para mim, para os pais com quem tive uma conversa sobre isto e também para os miúdos que mais uma vez mostraram uma enorme vontade de vencer todos os jogos.

Este resultado em nada muda o nosso objectivo para esta fase e agora é trabalhar para alcançarmos o que pretendemos.

O jogo da equipa B foi de tarde o que me possibilitou acompanhar os dois jogos algo sempre positivo para mim e para os miúdos.

Os miúdos, embora já tivessem ganho este ano a um dos grandes, entraram com muitos nervos, todos sabiam que esta equipa é muito forte, desta forma aos 5 minutos já perdíamos por 2-0, felizmente a partir desse momento tudo mudou, a equipa acalmou e começou a jogar da forma que pretendemos. Mais uma vez fui surpreendido por estes miúdos, jogaram de uma forma fantástica com muita qualidade, infelizmente não conseguimos alterar o resultado (merecíamos).

Ao intervalo, em conversa com os miúdos, todos concordávamos que estava a ser um jogo muito bom e que o resultado deveria ser outro, apesar de ser justo a vantagem da equipa adversária.

A segunda parte decorreu da mesma forma, um jogo muito equilibrado e infelizmente sem conseguirmos marcar um golo que nos aproximasse. Acabámos por sofrer mais um golo já no fim do jogo mas a nossa exibição foi muito positiva.

A vitória foi justa embora pudesse ser com outro resultado, era justo para os nossos miúdos que fizeram tudo da melhor forma, ficámos muito satisfeito com eles. Foi isso que lhes dissemos, também a equipa adversária deu-lhes os parabéns pelo bom jogo efectuado.

É realmente uma equipa com qualidade, que trabalha muito bem, são 33 miúdos com quem me orgulha trabalhar e que todos os dias me fazem querer melhorar.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

DIÁRIO DE TREINADOR: Condições muito dificeis...

Está mesmo complicado arranjar tempo para vir aqui escrever, é uma altura complicada este fim de ano.

Esta semana voltávamos a jogar em casa depois de duas jornadas a jogar fora. Os A jogavam com uma equipa a meio da tabela enquanto os B jogavam contra um equipa da metade superior que está na zona que dá acesso à segunda fase A.

Foi uma semana muito má de trabalho, segunda-feira optámos por dar folga aos miúdos para os pais puderem aproveitar o fim-de-semana grande. Na terça vamos treinar sempre a outro campo, esta semana quando chegámos o campo estava ocupado o que nos alterou o treino todo e foi um treino muito mais curto, quinta-feira para fazer a convocatória foi muito fácil temos neste momento 34 jogadores, ou seja, todas as semanas ficam 10 jogadores de fora mas temos dois que ainda não estão inscritos, dois só fizeram um treino esta semana, outros dois lesionados já faz alguns meses e 4 estavam doentes…

Falando dos jogos o primeiro foi da equipa A, onde a estratégia passava por uma entrada muito forte da nossa equipa, estava a chover muito e o campo começava a ficar alagado por isso queria ganhar vantagem no marcador rapidamente. Assim foi, conseguimos um golo logo no primeiro minuto ficando a equipa mais tranquila para jogar com as várias contingências deste jogo. Ao intervalo o resultado estava em 5-0.

Ao intervalo voltei a alertar para o estado em que estava a ficar o campo, a bola já rolava muito pouco o que complicava muito a nossa forma de jogar, seria preciso os miúdos se adaptarem…
A segunda parte correu melhor em termos de resultado, conseguimos igualar a nossa maior goleada da época mas o futebol praticado não foi tão atractivo…

De seguida o jogo da Equipa B, onde o campo estava muito alagado, para terem uma ideia do que choveu no primeiro jogo, o árbitro, depois do jogo dos A disse que não conseguia estar presente no segundo pois estava a sentir-se muito mal, cheio de febre e que era mesmo impossível continuar.

Depois dos delegados concordarem com a pessoa que iria fazer o papel difícil de árbitro o jogo iniciou. Os nossos miúdos, apesar de tudo, tentavam jogar da forma que procuramos mas era mesmo impossível, a bola não conseguia rolar, sempre a ficar presa na água. Já a equipa adversária muito bem optava por um jogo directo tendo na frente um jogador rápido.

Os adversários marcaram primeiro num lance confuso na nossa área com a bola a ser empurrada para dentro da baliza, a partir daí a nossa equipa foi para o ataque à procura do empate mas estava a ser muito complicado. Já na parte final apareceu o tão esperado empate na melhor jogada do encontro.

Ao intervalo conversámos com os miúdos para eles entenderem porque a outra equipa estava a ter mais sucesso na maneira que estavam a jogar, é importante que eles percebam que queremos continuar a seguir a nossa forma de jogar apesar de ser impossível nestas condições.

A segunda parte continuou da mesma forma, a nossa equipa a procura o golo e a equipa adversária bem fechada na sua área e a optar por futebol directo, estratégia essa que estava a resultar na perfeição com o avançado a aparecer várias vezes isolado.

Acabámos por sofrer a primeira derrota da época por 3-2 num jogo onde, não tenho qualquer dúvida, éramos de longe a melhor equipa mas, por querermos seguir a nossa forma se jogar fomos infelizes. A equipa adversária muito bem, escolheu uma estratégia mais adequada a este terreno e assim consegui ser mais eficaz.

Foi uma situação diferente para estes miúdos e assim temos de encarar este episódio como mais uma etapa de aprendizagem. Para a semana a equipa B jogam contra a equipa mais forte do campeonato enquanto que os A têm um jogo complicado contra uma equipa que está a fazer um bom campeonato e que precisa da vitória para continuar na luta pelo apuramento.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

DIÁRIO DE OBSERVADOR: Excelente iniciativa...

Este fim-de-semana estive a observar um torneio internacional, com algumas das melhores equipas nacionais e uma equipa espanhola, mas não é essa a razão que me leva a escrever este texto.

A par desse torneio realizava-se um torneio entre algumas das freguesias do concelho onde se realizava este torneio. Este torneio era para miúdos até 12 ano de idade que não fossem federados. Estas freguesias, a meu ver muito bem, foram seleccionar os miúdos às várias escolas e instituições da freguesia, muitos deles carenciados e de bairros sociais complicados.

Excelente ideia, primeiro pela vertente social presente nesta iniciativa com estes miúdos a estarem envolvidos numa “actividade” com outros miúdos que neste momento estão nos clubes que muitos deles admiram, foi muito engraçado ver a atenção com que os miúdos estavam a assistir aos outros jogos. Conheço alguns miúdos destas equipas de bairros devido à minha outra actividade, dou aulas de educação física ao primeiro ciclo, é de extrema importância para o seu desenvolvimento existirem iniciativas deste género.

Depois também o clube que Co-organizou este torneio pode tirar partido desta actividade, em poucas alturas se consegue juntar tantos miúdos que não pertencem a outros clubes de forma a observar as suas qualidades, quem sabe se alguns deles não podem ser escolhidos para as suas equipas.

Resumindo, uma excelente iniciativa que poderia e deveria ser repetida mais vezes por parte de outros clubes, câmaras municipais, instituições, etc.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

DIÁRIO DE TREINADOR: Acreditar até ao fim...

Esta semana tínhamos dois jogos muito complicados, os A jogavam fora num campo sempre complicado com uma equipa que só tinha uma derrota enquanto os B iam jogar contra um dos “grandes”. Foi uma semana complicada de trabalho mas no final estava confiante num fim-de-semana positivo.

Para o jogo da equipa A tínhamos uma estratégia que me levava a optar por defesas um pouco mais velozes. Aos dois minutos devido a lance mais agressivo de um atleta adversário um desses defesas teve de sair. Isto resume como foi o jogo, diversas situações adversas que ainda dificultaram mais este jogo. Aos 10 minutos, através de um livre, a equipa adversária atira a bola bombeada para a área, um ressalto infeliz leva a bola para a baliza fazendo 1-0, pela primeira vez esta equipa estava a perder.

A partir daqui o jogo acabou para a equipa adversária, o objectivo deles passou a ser não deixar jogar, os jogadores que já por sim jogam sempre de uma forma um pouco mais agressiva passaram a receber feedbacks para aguentarem o resultado e começámos a assistir a um jogo de sentido único e com aquilo que os treinadores agora chamam de autocarro em frente da baliza e com muita agressividade por parte dos miúdos.

A minha equipa construía diversos lances mas quando rematávamos a bola batia sempre num jogador, literalmente tiro ao boneco. Perto dos vinte minutos conseguimos finalmente o empate mais do que justo num lance fantástico dos meus miúdos que acaba com um cruzamento e remate de primeira sem hipótese para o guarda-redes.

A seguir aconteceu um lance que provocou o maior susto dos últimos tempos. O jogador mais forte que tenho no 1x1 tinha acabado de entrar, já tinha tido sucesso nestas situações três ou quatro vezes mas, num desses lances, um jogador adversário entra muito duro, o que provoca a queda desse miúdo, assim que isso aconteceu o miúdo começa a gritar, completamente aflito, agarrado ao peito sem respirar, prontamente corri na sua direcção tentando perceber melhor o seu estado, com os nervos o miúdo continuava sem respirar, que aflição! Felizmente consegui acalmar o miúdo e ajudá-lo a recuperar o ritmo respiratório. Naturalmente tive de o voltar a tirar, teve menos de 5 minutos em campo durante a primeira parte.

A segunda parte ainda foi mais incrível, com a equipa adversária completamente remetida à sua grande área e os remates a serem constantes, que jogo incrível! Apenas a 3 minutos do fim conseguimos finalmente obter sucesso e pelo miúdo que na primeira parte tinha pregado aquele enorme susto a toda a gente, merecia este prémio. Que jogo sofrido para estes miúdos!

Este jogo foi muito importante, mostrou uma face mais lutadora dos miúdos, com garra, espírito de sacrifício e vontade de vencer. Muito positivo!

A equipa B jogava contra um dos grandes, sabíamos que seria difícil vencer e manter a equipa sem golos sofridos. Confirmou-se, aos 30 segundos sofremos o primeiro golo no campeonato, pouco depois o adversário aumenta a vantagem. Também estes miúdos tiveram de demonstrar o seu carácter lutador e foram à procura da baliza adversária e do objectivo que tínhamos para este jogo, ganhar.

No intervalo o jogo já estava em 2-2, incrível como estes miúdos a jogar em casa de um dos grandes a perder 2-0 assumem o jogo dominando o adversário. Foi isso que lhes dissemos, que eles estavam a ser superiores e que conseguiam ganhar este jogo.

Na segunda parte estivemos de novo em desvantagem, a cinco minutos do fim o resultado estava em 4-3 para o adversário. Sempre acreditámos, os miúdos continuaram sempre à procura da vitória que foi alcançada mesmo no último minuto. Conseguimos uma vitória justíssima por 5-4 num jogo emocionante.

Assim, apesar de a nossa equipa B ter sofrido os primeiros golos no campeonato, conseguimos mais duas vitórias muito importantes e com toda a certeza estes jogos fortaleceram o nosso espírito de equipa. Muitos parabéns aos meus meninos, são fantásticos!

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

FUTJOVEM.BLOGSPOT.COM: Comunicado

Os que acompanham mais assiduamente este espaço com toda a certeza notaram que não tenho colocado tão assiduamente textos como o fazia. Este ano tenho tido menos tempo para escrever, aliás aproveito para pedir a compreensão dos blogues com quem colaboro.

Estou a acabar a faculdade, dou aulas de educação física, tenho os meus treinos e jogos bem como as observações ao fim de semana, para além disto tento ter vida social, o que também tem sido complicado. Naturalmente existe alguma falta de tempo, mas se querem que vos diga gosto muito do que faço, aliás continuo à procura de mais oportunidades, de novas colaborações na área do futebol, embora não seja fácil.

Irei continuar com este espaço, não está isso em questão, foi um espaço que me ajudou muito a pensar no futebol jovem, fui muitas vezes incompreendido, recebi e ainda recebo algumas “críticas” por ter um espaço destes, neste país há muita gente que gosta é de pessoas sem opinião…

Passou um ano e meio desde o inicio desta aventura, passaram por aqui mais de 30 mil visitantes, é um número interessante e que me faz querer continuar. Infelizmente o meu projecto deste ano criar uma base de dados de pessoas ligadas ao futebol não teve a aderência pretendida, desde já um obrigado às pessoas que se associaram.

Continuem a passar por aqui, se quiserem colaborar com este espaço também podem, isto é, enviem as vossas imagens, fotografias, textos, tudo o que quiserem, estou sempre pronto a aprender a conhecer novas realidades, novas pessoas e ideias…

Um abraço
Ricardo Damas

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

DIÁRIO DE TREINADOR: Ainda não foi desta...


Pois é, ainda não foi desta que perdemos e ainda não foi esta semana que a nossa equipa B sofreu golos.

Claro que fico satisfeito por estarmos a vencer todos os jogos oficiais desta época, todos nós gostamos de ganhar, agora o que me deixa realmente satisfeito é ver que estou a contribuir para a evolução destes miúdos, tem sido fantástico analisar o percurso deles nestes 3 meses.

Analisando os jogos a equipa A defrontava uma equipa que está a realizar um campeonato interessante, logo iria apresentar algumas dificuldades o que é bom para nós.

Confirmou-se, para além das condições climatéricas adversas também a equipa adversária complicou o nosso jogou, com jogadores agressivos (no bom sentido) tentavam rapidamente cortar os caminhos para a baliza e só aos 14 minutos apareceu o primeiro golo numa boa movimentação colectiva. Até ao intervalo conseguimos mais um golo e assim alguma tranquilidade para a segunda parte. Os únicos lances de algum perigo da equipa adversária foram devido a alguns erros posicionais dos nossos jogadores, era esse o principal aspecto a registar da primeira parte.

Ao intervalo a preocupação foi com os miúdos e o frio que tinham, é muito complicado manter a temperatura corporal óptimo para a prática desportiva. Depois ainda tentei transmitir alguns aspectos a melhorar para a segunda parte.

A nossa organização ofensiva melhorou bastante e o resultando foi-se dilatando e conseguimos uma vantagem muito confortável aliada de um exibição agradável mesmo com as dificuldades desta partida. No último minuto num canto a favor da equipa adversária surge o golo da equipa adversária, mais uma vez sofremos um golo de bola parada, em seis cinco foram dessa forma, neste caso os miúdos não se posicionaram da maneira que trabalhamos no nosso modelo de jogo e também não reagiram, sendo assim foi natural o que aconteceu servindo de lição para todos.

A equipa B defrontava o último classificado, assim optámos pelos jogadores menos utilizados, embora este plantel seja equilibrado há sempre alguns atletas que são mais utilizados.

O jogo tornou-se fácil, conseguimos uma vitória alargada embora o que seja importante para estes miúdos seja continuar sem sofrer golos e esse objectivo voltou a ser conseguido. Neste momento já realizamos seis jogos sem sofrer golos é realmente fantástico, sei que falo nisto todas as semanas mas é realmente algo incrível, miúdos de sub-9 e sub-10 estarem as seis primeiras jornadas sem sofrer golos, independentemente do que venha a surgir no futuro este feito já ninguém lhes tira.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

DIÁRIO DE TREINADOR: Mais duas vitórias

Infelizmente ando com menos tempo para actualizar o blogue, assim, apenas hoje irei falar dos meus jogos do fim-de-semana.

Esta semana a equipa A defrontava uma equipa que teoricamente não iria apresentar grandes dificuldades, já a equipa B iria defrontar uma das equipas mais conhecidas do futebol português, equipa essa sempre favorita aos primeiros lugares dos campeonatos onde participa.

Para o jogo da equipa A o principal critério de escolha dos jogadores foi, os minutos já jogados no campeonato, desta forma os que menos jogaram tinham agora a oportunidade de estar mais tempo em jogo, mostrando como está a ser o seu desenvolvimento.

Confirmou-se, a equipa adversária criou poucas dificuldades e o resultado ao intervalo já era dos mais dilatados da época, vai ser um campeonato muito complicado para aqueles miúdos, irão acabar goleados diversos jogos…

Conseguimos a maior goleada da época e com o meu guarda-redes a ser apenas um espectador do jogo que tocou uma vez na bola num atraso do defesa.

Esta semana todos esperavam pelo jogo da nossa equipa B, admito que eu também, ia ser a maior prova de fogo até agora para esta equipa que ainda não tinha sofrido golos.

O jogo começou com a minha equipa a tomar a iniciativa, a pressionar, a dominar o jogo criando algumas situações de perigo e mantendo a nossa segurança defensiva. No decorrer da primeira parte os adversários equilibraram o jogo, o nosso domínio não foi tão visível e o intervalo acabou por chegar com o resultado de 0-0.

No balneário tentou-se transmitir aos miúdos que eles conseguiam ganhar este jogo, bastava aumentar um pouco a velocidade que conseguiríamos criar muitos desequilíbrios aos adversários.

A segunda parte começou da mesma forma, com o equilíbrio no jogo mas, com o passar do tempo, voltámos a dominar e a dez minutos do final conseguimos finalmente o golo que já era mais do que merecido. Ambas as equipas sentiram este golo, e nos minutos seguintes aumentámos a nossa vantagem com mais dois golos conseguindo assim uma vitória justa, que mostra mais uma vez a qualidade desta equipa e destes miúdos.

Foi mais um fim se semana com duas vitórias. A equipa A já está isolada no primeiro lugar o que faz com que tenha de ter uma conversa séria com os miúdos para não alterarem a forma de treinar pensando que já está tudo resolvido. A equipa B, essa continuar a surpreender, 5 jogos e continua sem sofrer golos é fantástico e tem servido para motivar os miúdos a continuarem a trabalhar sempre com grande intensidade.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

CRÓNICA SEMANAL: Escolher um líder indicado

Hoje a maioria dos clubes denomina os lideres, ou por outro nome os coordenadores, para os diversos departamentos em funcionamento no clube. Liderança é inclusive uma palavra muito em voga no mundo do futebol, infelizmente nem sempre pelas melhores razões.

Muitos desses líderes têm uma noção errada do que tem de ser uma liderança, há uns tempos li num artigo de Goleman onde se dizia que,"liderança não é dominação, mas a arte de convencer as pessoas a trabalhar para um objetivo comum". É neste ponto que penso que tem existido problemas em diversos clubes.

Mas porque estou eu com esta conversa hoje? Porque penso que tem de existir também uma maior preocupação com a escolha destas pessoas, que não pode ser so aquele pessoa que está ali apenas por que é amigo de X e que tem como objectivo a promoção pessoal. São cada vez mais necessárias pessoas que queiram por o interesse do clube em primeiro lugar.

Outro dos problemas é denominar as pessoas para os cargos de liderança apenas pelo nome. De que me vale colocar uma pessoa muito conhecida à frente de um departamento se essa pessoa não souber quais as funções a desempenhar, qual a realidade que vai ter? O que acontece, é que essa pessoa como lider, vai colocar o trabalho todo nos ombros dos seus funcionários que, na maioria das vezes, têm o dobro da competência para o desempenho dessas funções, quando a palavra a ser utilizada seria colaboradores. E depois como é possivel essas pessoas andarem motivadas? Infelizmente estamos num mundo que nos leva a continuar em funções que não gostamos, onde não nos sentimos bem, apenas pela questão financeira. Será que o trabalho assim é bem feito? Por vezes sim, ainda há muita gente com gosto pelas suas funções, com profissionalismo.

Esta reflexão esta semana era bom que fosse lida pelos Presidentes de clubes, empresas, são essas as pessoas que têm de ter cuidado com as pessoas que escolhem como líderes, não olhem só para os nomes, escolham alguém com motivação, que conheça a realidade onde vai ser inserido, com ideias novas e capacidade de as por em prática em vez de mandar os outros resolverem os problemas que são de sua competência, alguém que conheça formar uma equipa no verdadeiro sentido da palavra, onde todos rumem para o mesmo lado de forma a alcançar as metas e objectivos traçados.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

DIÁRIO DE TREINADOR: Objectivos novamente conseguidos.

Esta semana as duas equipas jogavam com o mesmo clube, assim foi-me possível acompanhar os dois jogos mesmo jogando fora de “nossa casa”.

A nossa equipa A iria defrontar uma equipa que também ainda não tinha perdido, tinha melhor ataque e melhor defesa em comparação connosco, ou seja, ia com toda a certeza ser um jogo complicado e dessa forma seria mais uma oportunidade de confirmar a evolução dos miúdos.

O jogo começou praticamente com o nosso primeiro golo, quando estas situações acontecem nunca sei como os miúdos reagem, por vezes conseguem logo a tranquilidade necessária para dominar o jogo do princípio ao fim, outras descansam à sombra do golo e a exibição não é a melhor.

Felizmente confirmou-se a primeira hipótese e a nossa equipa dominou totalmente o jogo embora em alguns períodos não tenha praticado o futebol pretendido. A equipa adversária, vendo que nós saíamos sempre a jogar, pressionava logo individualmente, de modo a criar dificuldades e a tentar recuperar logo a posse de bola, o campo era pequeno e é natural que esta estratégia lhe traga benefícios. Felizmente os meus miúdos estão com uma óptima atitude e continuaram a seguir à risca o nosso modelo de jogo, a sair a jogar pelas nossas referências, incrível como o outro treinador culpava os seus miúdos e lhes gritava, mas os miúdos seguiam à risca o que ele lhes diziam, a minha equipa é que está preparada para estas situações e continuávamos a conseguir jogar. Quando chegou o intervalo já tínhamos uma vantagem que dificilmente seria anulada, o objectivo era assim marcar mais golos para que eles ficassem com mais golos sofridos que nós no campeonato e claro, nós não poderíamos sofrer.

O objectivo foi conseguido, mostrámos uma boa organização defensiva, o nosso guarda-redes apenas fez uma defesa a um remate de meia distância, neste momento ao fim de 4 jornadas apenas sofremos um golo de bola corrida, os restantes foram de bola parada (foi o primeiro jogo em que não foi marcado um penalty contra a nossa equipa).

O jogo da nossa equipa B teoricamente seria mais acessível, eles juntaram os melhores na equipa A para tentarem obter um resultado positivo.

As nossas previsões confirmaram-se, os miúdos da equipa B adversária não eram tão agressivos na nossa saída de jogo e foi mais fácil para nós colocarmos a nossa forma de jogar em campo. Desta forma, a nossa vantagem foi-se alargando aos poucos e o objectivo passou logo a ser continuar sem sofrer golos.

Mais uma vez os objectivos foram alcançados, esta equipa em 4 jogos oficiais ainda não sofreu golos, é incrível para miúdos desta idade o que mostra que estão a trabalhar bem e que o processo de evolução destes miúdos está a ser conseguido.

Para a semana haverá mais dois testes para estes miúdos, serão dois jogos importantes onde serão traçados diferentes objectivos para cada equipa sempre a pensar na evolução dos miúdos.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

FUTEBOL JOVEM E O MUNDO: ACV

Esta semana resolvi ir até à Alemanha e falar do ACV um clube amador que tem como treinador da equipa de sub-15 o técnico Bas Harsema.

O ACV tem sido um clube que se tem mantido na primeira divisão amadora e assim pensam continuar nos próximos tempos. Já os sub-19 jogam na segunda divisão amadora e o clube pretende colocar os sub-17 e sub-15, no mesmo patamar.

Neste clube alemão o grande foco de trabalho são as habilidades técnicas, especialmente nas camadas mais jovens como os sub-9, sub-11 e sub-13. Esta visão começou a alguns anos atrás nos sub-9 e hoje esses jogadores estão nos sub-13 e pode-se concluir que são muito mais dotados tecnicamente. Já os sub-15 não tiveram tanto treino técnico este anos, a partir deste escalão o clube aposta mais na vertente dos resultados enquanto nas camadas mais jovens a aposta é na técnica e no divertimento.

O clube continua a querer estruturar melhor o trabalho na formação. Os sub-9, sub-11 e sub-13 terão ainda mais reforço na parte técnica, os sub-15 irão trabalhar a vertente específica do jogo. Harsema dá-nos exemplos do que isto significa, “Os defesas por exemplo necessitam de movimentos diferentes em relação aos médios ou avançados. Estou a treinar nos sub-15 movimentos que eles podem usar em certas posições e alturas do jogo. Técnica não é apenas driblar, é também passe, remate e controlo de bola. Os sub-19 e sub-17 estão a treinar situações de 1x1 e 2x2 que inclui técnica mas não só”

O técnico salienta que a técnica não é um objectivo, mas sim um propósito, temos de fazer os jogadores entenderem que o que interessa é a eficácia e não o espectáculo. Por exemplo, “se um jogador fizer os 100 metros em 10 segundos a sua principal arma será sempre a velocidade apesar de trabalharmos a vertente técnica”.

No inicio de cada treino o treinador começa com um base apenas de maneira aos atletas ficarem prontos para a actividade física. Depois é escolhido um exercício da metodologia do treinador, onde são formados grupos de oito jogadores. Harsema a seguir aplica um exercício mais intenso onde o passe e as oportunidades de finalização são constantes. Para terminar o treino existe uma situação de 2x2 ou 3x3 onde o ideal é surgirem diversos dribles. Quando treinam três vezes por semana, duas sessões são reservadas para as habilidades técnicas, mas de modo a manter os atletas motivados é promovida uma enorme variedade de exercícios, o restante treino é para jogo formal pois segundo o técnico os jogadores têm de estar aptos a aplicar as habilidades técnicas em jogo.
O último treino da semana e o aquecimento antes do jogo consiste numa situação de 11x0. Das diferentes posições os jogadores executam passes e movimentos típicos dessa posição.

Mais uma vez podemos ver que os clubes independentemente do país, se são ou não profissionais, dão cada vez mais importância à técnica. Apesar de ser da opinião que não se pode separar a técnica das restantes vertentes, entendo que o que estes técnicos querem dizer com isto, na formação é importante os miúdos aprenderem estas habilidades e nada melhor que estes exercícios de 1x1, 2x2 etc.

Não quero com isto dizer que concordo com tudo o que aqui foi dito, mas não é esse o objectivo, com toda a certeza faria algumas coisas de maneira diferente mas, neste momento, apenas quero continuar a conhecer novas realidades e formas de trabalhar.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

CRÓNICA SEMANAL: Dirigismo em Portugal


A semana passada, depois de um jogo onde a minha equipa conseguiu uma vitória importante no terreno de um adversário difícil, um dirigente da equipa contrária começou a implicar com tudo o que dizia respeito à nossa equipa, desde os jogadores festejarem a vitória, os pais que não deveriam ter tirado fotos, etc. Esta situação levou-me hoje a falar dos dirigentes desportivos.

Não há dirigente que não queira marcar o seu mandato de alguma forma, principalmente através de infra-estruturas que perdurem no tempo, novas sedes, bancadas renovadas, ou seja, não importa, o importante é investir.

Acho importantes estes investimentos mas o que acontece é que por diversas ocasiões, estes dirigentes, que justificam a necessidade destes investimentos financeiros, são aqueles que contam os euros na hora de contratar agentes competentes que organizem, planeiem e orientem o trabalho nas diferentes vertentes da actividade desportiva dos jovens.

Assim, podemos concluir que o betão pode ser caro mas os recursos humanos têm de ser o mais barato possível, ou seja, tudo serve, gente sem formação, ou com cursos de fim-de-semana, alguém indicado por aquele amigo, aquela pessoa a quem se deve um favor… O importante é ter os nossos miúdos entretidos a pagarem as mensalidades.

Sou da opinião que o principal investimento a ser feito para benefício dos nossos jovens é na maior qualidade possível dos agentes que estão directamente em contacto com eles e que têm um impacto enorme no seu desenvolvimento desportivo e pessoal, mas eu sou apenas mais uma pessoa dependente da vontade dos dirigentes.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

DIÁRIO DE TREINADOR: É necessário melhorar alguns aspectos

Esta semana tinha mais dois jogos complicados, na equipa A defrontava o adversário que estava à nossa frente, apesar de ser apenas devido à diferença de golos, a equipa B iria jogar contra um misto de jogadores de 98 e 99.

Para cada equipa foi definido um objectivo particular, a primeira teria de manter o nível da jornada passada, a segunda teria de continuar sem sofrer golos.

No primeiro jogo conseguimos rapidamente ganhar vantagem, mas a nossa forma de jogar não estava a aparecer, a exibição não estava a ser muito positiva. Acabamos a primeira parte com uma vantagem muito confortável, mas como treinador não estava nada satisfeito com o nosso jogo e foi isso que disse aos miúdos no intervalo onde já tinha no balneário também os jogadores que iriam jogar pela equipa B e que assim, ouviram o “sermão” também.

Na segunda parte entrámos muito fortes, claramente o melhor período do jogo e em 4 minutos marcámos 3 golos. Infelizmente depois voltámos a baixar a intensidade de jogo, os miúdos deixaram de ter tantas preocupações com o posicionamento em campo e o jogo ficou novamente confuso. Acabámos por alcançar a maior goleada da época, mas dos 3 jogos oficiais foi o que menos gostei, também é verdade que a exibição da semana passada tinha elevado as minhas expectativas.

Resumindo também tenho de trabalhar a parte psicológica dos miúdos, não podem abrandar e esquecer a nossa forma de jogar sempre que o jogo se torna fácil.

Para o segundo jogo motivámos os miúdos para continuarem sem sofrer golos, é um aspecto muito positivo e que queremos prolongar o mais possível.

O jogo começou de uma forma calma, com os nossos miúdos a manterem a posse de bola com segurança, na procura dos desequilíbrios da equipa adversária. Sempre que conseguíamos criar esses mesmos desequilíbrios, os miúdos aumentavam a velocidade de jogo de uma forma extraordinária criando sempre lances perigosos.

O intervalo chegou já com a nossa equipa com uma vantagem que permitia gerir o jogo na segunda parte e continuar com a nossa grande segurança defensiva. Conseguimos mais alguns golos, mas um aspecto importante foi, conseguir ficar mais um jogo sem sofrer golos, embora a equipa adversária tenha criado duas ocasiões de golo que serviram para alertar os miúdos que em nenhum momento podemos esquecer os nossos objectivos.

Assim, foi mais um fim-de-semana positivo com mais duas vitórias, continuando as duas equipas no caminho que foi traçado.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

DIÁRIO DE TREINADOR: Fim-de-semana muito positivo

Esta semana tinha dois jogos muito importantes. A equipa A iria jogar a um campo difícil, de um dos candidatos a passar para a próxima fase, já a equipa B nós sabíamos que ia defrontar um clube que iria levar a equipa A (jogadores mais velhos).

Nestas ocasiões de jogos fora, apenas consigo acompanhar uma equipa, assim apenas vou ao jogo da nossa equipa A.

Tentei motivar os miúdos para este encontro importante, conseguir uma vitória naquele campo era um passo importante para o nosso objectivo de passar à próxima fase A. O jogo iniciou com a minha equipa a dominar completamente o encontro e a jogar muito bem. Estou muito satisfeito com a grande evolução destes miúdos, tem sido impressionante. Demorámos a conseguir concretizar a nossa superioridade em golos, apenas a meio da primeira parte surge o primeiro já depois de uma bola ao poste. Há um ditado que diz, “só custa o primeiro”, hoje confirmou-se, em 5 minutos marcámos 4 golos e assim ficámos com uma vantagem grande e com o jogo na mão. A partir desta altura os miúdos abrandaram um pouco, a nossa forma de jogar já não foi tão visível e as coisas já não nos saíram tão bem, mesmo assim a equipa adversária não criou qualquer situação de perigo.

Ao intervalo tentem mostrar ao miúdos que ainda havia muito jogo pela frente, que queria que eles continuassem a seguir os nossos princípios e que gostava de continuar a aumentar a vantagem, seria uma grande vitória.

A segunda parte não foi tão conseguida, também confesso que optei por deixar mais tempo em campo alguns jogadores que ainda precisam melhorar alguns aspectos, experimentei jogadores em outras posições, etc. Assim o domínio não foi tão grande como na primeira parte. A equipa contrária apenas por uma vez conseguiu criar perigo tendo nessa jogada conquistado um penalty que acabaria por concretizar, foi o único remate à nossa baliza! Excelente vitória!

No final do jogo tentei logo saber como estava a nossa equipa B, era um enorme teste para estes miúdos jogarem contra uma boa equipa e composta por jogadores um ano mais velhos. O resultado foi de 1-0 para nós. Fantásticos estes miúdos, estão muito bem e estão a fazer um grande inicio de campeonato, ainda sem sofrer golos!

Desta forma foi um fim-de-semana extremamente positivo com duas vitórias muito importantes, agora é conseguir que os miúdos continuem a trabalhar da mesma forma e não deixar que estes resultados influenciem a atitude.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

CRÓNICA SEMANAL: Que exemplos proporcionamos aos nossos jovens?


Confesso que esta semana não sabia do que falar até que num treino ouvi um miúdo dizer um palavrão. Prontamente o reprimi e o fiz entender que aquela atitude não era correcta. Depois do treino pensei neste episódio.

Como podemos exigir aos miúdos que não digam estas palavras se quando vemos um evento desportivo na televisão, particularmente o futebol, normalmente é visível e algumas vezes audível este tipo de palavras ou piores? Sejam essas palavras dirigidas aos árbitros, colegas, adversários ou até como descarga para um lance menos conseguido, no fundo podemos mesmo considerar um acto banal. Pior ainda há quem encare isto como uma normalidade…

Desta forma é normal que estas atitudes se comecem a generalizar, principalmente aos mais jovens, que têm os desportistas como modelos e assim sendo, como um comportamento socialmente aceitável.

Mais grave ainda, como já relatei em outros textos, é este palavrão estar inserido na relação treinador-atleta, muitas vezes como uma forma de marcar a sua autoridade perante os jovens. Tenho para mim que a melhor maneira de mostrar essa autoridade é através da competência técnica e da gestão do relacionamento interpessoal.

Penso que este é um assunto que merecia alguma reflexão por quem de direito, para que os nossos jovens tenho melhores modelos a seguir.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

DIÁRIO DE TREINADOR: Inicio do campeonato

Finalmente iniciou o campeonato, confesso que já estava ansioso pela parte competitiva e queria ver como os miúdos se adaptavam.

Nesta primeira jornada as duas equipas jogavam em casa, felizmente o sorteio proporciona que sempre que jogamos em casa as duas equipas estão juntas, o que me permite acompanhar todos os miúdos. Os nossos adversários desta semana tinham muita qualidade, já me tinha informado sobre as equipas e tinha recebido excelentes indicações.

Em primeiro lugar jogava a equipa composta por miúdos mais velhos. Iniciámos os jogo muito bem, a cumprir os princípios do nosso modelo de jogo e dessa forma conseguimos marcar dois golos exactamente da mesma forma, foi engraçado como os miúdos que estavam no banco se aperceberam disso e como entenderam que a movimentação do modelo de jogo saiu praticamente na perfeição.

A seguir ao segundo golo a equipa baixou de intensidade, começámos a não ter tanta preocupação com a posse de bola e num lance infeliz de um dos nossos defesas o árbitro assinala correctamente grande penalidade que acabaria por ser concretizada. Acho que serviu de alerta para os miúdos e com a palestra no intervalo eles assimilaram que só se preocupando com a nossa forma de jogar o jogo se ia tornar simples. Assim foi, voltámos a cumprir bem os nossos princípios de jogo e no final alcançámos uma vitória justa, confortável e importante para iniciarmos da melhor forma o campeonato.

A segunda equipa apresenta para mim, enquanto treinador, menos preocupações, como é o primeiro ano de competição de muitos deles, foi mais fácil introduzir a minha forma de jogar, as minhas ideias, os mais velhos vinham com alguns “vícios” dos diferentes clubes onde jogaram e que tenho de desfazer.

O segundo jogo correu muito bem, apesar de termos tido alguma dificuldade em finalizar as inúmeras oportunidades de golo na primeira parte, na segunda esse aspecto correu melhor e acabámos por conseguir uma vantagem dilatada e uma excelente vitória para este grupo de miúdos com um enorme potencial.

Foi um fim-de-semana muito positivo, com duas vitórias importantes, mas acho realmente que ainda há muito a fazer, há muitos aspectos que temos de melhorar, para a semana teremos mais dois jogos muito complicados e que era importante conseguir um bom resultado.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

FUTEBOL JOVEM E O MUNDO: Sparta de Roterdão


Adicionar imagemMais uma viagem, desta vez até a um país conhecido pela sua formação, a Holanda e mais concretamente até Roterdão para conhecer o Sparta e Cláudio Braga, coordenador do futebol jovem e treinador da equipa de sub-13.

Para começar a falar deste clube e deste treinador nada melhor que deixar uma frase do mesmo que, será a base deste pequeno artigo. Assim, Braga refere “ Como treinador dos sub-13 gasto muito tempo no 4x4. Eu não por base de trabalho, o jogo, assim, nunca digo: isto correu mal na última semana, por isso vou treinar este aspecto. As nossas escolhas para as sessões de treino são baseadas, num processo, em que tentamos melhorar os nossos jogadores na manutenção e recuperação da posse de bola”

Para Cláudio Braga o 4x4 é perfeito. O treinador refere que dependente do objectivo pode fazer umas pequenas variações do 4x4 tipo. Um dos exemplos é quando o treinador pretende trabalhar a manutenção da posse de bola e a variação do centro de jogo, aí por exemplo coloca 4 pequenas balizas, dá mais largura ao jogo e menos comprimento. Desta forma podemos ver que é a organização do exercício que conduz ao objectivo pretendido.

Para Braga é claro que enquanto treinador pode dizer aos jogadores para fazerem isto ou aquilo mas, na sua opinião, é melhor quando o próprio exercício os leva para essas conclusões para que num jogo os atletas possam reconhecer estas situações e resolvê-las da melhor forma. Esta forma de actuar não impede que antes dos jogos estes aspectos não sejam relembrados na palestra quer à globalidade dos jogadores quer individualmente.

Estes exercícios, apesar de ter sido dito que conduzem ao objectivo, não fazem com que o treinador se isole, mantendo-se activo. Como treinador de uma equipa de sub-13 Cláudio Braga acha necessário estar particularmente atento aos aspectos técnicos como, passe, recepção, remate, etc. Os atletas devem sempre possuir uma boa relação com a bola, já que esse é um aspecto central nos sub-9 e sub-11 embora sejam um aspecto continuadamente trabalhado. Mais uma vez o treinador refere que na sua metodologia de 4x4 este aspecto é muito trabalhado introduzindo algumas condicionantes sem os atletas se aperceberem.

Em relação à aprendizagem dos seus jogadores em relação a um determinado aspecto da sua forma de jogar o treinador tem uma frase interessante, “o processo é engraçado de ver. Para nós adultos são coisas lógicas, para eles são o ABC. Por diversas vezes pensamos: como é que não entendem isto? Mas jogadores desta idade estão a aprender e precisam de espaço e tempo para se desenvolverem”.

Como “aquecimento” é utilizado exercícios de 1x1 ou algum exercício utilizando a metodologia de Wiel Coerver. Esta a forma encontrada por este técnico do Sparta de Roterdão para desenvolver os seus jovens nesta parte especifica complementando com o 4x4.

Como estamos a lidar com jovens sub-13 é importante fazer de cada momento um momento de futebol, desde que entram em campo até que saem temos de estar focados no futebol.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

CRÓNICA SEMANAL: Valorização da disciplina

Um destes dias tive uma conversa com um colega que vai iniciar agora um trabalho ligado ao futebol de formação, e, a dada altura, sou questionado como costumam ser tratados os casos de indisciplina nos escalões de formação.

Sou da opinião que a Indisciplina deve ser combatida logo nas camadas jovens, como refere o Prof. Sidónio Serpa, se não o fizermos corremos o “risco de padronização de comportamentos desviantes”.

Mais uma vez importa referir que muitas vezes os jovens são formados tendo por base o futebol sénior isto é, têm de produzir resultados, por isso muitas das vezes “Quando surgem comportamentos de indisciplina, desviantes, os jogadores, se têm um aparente potencial desportivo grande, conseguem que isso seja desvalorizado em função do contributo técnico. Os critérios de desenvolvimento são técnicos”.

Desta forma não estaremos a dar um reforço positivo a uma atitude negativa? Não estão os jovens a sentir-se protegidos já que não há uma punição?

Não quero com isto dizer que os árbitros devem mostrar cartões com mais frequência, aliás nem concordo com isso nos primeiros escalões de competição, mas penso que deve existir uma “punição didáctica”, isto é, que os árbitros tenham conversas com os jogadores, que depois nos relatórios seja referido que aconteceu esta ou aquela situação para que se possa valorizar os clubes mais disciplinados.

Há ainda um aspecto importante, por diversas vezes são os próprios treinadores, dirigentes, pais, etc, que promovem essas atitudes antidesportivas nos jovens que seguem esses modelos…

Assim, penso que é necessária a existência de regulamentos específicos nos escalões de formação que valorizassem o fair-play e a disciplina das equipas. Porque não fazer um ranking do fair-play com a ajuda dos árbitros? Porque não atribuir pontos às equipas que se revelassem mais disciplinadas? Há um site desportivo que elabora um ranking do futebol de formação, será que a disciplina entra nesse ranking ou apenas os resultados desportivos? Será que formar é só resultados desportivos?

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

FUTEBOL JOVEM E O MUNDO: Tottenham Hotspur FC

Está de regresso a categoria Futebol Jovem e o Mundo e desta vez com uma viagem a Inglaterra para falar do Tottenham Hotspur FC e do director da academia do clube John McDermott.

McDermott refere que o papel da academia tem de ser tentar levar os jovens até à equipa principal e que esses jovens sejam o catalisador que o clube precisa para passar a constar sempre do top5 inglês e consiga alcançar um estatuto europeu.

Para que os jovens atinjam a equipa principal o clube definiu um caminho baseado em três aspectos. Este caminho inicia-se com o recrutamento de jovens para a academia. Depois de estarem na academia começa a ser incutido o programa de desenvolvimento. No final esperasse que haja oportunidades para os colocar na equipa principal para continuarem a desenvolver e comprovarem o seu valor.

Para John McDermott o recrutamento depende do estatuto que o clube tem, da filosofia e do dinheiro que possuem para contratações. O clube começa a recrutar miúdos a partir dos nove anos de idade, até ai apenas mantém atenção ao futebol da comunidade em que está inserido. Entre os 9 e 12 anos de idade o clube já faz observações a 1hora de distância do clube. Dos 12 aos 16 anos a distância estende-se aos 90 minutos a partir daí se os jovens vieram para uma educação a tempo inteiro já abrange todo o país e União Europeia. A Partir dos 18 anos passa a existir um mercado global para os clubes. É assim visível que o clube primeiro observa primeiro o que tem em “casa” e só depois começa a alargar as suas fronteiras de recrutamento.

A filosofia de treino de McDermott não difere muito da filosofia do clube o que facilitou imenso quando Jonh McDermott foi escolhido para director da academia. Assim, tem sido possível trabalhar com todo o staff técnico para estabelecer uma visão conjunta para o desenvolvimento dos jovens. Dessa forma tem sido feito um trabalho com cada faixa etária, com cada treinador desde os 18 aos 9 anos em conjunto também com o assistente Chris Ramsey. “Nós tentamos ajudar os técnicos e os jogadores a perceber claramente o que nós procuramos alcançar, os standards esperados ao nível táctico, táctico, mental, físico e também social no nosso treino…”

John está muito ligado ao sistema táctico 4-3-3 que utilizava nas selecções inglesas, mas para ele este sistema têm uma razão de ser, a forma como querem desenvolver os seus jovens. Para ele o pensamento tem de ser, querer que os jovens entrem na equipa principal e que se sintam confortáveis a jogar no campeonato principal. Dessa forma os atletas têm de se sentir confortáveis com a bola, com as situações de 1x1, que tenham qualidades de percepção, excelentes capacidades de recepção, variedades de passe, dribles em velocidade e claro capacidades defensivas. Para o director da academia este sistema é o que melhor vai ao encontro destes objectivos, o tradicional 4-4-2 utilizado na maioria dos clubes ingleses, segundo McDermott pode levar a que haja um futebol mais directo para os dois avançados sempre que haja uma situação de pressão da equipa adversária.

É a partir dos sub-12 que se começa a jogar futebol 11 utilizando o sistema táctico 4-3-3 mas o técnico faz questão de referir “Não interessa qual o sistema utilizado, o importante é encorajar os jovens a jogar desde a defesa”. Isto quer dizer que esperam que as equipas se sintam confortáveis com a posse de bola.

Uma dos elementos do recrutamento dos jovens para a academia que é considerado vital é, o que se faz com os miúdos quando eles são inseridos. O treinador é obviamente muito importante neste processo mas também o é a educação, o apoio médico, psicológico e o caminho percorrido até à equipa principal. Parte do sucesso da premier league é o elevado números de estrangeiros presentes no campeonato, assim neste momento é complicado para os treinadores principais apostarem nos jovens que vêm da formação, é natural que estejam mais sujeitos a errar, o que é natural já que ainda estão numa fase de aprendizagem, mas errar pode custar pontos e esse pontos neste campeonato pode ser a diferença entre a despromoção ou ir às competições europeias. Por isso um dos pontos importantes do trabalho desenvolvido por John McDermott e os seus colaboradores é a relação que eles estabeleceram com o treinador da equipa de reservas de forma a todos possuírem um discurso comum em proveito dos jovens. Assim tanto o treinador da equipa de reservas como o principal têm de saber o que se passa com as equipas jovens do clube, quem se está a sobressair e a merecer uma oportunidade de jogar com a equipa principal de reservas. Este é o ponto-chave para o director da academia do Tottenham Hotspur FC para que o trabalho, que faz com os jovens desde os 8-9 anos de idade, não seja inconsequente o que se não tiverem cuidado pode acontecer.

Havia muito mais para dizer, mas penso que aqui fica o essencial do trabalho desenvolvido por John McDermott como director da academia Tottenham Hotspur FC.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

CRÓNICA SEMANAL: Qualidade de ensino


Hoje em dia parece-me claro que a sociedade e mais especificamente as famílias estão conscientes da importância do desporto no desenvolvimento dos jovens. Em consequência desta percepção o mercado de oferta cresceu e podemos ver por exemplo escolas de futebol por todo o lado.

Enquanto antigamente eram exclusivamente os clubes que ofereciam esta actividade desportiva de modo organizado, hoje é possível encontrar escolas de futebol numa perspectiva comercial.

Se o crescimento da oferta torna esta actividade acessível a todos, já o facto de acontecer apenas numa perspectiva comercial aumenta o risco da qualidade nem sempre ser a adequada a uma actividade dedicada aos jovens.

Muitas vezes esta situação leva a que não sejam respeitadas algumas regras que devem estar inerentes a uma actividade que visa o desenvolvimento dos jovens, nem as regras associadas a um negócio que deve ser servir o cliente e não explorá-lo para benefício financeiro.

Há ainda o facto de, quem gere estas escolas muitas das vezes não ter a formação adequada para avaliar a qualidade do trabalho que esta a ser realizado, nem segue critérios rigorosos para a escolha da equipa técnica que insere na actividade que está a fornecer ao público.

São diversos os casos que conheço que os treinadores não têm qualquer formação para trabalhar com jovens e o que fazem é tratá-los como adultos em miniatura fornecendo-lhes actividades totalmente inadequadas. Há ainda casos de escolas, onde é suposto os jovens estarem a aprender a jogar futebol, serem entretidos em actividades/exercícios que, ao contrário de visarem objectivos técnico-pedagógicos que visem o seu desenvolvimento, apenas têm por objectivo queimar tempo até ao termo da aula com um professor/treinador pouco motivado ou competente. Não nos podemos esquecer também que muitas vezes podemos estar a por em risco a saúde dos jovens.

Assim, é importante que os pais se informem sobre a qualidade subjacente às actividades onde colocam os filhos e que se mantenham atentos ao trabalho aí desenvolvido.