Frases que dizem muito...

"A forma não é física. A forma é muito mais do que isso. O físico é o menos importante na abrangência da forma desportiva. Sem organização e talento na exploração de um modelo de jogo, as deficiências são explícitas, mas pouco têm a ver com a forma física." (José Mourinho)

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

DIÁRIO DE OBSERVADOR: Atitudes diferentes...

Esta semana fui observar mais uns jogos de futebol de formação. Num desses jogos houve uma situação que me despertou o interesse de partilhar com as pessoas que por aqui passam.

A dada altura do jogo que estava a decorrer de forma tranquila, dois miúdos "pegaram-se" um com o outro. Prontamente o árbitro interrompeu o jogo e falou com os miúdos de forma a que a situação não continuasse.

Fiquei curioso para ver o que os treinadores iriam fazer. Aconteceram duas atitudes diferentes.

O treinador da equipa da casa não disse nada ao miúdo, deixando o jogo decorrer como até ali, o outro chamou o seu atleta, retirou-o do campo e teve uma conversa com ele, inclusive de costas para o jogo, mostrando que naquela altura a sua preocupação era com a situação que aquele jogador tinha protagonizado.

Em primeiro queria salientar a atitude do árbitro, sem expulsar nenhum jogador, parou aquela situação tendo-a resolvido de forma pedagógica e de acordo com a idade dos jogadores (sub-10).

Em seguida, e referindo que não acredito em fórmulas mágicas que todos temos de seguir, agindo da forma x ou y, a atitude do segundo treinador pareceu-me correcta e apropriada à situação. Temos de olhar para a parte pedagógica destes jogos e não apenas para a vertente desportiva em busca de resultados. Muitas vezes não se ganha o jogo mas ganham-se miúdos com bons valores e atitudes.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

DIÁRIO DE OBSERVADOR: Uma ideia original...

Há duas semana fui, como habitualmente, ver um jogo de um campeonato de formação, neste caso entre duas equipas sub-11 (Benjamins A). Acabei por chegar mais cedo ao campo onde se iria realizar esse jogo, como tal dirigi-me ao bar do clube para tomar um café. Foi ai que ouvi esta história e que retive.

O jogo era entre duas equipas modestas, classificadas nos lugares inferiores do campeonato. A equipa que jogava em casa estava um pouco melhor, penso que dois lugares acima. Esta equipa, numa iniciativa conjunta entre pais e treinadores, decidiu organizar um “estágio” para os miúdos. Assim, no dia anterior, sexta-feira, todos os miúdos se juntaram e foram jantar. Posteriormente foram passar a noite num hotel, onde no dia seguinte também tomaram o pequeno-almoço. Isto é, tiveram todas as regalias que eles sabem que os jogadores profissionais têm.

Com toda a certeza 80% ou mais daqueles miúdos têm como sonho, serem jogadores de futebol, acredito que nesse dia sentiram-se um pouco mais próximos desse sonho.

Não vou falar de como correu o jogo, do que achei das organizações das equipas, dos seus processos ofensivos e defensivos, das acções técnico-tácticas deste ou daquele jogador ou dos feedbacks dos treinadores. Apenas queria relatar esta história, achei original, com toda a certeza que os miúdos adoraram.

Não será este um dos objectivos do futebol de formação? Proporcionar momentos de alegria aos jovens? Assim sendo, parabéns a estes pais e treinadores por esta iniciativa.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

CRÓNICA SEMANAL - Será que Mourinho olha para a cantera?



Sou um confesso admirador da filosofia de Johan Cruyff, leio semanalmente a sua coluna no jornal El Periódico de Catalunya. Esta semana voltou a escrever sobre José Mourinho, da reduzida confiança do técnico português na “cantera” do Real Madrid

O ponto de partida para a sua análise é que o "futebol de formação de um clube é bom se o técnico principal o utilizar e mau se não o utiliza”.

Logicamente o técnico holandês comparou a formação dos dois principais clubes espanhóis, dizendo que hoje em dia a formação do Barcelona é mais reconhecida porque os técnicos da equipa principal apostam nela. Arrisco-me a fazer um paralelismo com a realidade nacional onde o Sporting CP utiliza vários atletas na sua equipa principal que são oriundos da sua formação, por isso, nesse aspecto, é mais valorizado que os seus rivais FC Porto e SL Benfica. Aliás com a nova vitória de Leo Messi como melhor jogador do Mundo o Sporting continua a ser o único clube que teve dois atletas vindos da sua formação galardoados com a bola de ouro.

Voltando à coluna de Johan Cruyff, é referido que o estilo de Mourinho não passa por apostar nos jovens, "Melhor do que ninguém, ele pode ver o que tem e o que lhe falta, e se já queria outro avançado quando tinha Higuaín e Benzema para o lugar de 9, é coerente que o seu discurso não se tenha desviado minimamente desse sentido… Alguém estranha que Mou peça para contratar no mercado de Inverno e não olhe para cantera? A mim não, é a sua filosofía. É fiel a ao seu próprio estilo", vincou.

De forma a reforçar esta opinião, é referido o passado de Mourinho pouco ligado à formação, "se tem trabalhado assim e as coisas lhe têm corrido muito mais para bem do que para mal, é normal que queira seguir por essa linha. Tem sido a isto que se tem/o têm acostumado, não observar a formação."

"Se o seu mercado já não é esse, porque nunca o foi, é lógico que agora não o implante, se o seu manual de trabalho já não prevê a possibilidade de subir os jovens para os ir lançando para médio y longo prazo, menos então subirá um jovem para uma urgência,"anteviu.

Sou daqueles que pensa que Mourinho é o melhor treinador do Mundo, fiquei com uma inveja tremenda a ouvir o discurso do Wesley Sneijder. É incrível a relação treinador-atleta que consegue criar. Mas se há um ponto onde também gostava de o ver a apostar mais era na formação.

Sei que também não tem passado por clubes com uma estrutura, cultura e filosofia tão enraizada como o Barcelona, e assim sendo, é sempre mais difícil apostar nos jovens. Outro ponto é o tempo de permanência nos clubes, por exemplo sei que na altura da passagem pelo FC Porto criou um documento que englobava o futebol de formação, mas não esteve no clube tempo suficiente no clube para recolher os frutos. Veja-se o caso de Arséne Wenger no Arsenal.

Espero com curiosidade para ver como será o futuro de José Mourinho no Real Madrid, com tempo acredito que criará uma filosofia no clube e aí penso que a aposta na cantera será muito maior…

quinta-feira, 29 de julho de 2010

PENSAR FUTEBOL: Criar uma filosofia

A mudança de paradigma no jogador de futebol espanhol é um facto: o gosto pelo jogo, para o bom trato da bola e a criatividade estão a tornar-se a marca registada dos jogadores e de um país que sempre precisou de uma filosofia clara para apostar.

Tem sido interessante acompanhar a selecção de sub-19 espanhola no Europeu, são claramente visíveis os princípios que hoje em dia regem essa tal filosofia de jogo espanhol. A Espanha continua a demonstrar toda a sua capacidade para criar algo de extraordinário.

Com quatro vitórias somadas noutros tantos jogos na presente edição da prova, selecção espanhola continua a mostrar a sua criatividade e imaginação, como o comprova o inteligente golo apontado por Canales diante da Inglaterra, só ao alcance de uma equipa plena de confiança. A vencer por 2-1 à passagem dos 60 minutos, os pupilos de Luis Milla dispuseram de um livre em zona perigosa e colocaram em prática uma espectacular jogada de laboratório.

Os resultados que, hoje em dia, as Selecções Espanholas têm alcançado, não são fruto do acaso nem de poucos anos de trabalho.

Os próprios clubes deviam ter uma filosofia a seguir tal como se vê no Barcelona. É verdade que “só falam deles porque ganham”, mas não é isso que nós queremos? Ganhar? Mas há outros clubes que ganham menos vezes e que têm uma filosofia clara dentro do clube, o Arsenal por exemplo. Claro que ajuda manter o Arséne Wenger no clube durante vários anos e no nosso país já sabemos que isso é impossível.

Vou continuar a acompanhar a evolução dos “nuestros hermanos” e a retirar ideias para, tal como outros colegas, colocar na gaveta porque os nossos dirigentes não se interessam…

sexta-feira, 23 de julho de 2010

PENSAR FUTEBOL: Treinadores distintos, visões semelhantes...

Nesta última semana li duas entrevistas que me deixaram particularmente satisfeito. Cho Kwang-rae, novo seleccionador da Coreia do Sul, confessou que o seu modelo de jogo será semelhante ao que põe em prática a selecção espanhola, campeã do mundial da África do Sul. “Quero emitar a Espanha” diz Cho, de 56 anos e até agora treinador da equipa sul-coreana Gyeongnam FC, numa conferência de impressa, de acordo com a agência de notícias Yonhap.

Segundo o novo técnico da Coreia do Sul, que no passado mundial foi eliminada nos oitavos-de-final frente ao Uruguai, a sua equipa deve ser mais rápida e mais precisa nos passes “O futebol sul-coreano deve mover-se mais, com passes curtos, para reduzir a distância que os separa das equipas de futebol da elite mundial”.

O seleccionador da Coreia do Sul diz que o estilo da Espanha vai impor-se "Depois que a Espanha ganhou o Mundial, a capacidade de passe, os ataques rápidos e as transições são cada vez mais importantes no mundo", afirmou.

Vou estar curioso para ver se o novo seleccionador coloca em prática as suas ideias e se vamos ver uma Coreia do Sul a jogar de forma diferente.

A segunda entrevista é do treinador do Inter de Milão, o espanhol Rafael Benitez, onde refere ambicionar que o seu clube siga, em Itália, o modelo do Barcelona, numa entrevista publicada no Jornal “La Gazzetta dello Sport”. “Quero uma equipa mais subida e com maior posse de bola” sentenciou Benitez na entrevista ao jornal desportivo italiano, onde também referiu o que espera da equipa, acrescentando que Esteban Cambiasso “jogará mais subido”, porque “é um treinador em Campo”.

Benitez também analisou a situação dos jovens jogadores do clube, que pretende "lançá-los" na primeira equipe. "Todos falam sobre a importância dos jovens, mas depois querem vencer, vencer e vencer, e ninguém tem a coragem de esperar", disse ele. "Em Espanha é mais fácil porque a qualidade dos miúdos é muito elevada, mas o Barcelona teve de esperar alguns anos e o Real Madrid ainda mais", disse Benitez, que comparou a situação com a Inglaterra, onde "têm mais paciência", disse ele.

“Se querem jogadores com coração temos de os ir buscar à cantera e esperar que cresçam” disse, mas acrescentou: "Raul, Rooney e Gerrard aparecem apenas uma vez a cada dez anos." Durante seu diálogo com o "La Gazzetta dello Sport", Benitez aproveitou a oportunidade para mostrar como concebe o futebol e qual é a sua filosofia quando se trata de formação.

"Quero ganhar, não me importa contra quem é, isso sim, respeitando o adversário, essa é a minha visão do futebol” explicou.

Aproveito também para deixar uma frase curiosa porque me revi no que Benitez disse, "Eu sou treinador desde os 13 anos de idade quando jogava com a minha equipa e levava um caderno onde apontava os resultados e estatísticas", disse o técnico do Inter.

São duas visões, de dois treinadores distintos, mas com pontos em comum. Confesso que fico entusiasmado ao perceber que aos poucos, o futebol praticado pelo Barcelona e, consequentemente pela selecção espanhola, começa ganhar cada vez mais adeptos. Como diz José Mourinho “um treinador defensivo ganha uma vez, não ganha duas, três, quatro, cinco, 10, 15, 16, 17. Não há hipótese!”

quarta-feira, 21 de julho de 2010

ENTREVISTAS: Pep Guardiola, simplicidade e honestidade...

É difícil e até mesmo ingénuo pensar que um treinador de top como Pep Guardiola pode ser completamente honesto numa entrevista, mas estive a ler uma entrevista extensa onde o treinador do Barça respondeu a mais de 50 perguntas, parecia honesto e sobretudo comprometido com seu trabalho.

Admitiu que a renovação por apenas uma temporada foi uma escolha pessoal pois a direcção presidida por Sandro Rosell, propôs-lhe mais anos de contrato.

Guardiola assumiu a venda de uma das suas apostas pessoais, Chygrynskiy, fazendo assim face às necessidades financeiras do clube, embora ele não tenha negado que teria gostado de continuar com o defesa no plantel. Aceitou as dificuldades na contratação de Cesc Fabregas não deixando de confirmar que gostaria de contar com o espanhol na próxima temporada, deixou a decisão da continuidade de Marquez e Ibrahimovic nas mãos dos próprios jogadores e, claro, dos respectivos representantes.

Definiu-se, perante todos os jornalistas, como um mero funcionário do clube, “Todo el mundo cree que tengo las llaves de la barraca pero sólo soy un empleado, con mucha gente por encima, cuyo trabajo sólo es que los jugadores respondan, se motiven y compitan un año más”. Ironicamente mostrou-se preocupado pela imagem que transmite de má relação com os Presidentes, primeiro Laporta e agora Rosell. É melhor exibir independência que demonstrar dúvidas pendentes. Defendeu claramente Johan Cruyff: “Algo se hecho mal. Johan no lo merece, su papel en la historia centenaria del club es indispensable y yo le seguiré llamando cuando necesite consejo”.

Foi generoso com o futebol espanhol, no momento de avaliar o sucesso da Espanha no Campeonato, lembrando por exemplo os trinta anos de Vicente Del Bosque no Real Madrid, a influência de Casillas, Reina ou Marchena no balneário da selecção, e mostrou uma mistura de admiração e inveja saudável quando exclamou que “Nunca me hubiera imaginado que Busquets y Pedro pasarían de tercera división a ganar el Mundial, ese pedazo de trofeo que yo no tengo” tudo isto num contexto de orgulho pela “cantera” do Barça, mas dando todo o crédito aos jogadores.

Apenas Guardiola sabe quais são os seus verdadeiros objectivos, mas nesta entrevista demonstrou lealdade e compromisso com Rosell e a nova direcção, e é improvável que venha a usar qualquer problema no planeamento do desportivo da equipa como uma desculpa, se por qualquer motivo algo não correr bem. Poderemos comprovar, ao longo da época, se foi verdadeiro ou é apenas optou por uma postura de segurança

segunda-feira, 19 de julho de 2010

PENSAR FUTEBOL: Análise ao futebol actual

Um dos temas mais discutidos durante este mundial de futebol foi o facto de algumas selecções renunciarem ao seu “estilo habitual”, isto é, à sua identidade. Eu acho que a análise deve ser um pouco mais profunda…

Decorria o ano de 1991 e na equipa do Estrela Vermelha encontrávamos jogadores como Prosinecki, Savicevic, Pancev, Mihajlovic o Jugovic. Nesse ano conseguiriam “chocar” meia Europa sangrando-se campeões europeus no estádio olímpico de Marselha vencendo nas grandes penalidades o Bayern Munique. Mas o que retive do texto que li sobre este dia foi o que disse o treinador, Ljupko Petrovic, na palestra à sua equipa: “divirtam-se”

De lá para cá o futebol alterou-se. A teoría ganhou protagonismo e a táctica domina sobre a bola e o talento individual dos jogadores. O futebol é um desporto de equipa e tem que agir como tal, uma vez que é o grupo que ganha jogos e os jogadores têm de fornecer os seus argumentos em busca da vitória colectiva, mas muitas vezes ficamos com a impressão, na hora em que assistimos a um jogo, de que o sacrifício do talento individual dos jogadores é por vezes excessivo.

Nos últimos anos a figura do treinador encontrou a sua dimensão máxima, lógicamente sempre foi importante mas mantinha-se na “sombra” dos seus jogadores, esses sim os verdeiros protagonistas. Veja-se o caso actual mas mediático, José Mourinho. Agora uma equipa parece-se mais com a ideia do seu treinador que com as características individuais dos seus atletas. Mais uma vez recorro ao treinador português, veja-se a maneira como jogou Samuel Eto´o este ano, tácticamente muito disciplinado, mas provávelmente menos “espetacular” no verdadeiro sentido da palavra.

Eu admiro uma equipa onde todos remam na mesma direcção e em que toda a gente conhece o seu papel, onde são pouco visíveis as ausências de determinados atletas quando os seus substitutos são chamados a intervir. É importante saber o papel a ser desempenhado, em que a solidariedade e a entreajuda são os principais factores. Mas, por outro lado, eu também admiro o talento puro de um jogador, é por isso que os adeptos pagam bilhetes, à procura de lances de génio. Isto é, hoje parece-me que um jogador tem de se adaptar a uma ideia, mas poucas são as vezes onde apresenta a sua.

Uma das grandes virtudes de um treinador, é saber obter a melhor performance dos atletas que tem à sua disposição. Obviamente, nem sempre tem a possibilidade de ter jogadores na sua equipa com elevada qualidade técnica ou os chamados génios da bola, e no futebol têm de coexistir estilos diferentes de forma a enfrentarem-se durante o jogo na procura da vitória. Mas a tendência nos últimos anos é procurar essa vitória através de um bloco fechado e compacto, com as linhas bem próximas, onde o importante é vencer antes de jogar bem, onde o talento e a bola são coadjuvantes em favor do resultado.

Não obstante os limites são necessários e o futebolista deve adaptar-se à sua equipa. Recordemos o caso de Rivaldo, que se tornou o melhor jogador do mundo pela mão de Van Gaal, jogando pelo corredor esquerdo, onde o brasileiro sempre alegou não se sentir em casa. Com saída do técnico holandês surgiu Serra Ferrer e com ele os caprichos concedidos a Rivaldo para jogar no centro, com total liberdade de movimento. Aí ele começou seu declínio. Os jogadores precisam entender que têm de jogar para a equipa e não para si mesmos, pois quando isso acontece ambos saiem prejudicados, a equipa e o jogador.

O treinador tem de saber também, por seu lado, que os jogadores devem ter o seu espaço, a liberdade de criar e improvisar como um actor num dia inspirado. A vitória é o fim ao cabo o mais importante, mas futebol deslumbra com os tais lances espectaculares. O jogador tem ir para dentro do campo para desfrutar do jogo, o futebol é o seu trabalho, mas também a sua paixão (não é por isso que todos vivemos o futebol). Se uma equipa consegue vencer ganha o clube, se os jogadores se divertem, ganhamos todos.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

HISTÓRIAS DO FUTEBOL: Valentí Guardiola

Um dos blogues por onde passo constantemente dá pelo nome de "Paradigma Guardiola". Este blogue ao contrário do que se possa pensar não é da autoria de um "Nuestro Hermano", trata-se de um argentino que procura analisar o modelo de pensamento de Pep Guardiola. Por exemplo sobre a renovação de contracto por mais uma temporada, nem uma linha. Definitivamente, Paradigma Guardiola não é um espaço de notícias. Como disse muito bem Nuno Farinha no Record "É, antes, de análise estrutural de treino, reflexões, metodologia, detalhes táticos, programas de jogo, filosofia futebolística".

O último post colocado é uma extraordinária história sobre Valentí Guardiola, o pai de Pep Guardiola.

"Cuenta la leyenda que Valentí Guardiola leía un periódico mientras esperaba el nacimiento de su hijo Josep. En el decimoctavo día de 1971, ese diario contemplaba que el Barcelona había derrotado al Celta por 1 a 0, continuaba siendo líder solitario pero las 40.000 personas en el Camp Nou se mostraron insatisfechas por el juego del equipo. A su vez, el fútbol internacional marcaba una derrota del Ajax por 1 a 0 frente al M.V.V. Maastricht. Con esto, Rinus Michels comenzaba a tener más clara su partida del conjunto holandés. Meses más tarde se marcharía a dirigir al Barcelona dejando en Amsterdam una obra ya iniciada: la génesis del Ajax que revolucionó al fútbol mundial".

Para acabar deixo uma frase de outra referância: “No hay ninguna medalla mejor que ser aclamado por tu estilo”. (Johan Cruyff)

A Espanha e o Barcelona podiam não ter alcançado o sucesso como o fizeram mas a sua forma de jogar seria sempre recordada...

sábado, 10 de julho de 2010

DIÁRIO DE OBSERVADOR: A final que muitos desejavam ver...

Como será que Johan Cruyff irá ver o jogo amanhã? Ele que não jogando está muito ligado às filosofias de jogo das duas selecções. Há cada vez mais treinadores a pensar que afinal é possivel ganhar jogando bem proporcionando bons espetáculos, até a Alemanha tem um estilo de jogo diferente daquele que a caracterizava e aparece sempre nos slides sobre a História do futebol. Fico contente por isso!


P.S. - Será que esta imagem tem alguma relação com o jogo de amanhã?

terça-feira, 15 de junho de 2010

DIÁRIO DE TREINADOR: Últimos / Primeiros dias

Confesso que esta fase da época e para mim difícil de designar. São os últimos dias? Talvez, acabaram os jogos oficiais resta algumas participações em torneios… Por outro lado já estamos na primeira fase de captação de atletas para a próxima época, será que assim devemos designar que estamos nos primeiros dias?! Não sei!

O que sei e que gosto desta fase. Escolher atletas que melhor se enquadram na forma que quero que a minha equipa jogue, pensar na evolução do modelo de jogo, verificar quais vão ser os maiores desafios tanto colectivos (equipa) como individuais (jogadores), acreditem que mesmo com o cansaço mental e físico de uma época deixa-me super motivado.

Para além de treinador de uma equipa de sub-11, tenho outros projectos que quero continuar a desenvolver, espero ter disponibilidade e liberdade para o fazer, há ainda outros que irei iniciar e que como tudo o que me proponho a fazer darei o meu melhor. Ainda assim confesso que me falta algo, precisava de um desafio novo, algo de diferente do que tenho e que exija ainda mais de mim e dessa forma que encaro aquilo que faço…

Este ano estive afastado deste blogue, também isso gostava de mudar, mas tem sido complicado arranjar forma de vir aqui escrever…

Vamos ver como corre este fim/inicio de mais um ano…

quarta-feira, 26 de maio de 2010

DIÁRIO DE TREINADOR: Relação treinador-atleta

Tenho várias conversas com colegas sobre a relação treinador-atleta. Pessoalmente gosto de criar uma relação de proximidade mas mantendo sempre o nível de exigência ao máximo. Do meus tempos de jovem estudante a maioria dos professores que me recordo são esses mesmos, os que mais exigiam mas ao mesmo tempo criavam uma excelente relação com todos os alunos.

Todos os meus jogadores para mim são meus amigos, aos meus amigos eu exijo que se empenhem, que melhorem, não por mim, eu sou apenas mais um treinador da vida deles, é por eles que sou assim, e é por eles que têm de trabalhar, eu posso perder jogos se eles não trabalharem, quanto a isso não há problema, mas eles podem perder uma oportunidade de melhorarem, de potenciarem todas as suas qualidades...

Mais uma vez está a chegar o momento de me despedir de mais um grupo de amigos e tal como nos anos anteriores cenas destas vão acontecer...


P. S. - Para além de ter com certeza muita qualidade no treino, aqui também está muito do sucesso de José Mourinho

domingo, 9 de agosto de 2009

PENSAR FUTEBOL: Os "especialistas"

Agora que entrámos na última semana de pré-época (não concordo muito com este termo), vou pensar um pouco sobre algumas coisas que fui lendo e ouvindo.

Infelizmente continuamos a ouvir falar em conceitos ultrapassados, continuam a dar destaque a "peladinhas" (indiferenciadas) a às "cargas físicas" e suas consequências. Tal abordagem é, na minha opinião errada, primeiro porque são cada vez mais (felizmente) as equipas que agrupam as componentes a desenvolver (física, técnica, tática ou psicológica) e onde o treinador começa a preocupar-se desde o primeiro dia com os comportamentos (os princípios) que darão identidade à sua equipa (modelo de jogo); segundo também já se começa a perceber que não é uma pré-época com "cargas físicas" que garante toda uma época a um nível máximo de rendimento dos atletas.

Uma coisa que achei engraçada foi uma analise de um comentador, que pensa que é um especialista em tudo e mais alguma coisa, a falar em "nova atitude", a necessidade de "pôr os jogadores a correr" ou de "construir a equipa de trás para a frente". Será que ele julga que é com as conversas no balneário, os gritos durante os jogos, que se ganham jogos? Pois eu aposto que não. Só há uma maneira de jogar melhor e ganhar jogos, treinar, mas sobretudo treinar bem, o que não é igual a treinar muito…

Atenção, não estou a dizer que as conversas são escusadas, têm a sua importância claro, mas que não são o factor principal isso garanto…

Também é engraçado que antes se criticava tudo o que eram novos termos utilizados por treinadores, agora passam as suas análises a falar em transições, pressing, etc. …

Aproveitando um dos chavões desta altura, há aí alguns comentadores já em excelente forma para esta altura do ano…

sexta-feira, 10 de julho de 2009

DIÁRIO DE OBSERVADOR: Boa formação ou uma boa prospecção?

Estou de volta às minhas leituras, voltei a ter mais disponibilidade, com o fim dos torneios, mas não me consigo desligar do futebol.

Numa das minhas pesquisas encontrei uma entrevista de Hugo Vicente, director da "Coerver Coaching" Portugal, onde ele disse algo que retive, “ fala-se muito de formação em Portugal, mas questiono se há realmente formação ou se ela resulta de uma boa prospecção, porque é mais comum os clubes recolherem talentos noutros locais".

Esta frase tem muito de verdade. Embora eu ache que uma “boa prospecção” é fundamental para qualquer clube, a ênfase deve ser dada ao desenvolvimento dos nossos atletas. Infelizmente penso que esta doutrina não é seguida por muitos clubes, onde o principal objectivo é, no final de cada época, conseguir recrutar o maior número de atletas a outros clubes que durante o ano se preocuparam em desenvolver esses jogadores.

Há clubes que no final de cada época dispensam mais de metade dos seus jogadores, recrutando outros para o seu lugar. Na minha opinião fazem bem, se esses atletas têm mais qualidade, claro que devemos ficar com eles. Agora, algo tem de estar muito mal quando isso acontece. Ou trabalho nesse clube não está a ser feito da melhor forma, ou então há outros clubes que estão a trabalhar melhor. Assim, temos de rever a nossa metodologia e perceber se as pessoas que temos a trabalhar connosco são as melhores.

Nestes casos, é ridículo dizer que, o nosso clube tem uma boa formação, tentando passar uma imagem diferente. Mas o que mais me preocupa é que esta ilusão muitas vezes resulta.

Como estamos numa altura onde muitos jovens são abordados por clubes, outros que são dispensados e ainda que procuram outras possibilidades o meu conselho é, procurem informar-se sobre o que realmente se passa, com toda a certeza terão pessoas que vos podem indicar e ajudar a optar da melhor maneira…

terça-feira, 30 de junho de 2009

DIÁRIO DE TREINADOR: O último jogo...

Este tempo de ausência foi devido à participação das nossas equipas de escolas em alguns torneios.

Este período foi extremamente positivo, houve momentos de alegria, felicidade, mas sobretudo de grande emoção. Tenho tido a sorte de conseguir ter bons grupos de trabalho e este não foi excepção. Dessa forma, é muito complicado quando nos apercebemos que nos temos de “separar” destes amigos, é isso que são os meus atletas, amigos.

O último torneio que fomos foi muito bom, mas para contar ninguém melhor que os miúdos.

“Partimos de autocarro às 10:30 de dia 26 de Junho. Foi uma viagem muito divertida porque vimos filmes, jogámos psp e ouvimos música. Parámos por volta das 13:00 para almoçar numa estação de serviço, ficámos sentados numas mesas de campismo e depois alguns foram comprar gelados. De seguida recomeçámos a viagem.

Chegámos ao hotel, perto das 15:30. Era um hotel muito bom. Fomos todos para um dos quartos para fazer a divisão por grupos pelos quartos e para definirmos as regras que tínhamos de cumprir. Cada grupo foi para os seus quartos, 101, 201,301,401,501, 504.

Às 17horas partimos para o estádio onde decorria o torneio, era um campo muito bom. Levantámos as senhas do jantar e fomos para o local onde serviam as refeições, a comida estava muito boa.

A primeira equipa a jogar foram os “Escolas B”, às 21:15, contra uma equipa espanhola chamada Deportivo Ciudad, jogaram muito bem e venceram por 8-0. Os “Escolas A” jogaram às 21:45 contra o SL Benfica e infelizmente perderam por 6-1 mas jogaram bem. Nos dois jogos apoiámos muito as equipas junto da nossa grande claque.

À meia-noite fomos para o hotel, estávamos cansados e, depois de os treinadores terem passado por todos os quartos, fomos dormir.

No dia seguinte acordámos cedo e fomos tomar o pequeno-almoço. A seguir quarto 501 como tinha um plasma organizou um torneio de playstation.

Ao meio dia, fomos de novo para o estádio levantar novamente as senhas para irmos almoçar. Depois fomos ao museu do papel e aprendemos como se faz o papel, também fomos ao zoo de aves onde estivemos com uma arara que “abanava o capacete” connosco. A seguir regressámos para o jantar.

Os “Escolas B” jogaram às 20:45 contra a equipa da casa, foi um jogo difícil mas mais uma vez jogaram muito bem e ganharam por 1-0 e assim iam à final. Os “escolas A” jogaram contra o União de Leiria e ganharam por 2-0, foi um grande jogo.

Tal como ontem chegámos tarde ao hotel, desta vez ficámos algum tempo acordados, os misters passaram por todos os quartos e ficaram um bocado em cada um a conversar e a rir.

No último dia tivemos de acordar mais cedo, desta vez jogávamos de manha, os “Escolas A” jogaram às 09:45 contra o Maravillas de Espanha e ganharam por 3-1. Os “Escolas B” jogaram a final contra o Calasanz de Espanha e apesar de jogarem muito melhor não conseguiram marcar e foram a penalties, ai eles tiveram mais sorte e ganharam por 6-5.

Hoje foi o último jogo que fizemos juntos e o mister comoveu-se quando falou connosco.

Gostámos muito deste torneio, foi muito divertido.”

Pois é, foi o meu último jogo com este grupo fantástico, são uns miúdos incríveis e que terão aqui um amigo para sempre. Dei tudo o que podia e sabia para ajudar a evolução destes jovens, tanto como atletas quer como pessoas. Grande época! A todos eles o meu OBRIGADO!

sábado, 6 de junho de 2009

DIÁRIO DE TREINADOR: Detecção e selecção de talentos

Eu, como a maioria dos treinadores neste momento, estou a realizar captações para a minha equipa. Dessa forma vou falar um pouco sobre este processo de selecção de jogadores.

Este procedimento pode ser dividido em duas vertentes: a observação de jogadores de outros clubes durante os campeonatos (prospecção) ou através de jogadores que venham prestar provas ao clube (treinos de captação).

A detecção de talentos tem algumas particularidades. Há quem pense que, para um bom treinador, é uma questão intuitiva, outros pensam que qualquer pessoa que acompanhe minimamente a modalidade consegue detectar, em jovens de 10,11,12 anos, aqueles que à partida terão capacidade para, mais tarde, virem a manifestar-se como óptimos atletas. Não é bem assim…

Para a maioria das pessoas quando observam um jogo ou um treino, o jogador que desperta mais atenção é aquele que consegue provocar mais desequilíbrios na equipa adversária, o que marca mais golos, tem mais pormenores técnicos, o defesa que consegue cortar todas as bolas, etc. Depois há aqueles que conseguem ter um olhar diferente e muitas vezes pensam para si, “aquele miúdo tem qualquer coisa…”.

Panteleo Corvino, responsável pela formação da Fiorentina, refere, “Quase toda a gente consegue identificar um jogador decente, mas compreender o potencial de um jovem é trabalho para um especialista”.

Não sei se será necessário um especialista, mas penso que é preciso olhar com atenção para os miúdos, há muitos que não são seleccionados porque deram pouco nas vistas no treino, mas se repararmos bem tudo o que fez foi bem feito e com qualidade. Há ainda jogadores que têm um enorme potencial e que infelizmente ainda não tiveram que os ajudasse a desenvolver…

Há atletas que não conseguimos “analisar” apenas numa observação, há diversos factores que podem influenciar as capacidades e o desempenho de um jovem. Eu por exemplo já tive um pai que esteve parte do treino a pressionar o filho e com toda a certeza que alguma influência teve no seu desempenho. Segundo Brown o envolvimento dos pais e as suas expectativas estão associadas ao sucesso e prazer da criança, assim como a pressão e o stress.

Segundo Mateo & Valdano, “O talento precisa de um lugar – todo o Homem tem virtudes e defeitos; Nietzsche teria sido um mau matemático e Roberto Carlos um vulgar médio centro”. Assim, tentem colocar os miúdos em diversas posições durante o treino, pode ser que tenham alguma agradável surpresa.

Ainda segundo os mesmos autores, “O talento precisa de confiança…”. Por isso incentivem todos os miúdos durante estes treinos. “O talento precisa de liberdade…” Não os limitem durante o jogo, não coloquem condicionantes, pois a liberdade é essencial para qualquer processo criativo. “O talento precisa de outros talentos…” Muitas vezes colocamos os jogadores da nossa equipa todos juntos e do outro lado só jogadores que estão a prestar provas, corremos o risco que um atleta passe despercebido no meio daquela equipa teoricamente mais fraca.

Observem com atenção todos os jogadores que vos chegam a pedir uma oportunidade, muitas vezes o talento está lá mas um pouco escondido…

Não se esqueçam também de ter atenção nesta altura à forma como falamos com os miúdos que não são seleccionados, muitas vezes sem darmos conta estamos a influenciá-los para a vida futura. Sei que não há uma maneira boa de dizer a um miúdo cheio de expectativas que não o iremos colocar na nossa equipa, mas há formas menos más…

Boa sorte para estes treinos de captação, espero ter ajudado de alguma forma…

quinta-feira, 28 de maio de 2009

PENSAR FUTEBOL: A posição 6

Numa semana onde todos os amantes do futebol discutiam quem iria vencer a liga dos campeões, outra “guerra” surgia, quem é o melhor jogador do Mundo? Cristiano Ronaldo ou Messi?

Também eu entro muitas vezes nesta discussão mas depois coloco-me no papel de Pep Guardiola e penso, “se eu fosse treinador daquela equipa qual seria a minha opinião?”. Ai se calhar responderia como o técnico espanhol, “Não usa brincos, não tem tatuagens, tem o cabelo curto, não embirra por jogar apenas vinte minutos e, no entanto, é o melhor de todos.” Esta frase é sobre iniesta mas eu tenho mais dificuldade em apontar um jogador como o melhor de todos, existem mais dois jogadores que para mim são fundamentais na forma de jogar do Barcelona, Xavi e o pouco referenciado Yaya Touré, sobre quem vou falar neste texto.

Em primeiro lugar é interessante que Guardiola, parece evidenciar no banco a mesma lucidez que mostrava em campo quando fazia parte do Dream Team de Johan Cruyff, mostra-nos que o desempenho bem sucedido da função de “pivô” é determinante para a dinâmica colectiva da equipa. Admito que me surpreendeu.

Sou um admirador dos jogadores que ocupam a chamada posição 6, que para mim é essencial para se jogar bom futebol, por isso não gosto que se esqueçam do Costa Marfinense no processo de jogo do Barcelona. Mas atenção que para mim é diferente, um jogador que seja “pivô” de um que seja um “pivô defensivo” que se limita a equilibrar a equipa e praticamente não entra na organização ofensiva da equipa.

Sei que Yaya Touré foi central nos últimos dois jogos, mas pensem nos jogos e vejam se a qualidade de posse de bola do Barça, bem como as transições, foram iguais…

Quando o nosso modelo de jogo assenta num jogar mais apoiado, com um bom jogo posicional (no Barcelona é extraordinário), onde o que corre é sobretudo a bola, temos de ter um atleta que ateste uma frase que costumo referir, “o bom jogador não é aquele que torna o movimento mais impressionante numa coisa simples, mas aquele que torna uma coisa simples num movimento impressionante”. Touré nisto é fantástico.

Claro que há mais jogadores com a mesma qualidade, embora infelizmente hoje em dia se veja muitas equipas sem um jogador com estas características. Este exemplo deve-se ao facto de já se falar que esta equipa do Barcelona pratica o melhor futebol de sempre, nada como dar este exemplo.

Vejam novamente este vídeo, http://videos.sapo.pt/eP2hZ6jQcsCmyu6H0or4 e agora com atenção à movimentação do Touré.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

DIÁRIO DE TREINADOR: Acabaram os jogos oficiais

Acabou a época. Pelo menos em termos de jogos oficiais, já que ainda iremos realizar alguns torneios ainda no mês de Junho.

Fazendo um balanço da época só pode ser positivo. Fui convidado para este projecto no final da época passada, numa altura em que estava com algumas diferenças ideológicas com o clube onde estava. Ainda hoje penso que esse clube tomou opções erradas, mas agora como naquela altura não irei falar sobre isso, mesmo tendo o clube tentado alterar a verdade dos factos…

Iniciei o novo projecto com a máxima dedicação e entrega, não o sei fazer de outra forma, claro que também com algumas expectativas.

Em primeiro lugar destacar o grupo de treinadores que encontrei neste clube, um grupo excelente que, me permitiu falar constantemente sobre futebol, seja de treinos, análise de jogos, seja de outras temáticas semelhantes.

Em relação ao meu grupo de trabalho, acabámos com um grupo muito grande composto por 33 miúdos, 17 sub-11, 13 sub-10 e 3 sub-9. É um grupo com muita qualidade, onde podemos encontrar miúdos com um potencial enorme e a avaliar por este ano com uma capacidade de aprendizagem e evolução enorme.

Jogámos bem ao longo da época, conseguimos mostrar em todos os jogos que os nossos miúdos são inteligentes e que têm muita qualidade, dessa forma é natural os resultados sejam positivos.
Cabe agora fazer o relatório final de todos os jogadores e da equipa, os sub-11 irão passar para o escalão de infantis e, se tudo se mantiver como previsto, terão outro treinador que irá escolher os que melhores se enquadram com as exigências da próxima época.

Em relação aos sub-10 e sub-9 irão permanecer connosco para desenvolvermos o trabalho que temos vindo fazer até agora ajudando-os na sua evolução. Vão entrar mais atletas neste grupo maioritariamente para os sub-9 onde só temos 3 atletas e mesmo nos sub-10 é natural haver alguns ajustamentos no plantel agora que iniciámos o processo de captação de novos atletas.

Irei continuar a falar nesta categoria, como disse no inicio ainda há torneios para realizar e a próxima época para definir.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

DIÁRIO DE TREINADOR: Um seminário de muita qualidade...

Esta semana voltei a participar numa formação, desta vez em vila real (Trás-os-Montes). Soube deste seminário através de um amigo e quando vi os formadores esqueci o elevado número de quilómetros que teria de fazer e combinámos pôr-nos a caminho.

Na primeira parte da manhã tivemos dois prelectores que apresentaram os seus projectos, sempre com uma visão de empreendedorismo e Inovação no Futebol. Foi interessante, tivemos um projecto mais ligado a uma escola de futebol, apesar da ligação a um grande clube mundial, enquanto o segundo projecto relacionava-se com um clube e o seu projecto de 5 anos (neste momento está no terceiro). Foram duas apresentações de onde retirei algumas ideias, quem sabe um dia eu não tenho oportunidade de por em prática um dos projectos que tenho na “gaveta”.

Na segunda parte da manhã tivemos duas apresentações distintas, uma sobre novas oportunidades profissionais no futebol, foi uma pena este tema não ter sido mais explorado, a outra apresentação foi sobre a aplicação prática no domínio da Análise do Jogo. Assim terminou a parte da manhã.

À tarde começámos com o Tema “Programas de Formação de Jogadores”. Este tema teve 3 prelectores. Em primeiro lugar falou um Coordenador Técnico de um Clube da zona de Aveiro, sobre a estrutura e filosofia do futebol de formação inerente ao seu clube, de seguida tivemos um docente de uma faculdade que falou sobre a formação de jovens jogadores de futebol e, por último, tivemos uma apresentação sobre os vários programas do Manchester United Soccer Schools.

A última parte do dia foi a principal razão por ter ido a esta formação, tivemos sessões de campo sobre a formação de Jogadores de futebol de base (6 aos 12 Anos).

Começámos com um treinador da Football by Carlos Queiroz/Manchester United Soccer Schools, como conheço alguns treinadores desta escola já tinha uma pequena ideia sobre a metodologia utilizada mas foi interessante presenciar à sessão de treino. São visíveis algumas influências da metodologia de Coerver, com um pouco de ball mastery no inicio do treino.

Depois houve um breve regresso à sala para a apresentação de Luís Castro, Director Técnico da Formação FC Porto que falou do projecto Visão 611 mas especificamente sobre o departamento Técnico da Formação, uma breve introdução ao que se iría seguir.

Para acabar, a sessão de treino que eu tanto aguardava, Pepijn Lijnders, treinador da Formação FC Porto e responsável pelo departamento de desenvolvimento de capacidades individuais, realizou uma demonstração Prática com Jogadores Sub-12 e Sub-13 do FC Porto. Numa palavra, EXCELENTE. É incrível a forma como este técnico trabalha, a alegria que os jovens e sobretudo ele mostram no treino, a intensidade que este treino tem, a qualidade dos feedbacks, sempre de forma muito positiva, enfim, fiquei rendido à sua qualidade. Foram cerca de 60 minutos de muita qualidade, dos melhores que presenciei.
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Venho um treinador muito diferente, mais evoluído penso eu, mais uma vez retirei muitas coisas para melhorar a minha forma de trabalhar, a minha metodologia. Foi muito positivo este seminário, dos que mais gostei confesso, tudo devido a um jovem técnico holandês que me confirmou o que eu já sabia, tenho muito ainda a evoluir, mas também estou muito melhor do que quando comecei…

terça-feira, 19 de maio de 2009

DIÁRIO DE TREINADOR: Penúltima jornada

Mais uma jornada, a última fora de casa para os nossos escolas A, enquanto os escolas B jogaram pela última vez no nosso campo. Esta semana voltávamos a ter um duplo confronto com o mesmo clube. Felizmente o horário permitiu estar presente nos dois jogos.

Esta semana foram convocados para a equipa A mais 3 jogadores nascidos em 1999, os únicos que ainda não tinham jogado por esta equipa e que tal como todos os outros mereciam.

Hoje nem vou falar muito dos jogos, o campeonato está no final, os escolas A já alcançaram o 1º lugar nesta terceira fase, até agora só com vitórias, esta semana conseguiram mais uma, enquanto os escolas B, que também voltaram a ganhar, têm um jogo decisivo na próxima onde precisam de pelo menos empatar para conseguirem o mesmo 1º Lugar.

Já temos alguns torneios confirmados para o próximo mês onde queremos que pelo menos todos os miúdos entrem em 2 deles. São experiências importantes para estes miúdos.

Com os campeonatos a chegar ao fim começam a surgir vários jovens a querer integrar as nossas equipas, acredito que é uma prova que o clube está a realizar um bom trabalho com a formação. Também nós temos alguns jogadores referenciados e que têm o perfil de jogador indicado.

O fim da época aproxima-se a passos largos, é altura de fazer um balanço e avaliar o trabalho feito com estes miúdos…

PENSAR FUTEBOL: Futebol... Um mundo de emoções...

Acabei de chegar de um seminário, sobre o qual irei falar amanhã, mas não podia deixar de passar por aqui e deixar-vos um pequeno vídeo que mostra como o futebol gera um mundo de emoções em TODOS nós...