Frases que dizem muito...

"A forma não é física. A forma é muito mais do que isso. O físico é o menos importante na abrangência da forma desportiva. Sem organização e talento na exploração de um modelo de jogo, as deficiências são explícitas, mas pouco têm a ver com a forma física." (José Mourinho)

sexta-feira, 10 de julho de 2009

DIÁRIO DE OBSERVADOR: Boa formação ou uma boa prospecção?

Estou de volta às minhas leituras, voltei a ter mais disponibilidade, com o fim dos torneios, mas não me consigo desligar do futebol.

Numa das minhas pesquisas encontrei uma entrevista de Hugo Vicente, director da "Coerver Coaching" Portugal, onde ele disse algo que retive, “ fala-se muito de formação em Portugal, mas questiono se há realmente formação ou se ela resulta de uma boa prospecção, porque é mais comum os clubes recolherem talentos noutros locais".

Esta frase tem muito de verdade. Embora eu ache que uma “boa prospecção” é fundamental para qualquer clube, a ênfase deve ser dada ao desenvolvimento dos nossos atletas. Infelizmente penso que esta doutrina não é seguida por muitos clubes, onde o principal objectivo é, no final de cada época, conseguir recrutar o maior número de atletas a outros clubes que durante o ano se preocuparam em desenvolver esses jogadores.

Há clubes que no final de cada época dispensam mais de metade dos seus jogadores, recrutando outros para o seu lugar. Na minha opinião fazem bem, se esses atletas têm mais qualidade, claro que devemos ficar com eles. Agora, algo tem de estar muito mal quando isso acontece. Ou trabalho nesse clube não está a ser feito da melhor forma, ou então há outros clubes que estão a trabalhar melhor. Assim, temos de rever a nossa metodologia e perceber se as pessoas que temos a trabalhar connosco são as melhores.

Nestes casos, é ridículo dizer que, o nosso clube tem uma boa formação, tentando passar uma imagem diferente. Mas o que mais me preocupa é que esta ilusão muitas vezes resulta.

Como estamos numa altura onde muitos jovens são abordados por clubes, outros que são dispensados e ainda que procuram outras possibilidades o meu conselho é, procurem informar-se sobre o que realmente se passa, com toda a certeza terão pessoas que vos podem indicar e ajudar a optar da melhor maneira…

terça-feira, 30 de junho de 2009

DIÁRIO DE TREINADOR: O último jogo...

Este tempo de ausência foi devido à participação das nossas equipas de escolas em alguns torneios.

Este período foi extremamente positivo, houve momentos de alegria, felicidade, mas sobretudo de grande emoção. Tenho tido a sorte de conseguir ter bons grupos de trabalho e este não foi excepção. Dessa forma, é muito complicado quando nos apercebemos que nos temos de “separar” destes amigos, é isso que são os meus atletas, amigos.

O último torneio que fomos foi muito bom, mas para contar ninguém melhor que os miúdos.

“Partimos de autocarro às 10:30 de dia 26 de Junho. Foi uma viagem muito divertida porque vimos filmes, jogámos psp e ouvimos música. Parámos por volta das 13:00 para almoçar numa estação de serviço, ficámos sentados numas mesas de campismo e depois alguns foram comprar gelados. De seguida recomeçámos a viagem.

Chegámos ao hotel, perto das 15:30. Era um hotel muito bom. Fomos todos para um dos quartos para fazer a divisão por grupos pelos quartos e para definirmos as regras que tínhamos de cumprir. Cada grupo foi para os seus quartos, 101, 201,301,401,501, 504.

Às 17horas partimos para o estádio onde decorria o torneio, era um campo muito bom. Levantámos as senhas do jantar e fomos para o local onde serviam as refeições, a comida estava muito boa.

A primeira equipa a jogar foram os “Escolas B”, às 21:15, contra uma equipa espanhola chamada Deportivo Ciudad, jogaram muito bem e venceram por 8-0. Os “Escolas A” jogaram às 21:45 contra o SL Benfica e infelizmente perderam por 6-1 mas jogaram bem. Nos dois jogos apoiámos muito as equipas junto da nossa grande claque.

À meia-noite fomos para o hotel, estávamos cansados e, depois de os treinadores terem passado por todos os quartos, fomos dormir.

No dia seguinte acordámos cedo e fomos tomar o pequeno-almoço. A seguir quarto 501 como tinha um plasma organizou um torneio de playstation.

Ao meio dia, fomos de novo para o estádio levantar novamente as senhas para irmos almoçar. Depois fomos ao museu do papel e aprendemos como se faz o papel, também fomos ao zoo de aves onde estivemos com uma arara que “abanava o capacete” connosco. A seguir regressámos para o jantar.

Os “Escolas B” jogaram às 20:45 contra a equipa da casa, foi um jogo difícil mas mais uma vez jogaram muito bem e ganharam por 1-0 e assim iam à final. Os “escolas A” jogaram contra o União de Leiria e ganharam por 2-0, foi um grande jogo.

Tal como ontem chegámos tarde ao hotel, desta vez ficámos algum tempo acordados, os misters passaram por todos os quartos e ficaram um bocado em cada um a conversar e a rir.

No último dia tivemos de acordar mais cedo, desta vez jogávamos de manha, os “Escolas A” jogaram às 09:45 contra o Maravillas de Espanha e ganharam por 3-1. Os “Escolas B” jogaram a final contra o Calasanz de Espanha e apesar de jogarem muito melhor não conseguiram marcar e foram a penalties, ai eles tiveram mais sorte e ganharam por 6-5.

Hoje foi o último jogo que fizemos juntos e o mister comoveu-se quando falou connosco.

Gostámos muito deste torneio, foi muito divertido.”

Pois é, foi o meu último jogo com este grupo fantástico, são uns miúdos incríveis e que terão aqui um amigo para sempre. Dei tudo o que podia e sabia para ajudar a evolução destes jovens, tanto como atletas quer como pessoas. Grande época! A todos eles o meu OBRIGADO!

sábado, 6 de junho de 2009

DIÁRIO DE TREINADOR: Detecção e selecção de talentos

Eu, como a maioria dos treinadores neste momento, estou a realizar captações para a minha equipa. Dessa forma vou falar um pouco sobre este processo de selecção de jogadores.

Este procedimento pode ser dividido em duas vertentes: a observação de jogadores de outros clubes durante os campeonatos (prospecção) ou através de jogadores que venham prestar provas ao clube (treinos de captação).

A detecção de talentos tem algumas particularidades. Há quem pense que, para um bom treinador, é uma questão intuitiva, outros pensam que qualquer pessoa que acompanhe minimamente a modalidade consegue detectar, em jovens de 10,11,12 anos, aqueles que à partida terão capacidade para, mais tarde, virem a manifestar-se como óptimos atletas. Não é bem assim…

Para a maioria das pessoas quando observam um jogo ou um treino, o jogador que desperta mais atenção é aquele que consegue provocar mais desequilíbrios na equipa adversária, o que marca mais golos, tem mais pormenores técnicos, o defesa que consegue cortar todas as bolas, etc. Depois há aqueles que conseguem ter um olhar diferente e muitas vezes pensam para si, “aquele miúdo tem qualquer coisa…”.

Panteleo Corvino, responsável pela formação da Fiorentina, refere, “Quase toda a gente consegue identificar um jogador decente, mas compreender o potencial de um jovem é trabalho para um especialista”.

Não sei se será necessário um especialista, mas penso que é preciso olhar com atenção para os miúdos, há muitos que não são seleccionados porque deram pouco nas vistas no treino, mas se repararmos bem tudo o que fez foi bem feito e com qualidade. Há ainda jogadores que têm um enorme potencial e que infelizmente ainda não tiveram que os ajudasse a desenvolver…

Há atletas que não conseguimos “analisar” apenas numa observação, há diversos factores que podem influenciar as capacidades e o desempenho de um jovem. Eu por exemplo já tive um pai que esteve parte do treino a pressionar o filho e com toda a certeza que alguma influência teve no seu desempenho. Segundo Brown o envolvimento dos pais e as suas expectativas estão associadas ao sucesso e prazer da criança, assim como a pressão e o stress.

Segundo Mateo & Valdano, “O talento precisa de um lugar – todo o Homem tem virtudes e defeitos; Nietzsche teria sido um mau matemático e Roberto Carlos um vulgar médio centro”. Assim, tentem colocar os miúdos em diversas posições durante o treino, pode ser que tenham alguma agradável surpresa.

Ainda segundo os mesmos autores, “O talento precisa de confiança…”. Por isso incentivem todos os miúdos durante estes treinos. “O talento precisa de liberdade…” Não os limitem durante o jogo, não coloquem condicionantes, pois a liberdade é essencial para qualquer processo criativo. “O talento precisa de outros talentos…” Muitas vezes colocamos os jogadores da nossa equipa todos juntos e do outro lado só jogadores que estão a prestar provas, corremos o risco que um atleta passe despercebido no meio daquela equipa teoricamente mais fraca.

Observem com atenção todos os jogadores que vos chegam a pedir uma oportunidade, muitas vezes o talento está lá mas um pouco escondido…

Não se esqueçam também de ter atenção nesta altura à forma como falamos com os miúdos que não são seleccionados, muitas vezes sem darmos conta estamos a influenciá-los para a vida futura. Sei que não há uma maneira boa de dizer a um miúdo cheio de expectativas que não o iremos colocar na nossa equipa, mas há formas menos más…

Boa sorte para estes treinos de captação, espero ter ajudado de alguma forma…

quinta-feira, 28 de maio de 2009

PENSAR FUTEBOL: A posição 6

Numa semana onde todos os amantes do futebol discutiam quem iria vencer a liga dos campeões, outra “guerra” surgia, quem é o melhor jogador do Mundo? Cristiano Ronaldo ou Messi?

Também eu entro muitas vezes nesta discussão mas depois coloco-me no papel de Pep Guardiola e penso, “se eu fosse treinador daquela equipa qual seria a minha opinião?”. Ai se calhar responderia como o técnico espanhol, “Não usa brincos, não tem tatuagens, tem o cabelo curto, não embirra por jogar apenas vinte minutos e, no entanto, é o melhor de todos.” Esta frase é sobre iniesta mas eu tenho mais dificuldade em apontar um jogador como o melhor de todos, existem mais dois jogadores que para mim são fundamentais na forma de jogar do Barcelona, Xavi e o pouco referenciado Yaya Touré, sobre quem vou falar neste texto.

Em primeiro lugar é interessante que Guardiola, parece evidenciar no banco a mesma lucidez que mostrava em campo quando fazia parte do Dream Team de Johan Cruyff, mostra-nos que o desempenho bem sucedido da função de “pivô” é determinante para a dinâmica colectiva da equipa. Admito que me surpreendeu.

Sou um admirador dos jogadores que ocupam a chamada posição 6, que para mim é essencial para se jogar bom futebol, por isso não gosto que se esqueçam do Costa Marfinense no processo de jogo do Barcelona. Mas atenção que para mim é diferente, um jogador que seja “pivô” de um que seja um “pivô defensivo” que se limita a equilibrar a equipa e praticamente não entra na organização ofensiva da equipa.

Sei que Yaya Touré foi central nos últimos dois jogos, mas pensem nos jogos e vejam se a qualidade de posse de bola do Barça, bem como as transições, foram iguais…

Quando o nosso modelo de jogo assenta num jogar mais apoiado, com um bom jogo posicional (no Barcelona é extraordinário), onde o que corre é sobretudo a bola, temos de ter um atleta que ateste uma frase que costumo referir, “o bom jogador não é aquele que torna o movimento mais impressionante numa coisa simples, mas aquele que torna uma coisa simples num movimento impressionante”. Touré nisto é fantástico.

Claro que há mais jogadores com a mesma qualidade, embora infelizmente hoje em dia se veja muitas equipas sem um jogador com estas características. Este exemplo deve-se ao facto de já se falar que esta equipa do Barcelona pratica o melhor futebol de sempre, nada como dar este exemplo.

Vejam novamente este vídeo, http://videos.sapo.pt/eP2hZ6jQcsCmyu6H0or4 e agora com atenção à movimentação do Touré.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

DIÁRIO DE TREINADOR: Acabaram os jogos oficiais

Acabou a época. Pelo menos em termos de jogos oficiais, já que ainda iremos realizar alguns torneios ainda no mês de Junho.

Fazendo um balanço da época só pode ser positivo. Fui convidado para este projecto no final da época passada, numa altura em que estava com algumas diferenças ideológicas com o clube onde estava. Ainda hoje penso que esse clube tomou opções erradas, mas agora como naquela altura não irei falar sobre isso, mesmo tendo o clube tentado alterar a verdade dos factos…

Iniciei o novo projecto com a máxima dedicação e entrega, não o sei fazer de outra forma, claro que também com algumas expectativas.

Em primeiro lugar destacar o grupo de treinadores que encontrei neste clube, um grupo excelente que, me permitiu falar constantemente sobre futebol, seja de treinos, análise de jogos, seja de outras temáticas semelhantes.

Em relação ao meu grupo de trabalho, acabámos com um grupo muito grande composto por 33 miúdos, 17 sub-11, 13 sub-10 e 3 sub-9. É um grupo com muita qualidade, onde podemos encontrar miúdos com um potencial enorme e a avaliar por este ano com uma capacidade de aprendizagem e evolução enorme.

Jogámos bem ao longo da época, conseguimos mostrar em todos os jogos que os nossos miúdos são inteligentes e que têm muita qualidade, dessa forma é natural os resultados sejam positivos.
Cabe agora fazer o relatório final de todos os jogadores e da equipa, os sub-11 irão passar para o escalão de infantis e, se tudo se mantiver como previsto, terão outro treinador que irá escolher os que melhores se enquadram com as exigências da próxima época.

Em relação aos sub-10 e sub-9 irão permanecer connosco para desenvolvermos o trabalho que temos vindo fazer até agora ajudando-os na sua evolução. Vão entrar mais atletas neste grupo maioritariamente para os sub-9 onde só temos 3 atletas e mesmo nos sub-10 é natural haver alguns ajustamentos no plantel agora que iniciámos o processo de captação de novos atletas.

Irei continuar a falar nesta categoria, como disse no inicio ainda há torneios para realizar e a próxima época para definir.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

DIÁRIO DE TREINADOR: Um seminário de muita qualidade...

Esta semana voltei a participar numa formação, desta vez em vila real (Trás-os-Montes). Soube deste seminário através de um amigo e quando vi os formadores esqueci o elevado número de quilómetros que teria de fazer e combinámos pôr-nos a caminho.

Na primeira parte da manhã tivemos dois prelectores que apresentaram os seus projectos, sempre com uma visão de empreendedorismo e Inovação no Futebol. Foi interessante, tivemos um projecto mais ligado a uma escola de futebol, apesar da ligação a um grande clube mundial, enquanto o segundo projecto relacionava-se com um clube e o seu projecto de 5 anos (neste momento está no terceiro). Foram duas apresentações de onde retirei algumas ideias, quem sabe um dia eu não tenho oportunidade de por em prática um dos projectos que tenho na “gaveta”.

Na segunda parte da manhã tivemos duas apresentações distintas, uma sobre novas oportunidades profissionais no futebol, foi uma pena este tema não ter sido mais explorado, a outra apresentação foi sobre a aplicação prática no domínio da Análise do Jogo. Assim terminou a parte da manhã.

À tarde começámos com o Tema “Programas de Formação de Jogadores”. Este tema teve 3 prelectores. Em primeiro lugar falou um Coordenador Técnico de um Clube da zona de Aveiro, sobre a estrutura e filosofia do futebol de formação inerente ao seu clube, de seguida tivemos um docente de uma faculdade que falou sobre a formação de jovens jogadores de futebol e, por último, tivemos uma apresentação sobre os vários programas do Manchester United Soccer Schools.

A última parte do dia foi a principal razão por ter ido a esta formação, tivemos sessões de campo sobre a formação de Jogadores de futebol de base (6 aos 12 Anos).

Começámos com um treinador da Football by Carlos Queiroz/Manchester United Soccer Schools, como conheço alguns treinadores desta escola já tinha uma pequena ideia sobre a metodologia utilizada mas foi interessante presenciar à sessão de treino. São visíveis algumas influências da metodologia de Coerver, com um pouco de ball mastery no inicio do treino.

Depois houve um breve regresso à sala para a apresentação de Luís Castro, Director Técnico da Formação FC Porto que falou do projecto Visão 611 mas especificamente sobre o departamento Técnico da Formação, uma breve introdução ao que se iría seguir.

Para acabar, a sessão de treino que eu tanto aguardava, Pepijn Lijnders, treinador da Formação FC Porto e responsável pelo departamento de desenvolvimento de capacidades individuais, realizou uma demonstração Prática com Jogadores Sub-12 e Sub-13 do FC Porto. Numa palavra, EXCELENTE. É incrível a forma como este técnico trabalha, a alegria que os jovens e sobretudo ele mostram no treino, a intensidade que este treino tem, a qualidade dos feedbacks, sempre de forma muito positiva, enfim, fiquei rendido à sua qualidade. Foram cerca de 60 minutos de muita qualidade, dos melhores que presenciei.
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Venho um treinador muito diferente, mais evoluído penso eu, mais uma vez retirei muitas coisas para melhorar a minha forma de trabalhar, a minha metodologia. Foi muito positivo este seminário, dos que mais gostei confesso, tudo devido a um jovem técnico holandês que me confirmou o que eu já sabia, tenho muito ainda a evoluir, mas também estou muito melhor do que quando comecei…

terça-feira, 19 de maio de 2009

DIÁRIO DE TREINADOR: Penúltima jornada

Mais uma jornada, a última fora de casa para os nossos escolas A, enquanto os escolas B jogaram pela última vez no nosso campo. Esta semana voltávamos a ter um duplo confronto com o mesmo clube. Felizmente o horário permitiu estar presente nos dois jogos.

Esta semana foram convocados para a equipa A mais 3 jogadores nascidos em 1999, os únicos que ainda não tinham jogado por esta equipa e que tal como todos os outros mereciam.

Hoje nem vou falar muito dos jogos, o campeonato está no final, os escolas A já alcançaram o 1º lugar nesta terceira fase, até agora só com vitórias, esta semana conseguiram mais uma, enquanto os escolas B, que também voltaram a ganhar, têm um jogo decisivo na próxima onde precisam de pelo menos empatar para conseguirem o mesmo 1º Lugar.

Já temos alguns torneios confirmados para o próximo mês onde queremos que pelo menos todos os miúdos entrem em 2 deles. São experiências importantes para estes miúdos.

Com os campeonatos a chegar ao fim começam a surgir vários jovens a querer integrar as nossas equipas, acredito que é uma prova que o clube está a realizar um bom trabalho com a formação. Também nós temos alguns jogadores referenciados e que têm o perfil de jogador indicado.

O fim da época aproxima-se a passos largos, é altura de fazer um balanço e avaliar o trabalho feito com estes miúdos…

PENSAR FUTEBOL: Futebol... Um mundo de emoções...

Acabei de chegar de um seminário, sobre o qual irei falar amanhã, mas não podia deixar de passar por aqui e deixar-vos um pequeno vídeo que mostra como o futebol gera um mundo de emoções em TODOS nós...

terça-feira, 12 de maio de 2009

DIÁRIO DE TREINADOR: Objectivo alcançado

Esta semana realizava-se a 4ª jornada da terceira fase dos campeonatos de escolas A e escolas B.

A equipa A podia já hoje, a duas jornadas do fim, conquistar o primeiro lugar nesta 3ª Fase, primeiro teria de ganhar e depois que o resultado do outro jogo acabasse com um empate ou com a equipa que iria jogar fora.

Em relação ao nosso jogo, esse sim dependia de nós, conseguimos entrar bem conseguindo um golo cedo e assim controlámos o jogo de forma tranquila do princípio ao fim. O resultado final foi o pretendido, mais uma vitória. O resultado do outro jogo foi bom para a nossa equipa e assim já conseguimos vencer esta terceira fase. Agora o objectivo passa por ganhar todos os jogos.

Temos trabalhado muito a posse de bola com as nossas duas equipas, têm sido visíveis os resultados, mas confesso que esta semana não fiquei satisfeito com a equipa A. Apesar de termos tido muita posse de bola, fizemos tudo muito devagar, talvez porque eles perceberam que tinham o jogo controlado, mas os miúdos têm de entender que cabe a nós termos a capacidade de querermos melhorar constantemente e neste jogo isso não aconteceu.

A equipa B ao contrário da equipa A fez um jogo muito forte. Começámos a perder mas depois entrou em jogo a nossa capacidade de trocar a bola entre todos os jogadores e em 3 minutos marcámos três golos dando a volta rapidamente ao marcador. O jogo acabou com mais um golo para cada lado mas cumprimos o nosso objectivo, alcançar mais uma vitória.

Não quero acabar este texto sobre os jogos desta semana sem referir uma situação do jogo da equipa A. Em muitos outros textos eu falo da atitude dos pais, a maioria a “criticar” alguns comportamentos. Neste caso venho referir o excelente comportamento dos pais da equipa que jogou contra nós. Para além de terem sido muito correctos durante toda a partida apoiando a sua equipa, no final saudaram de forma calorosa a sua equipa. Até aqui tudo normal. O que mais me impressionou foi o facto de também o fazerem com a minha equipa que só saiu do campo uns minutos mais tarde. Excelente exemplo de fair-play que os seus filhos presenciaram.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

PENSAR FUTEBOL: Individual vs Individualismo

Hoje vou iniciar uma nova categoria, Pensar Futebol. Esta categoria consiste em algumas reflexões que vou fazendo sobre alguns temas que me vão “aparecendo” no caminho.

No outro dia, numa das minhas constantes leituras sobre futebol, encontrei uma expressão de Johan Cruyff que me fez pensar. O técnico holandês disse, “… eu, como jogador, era individual, mas nunca individualista.”

Serão realmente duas coisas diferentes? Eu penso que sim.

Pensando um pouco mais sobre isto e, tentando descodificar este assunto, dou por mim a pensar em Princípios de jogo. O princípio de jogo é, tal como refere Guilherme Oliveira, “um comportamento que o treinador pretende que a equipa assuma em termos colectivos, bem como os jogadores em termos individuais”. Assim, os princípios surgem para modelar a forma de jogar da equipa, indicando um conjunto de normas e movimentos comportamentais orientam o jogador em campo na procura das soluções mais eficazes em diferentes situações de jogo. Os princípios de jogos, precisamente porque são “princípios” não podem ser entendidos como acções estereotipadas.

Desta forma, vemos que um jogador, não é um robot e, com bola, deve ser livre para criar, embora essa liberdade esteja balizada pelo modelo de colectivo, ou seja, dentro dos princípios para a forma de jogar colectiva, os jogadores têm liberdade de criar os seus próprios princípios, podem empregar toda a sua singularidade.

Concluindo esta reflexão e, associando à frase de Johan Cruyff, podemos ver que os princípios de jogo constituem, portanto, os limites e a liberdade para jogar, são aquilo que separa o individual (interpretação singular da forma colectiva de jogar) e o individualismo (desrespeito pela forma colectiva de jogar).

quinta-feira, 7 de maio de 2009

CRÓNICA SEMANAL: A força da "cantera"

Numa altura em que se fala muito das possíveis contratações do Real Madrid, eis que aparece alguém com a mesma opinião que eu, Zinedine Zidade, que poderá fazer parte do projeto desportivo de Florentino Perez.

A um canal de televisão o ex-internacional francês refere, "o Real Madrid deve parar de assinar com estrangeiros e seguir a cultura de formação do Barcelona". (Em nota curiosidade ontem com o Chelsea foram 6 atletas da cantera titulares).

Zidade disse ainda que, "o Real tem que recuperar o quanto antes a sua identidade". "Aqui não se sabe como jogam os jogadores mais novos, enquanto no Barcelona há uma linha e uma filosofia comuns, que coincidem com a da primeira equipa". Importa referir que o filho de Zidane, Enzo, está na cantera madrilena.

Há ainda algumas ideias, transmitidas pelo francê,s que nos fazem pensar que realmente a aposta na formação pode ser o melhor caminho. "Nenhuma das equipas do Madrid nas quais joguei alcançou o nível do Barcelona".

Eu também acho que os clubes, mesmo os mais ricos financeiramente, devem apostar fortemente nos atletas vindos da formação, atletas que tenham uma cultura de clube. É incrível ver a posse de bola da equipa do Barcelona, as dinâmicas dos seus jogadores, as coberturas constantes, as várias linhas de passe que o portador de bola tem. Claro que isto se consegue com treino, mas se forem jogadores que estão juntos há muito tempo, com a mesma filosofia de jogo, tudo se torna mais fácil.

P.S. - Vejam bem esta qualidade na transição defesa-ataque http://videos.sapo.pt/eP2hZ6jQcsCmyu6H0or4

segunda-feira, 4 de maio de 2009

DIÁRIO DE TREINADOR: Coerver Coaching

Esta semana estive presente num workshop sobre Coerver Choaching, considerada a metodologia de ensino de técnica individual número 1 do mundo.

No inicio esta metodologia focava-se no ensino do domínio da bola em todas as vertentes e nas técnicas de 1 contra 1, encorajando os jovens a praticar e utilizar as fintas dos melhores jogadores mundiais. Nos últimos 20 anos este pequeno começo foi expandido para um compreensivo programa de treino para jogadores jovens, que não só desenvolve a técnica individual dos atletas, mas também o jogo de equipa. Era esta evolução que eu queria verificar e vivenciar.

Neste workshop foi-nos apresentado um programa modular de 6 semanas estruturado com base na “Pirâmide de Desenvolvimento do Jogador", parte central desta metodologia.
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Confesso que cheguei a casa e escrevi um pouco sobre esta oportunidade que tive de conhecer mais um pouco desta metodologia. Apontei exercícios, alguns já com variantes que eu penso que se adaptam melhor à minha forma de trabalhar, anotei algumas frases que me despertaram interesse, ideias que quero aproveitar, etc… Claro que podia falar aqui de todas estas coisas que registei, mas penso que isso não é o importante, cada um interpreta as coisas de forma diferente, o que para mim foi importante anotar pode não ser aquilo que os meus colegas acharam que foi o mais interessante.

Fazendo um balanço final saí mais enriquecido, tal como sucedeu quando estive presente num seminário com Horst Wein, ou em qualquer outra formação, são estas experiências que fazem com que a “minha metodologia” se vá formando e, espero eu, melhorando.
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DIÁRIO DE TREINADOR: Fim da primeira volta

Esta semana ambas as nossas equipas tinham o jogo que iria decidir quem acabaria a primeira volta em primeiro lugar.

Os escolas A, que até agora tinham dois jogos e outras tantas vitórias, defrontavam o segundo classificado que tinha um empate e no último jogo tinham alcançado uma vitória folgada. Embora o jogo fosse no campo do adversário estava muito confiante em conseguir mais uma vitória.

Apesar de termos dominado de forma claro o jogo desde o inicio foi complicado conseguir finalizar as diversas oportunidades que íamos criando. O nosso primeiro golo apenas foi alcançado num lance de bola parada já a meio da primeira parte.

Durante o intervalo pedi aos miúdos mais concentração, a exibição não estava a ser a melhor, mas em nenhum momento nos deixámos superiorizar pelo adversário.

Na segunda parte o domínio ainda foi maior, os golos também apareceram com naturalidade e dessa forma voltámos a alcançar uma vitória tranquila e alargada, 5-0 foi o resultado final.

Infelizmente com o final desta primeira fase foram confirmadas as minhas expectativas, não está a ser uma fase difícil para estes miúdos. Mais uma vez digo que aquela segunda fase foi incrível, nenhum clube foi superior à nossa equipa…

Os escolas B também tinham duas vitórias em dois jogos e, o adversário desta jornada partilhava o primeiro lugar com os mesmos pontos. Tal como indicava a classificação foi um jogo equilibrado, talvez com um pouco de superioridade da nossa parte, pelo menos em oportunidades de golo. Acabou com o resultado em 2-2. Dessa forma continuamos também em primeiro em escolas B mas neste caso em igualdade pontual com o nosso adversário desta semana.

domingo, 26 de abril de 2009

DIÁRIO DE TREINADOR: Resumo das últimas semanas...

Não tenho escrito para a categoria diário de treinador, então vou fazer um “breve” resumo do que tem acontecido.

Em relação à segunda fase do campeonato de Escolas A acabámos a jogar muito bem mas infelizmente os resultados não corresponderam, é incrível como esta fase correu, mas como disse um dos pais dos miúdos temos de estar satisfeitos porque ninguém foi melhor que nós. No último jogo desta fase defrontámos um clube que se tem portado de forma muito incorrecta connosco o que mais uma vez aconteceu neste jogo. Nós continuaremos calmos, de consciência tranquila e acreditar no nosso trabalho tal como eles também acreditam no nosso e pouco no deles…

A equipa B acabou também muito bem esta fase tendo aliando as exibições aos resultados, tenho pena de não ter acompanhado esta equipa nesta segunda fase e infelizmente o sorteio da terceira fase não foi o melhor e vai continuar a ser complicado estar presente nos dois jogos

Na paragem do campeonato estivemos presentes em torneios de Páscoa diferentes para as duas equipas. Os escolas A precisavam de algo deste género para recuperar os níveis de confiança e foi o que aconteceu. Portaram-se muito bem os miúdos que estiveram presentes e saímos mais confiantes nas nossas capacidades, também foi importante para alguns atletas individualmente para voltarem a acreditar que são capazes e ajudar a equipa da melhor forma. Foi importante mostrar aos miúdos que aquela competição é totalmente diferente da nova fase de campeonato, desse modo desejamos que os níveis de concentração estejam no máximo no regresso aos treinos.

Os escolas B tinham muitos atletas indisponíveis devido às férias mas tiveram uma excelente prestação, mantendo a qualidade que têm demonstrado ao longo desta época. Também aqui alguns miúdos perceberam que têm qualidade e que são todos importantes nesta equipa.

Aproveitando também a paragem contactamos alguns clubes para saber da possibilidade de alguns atletas treinarem integrados na nossa equipa. Uns aceitaram outros não e respeitámos a decisão. Talvez sirva de exemplo para outros clubes.

A terceira fase já começou e da melhor forma para as nossas equipas.

Na primeira jornada dos Escolas A conseguimos uma vitória clara num campo complicado. Começámos a perder neste jogo apesar de termos dominado desde o inicio. Rapidamente conseguimos o empate e assim chegámos ao fim da primeira parte. No intervalo corrigimos uns pequenos aspectos e partimos para uma segunda parte forte e para uma vitória clara.

Os escolas B defrontaram uma equipa que nos tinha ganho na primeira fase. Os miúdos quiseram mostrar que conseguiam vencer e lutaram muito cumprindo sempre os princípios da nossa forma de jogar. Foi complicado mas conseguiram o objectivo e vencemos por 2-1.

Este fim-de-semana realizou-se a segunda jornada desta terceira fase, desta vez os jogos eram com o mesmo clube. Os escolas A em nossa casa e os escolas B na casa do adversário. A equipa A teve um jogo interessante, o adversário apresentou um sistema de jogo que os nossos miúdos não estavam acostumados a defrontar o que criou alguns problemas. Mais uma vez começámos a perder e mais uma vez fomos para o intervalo empatados a 1golo. No intervalo foi necessário explicar rapidamente como teríamos de adaptar a nossa organização defensiva e ofensiva. A segunda parte correu muito melhor, os miúdos entenderam o que lhes foi pedido para alterar e assim conseguimos mais uma vitória.

A equipa B curiosamente conseguiu o mesmo resultado e com as mesmas dificuldades com o sistema táctico adversário.

O sucesso obtido por estes miúdos nestes jogos mostra que estamos perante jogadores inteligentes que percebem perfeitamente o jogo. Espero que esta fase continue a apresentar as dificuldades que este miúdos precisam para continuar a evoluir.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

DIÁRIO DE OBSERVADOR: Treinadores de qualidade

Quando falamos em futebol de formação, rapidamente nos vem à cabeça jovens jogadores de futebol que têm vontade de singrar no futebol profissional. Mas há outros “jovens” com objectivos semelhantes, os jovens treinadores.

Quem me conhece sabe que observo muitos jogos de futebol e um dos aspectos que analiso sempre são os treinadores. A sua postura durante o jogo, a qualidade dos seus feedbacks, a sua leitura do jogo quando altera alguma coisa na sua equipa, a forma pedagógica como lida com os jovens com quem trabalha, o futebol praticado pela sua equipa…

Há inúmeros treinadores com qualidade num destes pontos e noutros que não referi. Mas tenho encontrado técnicos que são fortes em todos estes pontos demonstrando assim que há muita qualidade no nosso futebol de formação.

É uma pena que muitos destes treinadores não consigam trabalhar em clubes que os valorizem e façam evoluir, há ainda clubes que nem se apercebem da qualidade dos recursos humanos que têm e acabam por perder essas pessoas estupidamente.

Tal como há prospecção de jovens futebolistas também alguns clubes deviam ter atenção aos jovens treinadores que andam por esses campos e que com toda a certeza irão enriquecer os seus quadros.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

DIÁRIO DE OBSERVADOR: Futebol jovem em Portugal

Esta semana estive presente num torneio muito importante a nível nacional para o escalão de iniciados (sub-15) que envolveu 36 equipas e perto de 600 atletas.

Este torneio está dividido em duas fases. A primeira em 4 grupos de 8 equipas que se vão eliminando até ser encontrado o vencedor de cada grupo. A segunda fase tem quatro equipas escolhidas pelo organizador do torneio que defrontam já nos quartos-de-final os vencedores da primeira fase.

Dessas quatro equipas “convidadas” para a última fase, duas delas foram eliminadas logo ao primeiro jogo por equipas que estavam a realizar o seu quarto jogo e que tinham vencido os seus grupos da primeira fase. Em seguida realizou-se as meias-finais do torneio, aí já se verificou a presença de algumas pessoas que dizem que apoiam o futebol de formação.

A minha pergunta é, o futebol de formação só é importante quando envolve os clubes com nome e com mais adeptos? Isso é apoiar o futebol de formação? E se essas equipas tivessem sido todas eliminadas no primeiro jogo? Voltavam para casa sem falarem do torneio?

Isto é o reflexo do que passa no nosso país ao nível do futebol jovem, apenas se olha para alguns clubes, seja as organizações dos torneios que os convidam apenas para a última fase, seja estes “apoiantes” do futebol de formação que só falam e dão destaque a alguns, seja ainda as selecções nacionais que nem para os treinos de triagem convocam alguns miúdos com muita qualidade porque têm o “azar” de estar num clube menos importante… Eu por exemplo vi neste torneio muitos miúdos de qualidade e vi ainda equipas muito bem orientadas pelos seus treinadores.

sábado, 4 de abril de 2009

Alterações...

Pois é, este espaço está diferente. Dei-lhe uma visão mais pessoal de forma a ir ao encontro do objectivo inicial, contar as minhas experiências e deixar algumas reflexões.

Este espaço tem tido uma grande importância na minha evolução, faz-me pensar em diversos temas, para além disso já me proporcionou conhecer algumas pessoas que partilham deste gosto pelo futebol de formação por isso prometo que vou tentar dedicar mais tempo a este espaço.
Por último referir que a minha iniciativa de criar uma base de dados de pessoas ligadas ao futebol jovem nas mais diversas actividades não teve a adesão esperada. A todos os que me contactaram o meu muito obrigado e se de alguma forma eu puder ajudar podem contar comigo.


Um abraço

sexta-feira, 20 de março de 2009

DIÁRIO DE TREINADOR: Dois jogos completamente diferentes

Esta semana ainda me atrasei mais a vir a este espaço falar dos jogos das equipas. Tínhamos um duplo confronto com o mesmo clube, a equipa A jogava em casa enquanto a equipa B deslocava-se ao terreno adversário.

Tinha sido uma semana de treino excelente onde preparámos muito bem os jogos que iríamos disputar e dessa forma estávamos preparados para as grandes dificuldades que íamos ter.

O jogo da equipa A teve mais uma dificuldade, o calor que se fez sentir, mas como disse aos miúdos era igual para as duas equipas. Pedi aos jogadores velocidade a trocar a bola entre todos, tinha de ser a bola a correr, pois se fossem os jogadores a conduzirem a bola depressa ficavam esgotados.

Infelizmente foi daqueles jogos em que nada do que se conversou e do que trabalhámos durante a semana foi visível no jogo. A primeira parte acabou com o resultado de 0-0 mas a exibição não estava a ser a melhor.

Ao intervalo foram reforçados os aspectos ditos antes de iniciar o jogo, tínhamos de corrigir rapidamente esses aspectos ou não iríamos conseguir um resultado positivo.

A segunda parte começou da pior maneira, aos 2 e aos 3 minutos a equipa adversária conseguiu marcar golo e dessa forma toda a nossa estratégia teve de ser alterado com este resultado de 2-0. Fomos para cima da equipa adversária, notei que os miúdos tinham vontade de conseguir alterar o jogo. Há um ditado que diz que a pressa é inimiga da perfeição, assim foi. Apesar de termos conseguido reduzir para 2-1 foi claramente das nossas piores exibições, esta equipa que nos últimos jogos tinha vindo a fazer jogos muito bons não consegui perceber as características particulares deste jogo, nada do que se trabalhou foi aplicado no jogo e isso, como treinador, nunca é positivo.

Foi dos jogos que mais me custou, não pelo resultado, mas sim pela forma como jogámos e porque os miúdos não aplicarem em campo tudo o que se falou durante a semana e na palestra para este jogo.

A equipa B fez precisamente o oposto, tudo o que se trabalhou foi posto em prática, dessa forma voltámos a fazer um jogo muito bom com os nosso miúdos a mostrarem um atitude e personalidade fantástica.

O resultado assim só poderia ser uma vitória, num campo que apresenta sempre muitas dificuldades a todos os adversários, conseguimos uma vitória clara por 6-0.

De salientar que esta equipa voltou a ficar dois jogos sem sofrer golos repetindo aquele inicio de campeonato fantástico onde estivemos 8 jogos sem consentir qualquer golo. Para a semana temos o jogo mais difícil do campeonato contra uma equipa que provavelmente irá vencer o campeonato.

quarta-feira, 11 de março de 2009

CRÓNICA SEMANAL: A importância dos pais no futebol jovem

Já há algum tempo que não faço um texto sobre outras especificidades do futebol de formação que não seja os jogos das minhas equipas ou os jogos que observo. Hoje vou falar de outro tema. A relação entre clube e pais.

Alguns pensaram que é um assunto que não está muito relacionado com o futebol, eu considero um assunto que tem cada vez mais importância. Não nos podemos esquecer que o futebol jovem em Portugal mudou. Neste momento são os pais que decidem onde os seus filhos jogam, até aos 14 anos os miúdos podem andar livremente de clube em clube. Assim, os pais ganharam um papel muito importante nas “transferências”. Se me colocar no papel de um pai que, com toda a certeza, quer sempre o melhor para o seu filho na hora de escolher um clube para colocar o meu filho vou ponderar as vantagens e desvantagens que os vários clubes apresentam.

Vou dar um exemplo, imaginem que têm um filho a jogar no clube A e a pouca distância temos o clube B que em termos de qualidade da equipa é muito semelhante. Esse clube B mostra interesse em contar com o meu filho na próxima época. Se a relação que tenho com a direcção do clube A não é e melhor, se não existe diálogo entre mim e essa mesma direcção e treinador, se no clube B os miúdos participam em mais actividades como por exemplo torneios em vários locais do país e estrangeiro, começo a ponderar mudar de clube. Depois temos ainda que no clube B as condições de treino são melhores, o mais natural é eu colocar o meu filho nesse clube enfraquecendo cada vez mais o clube A e aumentando a força do clube B.
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Desta forma ganha cada vez mais importância caminharmos lado a lado com os pais dos nossos atletas, saber a opinião deles, perguntar que aspectos deveram ser melhorados para tornar a prática desportiva dos seus filhos mais agradável

DIÁRIO DE TREINADOR: Resultados injustos...

Esta semana a nossa equipa A jogava fora, num campo muito complicado não só por ser pelado mas também porque normalmente têm um ambiente difícil que pode alterar a concentração dos miúdos.

A equipa que defrontávamos, tal como todas as que estão nesta segunda fase, tinha muita qualidade e que com toda a certeza nos apresentaria muitas dificuldades. Mais uma vez treinámos bem e a confiança nos miúdos era total.

Começámos o jogo por cima apesar de ser um jogo equilibrado, na primeira parte apenas houve ocasiões de golo através de remates de longe, neste tipo de campos é complicado progredir com a bola e esta é uma arma muito utilizada. A nossa equipa ainda acertou um desses remates na trave da baliza. A primeira parte apesar do equilíbrio teve algum ascendente da nossa equipa e poderíamos ter ido para o intervalo com um resultado daquele que se registava 0-0.

Ao intervalo disse aos atletas que acreditava neles, que estávamos melhor e que não era possível que fossemos repetir o jogo da jornada anterior e que por isso iríamos marcar e vencer o jogo.

Infelizmente logo aos 3 minutos da segunda parte num lance confuso na nossa área a equipa adversária marcou ficando em vantagem. Com a atitude que caracteriza estes miúdos fomos à procura de outro resultado e lutamos muito, a 6 minutos do final do jogo conseguimos o justo e muito procurado empate.

Esta segunda fase não esta a ser de muita sorte para a nossa equipa, no minuto seguinte a conseguir o empate houve um livre para o adversário que aproveitou da melhor maneira e ficou novamente em vantagem.

Mais uma vez sou da opinião que fomos melhor que o adversário apesar do resultado não ser favorável. Temos de continuar com esta atitude e com esta qualidade, seguem-se dois jogos em casa que se mantivermos o nosso nível iremos vencer.

A equipa B jogava em casa com um adversário que na primeira fase tinha empatado connosco, nessa altura em sua casa.

Também esta equipa realizou um jogo muito bom, sempre a dominar o jogo, infelizmente não conseguimos traduzir essa vantagem em golos e o resultado final acabou por ser um 0-0. Para um jogo de escolas é um resultado atípico mas infelizmente para nós que dominámos foi o que se verificou.

Vamos continuar o nosso bom trabalho e os nossos bons jogos. Assim vamos conseguir cumprir os nossos objectivos.