Frases que dizem muito...

"A forma não é física. A forma é muito mais do que isso. O físico é o menos importante na abrangência da forma desportiva. Sem organização e talento na exploração de um modelo de jogo, as deficiências são explícitas, mas pouco têm a ver com a forma física." (José Mourinho)

quarta-feira, 14 de maio de 2008

CRÓNICA SEMANAL: "uma forma moderna de escravatura"


Pois é, o Euro’2008 está quase a começar, já temos os jogadores escolhidos! Começamos a sentir aquele nervosismo destas alturas, a ansiedade de jogadores, técnicos e adeptos. Ainda agora acabou o campeonato e todas as conversas, discussões debates, em que todos participamos um pouco, já está aí outra competição para prender a atenção. Não será assim o futebol “uma forma moderna de escravatura” como diz o sociólogo francês Jerôme Segal?

Mas não podemos olhar apenas para esta escravatura dos adeptos e das suas emoções. Sendo este espaço dedicado ao futebol Jovem, parece-me importante fazer uma ligação com esta realidade. Na conferência de imprensa de segunda-feira, onde se deu a conhecer os seleccionados, Gilberto Madaíl referiu que tinha de se investir na formação, chegou até a falar em 2 milhões de euros, para combater o crescimento do número de estrangeiros nas camadas jovens. É neste ponto que quero falar de uma nova forma de escravatura.

Se olharmos com atenção para os estrangeiros no futebol de formação no nosso país, vemos que a maioria provém de África e América do Sul, zonas onde há menos recursos, sejam eles materiais, físicos e sobretudo financeiros. Assim, as agentes/empresários visitam as famílias, prometem contratos na Europa, convencem-nas, muitas vezes, a endividar-se para comprar o bilhete de avião à procura de um sonho. Quantos conseguiram vingar no futebol sénior? E depois o que acontece? Por cada craque que aparece dessas regiões “há dezenas de milhares de jovens na miséria”.

Esta necessidade de se segurar este sonho Europeu leva a que alguns desses jovens utilizem todas as formas possíveis para o conseguir, seja alterar documentação para serem mais novos, utilizarem doping, etc.

Acho que o futebol necessita de ser repensado, ainda mais quando falamos de jovens e do futebol de formação, fiquei satisfeito com o anúncio de Gilberto Madaíl, também em Inglaterra vão apostar forte, finalmente perceberam que não chega ter a melhor liga do Mundo se nela só estão atletas estrangeiros.
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terça-feira, 13 de maio de 2008

DIÁRIO DE TREINADOR: Cada vez melhores...


Esta semana jogava contra o primeiro classificado desta 3ª fase, uma equipa só com vitórias, inclusive já nos tinha ganho em nossa casa no tal jogo atípico onde o clube marcou mal a hora e, assim, não tivemos tempo para a palestra nem para aquecer. Este jogo tinha uma importância especial para mim, queria mostrar que a nossa equipa é bem mais forte do que mostrou naquele jogo.

Apesar desta preocupação a semana de trabalhou continuou a ser dedicada a melhorar o nosso modelo de jogo, como já disse anteriormente, nesta terceira fase apenas me preocupa a nossa forma de jogar, não quero saber se ganhamos ou perdemos, desde que a equipa jogue bem. Isso tem sido conseguido, a equipa está a jogar de uma forma brilhante, os miúdos têm evoluído imenso. Os adversários com quem temos jogado nesta terceira fase também têm contribuído para isso. São equipas com o nosso nível e, dessa forma, temos novas dificuldades todos os jogos.

Voltando ao jogo na palestra procurei aumentar os níveis de confiança dos miúdos, eu sei do que eles são capazes, agora eles têm de acreditar em si enquanto equipa.

O jogo começou e desde o primeiro minuto que assumimos o jogo, com uma organização ofensiva muito forte não estávamos a deixar o adversário criar perigo enquanto nos íamos tendo algumas jogadas onde poderíamos ter alterado o resultado. Foi de forma natural que aos 10 minutos da primeira parte marcámos golo, por sinal um grande golo num remate espectacular que levou a bola a entra no ângulo. Apesar de ter sido golo corrigi o miúdo que o marcou, pois rematou para o lado onde estava o guarda-redes! A primeira parte continuou com alguma desorientação da equipa adversária, acredito que não estavam à espera que criássemos tantas dificuldades e que dominássemos o jogo daquela forma. O intervalo chegou com o resultado (curto) de 0-1.

Ao intervalo procurei mostrar aos miúdos que apenas estivámos no meio deste jogo, que eles tinham de continuar a lutar pela vitória, de uma coisa podiam já estar certos estavam a fazer mais um grande jogo e a ser superiores.

A segunda parte decorreu da mesma forma, ou seja, continuámos a jogar muito bem, embora o domínio não tenha sido tão visível como na primeira parte. O tempo foi passando com os miúdos a resolverem todas as situações que iam aparecendo, até que no último minuto de jogo, na nossa única falha defensiva o adversário tem espaço para rematar e empata o jogo. Foi injusto para os miúdos, como já referi pouco me interessa os resultados, queria apenas jogar cada vez melhor, o que se verifica e mostrar que perdemos aquele jogo devido às circunstâncias do mesmo.

No final mostrei-lhes o quanto estava orgulhoso deles, estão mesmo a jogar muito. Sinceramente e sem falsas modéstias somos a equipa que melhor joga nesta terceira fase, não estamos em primeiros é certo, mas é muito bom ver os miúdos a jogar desta forma. Aproveito para referir novamente a importância de ter estes adversários, que criam dificuldades, que nos fazem evoluir cada vez mais, só mostra que a associação deveria reformular um poucos os campeonatos, a segunda fase deveria logo ser desta forma...

sexta-feira, 9 de maio de 2008

FUTEBOL JOVEM E O MUNDO: AC Milan

Esta semana escolhi o AC Milan e Eddie Marles, director do clube para a América do Norte e América Latina. Vou falar um pouco sobre um programa que o clube tem para o futebol de formação, os campos de férias. Este programa iniciou, em Maryland, Baltimore em 1999. Desde essa altura alargaram-no a mais 10 estados americanos, bem como a 8 locais no Canada. O mesmo se passa com outras zonas do globo sendo, actualmente, considerado o número um nestas iniciativas, envolvendo mais 100,000 crianças todos os anos. Estes campos criados pelo AC Milan, recebem rapazes e raparigas desde os 6 anos até aos 17.

Eddie Marles nasceu na Colômbia, onde desenvolveu o seu gosto pelo futebol, mas emigrou cedo para os Estados Unidos com os seus pais. Em relação à sua associação com o AC Milan começou de uma forma curiosa. Marles tinha uma empresa que começou a prestar serviços de catering para o clube, foi assim que o staff técnico do clube o conheceu. Mais tarde começou a pesquisar mais sobre o clube e os seus objectivos, sobre os programas e territórios que abrangiam. Foi assim que se associou a este programa através das suas capacidades de organizar eventos.

Em relação ao programa, o foco é o desenvolvimento integral do jovem. É o pensamento que todos têm de ter. Também dão grande importância ao criar um ambiente divertido enquanto aprendem. Já em relação ao staff técnico Marles refere "Os treinadores são muito experientes e dinâmicos, a maioria deles viajam por mais de 40 países onde temos este programa". "As manhãs são dedicadas geralmente dedicadas ao treino técnico enquanto as tardes, dedicamos a conceitos tácticos e jogos". Esta forma de organização está também dependente dos miúdos que frequentam os campos. "Em algumas regiões há crianças extremamente talentosas, enquanto em outras eles apenas estão a aprender a movimentar-se, nós tentamos ensinar as crianças a serem coordenadas. É incrível ver quanto evoluem estes jovens numa semana com um bom método de ensino".

Muitos destes jovens que têm participado nestes campos acabam por ingressar nas academias da Florida, Califórnia, Toronto e no resto do mundo, neste momento são mesmo considerados uma peça fundamental na estrutura do clube.

Voltando ao staff técnico presente nestes programas, são treinadores altamente certificados, muitos deles são ex-jogadores, embora Eddie Marles refira que ser ex-jogador não significa que possa ser um treinador, é na verdade uma mais-valia. "Todos os nossos ex-jogadores continuam a fazer parte da nossa instituição. Desde Leonardo a Baresi. É como uma família e, nunca se abandona a família. Se notarem toda a estrutura do Milan é composta de ex-jogadores. Ancelotti, Tasotti, Costacurta, Baresi, Evani e Galli. Actualmente o staff está sob um programa de treino e actualização de forma a implementar a nova plataforma de treino, é um sistema que é considerado dos mais avançados do Mundo, para programas com jovens".

Este programa tem muitas particularidades que atraem os jovens, desde a presença de figuras do clube, como Paolo Maldini, Gennaro Gattuso, Alessandro Nesta e Clarence Seedorf. Depois têm também pacotes de viagens para Itália, sejam apenas para o jovem ou em conjunto com os pais.

É um programa de treino interessante, penso que poderia ser aproveitado por muitos clubes de forma a atrair jovens para os seus quadros.

O verão passado estive prestes a fazer parte de um programa semelhante num clube inglês, era uma oportunidade de me enriquecer enquanto treinador, conhecendo outras formas de trabalhar. Desde que comecei esta categoria, Futebol Jovem e o Mundo, tenho pesquisado bastante sobre clubes, treinadores e programas, não se compara com a vivência da própria realidade, é certo, mas considero que me tem feito evoluir na minha função de treinador e, sendo o meu sonho coordenar o futebol jovem de um clube, quanto mais realidades conhecer mais ideias consigo adquirir.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

CRÓNICA SEMANAL: Importância da vertente social dos clubes


Esta semana, fui observar um jogo de uma equipa na qual conheço alguns treinadores. Esse clube está numa zona onde existem várias equipas, muitas delas com alguma dificuldade em ter atletas suficientes em todos os escalões, assim, muitas vezes os miúdos têm de jogar pelo escalão superior.

Fiquei a ver esse jogo com um desses treinadores. A dada altura perguntei porque não ia buscar os melhores miúdos dessas equipas, já que a distância não era muita e assim já poderiam jogar no escalão correcto e inclusive aumentar a qualidade da equipa, isto é, criar um pequeno departamento de prospecção, ou algo semelhante. A resposta surpreendeu-me, foi-me dito que isso não era possível porque muitos desses miúdos têm dificuldades financeiras e não poderiam pagar a mensalidade que naquele clube é exigida enquanto são atletas de formação.

Ora o futebol nunca foi considerado um desporto de elite e assim tem de continuar, disponível para todos, independentemente do tamanho, capacidades, cor ou credo. Como actividade, oferece valores educacionais, benefícios para a saúde, oportunidades sociais e desportivas. Podemos mesmo afirmar que é um óptimo veículo para o desenvolvimento pessoal e, na maioria das vezes, são estes miúdos que têm mais dificuldades que precisam destas actividades. Concordo que a formação deve ser paga, não é isso que está em questão, mas se podemos ajudar esses miúdos não o devemos fazer?

Há uns tempos apresentei uma série de ideias a uma pessoa ligada a um clube, a resposta que obtive foi, arranja recursos financeiros para implementarmos isso. Eu então penso ao contrário, devemos implementar as ideias para trazermos mais verbas financeiras para o clube. É como esta situação, podemos não receber compensações financeiras directamente dos miúdos, mas se com eles aumentarmos a qualidade das nossas equipas, mais atractivo se torna o clube para outros miúdos, esses sim com possibilidades de pagar a mensalidade. Pode ainda haver a possibilidade de uma futura transferência para um clube de maior dimensão.

Todos os clubes deveriam ter programas desportivos, sociais e promocionais capazes de chegar a públicos mais alargados. É por isso que dou tanta importância à existência de uma pessoa responsável por estes assuntos, podemos chamar de coordenador se quiserem, não interessa a designação mas, se um clube quer crescer, tem de fazer a diferença com a qualidade dos serviços que presta à sociedade onde está inserido.
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terça-feira, 6 de maio de 2008

DIÁRIO DE OBSERVADOR: Pais também têm culpa...

Nesta categoria, diário de observador, normalmente falo de situações com que me deparo em diversos jogos que vejo. Desta vez irei falar, não de um jogo mas, de uma situação que ocorreu durante um treino na escola de futebol da qual faço parte.

Neste momento ocupo um lugar, que alguns chamam de coordenador técnico, isto é sou eu que observo todos os treinos que estão a ocorrer e se necessário intervenho de modo a aumentar a qualidade dos mesmos.

A situação ocorreu na nossa turma de miúdos de 2001/2002. Nessa turma existem dois miúdos que são irmãos, um de 2001 outro de 2002. O miúdo mais velho teve alguns problemas de integração ali na nossa escola, no inicio chorava muito, isolava-se etc. Há uns meses entrou o irmão mais novo que se conseguiu integrar melhor, inclusive ajudou na integração do mais velho. Importa ainda referir que os pais acompanham sempre os miúdos, ficando a mãe na bancada a assistir enquanto o pai se coloca mesmo encostado à vedação que está a delimitar o campo.

Neste treino o mais novo apareceu com uma bolha no pé que lhe estava a provocar algumas dores e que o levou a abandonar o treino, indo ao encontro da mãe na bancada. O mais velho apercebendo-se disso começou a olhar constantemente para o pai e, a dada altura, o pai retirou-o do campo, sem informar o treinador e sem ser pelo sítio indicado para o fazer.

Prontamente intervimos chamando o pai e o jovem, esclarecemos que aquela não era a forma correcta de actuar, o miúdo começou logo a dizer que não queria mais treinar, queria ficar com o pai. Nós temos um psicólogo que acompanha o treino, que tentou conversar com o miúdo enquanto nós falávamos com o pai sobre os problemas que esse miúdo tinha para se integrar ali.

Chegando ao fim da conversa, conclui que o grande responsável pelo miúdo ser assim é do pai e passo a explicar. Este miúdo com 6 anos (faz sete brevemente) ainda não se veste uma única vez sozinho, é o pai que faz sempre essa tarefa, isto mostra que o miúdo é super protegido, ou se quiserem mimado pelo pai, não criou autonomias, esta dependente dele para tudo, essa é a razão para todos os seus problemas de integração.

Identificado o problema, cheguei à conclusão que tenho de ter atenção a essa situação, o treinador dessa turma não pode prejudicar o seu treino nem os outros miúdos. Assim, o treinador deixa de ter essa preocupação e irei ser eu a actuar em relação ao miúdo de forma a desligá-lo do pai e a torná-lo autónomo, esse meu trabalho será em conjunto com o psicólogo, embora cada um actue numa área diferente deste problema.

Estou a contar esta situação para mostrar que muitas vezes são os pais que “estragam” os filhos, como se costuma dizer, devemos “ensinar a pescar” mais do que “dar um peixe”.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

DIÁRIO DE TREINADOR: Que orgulho...

Esta semana iniciava a segunda volta desta terceira fase contra a equipa que tinha empatado. Sendo o jogo em minha casa estava com esperança de um resultado positivo e assim distanciar-me dessa mesma equipa.

Quando fui para o relvado logo uma coisa chamou a atenção, a equipa adversária tinha convocado miúdos da equipa A, isto é, atletas mais velhos que nasceram em 1997. Alertei os meus miúdos para essa situação, ou por outra, tentei com isso motivá-los ainda mais para este jogo importante.

O jogo iniciou com um remate directo de um desses miúdos mais velhos à baliza, mostraram assim como seria o jogo, utilizar esses miúdos e a vantagem de serem mais velhos. Ainda bem que tenho uns miúdos que me deixam orgulhoso, da sua forma de jogar, em quem confio para todos os jogos sem precisar de utilizar miúdos mais velhos, aliás tenho até 3 miúdos de 1999. É a velha questão, interessa os resultados desportivos ou a formação dos jovens?

O resultado foi-se mantendo ao longo da primeira parte com a minha equipa a mostrar que não é o tamanho nem a força que ganha jogos, inclusive, aos quinze minutos, chegámos mesmo à vantagem através de um lance de bola parada. Poucos minutos depois num lance individual vencido pelo jogador da equipa adversária em velocidade, há um cruzamento onde a bola sofre um desvio e vai parar aos pés do avançado que apenas teve de empurrar fazendo a igualdade com que chegámos ao intervalo.

Ao intervalo dei os parabéns aos miúdos estavam com uma atitude fantástica, em termos de jogo eram eles que pareciam os mais velhos, os mais maduros. Mais uma vez disse que acreditava neles para vencer este jogo.

Na segunda parte num lance semelhante a equipa adversária volta a marcar golo, ficando em vantagem. Esse golo despertou nos meus miúdos um espírito guerreiro incrível, não tiveram medo nenhum de ir para cima deles e não fosse os remates distantes, os adversários nem criavam perigo. Perto do final um lance magnífico, que pode servir para resumir o jogo, um dos meus jogadores de 1999 à entrada da área dá um “cabrito” num desses miúdos de 1997 e, sem deixar a bola cair, remata colocando a bola no ângulo superior direito do guarda-redes, espectacular. Os miúdos festejaram os pais festejaram os pais dos adversários bateram às palmas. Mas no último lance do jogo o ditado, água mole em pedra dura, tanto bate até que fura, cumpriu-se e num remate distante conseguiram marcar de novo vencendo o jogo por 3-2.

Perdemos, é certo, mas saí do jogo com um orgulho imenso nestes miúdos, perdoem-me o que vou dizer, mas jogamos muito. No final disse a todos, “parabéns, estou muito satisfeito, mostraram que nem com miúdos mais velhos mereciam ganhar, no inicio da época escolhi para a equipa cada um de vocês, é com vocês que adoro trabalhar durante a semana e nenhum atleta da equipa A tinha lugar nesta equipa, vocês estão a evoluir de uma forma fantástica é isso que tem de ser importante e não se ganham hoje. Agora, imaginem esta equipa para o ano a jogar com vocês... "

quinta-feira, 1 de maio de 2008

FUTEBOL JOVEM E O MUNDO: Arsenal


Desta vez continuo por Inglaterra e agora vou até Londres. Vou falar do Arsenal, clube que me fascina há muitos anos pela sua aposta em jovens e de Liam Brady responsável pelo futebol jovem do clube há sensivelmente 12 anos.

Como Liam Brady cresceu no clube, já que entrou no arsenal em 1970 como uma jovem promessa, foi fácil aceitar o cargo que hoje ocupa. Uma espécie de retribuição, já que foi sempre muito bem tratado.

Nos últimos anos, jogadores como Aslhey Cole, Steve Sidwell, Jermaine Pennant, Justin Hoyte e Cesc Fabregas chegaram à primeira equipa do arsenal, sob o comando de Arsene Wenger, vindos na fantástica academia no clube situada Hertfordshire. Assim, hoje é muito fácil atrair jovens para o clube.

Quando Brady chegou, o clube estava em transformação, Arsene Wenger tinha convencido o clube a ter um novo centro de treinos, o responsável pelo futebol jovem do clube teve então de fazer pressão para a formação fazer parte dessa estrutura. Hoje em dia possuem um campo apropriado para qualquer estado meteorológico, uma área coberta e cinco fantásticos para a prática de futebol.

O departamento de formação do clube é uma estrutura enorme. Têm dez pessoas a tempo inteiro a trabalhar e cerca de 30 que trabalham em regime part-time. Há ainda vários observadores que o clube possui. Em relação a este tema dos observadores há uma curiosidade que Liam Brady refere “Nós não temos observadores em Manchester ou Newcastle e sítios desse género, não tem qualquer fundamento pois eles têm de ir para os clubes locais.” Apesar disso o Arsenal possui imensos observadores por toda a Inglaterra, maioritariamente em Londres, Escócia, Irlanda e em toda a Europa.

Como politica para o futebol jovem, o clube está concentrado em observar todos os atributos que pensam ser vitais, mas sobretudo dão muito valor à técnica individual dos jogadores. Para os responsáveis os jogadores têm de ser atléticos assim, possuem um programa de desenvolvimento físico, onde os atletas têm de ser dedicados e onde recebem orientação nesse aspecto.

Brady refere um aspecto que espera que brevemente se venha a alterar no clube, “Nós não temos jogadores ingleses suficientes no clube. Espero que nos próximos dois, três anos essa situação tenha sido alterada já que temos um óptimo grupo de jovens jogadores a aparecer”. Mas não se pense que é contra a contratação de atletas estrangeiros, “ Assinar com jovens estrangeiros é essencial para o Arsenal. Se nós pensarmos que existe um jogador especial e que nós pensamos que podemos ficar com ele, vejam o exemplo do Cesc Fabregas, nós trabalhamos arduamente para que isso aconteça. Penso que com as facilidades e a estrutura que temos, nós conseguimos atrair esses jovens.”

Claro que todo este trabalho resulta também por culpa de Arsene Wenger que é conhecido por apostar nos jovens “Enquanto a direcção e o treinador na equipa principal nos der o apoio que precisamos para continuar com o nosso trabalho, nós seremos cada vez mais fortes, se perdemos esse apoio aí será um problema”. Brady confirma ainda que os jovens muitas vezes escolhem o clube pela aposta que o técnico francês faz nos jovens, “ Eles sabem que irão ter uma oportunidade se forem suficientemente bons enquanto no comando estiver Arsene Wenger”.

Hoje em dia um clube como o Arsenal têm de ter os melhores jogadores no clube por isso é que os observadores desempenham um papel tão importante nos clubes de sucesso. Se depois tivermos os melhores treinadores para os trabalharmos e uma estrutura que apoie estes jovens e aposte neles seguramente todos este processo será um sucesso.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

CRÓNICA SEMANAL: Seriedade e Honestidade


Esta semana venho falar de seriedade e honestidade, dois conceitos que, por diversas vezes, estão ausentes no nosso país e também no futebol jovem.

Como costumo dizer, treinar jovens poderá ser também um risco e, tanto maior é o risco quanto mais impreparados, os intervenientes no processo estiverem. Assim, é essencial existir seriedade no trabalho que fazemos, temos de nos dedicar ao que fazemos. Uma das razões que me levou a começar a escrever, primeiro no meu blogue, depois em colaboração com outros espaços foi por tudo o que isso implicava. Como gosto de ser sério naquilo que faço, dedico a cada texto que faço algum tempo, seja para pesquisa de literatura da especialidade, conhecer novas realidades, seja para realmente pensar no porquê das diversas situações.

Há textos, livros fantásticos que gosto de ler e que podia utilizar, mas como disse gosto de pensar nas coisas, gosto de ter um espírito critico, não devemos aceitar tudo como verdades absolutas. Assim, não me parece sério nem honesto copiar textos, exercícios, ideias, etc. e utilizá-los como se fossem da nossa autoria, não há fórmulas mágicas, as coisas que consideramos boas podem não estar adaptadas à nossa realidade, por exemplo, a maneira de ser daquele treinador pode não ser a mais adequada para aplicar na minha equipa nem aos jovens com que estou a lidar.

Temos de ser honestos para os miúdos, eles não merecem a nossa falta de seriedade e preparação, não podemos aproveitar o que os outros fazem, algumas vezes com esforço, para parecermos algo que não somos.

Ultimamente também é visível a alteração de postura de diversos treinadores e dirigentes, que agora, constantemente, fazem declarações polémicas. Claro que se os questionarmos eles nos dizem, o Mourinho também é assim e é considerado dos melhores técnicos do Mundo. É verdade, mas essa é a sua maneira, sempre teve essa postura, agora sinceramente muito utilizam essa estratégia para disfarçar a sua falta de competência.

Resumindo vamos todos tentar ser sérios e honestos naquilo que fazemos!
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terça-feira, 29 de abril de 2008

DIÁRIO DE OBSERVADOR: Que medida tomar?

Nesta categoria é habitual falar de problemas, que vou observando nos diversos jogos em que estou presente seja como observador ou treinador.

Esta semana, o problema está repleto de aspectos que importa referir. A dada altura de um jogo de escolas o treinador resolve trocar de avançado, o jogador quando se apercebe que vai ser substituído dirige-se para a linha claramente chateado, até aqui tudo normal, nenhum atleta gosta de sair, mesmo neste escalão onde quem sai pode voltar a entrar, o problema foi a atitude que esse atleta teve quando passou pelo seu colega que entrou para o substituir, o seu companheiro, como é normal, estendeu a mão para o cumprimentar e efectuar a troca enquanto o jogador que ia a sair recusou o cumprimento e ainda reclamou com esse miúdo.

É uma atitude reprovável entre colegas de equipa e entre miúdos, mas ainda houve algo que ainda me custou mais observar.

O Treinador viu aquela atitude e não disse nada ao miúdo, continuou a comandar a sua equipa como se nada fosse, passados poucos minutos a equipa adversária marcou um golo a primeira coisa que o treinador fez foi voltar a chamar o atleta que tinha sido substituído e colocá-lo em campo no lugar do jogador que tinha entrado na sua posição.

Para mim é uma situação onde ocorrer diversos “erros pedagógicos” nem sei qual devo considerar o pior se o treinador deixar que tal aconteça na sua equipa, se fingir que não viu, ou ainda acabar por dar razão a estas situações de conflitos quando voltou a trocar esses jogadores.

Houve uma pessoa, junto ao banco, que reclamou da situação, não sei qual q relação com a equipa, mas imaginando que seja o pai do miúdo que entrou e voltou a sair e, embora considere que o treinador não deve explicar as suas opções tácticas aos pais, neste caso é compreensível um pai pedir justificações.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

DIÁRIO DE TREINADOR: Um jogo complicado


Esta semana objectivo era continuar a conciliar as boas exibições com os bons resultados. Seguindo a minha metodologia de treino, mais uma vez toda a semana foi dedicada a melhorar a nossa forma de jogar, ao nosso modelo de jogo.

O jogo desta semana estava marcado para as 11 Horas da manhã e assim que chegámos ao campo do adversário identifiquei logo a nossa primeira dificuldade, o calor intenso que se verificava.

O jogo começou e desde cedo os miúdos controlaram o jogo, embora a nossa organização ofensiva não estivesse a dar os resultados pretendidos, a falta de dinâmica e velocidade estava a impedir que a equipa criasse o número de oportunidades de golo que tem conseguido nos últimos jogos. Já ao nível da organização defensiva a equipa esteve muito bem impedindo a equipa adversário de se chegar perto da nossa baliza. Assim, a primeira parte acabou com o resultado de 0-0 tendo o guarda-redes adversário efectuado duas boas defesas impedindo a minha equipa de ir para os balneários em vantagem.

No intervalo, tive a preocupação de refrescar os atletas enquanto referia que apenas precisávamos de aumentar um pouco o ritmo para conseguir vencer este jogo. Tive uma conversa em particular com dois jogadores, onde lhes transmiti que iriam começar a segunda parte no banco para assim conseguir lançá-los na segunda parte mais frescos na tentativa de resolver definitivamente o jogo.

A segunda parte começou da mesma forma. Um jogo com pouca velocidade mas sempre com o controlo da minha equipa. Por volta dos 10 minutos lancei os dois miúdos com quem tinha conversado e a estratégia resultou, entraram com mais velocidade que os restantes jogadores e assim o domínio do sector intermédio foi total criando a equipa mais oportunidades de golo. Aos 15 minutos, através de um passe extraordinário do defesa central, o avançado fica isolado na frente do guarda-redes e, após olhar para a baliza e observar de que lado se encontrava o guarda-redes rematou cruzado inaugurando o marcador. Este miúdo está a evoluir de uma forma fantástica é de 1999 e nos últimos jogos tem sido uma peça muito importante no nosso processo ofensivo.

O jogo chegou ao fim com o resultado de 1-0, um resultado curto para o que se passou, embora o adversário tenha estado muito bem conseguindo impedir a minha equipa de chegar à vantagem mais cedo. Foi um resultado importante num jogo muito complicado.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

FUTEBOL JOVEM E O MUNDO: Queens Park Rangers


Hoje irei falar do Queens Park Rangers e do homem responsável pelo desenvolvimento do futebol jovem Joe Gallen.

No clube inglês Gallen começou na categoria de sub-9, depois sub-11 até subir aos sub-17. Neste momento para além de ser treinador dos sub-18 é o responsável por todo o programa do futebol jovem do clube, isto é, desde os sub-7 até aos sub-19. Um programa que o técnico considera ser de longo prazo, isto é, não é algo que esteja concluído amanhã.

A semana de Gallen começa com uma reunião com o responsável pela prospecção para discutirem os jogadores que despertaram o interesse dos observadores nessa semana “Tudo o que estou interessado em saber é, quem eles viram, conseguimos ficar com eles e como conseguimos, podem ter 8, 12, 14 não interessa”. De seguida veste o papel de treinador durante o resto da manha até à hora de almoço. Nessa altura pega no telefone para efectuar os contactos necessários para trazer os jovens referenciados. À tarde volta aos treinos. Apenas o fim-de-semana tem uma rotina diferente, sábado de manha tem o seu jogo com a equipa de sub-18, à tarde desempenha as funções de observador caso pense ser necessário, já o domingo é dedicado a ver os jogos das equipas jovens do clube de modo a acompanhar o seu desenvolvimento. Outro aspecto que gostaria de salientar é a visita que Gallen faz às quintas-feiras, com o seu colaborador Jonh O´Brien, a alguns centros de estágio.

Joe Gallen tem algumas ideias que me parecem importantes de referir neste artigo, o técnico diz que não conhece um treinador que consiga transformar um mau jogador num bom jogador “Não me interpretem mal, não temos de treinar e melhorar os atletas, mas nós temos de ter a qualidade certa no inicio”

Outra ideia que quero referir é a de o treinador dizer que não querem contratar jogadores pequenos, sabe que é uma ideia polémica mas assume que “Se alguém sente que isso não é importante no jogo está a cometer um erro, não me interpretem mal haverá sempre espaço para fantásticos jogadores que sejam pequenos mas, regra geral, nós precisamos presença física e é preciso velocidade para ter sucesso”.

Não concordo muito com estas últimas ideias do treinador inglês, penso que, embora a qualidade inicial seja importante, acho que podemos tornar um mau jogador em bom jogador ao nível cognitivo, isto é, compreensão do jogo. Também penso que o factor físico não é assim tão fundamental, talvez o seja um pouco mais no futebol inglês.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

CRÓNICA SEMANAL: Lei de transferências


Hoje venho falar da lei que em vigor nesta época de 2007/2008, relacionada com as transferências de jogadores menores de 14 e que veio alterar, de forma substancial, a postura dos dirigentes desportivos.

Esta lei poderá ter duas leituras diferentes, a de um clube “grande”, claramente beneficiados (quem será que fez esta lei?) e a visão dos clubes “pequenos”.

Com esta nova lei, os chamados clubes grandes conseguem, facilmente, adquirir os jogadores dos clubes pequenos sem que haja lugar a qualquer indemnização, basta o acordo com o encarregado de educação. Assim, os clubes formadores, deixam de receber a verba a que tinham direito, anteriormente, pela formação do atleta. Será então esta nova lei justa?

Os clubes grandes e as pessoas que concretizaram esta lei defendem-se, dizendo que numa futura transferência os clubes que os formaram têm sempre direito a uma percentagem e assim serão compensados, dando o exemplo do Real Massamá e a verba que recebeu com o Nani na transferência para Manchester. Ora todos nós sabemos que grande parte dos jogadores que chegam aos juniores dos grandes não conseguem sequer chegar às equipas principais, assim, a hipótese de os primeiros clubes responsáveis pela formação dos atletas receberem alguma compensação é muito reduzida. Será que assim é viável continuar a investir na formação?

Eu sou da opinião que sim embora entenda que cada vez se torna mais difícil para os clubes pequenos, muitos deles vivem dessas verbas que recebem pelas transferências dos seus jovens, lembro-me do caso do núcleo de Sintra e da verba importante que recebeu com a transferência do atleta Estrela para o SL Benfica. Clubes destes têm uma grande importância a nível social e assim muitos deles correm o risco de acabar, deixando muitos jovens sem a possibilidade de praticar desporto.

Claro que se um dirigente de um clube grande vier falar desta mesma lei vai dizer que é a mais correcta, que assim os clubes pequenos já não dificultar a transferência dos seus atletas para uma realidade melhor e pedir verbas elevadas. Se esta lei é assim tão boa porque se fazem pactos de não agressão entre os clubes grandes para não se tentar contratar jogadores aos rivais?

Concluindo esta lei, na minha opinião, reflecte a realidade do nosso país, os grandes cada vez mais grandes e os pequenos cada vez mais pequenos...
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terça-feira, 22 de abril de 2008

DIÁRIO DE OBSERVADOR: Pedagogia


Esta semana vou aproveitar uma situação particular para falar do papel dos árbitros no futebol jovem.

Chegado ao intervalo de jogo que estava a observar, vejo o arbitro dirigir-se ao treinador de uma das equipas, achei estranho pois estava a ser um jogo muito correcto de ambas as equipas, assim, prestei atenção ao que foi dito: “Senhor treinador, o seu avançado já entrou várias vezes em carrinhos e em duas ocasiões atingiu os adversários, se possível converse com o jogador para ter atenção a essa situação”. O treinador prontamente agradeceu a indicação e prometeu ter uma conversa com esse jogador no balneário.

Ora parece-me ser esta a postura correcta que deve ter um árbitro num jogo de atletas tão jovens como era neste caso, apenas penso que também poderia ter tido uma conversa com o jogador aquando da ocorrência dessas situações.

Ainda há pouco tempo, Rui Mâncio, coordenador das selecções de futebol da Madeira, apresentou uma proposta de inserir um cartão azul, a ideia seria “promover a formação, com qualidade, num espaço que pretende ser pedagógico”.

Concordo com esta ideia de ser um espaço pedagógico mas, quantos dos intervenientes num jogo de futebol estão preparados a esse nível?
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Neste espaço estou constantemente a relatar atitudes reprováveis que vou assistindo por esses campos, desta vez observei uma atitude positiva mas infelizmente nem sempre é assim. Por esta razão, entre muitas outras, considero que os treinadores que vêm das faculdades de desporto estão mais capacitados para o treino de jovens. Na maioria dos cursos existem as cadeiras de pedagogia e psicologia do desporto. Nos cursos da associação, seja de treinadores seja de árbitros dão a devida importância a estes aspectos?

segunda-feira, 21 de abril de 2008

DIÁRIO DE TREINADOR: Pequenos grandes jogadores


Depois de na semana passada os miúdos efectuarem um excelente exibição, esta semana procurávamos manter este nível, ou melhor como treinador espero sempre melhorar. A semana foi marcada pelo mau tempo que dificultou o decorrer normal dos treinos.

Quem tem acompanhado os últimos textos desta categoria sabe que vou variando os sistemas tácticos sempre de acordo com o meu modelo de jogo. Esta semana voltei ao mais habitual, isto porque queria confirmar se os miúdos tinham melhorado num aspecto importante da minha forma de jogar e que é mais potencializado num dos sistemas.

A equipa adversária vinha de dois resultados positivos por isso, aguardava o jogo com alguma expectativa. A equipa que defrontei esta semana destacava-se pelo nível físico, ou melhor, comparando com a minha equipa onde os miúdos são muito pequenos, a diferença era bem visível.

O jogo iniciou com o domínio da minha equipa e aos 5 minutos surge o primeiro golo naturalmente, uma jogada bonita finalizada de forma inteligente pelo jogador mais pequeno em campo, o meu avançado de 1999. Aos 15 surge o segundo numa grande jogada individual, fiquei extremamente contente, este miúdo merecia, é claramente o que mais tem evoluído. A primeira parte terminou com o resultado de 2-0.

Ao intervalo alertei os meus jogadores que tínhamos de continuar a jogar bem e que queria ver mais vezes os “processos ofensivos” que temos trabalhado.

Foi o que aconteceu, logo no inicio da segunda parte a equipa consegue o terceiro golo num movimento típico do nosso modelo de jogo, estes são os golos que mais me deixam satisfeito. Na jogada seguinte, num lance infeliz do meu guarda-redes, a equipa adversária reduz. Os miúdos continuaram à procura de mais golos e em pouco tempo, numa jogada idêntica à do golo anterior, fazemos o 4-1, incrível como estava tudo a sair de forma simples, realmente o outro sistema potencializou este movimento. Ainda marcamos mais dois golos de jogadas muito bonitas e a equipa adversária também marcou mais um golo da mesma forma, isto é, o meu guarda-redes teve um dia muito infeliz. Assim, tive de ter especial atenção com este miúdo de forma a motivá-lo.

Fizemos mais uma grande exibição, os últimos dois jogos foram excelentes, estou muito satisfeito com o trabalho realizado. Estes miúdos estão a ficar uns pequenos grandes jogadores.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

CRÓNICA SEMANAL: Os empresários


Esta semana vou falar dos empresários de futebol e de estratégias usadas para valorizar os seus jogadores.

Este assunto surgiu devido a um email que recebi de um empresário a dizer que o seu jogador tinha despertado o interesse de um clube espanhol, SL Benfica e Sporting CP. Claro que o empresário enviou o email na esperança que eu publicasse a noticia e assim o seu jogador poderia despertar interesse dos clubes. É uma estratégia que produz os seus frutos, temos o caso recente do jovem Hélio Vaz que foi treinar ao Bolton e logo começou a aparecer em todos os jornais acabando para ir para o SL Benfica, embora eu saiba que o clube da Lisboa já o andava a seguir antes de ele ir a Inglaterra. Também recentemente um jovem do Trofense foi treinar ao Milan aposto que os clubes grandes começaram a olhar para ele de forma diferente.

Já assisti a empresários que foram importantes no lançamento de muitos jovens, não estou aqui a dizer que sou contra a existência deles, mas também tenho assistido a alguns jogadores a serem prejudicados e muito por empresários que muito prometiam e depois nada fizeram, outros que prejudicam outros atletas porque os seus jogadores têm de jogar para no futuro serem transferidos e receberem a devida comissão.

Uma dia assisti a um jogo de juvenis entre dois clubes que apostam na formação, o clube da casa começou a perder e os adeptos começaram a protestar contra o treinador, uma dessas pessoas dirigiu-se ao treinador dizendo "mister explique-me lá como é que este jovem fica no banco" a resposta do mister foi "Sabes temos aí uns brasileiros que têm que jogar para ser vendidos mas, para o ano, este rapaz é titular indiscutível!"

Qual será a motivação desse jovem cheio de potencial que vê interesses externos “estragar” a sua carreira? Infelizmente esta é uma situação que acontece cada vez mais pelos nossos campos, incluindo em clubes grandes, cada vez mais cheios de estrangeiros...

Crónica disponivel em: http://mestresdofutebol.blogspot.com/

terça-feira, 15 de abril de 2008

DIÁRIO DE OBSERVADOR: Miyagawa brilha no At. Madrid

As vezes a realidade supera a ficção e no caso de Rui Miyagawa, tudo começou a 16 de Dezembro de 2006 quando tinha apenas 9 anos.

Este pequeno japonês louco por futebol viu pela televisão a final do Mundial de clubes entre Barcelona e Internacional e, apesar da derrota da equipa de Rijkaard, Rui não pensou duas vezes e disse aos seus pais: “Quero ser futebolista e para isso devo aprender em Espanha, ali formam-se os melhores”.

Foi assim que começou a sua aventura. A muitos pode soar a história. Quem não conhece a série onde entrava o Tsubasa? Oliver, também era um miúdo louco por futebol que perseguia, durante vários episódios o seu grande sonha de ser jogador profissional. A diferença é que em vez de Espanha, Oliver queria viajar para o Brasil.

A Internet proporcionou o primeiro passo do protagonista desta história. Rui procurou escolas de futebol em Espanha e apareceu a que é dirigida por Milinko Pantic relacionada com a escola do Atlético de Madrid. A família do jovem não pensou mais e enviou-o a Espanha, num mês ele demonstrou que estava disposto a tudo para conseguir alcançar o seu sonho. As informações recolhidas pelos responsáveis foram muito boas e, assim, recebeu a proposta de entrar e fazer parte de uma das equipas do clube. Então chegou a parte mais dura. Rui e a sua família decidiram tentar. O jovem deixou a equipa do seu bairro, o seu pai e o irmão mais velho para ir para Espanha. Nem o idioma foi um obstáculo. Desde essa altura que a sua mãe vive com ele e os poucos ambos vão progredindo no castelhano embora ainda não falem fluentemente.

Não foi apenas ele que teve de fazer esforços, David González, o seu treinador, aprendeu palavras básicas em japonês para orientar o jovem no inicio. Os seus companheiros mais próximos, estão a fazer todos os possíveis para que a integração seja a melhor e rápida. Embora recorde Hidetoshi Nakata, o seu ídolo é Kun Agüero que já conheceu.

FUTEBOL JOVEM E O MUNDO: FC Utrecht


Estou de volta a esta crónica que tanto gozo me dá. Tenho andado com mais trabalho na faculdade e, assim, este trabalho de pesquisa teve de ficar um pouco de parte.

Hoje vou até à Holanda, país que aposta forte no futebol de formação, para falar do FC Utrecht e do seu treinador Michael Horddijk, responsável pelo treino técnico e que tem de lidar com diferentes tipos de jogadores.

Em primeiro todas as equipas têm um grupo de jogadores que não dão muita atenção à vertente técnica do futebol, muitas das vezes destacam-se pela vertente física, fortes e combativos, o típico médio defensivo que está em campo para recuperar bolas mas que muitas vezes voltam logo a perdê-la devido às suas deficiências técnicas. Assim é de extrema importância continuar a estimular e motivar estes jogadores para o treino técnico pois como sentem dificuldades muitas vezes desistem. Como diz o técnico, “estes jogadores nunca serão um Ronaldinho, mas isso também não é necessário, porque nós também precisamos de Makeleles”.

Numa segunda categoria temos os dribladores, os jogadores que conseguem fazer as coisas mais incríveis com a bola mas em jogo, na maioria das vezes, as suas acções não trazem vantagens à equipa e, tanto os colegas como eles próprios sentem-se frustrados. Michael refere "Há pessoas que acreditam que nós devemos deixar estes jogadores driblarem e ter a bola, assim, eles irão continuar a desenvolver as suas capacidades técnicas. Eu apenas concordo em parte com isso, eu penso que devemos permitir os jogadores fazer as suas coisas até aos sub-11, mas depois disso eles, gradualmente, devem aprender outras qualidades".

Uma das formas de limitar este contacto com a bola é através do número de toques permitidos. Michael Horddijk discorda desta forma de actuar “Não sou um grande apoiante, assim, estamos a tirar a alegria do jogo e estamos a proibir as coisas onde eles são bons. Uma solução mais funcional é dizer a esse jogador que não pode passar por mais que um jogador a cada posse de bola. Dessa forma ele continua a fazer as suas coisas.”

Michael é da opinião que “ter um treinador de técnica não é supérfluo nem luxuoso. Com certeza que nem todos os clubes conseguem ter um treinador destes, mas esta é uma questão de criatividade. Quase todos os clubes têm um jogador ou treinador que é “tecnicamente inteligente” e pode trabalhar com os jovens jogadores. Eu conheço alguns jogadores sub-19 que treinam os miúdos nos seus clubes.”

Com um treinador específico podemos criar a possibilidade de trabalhar de pequenos grupos. Podem separar metade da equipa para treinar a vertente técnica enquanto a outra metade treina com o treinador da equipa situações posicionais e de manutenção da posse de bola. Desta forma é garantida atenção individual para os jogadores que podem treinar de forma muito específica.

Confesso que não tenho uma opinião forte sobre este treino técnico de forma isolada. Posso apenas dizer que por exemplo na minha equipa prefiro trabalhar utilizando sempre a minha forma de jogar, isto é, não irei perder um treino, ou parte dele, para trabalhar exclusivamente a vertente técnica. Isto não quer dizer que sou contra este treino como um complemento, por exemplo eu peço aos meus miúdos para verem vídeos na internet e escolher uma finta ou drible para treinar e antes de começar o treino me mostrarem o que sabem. É uma forma de trabalhar a técnica sem deixar de treinar da forma que penso ser a mais indicada.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

DIÁRIO DE OBSERVADOR: Mais uma atitude revoltante


Esta semana estive presente em mais um torneio e, novamente, assisti a uma atitude que me deixa revoltado.

Durante um jogo um miúdo, ao tentar chutar uma bola para o ataque, acerta num adversário, lance casual e de infelicidade, naturalmente, tratando-se de miúdos, o que levou com a bola começou a chorar. O que fez o seu treinador? “Levanta-te, agora não é tempo para chorar, choras no fim do jogo”.

Quem é que põe uma pessoa destas a trabalhar com jovens? Será que um jogo num torneio é assim tão importante, será que os resultados têm assim tanto valor que se comprometa a formação dos miúdos?

Na minha opinião o principal investimento que se deve fazer num clube, numa escola de futebol é nos recursos humanos, temos de tentar ter no nosso clube as pessoas mais competentes e capacitadas, não se pode permitir que atitudes destas continuem.

Outro aspecto que o clube tem de perceber é que a atitude deste treinador para com o miúdo é visto como um cartão-de-visita. Eu aposto que nenhum pai, dos que presenciaram esta cena colocaria o seu filho naquela escola...

DIÁRIO DE TREINADOR: Bela exibição

Até agora nesta segunda fase tinha um empate e uma derrota, esta semana só um resultado era possível a vitória. Era uma deslocação longa e tinha três miúdos indisponíveis, mas a confiança é sempre máxima, tenho um grupo muito bom.

O jogo, felizmente, estava marcado para as 11horas, assim não foi necessário os miúdos acordarem muito cedo.

Hoje iniciei o jogo num sistema táctico menos utilizado, importa aqui referir que dentro do modelo de jogo que tenho para a minha equipa experimento diferentes sistemas tácticos, parece-me de extrema importância nesta idade os miúdos vivenciarem diferentes situações. Na segunda parte ficou acordado que iríamos trocar.

A minha equipa dominou o jogo desde o inicio, embora o primeiro golo tenha demorado a aparecer. O treinador desta equipa deixava sempre 2 atletas na frente enquanto os restantes tinham ordens para “bater” para a frente, ora estamos a falar de escolas e, devido as dimensões do campo era complicado para os miúdos, qual a estratégia do clube? Ter bolas muito más, praticamente balões para ser mais fácil colocá-la na frente.

O intervalo chegou com o resultado de 1-0. Resultado muito curto para todo o domínio verificado.

Na segunda parte, logo no primeiro lance, a equipa adversária faz o primeiro remate à baliza e o resultado? Golo!

Esse golo parece que despertou a minha equipa e a partir daí jogaram de uma forma muito concentrada, tendo mesmo momentos de futebol muito bonito. Os golos começaram a aparecer e os miúdos cada vez a jogarem melhor. Acabei mesmo satisfeito com a exibição. O resultado final foi de 5-1 mas mais uma vez penso que é muito curto.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

CRÓNICA SEMANAL: Critério de selecção


Esta semana aproveito para falar dos C’s que dominam o nosso futebol. A Competência e a Cunha.

Numa altura em que se fala em reestruturações em alguns clubes surgem nomes atrás de nomes, muitas das vezes dizem “pode estar a caminho pelas boas relações que tem com...”. Pois é, em Portugal a amizade é um factor de selecção, ou seja, muitas pessoas entram pelas cunhas. Depois corremos o risco de ter no clube pessoas que não mostram as mínimas competências para os cargos que ocupam.

Eu se tivesse o poder de seleccionar colaboradores, apenas olhava para um aspecto, competência. Não é suficiente, conseguir seleccionar os melhores jogadores, não se podem esquecer que é preciso ter também os melhores treinadores, os melhores médicos, fisiologistas, coordenadores, etc. Depois podemos correr o risco de se dispensar o melhor marcador do campeonato nacional porque tem apenas 1,73! Razão? Não encaixa no perfil de avançado do clube, querem avançados altos. Ora eu prefiro avançados que marquem golos.

Numa conversa com um amigo ligado ao futebol jovem, falávamos dos nossos sonhos, o meu de coordenar a formação de um clube, tendo sempre o treino presente, o do meu colega era formar um clube onde juntasse todos os jogadores dispensados dos clubes grandes. Eu aposto que se neste clube tivéssemos também as pessoas que mostram competências e não são seleccionadas para os grandes porque não têm cunhas, mais cedo ou mais tarde eram campeões.

Os amantes de futebol jovem, com certeza, conhecem o técnico Horst Wein. Este técnico, alemão, esteve em Espanha e juntou num clube atletas que não foram seleccionados nos treinos de captação do Barcelona, Real Madrid etc. Apenas precisou de 3 épocas para ser campeão...
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