Frases que dizem muito...

"A forma não é física. A forma é muito mais do que isso. O físico é o menos importante na abrangência da forma desportiva. Sem organização e talento na exploração de um modelo de jogo, as deficiências são explícitas, mas pouco têm a ver com a forma física." (José Mourinho)

sexta-feira, 9 de maio de 2008

FUTEBOL JOVEM E O MUNDO: AC Milan

Esta semana escolhi o AC Milan e Eddie Marles, director do clube para a América do Norte e América Latina. Vou falar um pouco sobre um programa que o clube tem para o futebol de formação, os campos de férias. Este programa iniciou, em Maryland, Baltimore em 1999. Desde essa altura alargaram-no a mais 10 estados americanos, bem como a 8 locais no Canada. O mesmo se passa com outras zonas do globo sendo, actualmente, considerado o número um nestas iniciativas, envolvendo mais 100,000 crianças todos os anos. Estes campos criados pelo AC Milan, recebem rapazes e raparigas desde os 6 anos até aos 17.

Eddie Marles nasceu na Colômbia, onde desenvolveu o seu gosto pelo futebol, mas emigrou cedo para os Estados Unidos com os seus pais. Em relação à sua associação com o AC Milan começou de uma forma curiosa. Marles tinha uma empresa que começou a prestar serviços de catering para o clube, foi assim que o staff técnico do clube o conheceu. Mais tarde começou a pesquisar mais sobre o clube e os seus objectivos, sobre os programas e territórios que abrangiam. Foi assim que se associou a este programa através das suas capacidades de organizar eventos.

Em relação ao programa, o foco é o desenvolvimento integral do jovem. É o pensamento que todos têm de ter. Também dão grande importância ao criar um ambiente divertido enquanto aprendem. Já em relação ao staff técnico Marles refere "Os treinadores são muito experientes e dinâmicos, a maioria deles viajam por mais de 40 países onde temos este programa". "As manhãs são dedicadas geralmente dedicadas ao treino técnico enquanto as tardes, dedicamos a conceitos tácticos e jogos". Esta forma de organização está também dependente dos miúdos que frequentam os campos. "Em algumas regiões há crianças extremamente talentosas, enquanto em outras eles apenas estão a aprender a movimentar-se, nós tentamos ensinar as crianças a serem coordenadas. É incrível ver quanto evoluem estes jovens numa semana com um bom método de ensino".

Muitos destes jovens que têm participado nestes campos acabam por ingressar nas academias da Florida, Califórnia, Toronto e no resto do mundo, neste momento são mesmo considerados uma peça fundamental na estrutura do clube.

Voltando ao staff técnico presente nestes programas, são treinadores altamente certificados, muitos deles são ex-jogadores, embora Eddie Marles refira que ser ex-jogador não significa que possa ser um treinador, é na verdade uma mais-valia. "Todos os nossos ex-jogadores continuam a fazer parte da nossa instituição. Desde Leonardo a Baresi. É como uma família e, nunca se abandona a família. Se notarem toda a estrutura do Milan é composta de ex-jogadores. Ancelotti, Tasotti, Costacurta, Baresi, Evani e Galli. Actualmente o staff está sob um programa de treino e actualização de forma a implementar a nova plataforma de treino, é um sistema que é considerado dos mais avançados do Mundo, para programas com jovens".

Este programa tem muitas particularidades que atraem os jovens, desde a presença de figuras do clube, como Paolo Maldini, Gennaro Gattuso, Alessandro Nesta e Clarence Seedorf. Depois têm também pacotes de viagens para Itália, sejam apenas para o jovem ou em conjunto com os pais.

É um programa de treino interessante, penso que poderia ser aproveitado por muitos clubes de forma a atrair jovens para os seus quadros.

O verão passado estive prestes a fazer parte de um programa semelhante num clube inglês, era uma oportunidade de me enriquecer enquanto treinador, conhecendo outras formas de trabalhar. Desde que comecei esta categoria, Futebol Jovem e o Mundo, tenho pesquisado bastante sobre clubes, treinadores e programas, não se compara com a vivência da própria realidade, é certo, mas considero que me tem feito evoluir na minha função de treinador e, sendo o meu sonho coordenar o futebol jovem de um clube, quanto mais realidades conhecer mais ideias consigo adquirir.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

CRÓNICA SEMANAL: Importância da vertente social dos clubes


Esta semana, fui observar um jogo de uma equipa na qual conheço alguns treinadores. Esse clube está numa zona onde existem várias equipas, muitas delas com alguma dificuldade em ter atletas suficientes em todos os escalões, assim, muitas vezes os miúdos têm de jogar pelo escalão superior.

Fiquei a ver esse jogo com um desses treinadores. A dada altura perguntei porque não ia buscar os melhores miúdos dessas equipas, já que a distância não era muita e assim já poderiam jogar no escalão correcto e inclusive aumentar a qualidade da equipa, isto é, criar um pequeno departamento de prospecção, ou algo semelhante. A resposta surpreendeu-me, foi-me dito que isso não era possível porque muitos desses miúdos têm dificuldades financeiras e não poderiam pagar a mensalidade que naquele clube é exigida enquanto são atletas de formação.

Ora o futebol nunca foi considerado um desporto de elite e assim tem de continuar, disponível para todos, independentemente do tamanho, capacidades, cor ou credo. Como actividade, oferece valores educacionais, benefícios para a saúde, oportunidades sociais e desportivas. Podemos mesmo afirmar que é um óptimo veículo para o desenvolvimento pessoal e, na maioria das vezes, são estes miúdos que têm mais dificuldades que precisam destas actividades. Concordo que a formação deve ser paga, não é isso que está em questão, mas se podemos ajudar esses miúdos não o devemos fazer?

Há uns tempos apresentei uma série de ideias a uma pessoa ligada a um clube, a resposta que obtive foi, arranja recursos financeiros para implementarmos isso. Eu então penso ao contrário, devemos implementar as ideias para trazermos mais verbas financeiras para o clube. É como esta situação, podemos não receber compensações financeiras directamente dos miúdos, mas se com eles aumentarmos a qualidade das nossas equipas, mais atractivo se torna o clube para outros miúdos, esses sim com possibilidades de pagar a mensalidade. Pode ainda haver a possibilidade de uma futura transferência para um clube de maior dimensão.

Todos os clubes deveriam ter programas desportivos, sociais e promocionais capazes de chegar a públicos mais alargados. É por isso que dou tanta importância à existência de uma pessoa responsável por estes assuntos, podemos chamar de coordenador se quiserem, não interessa a designação mas, se um clube quer crescer, tem de fazer a diferença com a qualidade dos serviços que presta à sociedade onde está inserido.
.

terça-feira, 6 de maio de 2008

DIÁRIO DE OBSERVADOR: Pais também têm culpa...

Nesta categoria, diário de observador, normalmente falo de situações com que me deparo em diversos jogos que vejo. Desta vez irei falar, não de um jogo mas, de uma situação que ocorreu durante um treino na escola de futebol da qual faço parte.

Neste momento ocupo um lugar, que alguns chamam de coordenador técnico, isto é sou eu que observo todos os treinos que estão a ocorrer e se necessário intervenho de modo a aumentar a qualidade dos mesmos.

A situação ocorreu na nossa turma de miúdos de 2001/2002. Nessa turma existem dois miúdos que são irmãos, um de 2001 outro de 2002. O miúdo mais velho teve alguns problemas de integração ali na nossa escola, no inicio chorava muito, isolava-se etc. Há uns meses entrou o irmão mais novo que se conseguiu integrar melhor, inclusive ajudou na integração do mais velho. Importa ainda referir que os pais acompanham sempre os miúdos, ficando a mãe na bancada a assistir enquanto o pai se coloca mesmo encostado à vedação que está a delimitar o campo.

Neste treino o mais novo apareceu com uma bolha no pé que lhe estava a provocar algumas dores e que o levou a abandonar o treino, indo ao encontro da mãe na bancada. O mais velho apercebendo-se disso começou a olhar constantemente para o pai e, a dada altura, o pai retirou-o do campo, sem informar o treinador e sem ser pelo sítio indicado para o fazer.

Prontamente intervimos chamando o pai e o jovem, esclarecemos que aquela não era a forma correcta de actuar, o miúdo começou logo a dizer que não queria mais treinar, queria ficar com o pai. Nós temos um psicólogo que acompanha o treino, que tentou conversar com o miúdo enquanto nós falávamos com o pai sobre os problemas que esse miúdo tinha para se integrar ali.

Chegando ao fim da conversa, conclui que o grande responsável pelo miúdo ser assim é do pai e passo a explicar. Este miúdo com 6 anos (faz sete brevemente) ainda não se veste uma única vez sozinho, é o pai que faz sempre essa tarefa, isto mostra que o miúdo é super protegido, ou se quiserem mimado pelo pai, não criou autonomias, esta dependente dele para tudo, essa é a razão para todos os seus problemas de integração.

Identificado o problema, cheguei à conclusão que tenho de ter atenção a essa situação, o treinador dessa turma não pode prejudicar o seu treino nem os outros miúdos. Assim, o treinador deixa de ter essa preocupação e irei ser eu a actuar em relação ao miúdo de forma a desligá-lo do pai e a torná-lo autónomo, esse meu trabalho será em conjunto com o psicólogo, embora cada um actue numa área diferente deste problema.

Estou a contar esta situação para mostrar que muitas vezes são os pais que “estragam” os filhos, como se costuma dizer, devemos “ensinar a pescar” mais do que “dar um peixe”.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

DIÁRIO DE TREINADOR: Que orgulho...

Esta semana iniciava a segunda volta desta terceira fase contra a equipa que tinha empatado. Sendo o jogo em minha casa estava com esperança de um resultado positivo e assim distanciar-me dessa mesma equipa.

Quando fui para o relvado logo uma coisa chamou a atenção, a equipa adversária tinha convocado miúdos da equipa A, isto é, atletas mais velhos que nasceram em 1997. Alertei os meus miúdos para essa situação, ou por outra, tentei com isso motivá-los ainda mais para este jogo importante.

O jogo iniciou com um remate directo de um desses miúdos mais velhos à baliza, mostraram assim como seria o jogo, utilizar esses miúdos e a vantagem de serem mais velhos. Ainda bem que tenho uns miúdos que me deixam orgulhoso, da sua forma de jogar, em quem confio para todos os jogos sem precisar de utilizar miúdos mais velhos, aliás tenho até 3 miúdos de 1999. É a velha questão, interessa os resultados desportivos ou a formação dos jovens?

O resultado foi-se mantendo ao longo da primeira parte com a minha equipa a mostrar que não é o tamanho nem a força que ganha jogos, inclusive, aos quinze minutos, chegámos mesmo à vantagem através de um lance de bola parada. Poucos minutos depois num lance individual vencido pelo jogador da equipa adversária em velocidade, há um cruzamento onde a bola sofre um desvio e vai parar aos pés do avançado que apenas teve de empurrar fazendo a igualdade com que chegámos ao intervalo.

Ao intervalo dei os parabéns aos miúdos estavam com uma atitude fantástica, em termos de jogo eram eles que pareciam os mais velhos, os mais maduros. Mais uma vez disse que acreditava neles para vencer este jogo.

Na segunda parte num lance semelhante a equipa adversária volta a marcar golo, ficando em vantagem. Esse golo despertou nos meus miúdos um espírito guerreiro incrível, não tiveram medo nenhum de ir para cima deles e não fosse os remates distantes, os adversários nem criavam perigo. Perto do final um lance magnífico, que pode servir para resumir o jogo, um dos meus jogadores de 1999 à entrada da área dá um “cabrito” num desses miúdos de 1997 e, sem deixar a bola cair, remata colocando a bola no ângulo superior direito do guarda-redes, espectacular. Os miúdos festejaram os pais festejaram os pais dos adversários bateram às palmas. Mas no último lance do jogo o ditado, água mole em pedra dura, tanto bate até que fura, cumpriu-se e num remate distante conseguiram marcar de novo vencendo o jogo por 3-2.

Perdemos, é certo, mas saí do jogo com um orgulho imenso nestes miúdos, perdoem-me o que vou dizer, mas jogamos muito. No final disse a todos, “parabéns, estou muito satisfeito, mostraram que nem com miúdos mais velhos mereciam ganhar, no inicio da época escolhi para a equipa cada um de vocês, é com vocês que adoro trabalhar durante a semana e nenhum atleta da equipa A tinha lugar nesta equipa, vocês estão a evoluir de uma forma fantástica é isso que tem de ser importante e não se ganham hoje. Agora, imaginem esta equipa para o ano a jogar com vocês... "

quinta-feira, 1 de maio de 2008

FUTEBOL JOVEM E O MUNDO: Arsenal


Desta vez continuo por Inglaterra e agora vou até Londres. Vou falar do Arsenal, clube que me fascina há muitos anos pela sua aposta em jovens e de Liam Brady responsável pelo futebol jovem do clube há sensivelmente 12 anos.

Como Liam Brady cresceu no clube, já que entrou no arsenal em 1970 como uma jovem promessa, foi fácil aceitar o cargo que hoje ocupa. Uma espécie de retribuição, já que foi sempre muito bem tratado.

Nos últimos anos, jogadores como Aslhey Cole, Steve Sidwell, Jermaine Pennant, Justin Hoyte e Cesc Fabregas chegaram à primeira equipa do arsenal, sob o comando de Arsene Wenger, vindos na fantástica academia no clube situada Hertfordshire. Assim, hoje é muito fácil atrair jovens para o clube.

Quando Brady chegou, o clube estava em transformação, Arsene Wenger tinha convencido o clube a ter um novo centro de treinos, o responsável pelo futebol jovem do clube teve então de fazer pressão para a formação fazer parte dessa estrutura. Hoje em dia possuem um campo apropriado para qualquer estado meteorológico, uma área coberta e cinco fantásticos para a prática de futebol.

O departamento de formação do clube é uma estrutura enorme. Têm dez pessoas a tempo inteiro a trabalhar e cerca de 30 que trabalham em regime part-time. Há ainda vários observadores que o clube possui. Em relação a este tema dos observadores há uma curiosidade que Liam Brady refere “Nós não temos observadores em Manchester ou Newcastle e sítios desse género, não tem qualquer fundamento pois eles têm de ir para os clubes locais.” Apesar disso o Arsenal possui imensos observadores por toda a Inglaterra, maioritariamente em Londres, Escócia, Irlanda e em toda a Europa.

Como politica para o futebol jovem, o clube está concentrado em observar todos os atributos que pensam ser vitais, mas sobretudo dão muito valor à técnica individual dos jogadores. Para os responsáveis os jogadores têm de ser atléticos assim, possuem um programa de desenvolvimento físico, onde os atletas têm de ser dedicados e onde recebem orientação nesse aspecto.

Brady refere um aspecto que espera que brevemente se venha a alterar no clube, “Nós não temos jogadores ingleses suficientes no clube. Espero que nos próximos dois, três anos essa situação tenha sido alterada já que temos um óptimo grupo de jovens jogadores a aparecer”. Mas não se pense que é contra a contratação de atletas estrangeiros, “ Assinar com jovens estrangeiros é essencial para o Arsenal. Se nós pensarmos que existe um jogador especial e que nós pensamos que podemos ficar com ele, vejam o exemplo do Cesc Fabregas, nós trabalhamos arduamente para que isso aconteça. Penso que com as facilidades e a estrutura que temos, nós conseguimos atrair esses jovens.”

Claro que todo este trabalho resulta também por culpa de Arsene Wenger que é conhecido por apostar nos jovens “Enquanto a direcção e o treinador na equipa principal nos der o apoio que precisamos para continuar com o nosso trabalho, nós seremos cada vez mais fortes, se perdemos esse apoio aí será um problema”. Brady confirma ainda que os jovens muitas vezes escolhem o clube pela aposta que o técnico francês faz nos jovens, “ Eles sabem que irão ter uma oportunidade se forem suficientemente bons enquanto no comando estiver Arsene Wenger”.

Hoje em dia um clube como o Arsenal têm de ter os melhores jogadores no clube por isso é que os observadores desempenham um papel tão importante nos clubes de sucesso. Se depois tivermos os melhores treinadores para os trabalharmos e uma estrutura que apoie estes jovens e aposte neles seguramente todos este processo será um sucesso.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

CRÓNICA SEMANAL: Seriedade e Honestidade


Esta semana venho falar de seriedade e honestidade, dois conceitos que, por diversas vezes, estão ausentes no nosso país e também no futebol jovem.

Como costumo dizer, treinar jovens poderá ser também um risco e, tanto maior é o risco quanto mais impreparados, os intervenientes no processo estiverem. Assim, é essencial existir seriedade no trabalho que fazemos, temos de nos dedicar ao que fazemos. Uma das razões que me levou a começar a escrever, primeiro no meu blogue, depois em colaboração com outros espaços foi por tudo o que isso implicava. Como gosto de ser sério naquilo que faço, dedico a cada texto que faço algum tempo, seja para pesquisa de literatura da especialidade, conhecer novas realidades, seja para realmente pensar no porquê das diversas situações.

Há textos, livros fantásticos que gosto de ler e que podia utilizar, mas como disse gosto de pensar nas coisas, gosto de ter um espírito critico, não devemos aceitar tudo como verdades absolutas. Assim, não me parece sério nem honesto copiar textos, exercícios, ideias, etc. e utilizá-los como se fossem da nossa autoria, não há fórmulas mágicas, as coisas que consideramos boas podem não estar adaptadas à nossa realidade, por exemplo, a maneira de ser daquele treinador pode não ser a mais adequada para aplicar na minha equipa nem aos jovens com que estou a lidar.

Temos de ser honestos para os miúdos, eles não merecem a nossa falta de seriedade e preparação, não podemos aproveitar o que os outros fazem, algumas vezes com esforço, para parecermos algo que não somos.

Ultimamente também é visível a alteração de postura de diversos treinadores e dirigentes, que agora, constantemente, fazem declarações polémicas. Claro que se os questionarmos eles nos dizem, o Mourinho também é assim e é considerado dos melhores técnicos do Mundo. É verdade, mas essa é a sua maneira, sempre teve essa postura, agora sinceramente muito utilizam essa estratégia para disfarçar a sua falta de competência.

Resumindo vamos todos tentar ser sérios e honestos naquilo que fazemos!
.

terça-feira, 29 de abril de 2008

DIÁRIO DE OBSERVADOR: Que medida tomar?

Nesta categoria é habitual falar de problemas, que vou observando nos diversos jogos em que estou presente seja como observador ou treinador.

Esta semana, o problema está repleto de aspectos que importa referir. A dada altura de um jogo de escolas o treinador resolve trocar de avançado, o jogador quando se apercebe que vai ser substituído dirige-se para a linha claramente chateado, até aqui tudo normal, nenhum atleta gosta de sair, mesmo neste escalão onde quem sai pode voltar a entrar, o problema foi a atitude que esse atleta teve quando passou pelo seu colega que entrou para o substituir, o seu companheiro, como é normal, estendeu a mão para o cumprimentar e efectuar a troca enquanto o jogador que ia a sair recusou o cumprimento e ainda reclamou com esse miúdo.

É uma atitude reprovável entre colegas de equipa e entre miúdos, mas ainda houve algo que ainda me custou mais observar.

O Treinador viu aquela atitude e não disse nada ao miúdo, continuou a comandar a sua equipa como se nada fosse, passados poucos minutos a equipa adversária marcou um golo a primeira coisa que o treinador fez foi voltar a chamar o atleta que tinha sido substituído e colocá-lo em campo no lugar do jogador que tinha entrado na sua posição.

Para mim é uma situação onde ocorrer diversos “erros pedagógicos” nem sei qual devo considerar o pior se o treinador deixar que tal aconteça na sua equipa, se fingir que não viu, ou ainda acabar por dar razão a estas situações de conflitos quando voltou a trocar esses jogadores.

Houve uma pessoa, junto ao banco, que reclamou da situação, não sei qual q relação com a equipa, mas imaginando que seja o pai do miúdo que entrou e voltou a sair e, embora considere que o treinador não deve explicar as suas opções tácticas aos pais, neste caso é compreensível um pai pedir justificações.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

DIÁRIO DE TREINADOR: Um jogo complicado


Esta semana objectivo era continuar a conciliar as boas exibições com os bons resultados. Seguindo a minha metodologia de treino, mais uma vez toda a semana foi dedicada a melhorar a nossa forma de jogar, ao nosso modelo de jogo.

O jogo desta semana estava marcado para as 11 Horas da manhã e assim que chegámos ao campo do adversário identifiquei logo a nossa primeira dificuldade, o calor intenso que se verificava.

O jogo começou e desde cedo os miúdos controlaram o jogo, embora a nossa organização ofensiva não estivesse a dar os resultados pretendidos, a falta de dinâmica e velocidade estava a impedir que a equipa criasse o número de oportunidades de golo que tem conseguido nos últimos jogos. Já ao nível da organização defensiva a equipa esteve muito bem impedindo a equipa adversário de se chegar perto da nossa baliza. Assim, a primeira parte acabou com o resultado de 0-0 tendo o guarda-redes adversário efectuado duas boas defesas impedindo a minha equipa de ir para os balneários em vantagem.

No intervalo, tive a preocupação de refrescar os atletas enquanto referia que apenas precisávamos de aumentar um pouco o ritmo para conseguir vencer este jogo. Tive uma conversa em particular com dois jogadores, onde lhes transmiti que iriam começar a segunda parte no banco para assim conseguir lançá-los na segunda parte mais frescos na tentativa de resolver definitivamente o jogo.

A segunda parte começou da mesma forma. Um jogo com pouca velocidade mas sempre com o controlo da minha equipa. Por volta dos 10 minutos lancei os dois miúdos com quem tinha conversado e a estratégia resultou, entraram com mais velocidade que os restantes jogadores e assim o domínio do sector intermédio foi total criando a equipa mais oportunidades de golo. Aos 15 minutos, através de um passe extraordinário do defesa central, o avançado fica isolado na frente do guarda-redes e, após olhar para a baliza e observar de que lado se encontrava o guarda-redes rematou cruzado inaugurando o marcador. Este miúdo está a evoluir de uma forma fantástica é de 1999 e nos últimos jogos tem sido uma peça muito importante no nosso processo ofensivo.

O jogo chegou ao fim com o resultado de 1-0, um resultado curto para o que se passou, embora o adversário tenha estado muito bem conseguindo impedir a minha equipa de chegar à vantagem mais cedo. Foi um resultado importante num jogo muito complicado.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

FUTEBOL JOVEM E O MUNDO: Queens Park Rangers


Hoje irei falar do Queens Park Rangers e do homem responsável pelo desenvolvimento do futebol jovem Joe Gallen.

No clube inglês Gallen começou na categoria de sub-9, depois sub-11 até subir aos sub-17. Neste momento para além de ser treinador dos sub-18 é o responsável por todo o programa do futebol jovem do clube, isto é, desde os sub-7 até aos sub-19. Um programa que o técnico considera ser de longo prazo, isto é, não é algo que esteja concluído amanhã.

A semana de Gallen começa com uma reunião com o responsável pela prospecção para discutirem os jogadores que despertaram o interesse dos observadores nessa semana “Tudo o que estou interessado em saber é, quem eles viram, conseguimos ficar com eles e como conseguimos, podem ter 8, 12, 14 não interessa”. De seguida veste o papel de treinador durante o resto da manha até à hora de almoço. Nessa altura pega no telefone para efectuar os contactos necessários para trazer os jovens referenciados. À tarde volta aos treinos. Apenas o fim-de-semana tem uma rotina diferente, sábado de manha tem o seu jogo com a equipa de sub-18, à tarde desempenha as funções de observador caso pense ser necessário, já o domingo é dedicado a ver os jogos das equipas jovens do clube de modo a acompanhar o seu desenvolvimento. Outro aspecto que gostaria de salientar é a visita que Gallen faz às quintas-feiras, com o seu colaborador Jonh O´Brien, a alguns centros de estágio.

Joe Gallen tem algumas ideias que me parecem importantes de referir neste artigo, o técnico diz que não conhece um treinador que consiga transformar um mau jogador num bom jogador “Não me interpretem mal, não temos de treinar e melhorar os atletas, mas nós temos de ter a qualidade certa no inicio”

Outra ideia que quero referir é a de o treinador dizer que não querem contratar jogadores pequenos, sabe que é uma ideia polémica mas assume que “Se alguém sente que isso não é importante no jogo está a cometer um erro, não me interpretem mal haverá sempre espaço para fantásticos jogadores que sejam pequenos mas, regra geral, nós precisamos presença física e é preciso velocidade para ter sucesso”.

Não concordo muito com estas últimas ideias do treinador inglês, penso que, embora a qualidade inicial seja importante, acho que podemos tornar um mau jogador em bom jogador ao nível cognitivo, isto é, compreensão do jogo. Também penso que o factor físico não é assim tão fundamental, talvez o seja um pouco mais no futebol inglês.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

CRÓNICA SEMANAL: Lei de transferências


Hoje venho falar da lei que em vigor nesta época de 2007/2008, relacionada com as transferências de jogadores menores de 14 e que veio alterar, de forma substancial, a postura dos dirigentes desportivos.

Esta lei poderá ter duas leituras diferentes, a de um clube “grande”, claramente beneficiados (quem será que fez esta lei?) e a visão dos clubes “pequenos”.

Com esta nova lei, os chamados clubes grandes conseguem, facilmente, adquirir os jogadores dos clubes pequenos sem que haja lugar a qualquer indemnização, basta o acordo com o encarregado de educação. Assim, os clubes formadores, deixam de receber a verba a que tinham direito, anteriormente, pela formação do atleta. Será então esta nova lei justa?

Os clubes grandes e as pessoas que concretizaram esta lei defendem-se, dizendo que numa futura transferência os clubes que os formaram têm sempre direito a uma percentagem e assim serão compensados, dando o exemplo do Real Massamá e a verba que recebeu com o Nani na transferência para Manchester. Ora todos nós sabemos que grande parte dos jogadores que chegam aos juniores dos grandes não conseguem sequer chegar às equipas principais, assim, a hipótese de os primeiros clubes responsáveis pela formação dos atletas receberem alguma compensação é muito reduzida. Será que assim é viável continuar a investir na formação?

Eu sou da opinião que sim embora entenda que cada vez se torna mais difícil para os clubes pequenos, muitos deles vivem dessas verbas que recebem pelas transferências dos seus jovens, lembro-me do caso do núcleo de Sintra e da verba importante que recebeu com a transferência do atleta Estrela para o SL Benfica. Clubes destes têm uma grande importância a nível social e assim muitos deles correm o risco de acabar, deixando muitos jovens sem a possibilidade de praticar desporto.

Claro que se um dirigente de um clube grande vier falar desta mesma lei vai dizer que é a mais correcta, que assim os clubes pequenos já não dificultar a transferência dos seus atletas para uma realidade melhor e pedir verbas elevadas. Se esta lei é assim tão boa porque se fazem pactos de não agressão entre os clubes grandes para não se tentar contratar jogadores aos rivais?

Concluindo esta lei, na minha opinião, reflecte a realidade do nosso país, os grandes cada vez mais grandes e os pequenos cada vez mais pequenos...
.

terça-feira, 22 de abril de 2008

DIÁRIO DE OBSERVADOR: Pedagogia


Esta semana vou aproveitar uma situação particular para falar do papel dos árbitros no futebol jovem.

Chegado ao intervalo de jogo que estava a observar, vejo o arbitro dirigir-se ao treinador de uma das equipas, achei estranho pois estava a ser um jogo muito correcto de ambas as equipas, assim, prestei atenção ao que foi dito: “Senhor treinador, o seu avançado já entrou várias vezes em carrinhos e em duas ocasiões atingiu os adversários, se possível converse com o jogador para ter atenção a essa situação”. O treinador prontamente agradeceu a indicação e prometeu ter uma conversa com esse jogador no balneário.

Ora parece-me ser esta a postura correcta que deve ter um árbitro num jogo de atletas tão jovens como era neste caso, apenas penso que também poderia ter tido uma conversa com o jogador aquando da ocorrência dessas situações.

Ainda há pouco tempo, Rui Mâncio, coordenador das selecções de futebol da Madeira, apresentou uma proposta de inserir um cartão azul, a ideia seria “promover a formação, com qualidade, num espaço que pretende ser pedagógico”.

Concordo com esta ideia de ser um espaço pedagógico mas, quantos dos intervenientes num jogo de futebol estão preparados a esse nível?
.
Neste espaço estou constantemente a relatar atitudes reprováveis que vou assistindo por esses campos, desta vez observei uma atitude positiva mas infelizmente nem sempre é assim. Por esta razão, entre muitas outras, considero que os treinadores que vêm das faculdades de desporto estão mais capacitados para o treino de jovens. Na maioria dos cursos existem as cadeiras de pedagogia e psicologia do desporto. Nos cursos da associação, seja de treinadores seja de árbitros dão a devida importância a estes aspectos?

segunda-feira, 21 de abril de 2008

DIÁRIO DE TREINADOR: Pequenos grandes jogadores


Depois de na semana passada os miúdos efectuarem um excelente exibição, esta semana procurávamos manter este nível, ou melhor como treinador espero sempre melhorar. A semana foi marcada pelo mau tempo que dificultou o decorrer normal dos treinos.

Quem tem acompanhado os últimos textos desta categoria sabe que vou variando os sistemas tácticos sempre de acordo com o meu modelo de jogo. Esta semana voltei ao mais habitual, isto porque queria confirmar se os miúdos tinham melhorado num aspecto importante da minha forma de jogar e que é mais potencializado num dos sistemas.

A equipa adversária vinha de dois resultados positivos por isso, aguardava o jogo com alguma expectativa. A equipa que defrontei esta semana destacava-se pelo nível físico, ou melhor, comparando com a minha equipa onde os miúdos são muito pequenos, a diferença era bem visível.

O jogo iniciou com o domínio da minha equipa e aos 5 minutos surge o primeiro golo naturalmente, uma jogada bonita finalizada de forma inteligente pelo jogador mais pequeno em campo, o meu avançado de 1999. Aos 15 surge o segundo numa grande jogada individual, fiquei extremamente contente, este miúdo merecia, é claramente o que mais tem evoluído. A primeira parte terminou com o resultado de 2-0.

Ao intervalo alertei os meus jogadores que tínhamos de continuar a jogar bem e que queria ver mais vezes os “processos ofensivos” que temos trabalhado.

Foi o que aconteceu, logo no inicio da segunda parte a equipa consegue o terceiro golo num movimento típico do nosso modelo de jogo, estes são os golos que mais me deixam satisfeito. Na jogada seguinte, num lance infeliz do meu guarda-redes, a equipa adversária reduz. Os miúdos continuaram à procura de mais golos e em pouco tempo, numa jogada idêntica à do golo anterior, fazemos o 4-1, incrível como estava tudo a sair de forma simples, realmente o outro sistema potencializou este movimento. Ainda marcamos mais dois golos de jogadas muito bonitas e a equipa adversária também marcou mais um golo da mesma forma, isto é, o meu guarda-redes teve um dia muito infeliz. Assim, tive de ter especial atenção com este miúdo de forma a motivá-lo.

Fizemos mais uma grande exibição, os últimos dois jogos foram excelentes, estou muito satisfeito com o trabalho realizado. Estes miúdos estão a ficar uns pequenos grandes jogadores.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

CRÓNICA SEMANAL: Os empresários


Esta semana vou falar dos empresários de futebol e de estratégias usadas para valorizar os seus jogadores.

Este assunto surgiu devido a um email que recebi de um empresário a dizer que o seu jogador tinha despertado o interesse de um clube espanhol, SL Benfica e Sporting CP. Claro que o empresário enviou o email na esperança que eu publicasse a noticia e assim o seu jogador poderia despertar interesse dos clubes. É uma estratégia que produz os seus frutos, temos o caso recente do jovem Hélio Vaz que foi treinar ao Bolton e logo começou a aparecer em todos os jornais acabando para ir para o SL Benfica, embora eu saiba que o clube da Lisboa já o andava a seguir antes de ele ir a Inglaterra. Também recentemente um jovem do Trofense foi treinar ao Milan aposto que os clubes grandes começaram a olhar para ele de forma diferente.

Já assisti a empresários que foram importantes no lançamento de muitos jovens, não estou aqui a dizer que sou contra a existência deles, mas também tenho assistido a alguns jogadores a serem prejudicados e muito por empresários que muito prometiam e depois nada fizeram, outros que prejudicam outros atletas porque os seus jogadores têm de jogar para no futuro serem transferidos e receberem a devida comissão.

Uma dia assisti a um jogo de juvenis entre dois clubes que apostam na formação, o clube da casa começou a perder e os adeptos começaram a protestar contra o treinador, uma dessas pessoas dirigiu-se ao treinador dizendo "mister explique-me lá como é que este jovem fica no banco" a resposta do mister foi "Sabes temos aí uns brasileiros que têm que jogar para ser vendidos mas, para o ano, este rapaz é titular indiscutível!"

Qual será a motivação desse jovem cheio de potencial que vê interesses externos “estragar” a sua carreira? Infelizmente esta é uma situação que acontece cada vez mais pelos nossos campos, incluindo em clubes grandes, cada vez mais cheios de estrangeiros...

Crónica disponivel em: http://mestresdofutebol.blogspot.com/

terça-feira, 15 de abril de 2008

DIÁRIO DE OBSERVADOR: Miyagawa brilha no At. Madrid

As vezes a realidade supera a ficção e no caso de Rui Miyagawa, tudo começou a 16 de Dezembro de 2006 quando tinha apenas 9 anos.

Este pequeno japonês louco por futebol viu pela televisão a final do Mundial de clubes entre Barcelona e Internacional e, apesar da derrota da equipa de Rijkaard, Rui não pensou duas vezes e disse aos seus pais: “Quero ser futebolista e para isso devo aprender em Espanha, ali formam-se os melhores”.

Foi assim que começou a sua aventura. A muitos pode soar a história. Quem não conhece a série onde entrava o Tsubasa? Oliver, também era um miúdo louco por futebol que perseguia, durante vários episódios o seu grande sonha de ser jogador profissional. A diferença é que em vez de Espanha, Oliver queria viajar para o Brasil.

A Internet proporcionou o primeiro passo do protagonista desta história. Rui procurou escolas de futebol em Espanha e apareceu a que é dirigida por Milinko Pantic relacionada com a escola do Atlético de Madrid. A família do jovem não pensou mais e enviou-o a Espanha, num mês ele demonstrou que estava disposto a tudo para conseguir alcançar o seu sonho. As informações recolhidas pelos responsáveis foram muito boas e, assim, recebeu a proposta de entrar e fazer parte de uma das equipas do clube. Então chegou a parte mais dura. Rui e a sua família decidiram tentar. O jovem deixou a equipa do seu bairro, o seu pai e o irmão mais velho para ir para Espanha. Nem o idioma foi um obstáculo. Desde essa altura que a sua mãe vive com ele e os poucos ambos vão progredindo no castelhano embora ainda não falem fluentemente.

Não foi apenas ele que teve de fazer esforços, David González, o seu treinador, aprendeu palavras básicas em japonês para orientar o jovem no inicio. Os seus companheiros mais próximos, estão a fazer todos os possíveis para que a integração seja a melhor e rápida. Embora recorde Hidetoshi Nakata, o seu ídolo é Kun Agüero que já conheceu.

FUTEBOL JOVEM E O MUNDO: FC Utrecht


Estou de volta a esta crónica que tanto gozo me dá. Tenho andado com mais trabalho na faculdade e, assim, este trabalho de pesquisa teve de ficar um pouco de parte.

Hoje vou até à Holanda, país que aposta forte no futebol de formação, para falar do FC Utrecht e do seu treinador Michael Horddijk, responsável pelo treino técnico e que tem de lidar com diferentes tipos de jogadores.

Em primeiro todas as equipas têm um grupo de jogadores que não dão muita atenção à vertente técnica do futebol, muitas das vezes destacam-se pela vertente física, fortes e combativos, o típico médio defensivo que está em campo para recuperar bolas mas que muitas vezes voltam logo a perdê-la devido às suas deficiências técnicas. Assim é de extrema importância continuar a estimular e motivar estes jogadores para o treino técnico pois como sentem dificuldades muitas vezes desistem. Como diz o técnico, “estes jogadores nunca serão um Ronaldinho, mas isso também não é necessário, porque nós também precisamos de Makeleles”.

Numa segunda categoria temos os dribladores, os jogadores que conseguem fazer as coisas mais incríveis com a bola mas em jogo, na maioria das vezes, as suas acções não trazem vantagens à equipa e, tanto os colegas como eles próprios sentem-se frustrados. Michael refere "Há pessoas que acreditam que nós devemos deixar estes jogadores driblarem e ter a bola, assim, eles irão continuar a desenvolver as suas capacidades técnicas. Eu apenas concordo em parte com isso, eu penso que devemos permitir os jogadores fazer as suas coisas até aos sub-11, mas depois disso eles, gradualmente, devem aprender outras qualidades".

Uma das formas de limitar este contacto com a bola é através do número de toques permitidos. Michael Horddijk discorda desta forma de actuar “Não sou um grande apoiante, assim, estamos a tirar a alegria do jogo e estamos a proibir as coisas onde eles são bons. Uma solução mais funcional é dizer a esse jogador que não pode passar por mais que um jogador a cada posse de bola. Dessa forma ele continua a fazer as suas coisas.”

Michael é da opinião que “ter um treinador de técnica não é supérfluo nem luxuoso. Com certeza que nem todos os clubes conseguem ter um treinador destes, mas esta é uma questão de criatividade. Quase todos os clubes têm um jogador ou treinador que é “tecnicamente inteligente” e pode trabalhar com os jovens jogadores. Eu conheço alguns jogadores sub-19 que treinam os miúdos nos seus clubes.”

Com um treinador específico podemos criar a possibilidade de trabalhar de pequenos grupos. Podem separar metade da equipa para treinar a vertente técnica enquanto a outra metade treina com o treinador da equipa situações posicionais e de manutenção da posse de bola. Desta forma é garantida atenção individual para os jogadores que podem treinar de forma muito específica.

Confesso que não tenho uma opinião forte sobre este treino técnico de forma isolada. Posso apenas dizer que por exemplo na minha equipa prefiro trabalhar utilizando sempre a minha forma de jogar, isto é, não irei perder um treino, ou parte dele, para trabalhar exclusivamente a vertente técnica. Isto não quer dizer que sou contra este treino como um complemento, por exemplo eu peço aos meus miúdos para verem vídeos na internet e escolher uma finta ou drible para treinar e antes de começar o treino me mostrarem o que sabem. É uma forma de trabalhar a técnica sem deixar de treinar da forma que penso ser a mais indicada.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

DIÁRIO DE OBSERVADOR: Mais uma atitude revoltante


Esta semana estive presente em mais um torneio e, novamente, assisti a uma atitude que me deixa revoltado.

Durante um jogo um miúdo, ao tentar chutar uma bola para o ataque, acerta num adversário, lance casual e de infelicidade, naturalmente, tratando-se de miúdos, o que levou com a bola começou a chorar. O que fez o seu treinador? “Levanta-te, agora não é tempo para chorar, choras no fim do jogo”.

Quem é que põe uma pessoa destas a trabalhar com jovens? Será que um jogo num torneio é assim tão importante, será que os resultados têm assim tanto valor que se comprometa a formação dos miúdos?

Na minha opinião o principal investimento que se deve fazer num clube, numa escola de futebol é nos recursos humanos, temos de tentar ter no nosso clube as pessoas mais competentes e capacitadas, não se pode permitir que atitudes destas continuem.

Outro aspecto que o clube tem de perceber é que a atitude deste treinador para com o miúdo é visto como um cartão-de-visita. Eu aposto que nenhum pai, dos que presenciaram esta cena colocaria o seu filho naquela escola...

DIÁRIO DE TREINADOR: Bela exibição

Até agora nesta segunda fase tinha um empate e uma derrota, esta semana só um resultado era possível a vitória. Era uma deslocação longa e tinha três miúdos indisponíveis, mas a confiança é sempre máxima, tenho um grupo muito bom.

O jogo, felizmente, estava marcado para as 11horas, assim não foi necessário os miúdos acordarem muito cedo.

Hoje iniciei o jogo num sistema táctico menos utilizado, importa aqui referir que dentro do modelo de jogo que tenho para a minha equipa experimento diferentes sistemas tácticos, parece-me de extrema importância nesta idade os miúdos vivenciarem diferentes situações. Na segunda parte ficou acordado que iríamos trocar.

A minha equipa dominou o jogo desde o inicio, embora o primeiro golo tenha demorado a aparecer. O treinador desta equipa deixava sempre 2 atletas na frente enquanto os restantes tinham ordens para “bater” para a frente, ora estamos a falar de escolas e, devido as dimensões do campo era complicado para os miúdos, qual a estratégia do clube? Ter bolas muito más, praticamente balões para ser mais fácil colocá-la na frente.

O intervalo chegou com o resultado de 1-0. Resultado muito curto para todo o domínio verificado.

Na segunda parte, logo no primeiro lance, a equipa adversária faz o primeiro remate à baliza e o resultado? Golo!

Esse golo parece que despertou a minha equipa e a partir daí jogaram de uma forma muito concentrada, tendo mesmo momentos de futebol muito bonito. Os golos começaram a aparecer e os miúdos cada vez a jogarem melhor. Acabei mesmo satisfeito com a exibição. O resultado final foi de 5-1 mas mais uma vez penso que é muito curto.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

CRÓNICA SEMANAL: Critério de selecção


Esta semana aproveito para falar dos C’s que dominam o nosso futebol. A Competência e a Cunha.

Numa altura em que se fala em reestruturações em alguns clubes surgem nomes atrás de nomes, muitas das vezes dizem “pode estar a caminho pelas boas relações que tem com...”. Pois é, em Portugal a amizade é um factor de selecção, ou seja, muitas pessoas entram pelas cunhas. Depois corremos o risco de ter no clube pessoas que não mostram as mínimas competências para os cargos que ocupam.

Eu se tivesse o poder de seleccionar colaboradores, apenas olhava para um aspecto, competência. Não é suficiente, conseguir seleccionar os melhores jogadores, não se podem esquecer que é preciso ter também os melhores treinadores, os melhores médicos, fisiologistas, coordenadores, etc. Depois podemos correr o risco de se dispensar o melhor marcador do campeonato nacional porque tem apenas 1,73! Razão? Não encaixa no perfil de avançado do clube, querem avançados altos. Ora eu prefiro avançados que marquem golos.

Numa conversa com um amigo ligado ao futebol jovem, falávamos dos nossos sonhos, o meu de coordenar a formação de um clube, tendo sempre o treino presente, o do meu colega era formar um clube onde juntasse todos os jogadores dispensados dos clubes grandes. Eu aposto que se neste clube tivéssemos também as pessoas que mostram competências e não são seleccionadas para os grandes porque não têm cunhas, mais cedo ou mais tarde eram campeões.

Os amantes de futebol jovem, com certeza, conhecem o técnico Horst Wein. Este técnico, alemão, esteve em Espanha e juntou num clube atletas que não foram seleccionados nos treinos de captação do Barcelona, Real Madrid etc. Apenas precisou de 3 épocas para ser campeão...
.~

segunda-feira, 7 de abril de 2008

DIÁRIO DE TREINADOR: Um jogo para esquecer

Pela primeira vez esta época, acabei o jogo chateado devido a vários aspectos.

O meu último treino da semana é à quinta-feira, nesse dia passo pelo plano semanal que o clube faz para saber a que horas é o jogo no sábado. Esta semana estava assinalado às 10Horas, assim, marquei o encontro, jogávamos em casas, às 9Horas.

Ás nove, já com todos os atletas no campo, fomos buscar todo o material necessário, bolas, equipamento, águas, etc. Entrámos no balneário era 9:15. Quando vou para iniciar a palestra batem à porta do balneário, era o treinador da equipa contrária que tinha na mão o calendário da associação e que me disse “mister, a hora do jogou mudou? É que eu tenho marcado as 9:30”. Confinado que era mesmo as 9:30, mandei os meus miúdos vestirem-se rapidamente, e apenas disse quem iria começar o jogo. Tivemos de aquecer em 5minutos.

O jogo iniciou sem que eu tivesse um único pai a ver o jogo, sem ter o fisioterapeuta no banco, tudo porque estavam a contar com o jogo para as 10Horas.

No primeiro minuto um jogador adversário toca com a mão na bola, penalty que o arbitro assinala e que a minha equipa falhei, claramente por falta de concentração. É este o aspecto que influenciou todo o encontro, a concentração. A minha equipa, que toda a gente considera que tem uma boa organização ofensiva, hoje esteve completamente a dormir, foram erros atrás de erros. Ainda marquei primeiro, mas aos 10 e 12 minutos levei dois golos e fomos para o intervalo a perder.

Ao intervalo tentei ter a conversa que devia ter tido no inicio do jogo, tentei acordá-los, motivá-los.

A segunda parte continuou igual, alguns erros defensivos que levaram a que a equipa adversária marcasse mais um golo. De referir que na segunda parte chegaram os pais dos miúdos, o fisioterapeuta, que teve de ficar do lado de fora porque não foi colocado na altura na ficha de jogo. Os pais começaram a puxar pelos miúdos e, nos últimos 5 minutos tudo mudou, não saímos do meio campo adversário nesse tempo, tivemos 4 ou 5 oportunidades de golo, mas a bola não quis entrar, chegou a andar em cima da linha de golo.

O encontro terminou com o resultado final de 1-3 para a equipa adversária. Na minha opinião foi o pior jogo que a minha equipa fez esta época. Saí chateado, com o clube por ter colocado a hora errada no plano semanal, comigo por não ter confirmado no calendário da associação, com os miúdos porque sabem muito mais do que demonstraram no jogo. Resumindo foi um jogo para esquecer.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

CRÓNICA SEMANAL: Não há fórmulas mágicas


Há uns dias falava com um colega sobre o meu blogue e sobre as categorias presentes nesse espaço. A certa altura, fui questionado porque não fazia uma categoria sobre exercícios de treino que eu utilizo. Ora isto fez-me estar aqui hoje a escrever, sendo que não está exclusivamente relacionado com o futebol jovem.

Um exercício que feito por mim pode ser o melhor para trabalhar o que pretendo, com outra pessoa pode ter resultados nulos, pois com toda a certeza que a sua abordagem vai ser diferente.

Tive um professor que uma vez me disse que uma boa maneira de “avaliar” um treinador era através da análise de um exercício que todos nós enquanto treinadores fazemos, a rabia. A cada dia que passa, a cada jogo que observo, a cada plano de treino que analiso, cada vez mais concordo com as suas palavras. Este exercício pode ser o melhor do mundo, mas também pode ser apenas para preencher o tempo da sessão de treino sem ir ao encontro do objectivo.

Marcello Lippi, refere que os treinadores nunca devem parar de aprender e que devem usar os conhecimentos adquiridos para desenvolverem a sua personalidade e visão do jogo. “Temos de sentir a necessidade de alargar os nossos horizontes e aprender mais, porque é disso que necessitamos quando somos chamados a resolver problemas. Um treinador não pode dirigir apenas por ler livros. Eu próprio criei as minhas sessões de treino. Os livros dão-nos os conceitos, mas o resto deriva da experiência. O mais crucial é a gestão dos recursos humanos ao nosso dispor. É importante ter uma personalidade forte e tentar impô-la, sem, no entanto, criar medos nas outras pessoas”.

Já Mourinho, nas suas crónicas na revista record dez, disse, "Carlos Carvalhal esteve aqui dez dias e a forma como me abordou foi diferente - 'Zé, gostava de conversar contigo, gostava de ver o Chelsea sem te chatear e roubar o teu tempo. Ou ao pequeno-almoço, ou ao almoço, ou depois do treino, só quero conversar contigo'. Sem caderno e caneta na mão, sem procurar receitas, sem tentar levar para casa exercícios milagrosos, esteve cá, viu, ouviu, perguntou, respondeu, conheceu. Está num nível superior de conhecimento, interessa-se por liderança, pelas relações emocionais com os jogadores, pela definição de características de 'feedbacks', pela intervenção táctica durante o jogo... Eu já julgava, mas agora estou certo - nesta profissão está num nível superior."

Isto tudo para dizer que não há fórmulas mágicas, tudo depende da interpretação, que cada um dá ao conhecimento a que tem acesso.

Crónica disponivel em: http://mestresdofutebol.blogspot.com/

domingo, 30 de março de 2008

DIÁRIO DE TREINADOR: Como é possivel?!


Esta semana defrontava um clube que aposta forte na sua formação, uma equipa que tal como a minha teve azar nos sorteios das fases anteriores. Aguardava este jogo com alguma expectativa, tinha recebido excelentes referências sobre este adversário.

Foi uma semana atípica de trabalho, muitos dos meus miúdos estavam de férias e num dos treinos tive até de mudar de local devido a um torneio inter-associações que se disputou nas instalações do meu clube.

Para este jogo apenas pude contar com 10 miúdos, ou seja, tive 5 atletas indisponíveis, mas mais uma vez fui confiante de um bom resultado. Chegado ao campo adversário uma situação saltou-me logo à vista, o péssimo estado do sintético na zona de penalty.

Em relação ao jogo, o que posso dizer é que houve duas partes completamente distintas, na primeira a minha equipa dominou, criando diversas situações de golo mas, apenas por uma vez os meus atletas conseguiram festejar. Já a equipa adversária, na única oportunidade que teve na primeira parte marcou. Assim, o intervalo chegou com o resultado de 1-1.

Na segunda parte o jogou foi diferente, os meus miúdos, talvez por algum cansaço por não existirem tantas trocas perderam o domínio do jogo e a equipa adversária foi melhor. Sem o domínio da posse de bola, valeu o grande espírito de sacrifício destes miúdos e a nossa excelente organização ofensiva aguentando o resultado até ao final. A referência, que tinha recebido, ficou confirmada, realmente é uma equipa bem organizada.

Neste jogo tenho dois episódios que quero partilhar. O primeiro diz respeito a uma situação de jogo. Nos esquemas tácticos, a minha equipa defende à zona, tenho a perfeita noção que somos dos poucos, a equipa adversária nunca deve ter apanhado ninguém a defender dessa forma. O meu adversário utiliza uma estratégia comum, todos os jogadores na entrada da área e em seguida parte cada uma para um zona tentando baralhar os adversários, ora com a minha equipa todos esses atletas ficaram sozinhos e, o miúdo que ia marcar o canto ficou sem saber o que fazer, demorou mais de 1minuto para marcar e chegou a olhar diversas vezes para o seu treinador. Importa aqui referir que nunca criaram perigo nessas situações de jogo.

O segundo episódio, que dá origem ao título do post, está relacionado com uma atitude que um “triste”, colocado atrás da baliza, teve neste encontro. Durante a primeira parte o meu guarda-redes teve a ouvir insultos. Tenho se salientar que treino miúdos nascidos em 1998! Como é possível utilizar estas estratégias com crianças? Ao intervalo assim que o meu guarda-redes me contou, rapidamente comecei a dirigir-me ao local, esse “triste”, sem coragem de me ouvir, depressa fugiu.

sábado, 29 de março de 2008

NOTICIAS NACIONAIS: Norton Matos abraça um projecto interessante


Hoje foi noticiado no jornal record que Norton de Matos vai dirigir e treinar o Étoile Lusitana, clube dedicado à formação de jogadores com idade juvenil e júnior da capital do Senegal. “É mais uma aventura. Sinto que tenho uma missão em África. O que estou a fazer é uma lição de vida, é de uma grande riqueza, faz bem à alma”, diz Norton Matos.

O Étoile Lusitana é um clube criado de raiz, com 80 por cento de fundos de um banco português. “Há duas ideias: disciplinar o talento, a magia e o improviso fantásticos que estes jovens têm e garantir a alimentação deles. Ou seja, há um lado desportivo e um lado social.”

E outro financeiro, obviamente: “A ideia será criar mais-valias e ver estes jovens a concretizar sonhos. Garanto mesmo que há aqui mais talento do que na Europa. E os jogadores são humildes e têm uma vontade incrível de aprender. É fantástico vê-los progredir.” Norton trabalha agora com 50 jovens. “Eram 400 que fui eliminando aos poucos. Foi doloroso mas teve de ser.”

Cá está mais um projecto que me deixou muito interessado. Irei tentar acompanhar o trabalho realizado por Norton Matos em África e quem sabe no futuro fazer um artigo sobre este clube senegalês.

quarta-feira, 26 de março de 2008

CRÓNICA SEMANAL: Crise no dirigismo.

Esta semana, estive de férias da faculdade, teoricamente é o tempo para se estar sem fazer nada. Sinceramente não concordo com esta máxima, na minha opinião temos de ter sempre algo para fazer, temos de aproveitar/viver a vida. Aproveitei par ler mais um livro, sobre futebol, fui observar alguns torneios, saber um pouco mais sobre outras realidades do mundo do futebol para a crónica “Futebol jovem e o Mundo” que faço no meu blogue, conversei com várias pessoas ligadas ao futebol mas, o que me faz estar aqui a falar, prende-se com uma viagem que fiz.

Para contextualizar melhor este texto, vou falar de algo que algumas pessoas já sabem. Tenho como ambição coordenar o futebol de formação de um clube, possuo inclusive um documento, que vou actualizando constantemente, onde descrevo todo o projecto que espero um dia implementar.

Ora esta semana estive num local onde existem umas condições fantásticas, o futebol jovem mesmo assim continua pouco desenvolvido e sem retirar contributo desses recursos. De quem é a culpa?

Para mim, em Portugal, existe uma crise no dirigismo, seja na federação, associações, clubes e até mesmo nas câmaras municipais que não podem deixar que instalações como as que vi estejam ausentes de qualquer dinamização.

Há uns tempos atrás, o Instituto do Desporto de Portugal, a Federação Portuguesa de Futebol, Associações de Futebol e vários Municípios assinaram protocolos relativos à instalação de trinta e sete “Mini-Campos Desportivos” nos Distritos de Aveiro, Braga, Bragança, Porto, Viana do Castelo e Vila Real. Através dessa medida, mais de cem infra-estruturas destinadas ao fomento da actividade desportiva infanto-juvenil e à generalização da prática do exercício físico foram instaladas em todo o país.

Entre as mais de 500 candidaturas enviadas pelos municípios (com parecer prévio das Associações Distritais e Regionais de Futebol e do Instituto do Desporto de Portugal), os locais dos novos recintos desportivos foram seleccionados tendo a preocupação de incluir várias zonas carenciadas para que o projecto contribua para a inclusão social de crianças e jovens mais desfavorecidos.

Mas isto não chega, é preciso dinamizar estes espaços, é preciso escolher pessoas competentes para estar à frente dos mesmos que tenham ideias e vontade de trabalhar. Todas as entidades irão retirar frutos desse trabalho.

Crónica disponivel em: http://mestresdofutebol.blogspot.com/

domingo, 23 de março de 2008

DIÁRIO DE OBSERVADOR: Acabou o mundialito


O Mundialito’2008 acabou com as equipas portuguesas a estar presentes em três finais contra equipas estrangeiras.
.
Em pré-escolas, o Benfica surpreendeu ao golear por 6-0 o campeão em título Barcelona; em escolas, o Sporting, depois de derrotar o Benfica na emocionante meia-final, acabou goleado (8-3) pelos holandeses do Ajax, que já haviam sido campeões em 2007. Nos infantis, onde o Sporting parecia ser o favorito, acabou goleado por uma das surpresas do Torneio: Betis de Sevilha. Os espanhóis conseguiram, assim, suceder ao Valencia na lista de vencedores daquele escalão.
.
Nos prémios individuais, Miguel, do Monte da Caparica, foi o melhor jogador em Pré-Escolas; Jorge Pereira, do Benfica, o melhor em Escolas e José Postiga (irmão de Hélder Postiga) o melhor dos Infantis. Postiga jogou pelo UMBRO e tenho a informação que já tem tudo acertado para representar um dos grandes na próxima época.

sábado, 22 de março de 2008

DIÁRIO DE OBSERVADOR: O último dia


Milanello, 21 de Março (dia 5):

- 08h00: acordei à hora que tem sido habitual ao longo desta semana e, meia-hora depois, estava a tomar o pequeno-almoço.

- 10h30: fizemos um treino, o meu último aqui no AC Milan, mas foi uma sessão ligeira, para recuperar do jogo-treino de ontem. Começou com uma corrida, cada um com uma bola. Aliás, com já tinha dito, isso é regra aqui, todos os exercícios são realizados com bola. Na segunda parte do treino, fizemos exercícios de finalização, mas ao fim de uma hora, mais ou menos, o treino terminou.
- 12h30: fomos almoçar e serviram-nos carne assada com batatas. Tinha de ser, para a despedida, não comi massa.

- 14h00: fui com uns colegas de equipa para a porta do balneário dos seniores, que iam ter treino. Tinha de ver os jogadores, treinam sempre aqui e nunca os tinha visto. Quando passavam por nós, cumprimentavam todo a gente e foram simpáticos comigo, principalmente os brasileiros, como o Dida, o Pato, o Kaká e o Emerson.

- 14h15: quando passou por mim e ouviu um olá em vez de um ciao, o Dida parou e perguntou-se se eu era português. Disse-lhe que sim, ele perguntou-me o que estava ali a fazer e ainda ficámos uns instantes a falar. Expliquei-lhe que estava a fazer uma semana de testes e ele desejou-me boa sorte para o futuro. Foi simpático.

- 15h30: fui ao meu quarto buscar as malas. Antes de seguir para o aeroporto, o responsável pela formação do AC Milan esteve a falar um bom bocado comigo. Disse para eu ir descansado, que depois iria entrar em contacto comigo e com os meus pais. Despediu-se desejando Boa Páscoa. Agora, resta esperar para saber o que acontece.

- 17h00: um motorista do Milan levou-me até ao aeroporto e vou embarcar dentro de instantes. Vou fazer Milan-Lisboa, depois Lisboa-Porto, porque não há voos directos. Chego por volta das 23 horas.

Ass. Miguel Ruben ~

PS: Penso que esta experiência correu muito bem, fiz o meu melhor. Sinto que dei tudo o que tinha, agora cabe a eles decidir o que fazer. De qualquer forma, sou jogador do Trofense e gosto de representar o clube, o que importa foi ter aproveitado ao máximo uma experiência única. Quanto ao futuro, logo se vê.
,
Fonte: site maisfutebol

quinta-feira, 20 de março de 2008

DIÁRIO DE OBSERVADOR: Está quase a acabar...


Milanello, 20 de Março (dia 5):

- 07h00: hoje tivemos de acordar mais cedo, porque foi dia de jogo-treino. Eu já sabia, mas preferi não contar antes. Às 7h30, tomámos o pequeno-almoço e às 9h30 estávamos no balneário, para nos prepararmos para o jogo com o Aldini Bariviera, uma equipa forte na formação.

- 10h30: Começou o nosso jogo contra o Aldini e até os preparativos foram especiais, tudo organizado. Árbitro equipado a rigor, equipamentos oficiais, tivemos de entregar as fichas de identificação, eu apresentei o meu bilhete de identidade e fui surpreendido com a forma como o árbitro confere os nomes. Os jogadores ficam em linha e, quando o árbitro chega ao pé deles, diz o nome, como o meu, Miguel Ruben. Então, tive de virar-me de costas para mostrar direito, levantar o braço direito, dizer o meu nome e dizer «grazzie», para agradecer.

- 11h15: Acabei a primeira parte e estávamos empatados a um golo. Tínhamos aquecido com o equipamento tradicional do Milan, mas como o Aldini joga de vermelho, acabámos por jogar com o branco. Fiquei com o número 9 e joguei o tempo todo. Estávamos em 4x4x2, com um ponta-de-lança fixo, eu neste caso, e um jogador como vagabundo no ataque. Na primeira parte, foi o Coppiardi. No meio-campo, também gostei do Lunati e do Gianoli.

- 11h30: A primeira parte tinha corrido bem, fiz a assistência para o golo do Milan, mas depois o Aldini empatou. Na segunda, consegui marcar o 2-1. Após um canto, um colega meu cabeceou, o guarda-redes socou para fora da área, outro jogador nosso rematou, o redes defendeu de novo, eu dominei de peito e atirei com o pé esquerdo. Tentei não festejar muito, mas fiquei extremamente feliz. Acabámos por vencer por 3-1.

- 13h15: No final do jogo, deixaram-me ficar com o equipamento branco, de manga curta, com o número 9 e deram-me ainda um cachecol, que vou levar de recordação. Ao almoço, comemos massa com carne grelhada, depois fomos descansar para os quartos, às 14h45.

- 17h30: Juntámo-nos na sala de convívio e eu fui até à Internet. Aproveitei para ver o meu diário no Maisfutebol e reparei mais uma vez nos leitores que me apoiam, alguns desde o primeiro dia, mesmo sem me conhecerem. A todos, muito obrigado. Às 19h30, fomos jantar, de novo massa com carne. Já tenho saudades do arroz. Depois, estivemos a ver um pouco do Valência-Barcelona. Ao intervalo, o Barcelona estava a perder por 2-0, mas depois viemos para os quartos, às 22h05, para descansar.

Ass. Miguel Ruben
.
Fonte: site maisfutebol

DIÁRIO DE OBSERVADOR: Mais um dia em milanello

Milanello, 19 de Março (dia 4):

- 09h00: Como não tínhamos nada agendado para esta manhã, deu para dormirmos mais uma hora em relação ao habitual. Tomámos o pequeno-almoço às 10 horas e depois estivemos na sala de convívio, a ler os jornais. Eu lá fui compreendendo quase tudo, foi mais fácil do que pensava. Ao 12h15, para o almoço, serviram-nos uma mista de carnes.

- 15h30: O nosso treino durou cerca de duas horas. Fizemos um aquecimento longo, mas sempre com bola. Aliás, tenho reparado nisso aqui. Todos os exercícios são com bola, isso só não aconteceu no final do aquecimento, quando fizemos uma corrida contínua.

- 16h15: Depois do aquecimento, fizemos vários exercícios de posse de bola, em zonas do terreno onde também se treinaram aspectos tácticos. Na parte final do treino, veio a peladinha, mas desta vez não houve balizas, os guarda-redes trabalharam à parte. Fizemos o jogo a campo inteiro mas sem o objectivo de marcar. Tínhamos na mesma as divisões no relvado para trabalhar a técnica e a táctica, rodando sempre entre 24/25 jogadores. Correu bem, senti-me bem da posse de bola.

- 18h00: Após o treino, fomos lanchar e seguimos para a sala de convívio. Eles estiveram a jogar Pro Evolution Soccer e eu fui um pouco até à Internet. No grupo, há cerca de sete jogadores estrangeiros, incluindo um brasileiro, mas não há divisões. Às 19h30, fomos jantar e lá veio a habitual massa, como não podia deixar de ser.

- 20h30: fomos todos assistir ao jogo do AC Milan frente à Sampdória (1-2), no plasma da sala de convívio. Eu não sou jogador do Milan mas queria que eles vencessem, claro, até por ver os meus colegas aos gritos, desesperados com mais um resultado complicado. Aqui, estão todos desiludidos com a temporada da equipa principal. Em 5º lugar no campeonato, eliminados da Champions, é pouco.

- 22h15: O AC Milan perdeu em casa e os jogadores ficam todos chateados. Ainda por cima, a equipa ficou sem o Kaká, que se sentiu mal nos primeiros minutos de jogo. Eles adoram o Kaká, estão loucos pelo Pato e também pelo Paloschi. Entrou, marcou um golo e é um exemplo para todos os que estão nas escolas do Milan, porque veio agora da 'Primavera'. Às 22h20, recolhemos aos quartos para dormir.
.
Fonte: site maisfutebol

quarta-feira, 19 de março de 2008

FUTEBOL JOVEM E O MUNDO: Bristol City


Hoje vamos numa viagem até Inglaterra, mais propriamente a Bristol conhecer um dos clubes da cidade, o Bristol City e a sua academia.

Bristol é uma das maiores cidades do Reino Unido, mas isso não se reflecte nos clubes locais que não acompanharam o desenvolvimento da sua cidade. Há alguns sinais de que isso pode mudar, por isso vou falar um pouco deste clube.

Actualmente na primeira equipa do Bristol City há seis jogadores que pertenceram à equipa de sub-9 do clube! Este aspecto também é visto como a chave para ultrapassar as dificuldades financeiras do clube.

O clube coloca os sub-9 como o “target” a investir, assim quando chegam às equipas de sub-11 já é esperado que tenham um certo grau de desenvolvimento. Os treinadores colocam o seu próprio programa de treino em discussão com os restantes para assim ajudarem os jovens a atingir esses níveis pretendidos. O programa de treino para os miúdos entre os 9-11 anos está focado no desenvolvimento da técnica através de jogos reduzidos.

É evidente que Frank Jacobs, Ian Tincknell e Ian Rossiteros, os três treinadores deste escalão, compreendem as necessidades dos jovens que treinam e adaptam o treino ao nível deles. O ambiente de treino é divertido mas ao mesmo tempo profissional e as crianças estão claramente divertidas nos treinos. Os técnicos começam por dispor os jovens aos pares e utilizam alguns exercícios do método de Coerver para criar familiaridades com a bola,

Frank Jacobs explica que a razão porque fazem tudo aos pares é porque assim encorajam os jovens a olhar uns para os outros e enquanto praticam os exercícios mantêm a cabeça levantada. Frank está convicto que aos jovens assimilam os bons hábitos no inicio e de seguida continua a incentivar durante os jogos reduzidos a manter a cabeça levantada.

Há imensos exercícios de 1x1 onde os jovens têm de ultrapassar os seus adversários e marcar golo, ou então têm de manter a posse de bola através de fintas, dribles sempre com a preocupação de manter o seu corpo entre a bola e o adversário. A sessão de treino normalmente termina com jogos de 3x3 ou 4x4. Parece-me uma metodologia correcta para esta idade, embora considere que deve existir sempre o principal objectivo do jogo, o golo.

Outro aspecto curioso é os jovens serem encorajados a praticar as habilidades que aprenderam em casa, aliás para os técnicos é essencial este trabalho extra para desenvolver ainda mais o programa da academia.

Bristol têm uma vasta comunidade Afro-Caribenha e é interessante ver que poucos jovens entre os 9-11 anos estão a treinar no clube enquanto fora dele existem vários a treinar, embora com idades mais avançadas. Roger Barton, responsável pelo departamento de recrutamento explica que esses jovens muitas vezes têm falta de confiança outras, por pressão dos seus pares, não se deixam envolver com o clube, mais tarde, na adolescência, eles percebem que para além de um enorme paixão pelo jogo, também é uma hipótese de melhorar a sua vida.

Concluindo o Bristol City é neste momento um clube com futuro e representativo da comunidade local. Nos próximos anos veremos se o gigante adormecido, como foi caracterizado pelos seus responsáveis, acorda e aparece num plano superior condizente com a sua cidade. Existem, com toda a certeza alicerces sobre os quais o clube se pode desenvolver, por isso devem agradecer os esforços e a dedicação de várias pessoas como o Frank Jacobs, Roger Barton, Ian Tincknell e Ian Rossiteros.

CRÓNICA SEMANAL: É necessário competência


A Selecção Nacional Sub-17 jogou, ontem, o último jogo do Torneio de Elite diante da República da Irlanda. Era o jogo que iria decidir o apuramento para o Campeonato da Europa Turquia 2008. Portugal partiu para este jogo no primeiro lugar no grupo mas, a derrota (por 2-0) registada na partida impossibilitou a qualificação para a fase final do Europeu.

Esta é uma geração repleta de jogadores com o talento enorme como por exemplo Cédric Soares, Nelson Oliveira, Nuno Reis, Mário Rui; William, Evandro, Januário, Alex Zahavi (não participou lesionado) e agora também com Lassana Camara, recentemente naturalizado português.

Então o que falhou? Deixámos de ser uma potência no futebol de formação? Não me parece, continuamos a despertar a cobiça dos maiores clubes europeus, ainda esta semana temos um jogador do Trofense, Miguel Ruben, a treinar no AC Milan, curiosamente este atleta nunca foi à selecção e mais curioso ainda é o seu escalão ser sub-17, não conheço o jogador, não sei se tem valor suficiente para representar a selecção mas pelos vistos tem o suficiente para despertar o interesse da equipa italiana.

No inicio desta época, depois da fraca prestação no mundial sub-20 e europeu de sub-21, a federação sofreu uma remodelação na sua estrutura. Em comunicado referiu, “Estas alterações enquadram-se numa nova abordagem que a FPF irá fazer no que diz respeito ao futebol de formação, representando um importante investimento para que os resultados continuem a aparecer. Apesar de as nossas Selecções terem vindo, na sua generalidade, a cumprir o objectivo de marcar presença nas fases finais das grandes competições, sentimos que era importante dar um novo fôlego às nossas formações jovens e fizemo-lo, não só aproveitando os recursos humanos de qualidade já existentes, mas também chamando treinadores que, pela sua experiência, pelas competências técnicas que adquiriram e pelo passado ao serviço das Selecções Nacionais nos dão expectativas de realizarem um trabalho sério e competente”. Essas pessoas que entraram foram Ilidio Vale e Emilio Peixe.

“Por outro lado, com esta remodelação, alcançámos um propósito que era o de criar um comando único no Departamento de Futebol e Formação (DFF), que terá na pessoa de Carlos Godinho o seu coordenador geral, aglutinando todas as selecções, desde o futebol profissional até à formação”. Carlos Godinho viu as suas competências alargadas, com a coordenação de todo o futebol da FPF, e não apenas do profissional, como acontecia até aqui.
.
Carlos Godinho disse na altura, “o novo organigrama é uma tentativa de sistematizar toda a estrutura do futebol jovem. Tentámos optimizar os recursos humanos que temos, entregando grupos de Selecções a treinadores com reconhecida competência e capacidade técnica”. Lembrou, ainda que “a mudança não quer dizer que não tenhamos tido bons resultados. Nos últimos 20 anos, tivemos cerca de 40 lugares de honra nas provas oficias da FIFA e da UEFA nas quais participámos. No entanto, é natural que queiramos fazer mais e melhor e que não deixemos de estar na vanguarda do futebol jovem a nível mundial”.

Quanto a metas, o Coordenador do Departamento do Futebol e Formação da Federação tinha ideias bastante claras: “Os principais projectos e objectivos no futebol profissional para esta época são a presença da Selecção Nacional - Clube Portugal na fase final do EURO 2008 e uma boa campanha dos Sub-21 na qualificação para o EURO 2009. No futebol jovem, temos a qualificação dos Sub-17 e Sub-19 para as fases finais dos respectivos Europeus, sendo que nos Sub-19 ainda temos por objectivo a qualificação para a fase final do Campeonato do Mundo de 2009”.

E agora? Ainda acham que a remodelação passa por apenas alterar os tachos das pessoas que estavam na federação? O que é necessário, na minha opinião, é ter pessoas competentes, volta Queiroz que estás perdoado.
.

terça-feira, 18 de março de 2008

DIÁRIO DE OBSERVADOR: Primeiro dia de treino


Milanello, 18 de Março (dia 3):

- 08h00: acordei a esta hora e, antes de mais, quero dizer que me sinto um privilegiado. Sei que há jogadores com tanta ou superior qualidade que nunca tiveram uma oportunidade destas, portanto só tenho de agradecer ao AC Milan.

- 09h00: fui tomar o pequeno-almoço e, uma hora depois, levaram-me numa visita guiada a Milanello. Conheci a Academia na íntegra e ainda estive na SAD a falar com o responsável pela formação. Fiquei maravilhado, isto tem uma qualidade única. Cinco relvados, dois deles sintéticos, um campo coberto também sintético, piscina, sauna, jacuzzi, enfim, tudo.

- 12h15: almocei cedo porque hoje foi dia do primeiro treino. Comi esparguete à bolonhesa, massa para não variar. Por acaso, até adoro massa, portanto soube-me bem.

- 14h30: finalmente, o primeiro treino. Fui muito bem recebido pelo treinador dos juniores, Filippo Galli, e pelos jogadores, ontem só tinha conhecido alguns, porque era dia de folga. Eles começaram a correr, porque era o primeiro treino da semana, e eu fiquei à parte com um treinador de técnica, durante cerca de 15 minutos.

- 15h30: depois de me ter juntado ao grupo, fizemos um treino holandês e, na parte final, teve lugar uma peladinha. Jogamos a meio-campo, com balizas nas laterais e cones a reduzir o espaço. O futebol é diferente e tivemos de jogar a um ou dois toques, mas felizmente correu bem. Marquei um golo e, no final, fizemos um torneio de penalties. Ganhavam os últimos dez, eu fui um desses.

- 17h30: quando terminou o treino, fomos lanchar e descansar. Às 19h30, jantámos e desta vez não foi massa, serviram-nos uma carne com batatas assadas. Depois, fomos para a sala de convívio, para um bocado de conversa com os outros jogadores. Dá para ir aprendendo algumas palavras de italiano, como alenamento (treino). Às 22 horas, fomos para os quartos. Amanhã há mais.

Ass. Miguel Ruben

Fonte: site mais futebol

DIÁRIO DE OBSERVADOR: Segundo dia da aventura


Milanello, 17 de Março:

- 08h00: acordei cedo, ligaram-me para o quarto, para o despertar. Uma hora depois, sem nada no estômago, já estava no consultório do médico, aqui em Milanello. Fiz alguns exames e segui com um médico e um director do AC Milan para uma clínica exterior, onde todos os jogadores vão, mesmo os do plantel principal.

- 12h30: fui almoçar com alguns jogadores da formação do AC Milan. Hoje não estão cá muitos porque é dia de folga. Depois do almoço, fomos para uma sala de convívio, onde existem computadores e jogos para passar o tempo. Ainda fui chamado ao escritório de um director da formação, que me deu as boas-vindas e desejou-me boa sorte para esta semana de treinos. Às 17h30, recolhemos aos quartos para descansar.

- 19h30: fomos jantar e depois regressamos à sala de convívio. Estive a falar com juniores do AC Milan com quem vou treinar, todos italianos, e foram cinco estrelas comigo. Consegue-se perceber quase tudo. Falei numa mistura de português e espanhol, eles também fizeram um esforço e entendemo-nos. Falaram de vários coisas, como do Rui Costa, naturalmente. Em dez palavras, só não se percebem três, dá para desenrascar.

- 22h00: recolhi ao meu quarto, esta é a hora a que os jogadores vêm descansar. Aproveito para relatar o meu dia para o Maisfutebol e recordar o que vivi hoje. Não deu tempo para me fazerem a visita guiada, ficou para amanhã de manhã, mas já deu para ver como isto é um mundo. Cinco relvados e instalações de grande qualidade. Amanhã, irei fazer o meu primeiro treino no AC Milan, às 14h30, e estou naturalmente ansioso. Só trouxe as minhas chuteiras, o resto do equipamento será fornecido pelo clube. Espero que corra bem.

Ass. Miguel Ruben

Fonte: site maisfutebol