Frases que dizem muito...

"A forma não é física. A forma é muito mais do que isso. O físico é o menos importante na abrangência da forma desportiva. Sem organização e talento na exploração de um modelo de jogo, as deficiências são explícitas, mas pouco têm a ver com a forma física." (José Mourinho)

quarta-feira, 6 de abril de 2011

HISTÓRIAS DO FUTEBOL: O incrível exemplo do Panyee FC

Esta não é uma história recente, segundo as informações tem cerca de 25 anos, mas vale sempre a pena recordar estes casos de paixão pelo futebol.

O Panyee FC, uma equipa de uma pequena ilha no sul da Tailândia (Koh Panyee), teve inicio em 1986 e, desde logo se prognosticava uma vida curta, ninguém julgava possível fazer uma equipa nesta localidade sem espaço, as dimensões reduzidas da ilha não davam lugar a hipóteses, sequer. Apenas um povo obstinado como este conseguiu quebrar todas as barreiras naturais.

Quando estamos numa ilha e olhamos à volta à procura de espaço o que encontramos? Isso mesmo, água. Então s habitantes deitaram mãos à obra e construíram um campo de futebol, em cima do mar. Com madeira e outros objectos montaram uma plataforma que satisfez o que todos queriam: jogar futebol. Assim, nasceu aí a equipa.

A história é, agora, um filme, aproveitada por um banco para uma campanha publicitária. O realizador é o australiano Matt Devine. Também ele desconhecia o Panyee FC, mas deixou-se conquistar.

«A parte mais fascinante da história é a paixão que eles tinham pelo futebol. É uma obsessão. Mesmo não tendo onde jogar, eles amavam aquilo. Os membros originais da equipa, que têm cerca de 40 anos agora, ainda vivem na ilha. Muitos deles são treinadores da equipa actual. Foi com eles que trabalhámos. Foram eles que nos contaram a história. São pessoas muito inspiradoras. Estavam entusiasmados pela sua história tornar-se num filme e só queriam que fosse contada sem qualquer erro», explicou.

O filme, uma curta-metragem de cerca de cinco minutos, retrata a génese do Panyee FC, praticamente pela voz dos protagonistas. «Nenhuma das pessoas no filme é actor. Todos eram habitantes da vila, o que complicou as filmagens no início. O grande obstáculo foi a língua. Eles não falam inglês e foi uma barreira que só foi ultrapassada com o tempo», conta.

A história está longe de terminar aí. O palco improvisado permitiu apurar as qualidades natas de quem devorava futebol. A equipa viria a oficializar-se para participar num torneio jovem, fora da ilha. Caiu nas meias-finais. Caiu de pé. Aliás, o Panyee FC vai para sempre cair de pé. A participação no torneio chamou a atenção das autoridades locais que construíram um palco de luxo, também ele sobre o mar, mas sem madeira, pregos levantados e com rede em volta. Um luxo.

«No filme, como é óbvio, a história foi um pouco romantizada para que tivesse emoção e beleza. Mas tentámos que fosse o mais fiel possível. Disseram-nos que o campo que construímos era dez vezes melhor que o original. O que ainda torna tudo mais fascinante, quanto a mim», afirmou Matt Devine.

Algumas histórias paralelas ficaram de fora deste pequeno filme. Por exemplo, Matt conta que «A ilha não tem carros, porque não há estradas com condições para eles circularem. Quando queriam jogar futebol, alguns deles, que moravam na parte mais interior, vinham a correr até ao cais onde ficava o campo, jogavam um jogo e depois corriam de volta para casa. Ora, as casas ficavam a cerca de 15 quilómetros do cais...»

Hoje em dia vemos os nossos miúdos sem paixão pelas coisas, é normal, cada vez têm de fazer menos para as conquistar. Aqui está um belo exemplo que deveriam seguir…


sexta-feira, 25 de março de 2011

DIÁRIO DE OBSERVADOR: Um jogo que me incomodou...

Para mim, as jogadas colectivas de uma equipa são verdadeiras obras de arte. Nunca gostei de futebol directo, provavelmente porque, enquanto jogador, me pediam para jogar dessa forma e sempre questionei essa opção. Observava os meus colegas do sector intermédio, que tinham uma qualidade técnica elevada, a passar muitas vezes ao lado do jogo, quando os deviamos aproveitar.

No fim-de-semana passado fui observar um jogo importante de futebol 7 (sub-12/sub13), jogava-se um apuramento para uma fase seguinte. Cheguei apenas no fim da primeira parte e, dessa forma, este texto está condicionado por isso.

Já não era o primeiro jogo observado nesse dia, era o quinto, mas houve algo neste jogo que me tem andado a fazer pensar a semana toda.

Uma das equipas durante o período que observei, não fez 5 passes seguidos entre os jogadores (não é exagero da minha parte). A estratégia era, sempre que tinham a bola jogar directo para o avançado. Agora há outra particularidade, o avançado trocava de 3 em 3 minutos mais ou menos e, tirando uma das substituições, apenas essa troca de avançados aconteceu passando por lá 3 jogadores distintos.

Resultado final, esta equipa ganhou o jogo! Como uma vez me disseram, se ganhou, o treinador tem sempre razão.

Posso vir a ser criticado, talvez seja um “romântico”, mas para mim tudo aquilo me fez confusão. Como queremos que os nossos jogadores aprendam (esta deve ser para mim a preocupação nesta idade) se o contacto que têm com a bola é limitado e o que fazem é colocá-la rapidamente na frente? Acredito que os miúdos e os pais no final do jogo festejaram mas e no futuro? Será que os miúdos vão estar mais fortes tecnicamente? Será que estão a ganhar mais competências para as próximas épocas? Tenho muitas reservas sobre isso.

Eu entendo o ponto de vista do treinador, embora pense de forma totalmente diferente, trabalha num clube onde, neste escalão, são quase sempre apurados para as fases finais, sabe que muitas vezes jogam contra equipas 1 ano mais novas (esta é sub-13 e a maioria neste campeonato é sub-12), o campo é grande e essa diferença de um ano a nível físico nota-se na força e velocidade dos seus atletas quando opta por jogar a bola no espaço. Ou seja, há uma certa pressão para conseguir ganhar, mas devemos por isso em primeiro plano e esquecer que estamos a trabalhar no futebol de FORMAÇÃO? A nossa preocupação deve e tem de ser com os miúdos e com a sua evolução…

Tenho de me deixar disto, tenho de me desligar e apenas ver os jogos…

sexta-feira, 11 de março de 2011

CULTURA DESPORTIVA: Lech Poznań

Descobri este video numa pesquisa pela internet. Incrivel o que se passa aqui, é um jogo de miúdos sub-12 e reparem no apoio destes adeptos. Em vez das claques nacionais se preocuparem com outros assuntos talvez pudessem começar também a apoiar os miúdos... Penso que não preciso referir que têm de perceber que o contexto é diferente do futebol sénior e as atitudes têm outro significado.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

CULTURA DESPORTIVA: Sevilla Fútbol Club

A semana passada fui a Sevilha numa viagem curta mas que me fascinou. Conhecer outras realidades, novas pessoas e com elas novas formas de ver o futebol e particularmente o futebol jovem. Tive oportunidade de visitar a Ciudad Deportiva José Ramón Cisneros Palacios e conhecer o director da "cantera" do clube, bem como o responsável pelo departamento de metodologia de treino.

Observei um pouco o treino da equipa de juvenis enquanto trocava algumas ideias sobre a forma como eles organizavam as suas equipas técnicas, como estavam a tentar modificar um pouco a sua metodologia de treino.

Procurei saber mais sobre a escola de futebol António Puerta (atleta do clube que faleceu) que funciona nas instalações do clube mas com total autonomia, recolhi informações sobre como faziam o recrutamento para as suas equipas, quais os clubes da Andaluzia e de Espanha que melhor estão a trabalhar na formação, ou seja, recolhi o maior número de informação possível.

Posteriormente voltei para o centro da cidade e para o estádio Ramón Sánchez Pizjuan onde conversei com algumas pessoas interessantes, uma delas o técnico da equipa de infantis do Sevilha que também é responsável por uma escola de futebol que funciona num colégio particular. Foi curiosa a conversa, devido ao torneio “Mundialito”, tem algumas recordações de equipas, jogadores e técnicos portugueses.

Por último assisti ao jogo Sevilla vs FC Porto. Gravei um filme que me fez criar esta nova categoria, “Cultura Desportiva”. É isto que o vídeo retrata!

DIÁRIO DE TREINADOR: Texto em jeito de desabafo...

Nunca escondi aqui que tenho como principal objectivo, não só ser treinador, mas coordenar o futebol de formação de um clube.

Irei aproveitar este “post” para contar uma experiência recente…

Na época de 2009/2010 fui convidado por um clube onde estava a trabalhar para coordenador da escola de futebol, em conjunto com outro colega que tinha sido escolhido pela direcção. O objectivo principal seria, aumentar bastante o número de alunos, ou seja, os directores tinham como preocupação clara o aspecto financeiro. Importa aqui dizer que o meu nome surgiu por indicação de outros colegas e não por escolha pessoal dos directores. Eu aceitei com a esperança de conseguir fazer tudo o resto que eles nem pensaram.

Comecei por criar um documento que fosse a base de todo o nosso trabalho. Que mostrasse o que queríamos no imediato, o que queríamos atingir daqui a 1 ano, a 3 anos. Quais os meios para o fazer etc. Procurei definir a metodologia a seguir, até ali era um pouco ao sabor de cada treinador. Surge o primeiro problema, não tinha a mesma visão do futebol de formação que o outro coordenador… Tentou chegar-se a um consenso.

A seguir organizei os horários, as turmas, o número de alunos limite em cada turma em função da faixa etária. Segundo problema, para os directores e o outro coordenador, teríamos de aceitar todos os alunos e nunca recusar nenhum, ou seja, levou a uma massificação e a qualidade logicamente nunca poderia ser igual.

Quis criar um planeamento de actividades para estarmos constantemente a proporcionar aos alunos jogos e torneios, as ordens foram para reduzir e teriam de ser sempre no nosso estádio (sobrelotado) … Fora era necessário ter treinadores para isso, e logicamente os gastos seriam maiores.

Outro aspecto onde tentei ter influência era na escolha dos treinadores, parecia-me lógico enquanto coordenador, se havia uma metodologia a seguir teria de se escolher gente com um determinador perfil. Impossível de fazer, a direcção utilizava a escola de futebol para aumentar a oferta de ordenado aos treinadores de competição, isto é, por exemplo o treinador dos juvenis iria receber x da competição e ainda y porque teria de ter 2 turmas na escola de futebol…

Claro que tudo isto começou a impedir que vários outros aspectos, considerados essenciais, fossem postos em prática, desde a elaboração de relatórios mensais por parte dos treinadores, seja o controlo das presenças dos alunos, do acompanhamento constante e individual das suas aprendizagens, nada era feito…

Foi conseguido o aumento do número de alunos (+/- 300), ou seja, objectivo cumprido, a verba que entrava no clube era muito superior. Pensei que com isso eu tivesse possibilidade de começar a inserir outros objectivos pouco a pouco. Errado, só deu mais problemas porque continuavam a querer mais e mais alunos, o dinheiro nem passava pela coordenação da escola de futebol para pagar às pessoas que mais mereciam, os treinadores. Começou a ser claro que, estando eu com outras ideias, os atritos surgiriam cada vez com mais frequência.

Bem como vêm uma série infindável de situações que ainda hoje se arrastam, a diferença é, que quem lutava para modificar tudo isso já não está (estou) no clube. Mostra que não é fácil conseguir implementar as nossas ideias…

Não quero com isto dizer que tenho todas as respostas, antes pelo contrário, cada vez mais procuro evoluir e ganhar novas ideias, tenho tido a oportunidade de conhecer novas organizações e estruturas, tudo isso me vai enriquecendo. Ainda há uma semana estive em Sevilha onde conheci um pouco de outra realidade (irei falar sobre esta experiência brevemente), tenho como objectivo lá voltar e também ir a outros locais fora de Portugal, experiências que já estão a ser planeadas, ou seja, continuo e continuarei em busca do meu sonho apesar do nosso futebol de formação estar cheio de gente com outros fins que não o melhor para os nossos jovens.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

ENTREVISTAS: Xavi Hernandez

O futebol é mais do que 22 jogadores e uma bola. Há muito que defendo, e falo neste espaço, que os clubes devem criar uma filosofia, não podem andar ao sabor das vontades de um ou outro treinador, nem dos dirigentes que continuo a achar que são os menos preparados no nosso desporto para os cargos que ocupam. Se todos os treinadores ou árbitros têm de fazer variados cursos porque é que qualquer um pode ser dirigente e muitas vezes aproveitar-se do futebol? Enfim, outros assuntos.

Voltando ao tema, cada vez mais sou da opinião que é fundamental criar a tal filosofia de clube. Para reforçar esta ideia vou aproveitar a entrevista de um dos melhores jogadores do mundo, Xavi Hernandez.

O Barcelona é a equipa de referência para o Mundo neste momento, e Xavi diz que é bom que assim seja. Por uma questão de princípio. "É bom que o ponto de referência para o futebol mundial seja o Barcelona, ou seja a Espanha. Não só porque é nosso, mas por causa do que é. Porque é futebol de ataque, não é especulativo, não espera", refere.

O médio do Barcelona explica que isso começa desde cedo, em "La Masia". "Algumas academias de formação preocupam-se em ganhar, nós preocupamo-nos com a educação. Vemos um miúdo que levanta a cabeça, passa à primeira e pensamos: 'Sim, vai dar'. O nosso modelo foi imposto pelo Cruijff. É o modelo do Ajax. Anda tudo à volta de meiinhos. Rondo, rondo, rondo. Sempre, todos os dias. É o melhor exercício que há. Aprendemos a ser responsáveis e a não perder a bola. Se perdermos a bola vamos para o meio. Pum-pum-pum-pum, sempre um toque. Se vamos para o meio é humilhante, os outros riem-se de nós."

Xavi descreve a sua forma de jogar, "O que faço é procurar espaços. A toda a hora. Estou sempre à procura. A toda a hora, a toda a hora. Aqui? Não. Ali? Não. As pessoas que não jogaram nem sempre percebem como é difícil. Espaço, espaço, espaço. É como na PlayStation. Penso merda, o defesa está aqui, jogo para ali. Vejo o espaço e passo."

Sendo esta uma ideia de jogo assimilada pelos vários companheiros torna tudo mais fácil, diz Xavi. Que revela ainda, "Há tantas opções de passe. Às vezes, até penso para comigo: o não-sei-quem vai ficar aborrecido porque fiz três passes e ainda não lhe dei a bola. É melhor dá-la ao Dani Alves, porque ele já subiu pela ala três vezes. Quando o Messi não está envolvido, é como se ficasse aborrecido... e então o próximo passe é para ele."

Naturalmente, "O sucesso validou a nossa abordagem". "Fico feliz, de um ponto de vista egoísta, porque há seis anos eu estava extinto; os jogadores como eu estavam em vias de extinção. Resumia-se a jogadores de dois metros, força, no meio, derrubes, segundas bolas, ressaltos..."

"Sou um romântico. Gosto que o talento, a habilidade técnica, sejam valorizados sobre a condição física", admite. E recorda o duelo da época passada com o Inter de José Mourinho: "O resultado é um impostor. Podemos fazer as coisas muito bem - no ano passado fomos melhores que o Inter -, mas não ganhamos. Há algo maior que o resultado, mais duradouro. Um legado. O Inter ganhou a Liga dos Campeões, mas ninguém fala deles."

Xavi admite, no entanto, que o Barcelona precisa de resultados. "Se estivermos dois anos sem ganhar tem de mudar” mas conclui com a ideia fundamental, "Mas mudam os nomes, não a identidade."


quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

DIÁRIO DE OBSERVADOR: Atitudes diferentes...

Esta semana fui observar mais uns jogos de futebol de formação. Num desses jogos houve uma situação que me despertou o interesse de partilhar com as pessoas que por aqui passam.

A dada altura do jogo que estava a decorrer de forma tranquila, dois miúdos "pegaram-se" um com o outro. Prontamente o árbitro interrompeu o jogo e falou com os miúdos de forma a que a situação não continuasse.

Fiquei curioso para ver o que os treinadores iriam fazer. Aconteceram duas atitudes diferentes.

O treinador da equipa da casa não disse nada ao miúdo, deixando o jogo decorrer como até ali, o outro chamou o seu atleta, retirou-o do campo e teve uma conversa com ele, inclusive de costas para o jogo, mostrando que naquela altura a sua preocupação era com a situação que aquele jogador tinha protagonizado.

Em primeiro queria salientar a atitude do árbitro, sem expulsar nenhum jogador, parou aquela situação tendo-a resolvido de forma pedagógica e de acordo com a idade dos jogadores (sub-10).

Em seguida, e referindo que não acredito em fórmulas mágicas que todos temos de seguir, agindo da forma x ou y, a atitude do segundo treinador pareceu-me correcta e apropriada à situação. Temos de olhar para a parte pedagógica destes jogos e não apenas para a vertente desportiva em busca de resultados. Muitas vezes não se ganha o jogo mas ganham-se miúdos com bons valores e atitudes.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

DIÁRIO DE OBSERVADOR: Uma ideia original...

Há duas semana fui, como habitualmente, ver um jogo de um campeonato de formação, neste caso entre duas equipas sub-11 (Benjamins A). Acabei por chegar mais cedo ao campo onde se iria realizar esse jogo, como tal dirigi-me ao bar do clube para tomar um café. Foi ai que ouvi esta história e que retive.

O jogo era entre duas equipas modestas, classificadas nos lugares inferiores do campeonato. A equipa que jogava em casa estava um pouco melhor, penso que dois lugares acima. Esta equipa, numa iniciativa conjunta entre pais e treinadores, decidiu organizar um “estágio” para os miúdos. Assim, no dia anterior, sexta-feira, todos os miúdos se juntaram e foram jantar. Posteriormente foram passar a noite num hotel, onde no dia seguinte também tomaram o pequeno-almoço. Isto é, tiveram todas as regalias que eles sabem que os jogadores profissionais têm.

Com toda a certeza 80% ou mais daqueles miúdos têm como sonho, serem jogadores de futebol, acredito que nesse dia sentiram-se um pouco mais próximos desse sonho.

Não vou falar de como correu o jogo, do que achei das organizações das equipas, dos seus processos ofensivos e defensivos, das acções técnico-tácticas deste ou daquele jogador ou dos feedbacks dos treinadores. Apenas queria relatar esta história, achei original, com toda a certeza que os miúdos adoraram.

Não será este um dos objectivos do futebol de formação? Proporcionar momentos de alegria aos jovens? Assim sendo, parabéns a estes pais e treinadores por esta iniciativa.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

CRÓNICA SEMANAL - Será que Mourinho olha para a cantera?



Sou um confesso admirador da filosofia de Johan Cruyff, leio semanalmente a sua coluna no jornal El Periódico de Catalunya. Esta semana voltou a escrever sobre José Mourinho, da reduzida confiança do técnico português na “cantera” do Real Madrid

O ponto de partida para a sua análise é que o "futebol de formação de um clube é bom se o técnico principal o utilizar e mau se não o utiliza”.

Logicamente o técnico holandês comparou a formação dos dois principais clubes espanhóis, dizendo que hoje em dia a formação do Barcelona é mais reconhecida porque os técnicos da equipa principal apostam nela. Arrisco-me a fazer um paralelismo com a realidade nacional onde o Sporting CP utiliza vários atletas na sua equipa principal que são oriundos da sua formação, por isso, nesse aspecto, é mais valorizado que os seus rivais FC Porto e SL Benfica. Aliás com a nova vitória de Leo Messi como melhor jogador do Mundo o Sporting continua a ser o único clube que teve dois atletas vindos da sua formação galardoados com a bola de ouro.

Voltando à coluna de Johan Cruyff, é referido que o estilo de Mourinho não passa por apostar nos jovens, "Melhor do que ninguém, ele pode ver o que tem e o que lhe falta, e se já queria outro avançado quando tinha Higuaín e Benzema para o lugar de 9, é coerente que o seu discurso não se tenha desviado minimamente desse sentido… Alguém estranha que Mou peça para contratar no mercado de Inverno e não olhe para cantera? A mim não, é a sua filosofía. É fiel a ao seu próprio estilo", vincou.

De forma a reforçar esta opinião, é referido o passado de Mourinho pouco ligado à formação, "se tem trabalhado assim e as coisas lhe têm corrido muito mais para bem do que para mal, é normal que queira seguir por essa linha. Tem sido a isto que se tem/o têm acostumado, não observar a formação."

"Se o seu mercado já não é esse, porque nunca o foi, é lógico que agora não o implante, se o seu manual de trabalho já não prevê a possibilidade de subir os jovens para os ir lançando para médio y longo prazo, menos então subirá um jovem para uma urgência,"anteviu.

Sou daqueles que pensa que Mourinho é o melhor treinador do Mundo, fiquei com uma inveja tremenda a ouvir o discurso do Wesley Sneijder. É incrível a relação treinador-atleta que consegue criar. Mas se há um ponto onde também gostava de o ver a apostar mais era na formação.

Sei que também não tem passado por clubes com uma estrutura, cultura e filosofia tão enraizada como o Barcelona, e assim sendo, é sempre mais difícil apostar nos jovens. Outro ponto é o tempo de permanência nos clubes, por exemplo sei que na altura da passagem pelo FC Porto criou um documento que englobava o futebol de formação, mas não esteve no clube tempo suficiente no clube para recolher os frutos. Veja-se o caso de Arséne Wenger no Arsenal.

Espero com curiosidade para ver como será o futuro de José Mourinho no Real Madrid, com tempo acredito que criará uma filosofia no clube e aí penso que a aposta na cantera será muito maior…

quinta-feira, 29 de julho de 2010

PENSAR FUTEBOL: Criar uma filosofia

A mudança de paradigma no jogador de futebol espanhol é um facto: o gosto pelo jogo, para o bom trato da bola e a criatividade estão a tornar-se a marca registada dos jogadores e de um país que sempre precisou de uma filosofia clara para apostar.

Tem sido interessante acompanhar a selecção de sub-19 espanhola no Europeu, são claramente visíveis os princípios que hoje em dia regem essa tal filosofia de jogo espanhol. A Espanha continua a demonstrar toda a sua capacidade para criar algo de extraordinário.

Com quatro vitórias somadas noutros tantos jogos na presente edição da prova, selecção espanhola continua a mostrar a sua criatividade e imaginação, como o comprova o inteligente golo apontado por Canales diante da Inglaterra, só ao alcance de uma equipa plena de confiança. A vencer por 2-1 à passagem dos 60 minutos, os pupilos de Luis Milla dispuseram de um livre em zona perigosa e colocaram em prática uma espectacular jogada de laboratório.

Os resultados que, hoje em dia, as Selecções Espanholas têm alcançado, não são fruto do acaso nem de poucos anos de trabalho.

Os próprios clubes deviam ter uma filosofia a seguir tal como se vê no Barcelona. É verdade que “só falam deles porque ganham”, mas não é isso que nós queremos? Ganhar? Mas há outros clubes que ganham menos vezes e que têm uma filosofia clara dentro do clube, o Arsenal por exemplo. Claro que ajuda manter o Arséne Wenger no clube durante vários anos e no nosso país já sabemos que isso é impossível.

Vou continuar a acompanhar a evolução dos “nuestros hermanos” e a retirar ideias para, tal como outros colegas, colocar na gaveta porque os nossos dirigentes não se interessam…

sexta-feira, 23 de julho de 2010

PENSAR FUTEBOL: Treinadores distintos, visões semelhantes...

Nesta última semana li duas entrevistas que me deixaram particularmente satisfeito. Cho Kwang-rae, novo seleccionador da Coreia do Sul, confessou que o seu modelo de jogo será semelhante ao que põe em prática a selecção espanhola, campeã do mundial da África do Sul. “Quero emitar a Espanha” diz Cho, de 56 anos e até agora treinador da equipa sul-coreana Gyeongnam FC, numa conferência de impressa, de acordo com a agência de notícias Yonhap.

Segundo o novo técnico da Coreia do Sul, que no passado mundial foi eliminada nos oitavos-de-final frente ao Uruguai, a sua equipa deve ser mais rápida e mais precisa nos passes “O futebol sul-coreano deve mover-se mais, com passes curtos, para reduzir a distância que os separa das equipas de futebol da elite mundial”.

O seleccionador da Coreia do Sul diz que o estilo da Espanha vai impor-se "Depois que a Espanha ganhou o Mundial, a capacidade de passe, os ataques rápidos e as transições são cada vez mais importantes no mundo", afirmou.

Vou estar curioso para ver se o novo seleccionador coloca em prática as suas ideias e se vamos ver uma Coreia do Sul a jogar de forma diferente.

A segunda entrevista é do treinador do Inter de Milão, o espanhol Rafael Benitez, onde refere ambicionar que o seu clube siga, em Itália, o modelo do Barcelona, numa entrevista publicada no Jornal “La Gazzetta dello Sport”. “Quero uma equipa mais subida e com maior posse de bola” sentenciou Benitez na entrevista ao jornal desportivo italiano, onde também referiu o que espera da equipa, acrescentando que Esteban Cambiasso “jogará mais subido”, porque “é um treinador em Campo”.

Benitez também analisou a situação dos jovens jogadores do clube, que pretende "lançá-los" na primeira equipe. "Todos falam sobre a importância dos jovens, mas depois querem vencer, vencer e vencer, e ninguém tem a coragem de esperar", disse ele. "Em Espanha é mais fácil porque a qualidade dos miúdos é muito elevada, mas o Barcelona teve de esperar alguns anos e o Real Madrid ainda mais", disse Benitez, que comparou a situação com a Inglaterra, onde "têm mais paciência", disse ele.

“Se querem jogadores com coração temos de os ir buscar à cantera e esperar que cresçam” disse, mas acrescentou: "Raul, Rooney e Gerrard aparecem apenas uma vez a cada dez anos." Durante seu diálogo com o "La Gazzetta dello Sport", Benitez aproveitou a oportunidade para mostrar como concebe o futebol e qual é a sua filosofia quando se trata de formação.

"Quero ganhar, não me importa contra quem é, isso sim, respeitando o adversário, essa é a minha visão do futebol” explicou.

Aproveito também para deixar uma frase curiosa porque me revi no que Benitez disse, "Eu sou treinador desde os 13 anos de idade quando jogava com a minha equipa e levava um caderno onde apontava os resultados e estatísticas", disse o técnico do Inter.

São duas visões, de dois treinadores distintos, mas com pontos em comum. Confesso que fico entusiasmado ao perceber que aos poucos, o futebol praticado pelo Barcelona e, consequentemente pela selecção espanhola, começa ganhar cada vez mais adeptos. Como diz José Mourinho “um treinador defensivo ganha uma vez, não ganha duas, três, quatro, cinco, 10, 15, 16, 17. Não há hipótese!”

quarta-feira, 21 de julho de 2010

ENTREVISTAS: Pep Guardiola, simplicidade e honestidade...

É difícil e até mesmo ingénuo pensar que um treinador de top como Pep Guardiola pode ser completamente honesto numa entrevista, mas estive a ler uma entrevista extensa onde o treinador do Barça respondeu a mais de 50 perguntas, parecia honesto e sobretudo comprometido com seu trabalho.

Admitiu que a renovação por apenas uma temporada foi uma escolha pessoal pois a direcção presidida por Sandro Rosell, propôs-lhe mais anos de contrato.

Guardiola assumiu a venda de uma das suas apostas pessoais, Chygrynskiy, fazendo assim face às necessidades financeiras do clube, embora ele não tenha negado que teria gostado de continuar com o defesa no plantel. Aceitou as dificuldades na contratação de Cesc Fabregas não deixando de confirmar que gostaria de contar com o espanhol na próxima temporada, deixou a decisão da continuidade de Marquez e Ibrahimovic nas mãos dos próprios jogadores e, claro, dos respectivos representantes.

Definiu-se, perante todos os jornalistas, como um mero funcionário do clube, “Todo el mundo cree que tengo las llaves de la barraca pero sólo soy un empleado, con mucha gente por encima, cuyo trabajo sólo es que los jugadores respondan, se motiven y compitan un año más”. Ironicamente mostrou-se preocupado pela imagem que transmite de má relação com os Presidentes, primeiro Laporta e agora Rosell. É melhor exibir independência que demonstrar dúvidas pendentes. Defendeu claramente Johan Cruyff: “Algo se hecho mal. Johan no lo merece, su papel en la historia centenaria del club es indispensable y yo le seguiré llamando cuando necesite consejo”.

Foi generoso com o futebol espanhol, no momento de avaliar o sucesso da Espanha no Campeonato, lembrando por exemplo os trinta anos de Vicente Del Bosque no Real Madrid, a influência de Casillas, Reina ou Marchena no balneário da selecção, e mostrou uma mistura de admiração e inveja saudável quando exclamou que “Nunca me hubiera imaginado que Busquets y Pedro pasarían de tercera división a ganar el Mundial, ese pedazo de trofeo que yo no tengo” tudo isto num contexto de orgulho pela “cantera” do Barça, mas dando todo o crédito aos jogadores.

Apenas Guardiola sabe quais são os seus verdadeiros objectivos, mas nesta entrevista demonstrou lealdade e compromisso com Rosell e a nova direcção, e é improvável que venha a usar qualquer problema no planeamento do desportivo da equipa como uma desculpa, se por qualquer motivo algo não correr bem. Poderemos comprovar, ao longo da época, se foi verdadeiro ou é apenas optou por uma postura de segurança

segunda-feira, 19 de julho de 2010

PENSAR FUTEBOL: Análise ao futebol actual

Um dos temas mais discutidos durante este mundial de futebol foi o facto de algumas selecções renunciarem ao seu “estilo habitual”, isto é, à sua identidade. Eu acho que a análise deve ser um pouco mais profunda…

Decorria o ano de 1991 e na equipa do Estrela Vermelha encontrávamos jogadores como Prosinecki, Savicevic, Pancev, Mihajlovic o Jugovic. Nesse ano conseguiriam “chocar” meia Europa sangrando-se campeões europeus no estádio olímpico de Marselha vencendo nas grandes penalidades o Bayern Munique. Mas o que retive do texto que li sobre este dia foi o que disse o treinador, Ljupko Petrovic, na palestra à sua equipa: “divirtam-se”

De lá para cá o futebol alterou-se. A teoría ganhou protagonismo e a táctica domina sobre a bola e o talento individual dos jogadores. O futebol é um desporto de equipa e tem que agir como tal, uma vez que é o grupo que ganha jogos e os jogadores têm de fornecer os seus argumentos em busca da vitória colectiva, mas muitas vezes ficamos com a impressão, na hora em que assistimos a um jogo, de que o sacrifício do talento individual dos jogadores é por vezes excessivo.

Nos últimos anos a figura do treinador encontrou a sua dimensão máxima, lógicamente sempre foi importante mas mantinha-se na “sombra” dos seus jogadores, esses sim os verdeiros protagonistas. Veja-se o caso actual mas mediático, José Mourinho. Agora uma equipa parece-se mais com a ideia do seu treinador que com as características individuais dos seus atletas. Mais uma vez recorro ao treinador português, veja-se a maneira como jogou Samuel Eto´o este ano, tácticamente muito disciplinado, mas provávelmente menos “espetacular” no verdadeiro sentido da palavra.

Eu admiro uma equipa onde todos remam na mesma direcção e em que toda a gente conhece o seu papel, onde são pouco visíveis as ausências de determinados atletas quando os seus substitutos são chamados a intervir. É importante saber o papel a ser desempenhado, em que a solidariedade e a entreajuda são os principais factores. Mas, por outro lado, eu também admiro o talento puro de um jogador, é por isso que os adeptos pagam bilhetes, à procura de lances de génio. Isto é, hoje parece-me que um jogador tem de se adaptar a uma ideia, mas poucas são as vezes onde apresenta a sua.

Uma das grandes virtudes de um treinador, é saber obter a melhor performance dos atletas que tem à sua disposição. Obviamente, nem sempre tem a possibilidade de ter jogadores na sua equipa com elevada qualidade técnica ou os chamados génios da bola, e no futebol têm de coexistir estilos diferentes de forma a enfrentarem-se durante o jogo na procura da vitória. Mas a tendência nos últimos anos é procurar essa vitória através de um bloco fechado e compacto, com as linhas bem próximas, onde o importante é vencer antes de jogar bem, onde o talento e a bola são coadjuvantes em favor do resultado.

Não obstante os limites são necessários e o futebolista deve adaptar-se à sua equipa. Recordemos o caso de Rivaldo, que se tornou o melhor jogador do mundo pela mão de Van Gaal, jogando pelo corredor esquerdo, onde o brasileiro sempre alegou não se sentir em casa. Com saída do técnico holandês surgiu Serra Ferrer e com ele os caprichos concedidos a Rivaldo para jogar no centro, com total liberdade de movimento. Aí ele começou seu declínio. Os jogadores precisam entender que têm de jogar para a equipa e não para si mesmos, pois quando isso acontece ambos saiem prejudicados, a equipa e o jogador.

O treinador tem de saber também, por seu lado, que os jogadores devem ter o seu espaço, a liberdade de criar e improvisar como um actor num dia inspirado. A vitória é o fim ao cabo o mais importante, mas futebol deslumbra com os tais lances espectaculares. O jogador tem ir para dentro do campo para desfrutar do jogo, o futebol é o seu trabalho, mas também a sua paixão (não é por isso que todos vivemos o futebol). Se uma equipa consegue vencer ganha o clube, se os jogadores se divertem, ganhamos todos.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

HISTÓRIAS DO FUTEBOL: Valentí Guardiola

Um dos blogues por onde passo constantemente dá pelo nome de "Paradigma Guardiola". Este blogue ao contrário do que se possa pensar não é da autoria de um "Nuestro Hermano", trata-se de um argentino que procura analisar o modelo de pensamento de Pep Guardiola. Por exemplo sobre a renovação de contracto por mais uma temporada, nem uma linha. Definitivamente, Paradigma Guardiola não é um espaço de notícias. Como disse muito bem Nuno Farinha no Record "É, antes, de análise estrutural de treino, reflexões, metodologia, detalhes táticos, programas de jogo, filosofia futebolística".

O último post colocado é uma extraordinária história sobre Valentí Guardiola, o pai de Pep Guardiola.

"Cuenta la leyenda que Valentí Guardiola leía un periódico mientras esperaba el nacimiento de su hijo Josep. En el decimoctavo día de 1971, ese diario contemplaba que el Barcelona había derrotado al Celta por 1 a 0, continuaba siendo líder solitario pero las 40.000 personas en el Camp Nou se mostraron insatisfechas por el juego del equipo. A su vez, el fútbol internacional marcaba una derrota del Ajax por 1 a 0 frente al M.V.V. Maastricht. Con esto, Rinus Michels comenzaba a tener más clara su partida del conjunto holandés. Meses más tarde se marcharía a dirigir al Barcelona dejando en Amsterdam una obra ya iniciada: la génesis del Ajax que revolucionó al fútbol mundial".

Para acabar deixo uma frase de outra referância: “No hay ninguna medalla mejor que ser aclamado por tu estilo”. (Johan Cruyff)

A Espanha e o Barcelona podiam não ter alcançado o sucesso como o fizeram mas a sua forma de jogar seria sempre recordada...

sábado, 10 de julho de 2010

DIÁRIO DE OBSERVADOR: A final que muitos desejavam ver...

Como será que Johan Cruyff irá ver o jogo amanhã? Ele que não jogando está muito ligado às filosofias de jogo das duas selecções. Há cada vez mais treinadores a pensar que afinal é possivel ganhar jogando bem proporcionando bons espetáculos, até a Alemanha tem um estilo de jogo diferente daquele que a caracterizava e aparece sempre nos slides sobre a História do futebol. Fico contente por isso!


P.S. - Será que esta imagem tem alguma relação com o jogo de amanhã?

terça-feira, 15 de junho de 2010

DIÁRIO DE TREINADOR: Últimos / Primeiros dias

Confesso que esta fase da época e para mim difícil de designar. São os últimos dias? Talvez, acabaram os jogos oficiais resta algumas participações em torneios… Por outro lado já estamos na primeira fase de captação de atletas para a próxima época, será que assim devemos designar que estamos nos primeiros dias?! Não sei!

O que sei e que gosto desta fase. Escolher atletas que melhor se enquadram na forma que quero que a minha equipa jogue, pensar na evolução do modelo de jogo, verificar quais vão ser os maiores desafios tanto colectivos (equipa) como individuais (jogadores), acreditem que mesmo com o cansaço mental e físico de uma época deixa-me super motivado.

Para além de treinador de uma equipa de sub-11, tenho outros projectos que quero continuar a desenvolver, espero ter disponibilidade e liberdade para o fazer, há ainda outros que irei iniciar e que como tudo o que me proponho a fazer darei o meu melhor. Ainda assim confesso que me falta algo, precisava de um desafio novo, algo de diferente do que tenho e que exija ainda mais de mim e dessa forma que encaro aquilo que faço…

Este ano estive afastado deste blogue, também isso gostava de mudar, mas tem sido complicado arranjar forma de vir aqui escrever…

Vamos ver como corre este fim/inicio de mais um ano…

quarta-feira, 26 de maio de 2010

DIÁRIO DE TREINADOR: Relação treinador-atleta

Tenho várias conversas com colegas sobre a relação treinador-atleta. Pessoalmente gosto de criar uma relação de proximidade mas mantendo sempre o nível de exigência ao máximo. Do meus tempos de jovem estudante a maioria dos professores que me recordo são esses mesmos, os que mais exigiam mas ao mesmo tempo criavam uma excelente relação com todos os alunos.

Todos os meus jogadores para mim são meus amigos, aos meus amigos eu exijo que se empenhem, que melhorem, não por mim, eu sou apenas mais um treinador da vida deles, é por eles que sou assim, e é por eles que têm de trabalhar, eu posso perder jogos se eles não trabalharem, quanto a isso não há problema, mas eles podem perder uma oportunidade de melhorarem, de potenciarem todas as suas qualidades...

Mais uma vez está a chegar o momento de me despedir de mais um grupo de amigos e tal como nos anos anteriores cenas destas vão acontecer...


P. S. - Para além de ter com certeza muita qualidade no treino, aqui também está muito do sucesso de José Mourinho

domingo, 9 de agosto de 2009

PENSAR FUTEBOL: Os "especialistas"

Agora que entrámos na última semana de pré-época (não concordo muito com este termo), vou pensar um pouco sobre algumas coisas que fui lendo e ouvindo.

Infelizmente continuamos a ouvir falar em conceitos ultrapassados, continuam a dar destaque a "peladinhas" (indiferenciadas) a às "cargas físicas" e suas consequências. Tal abordagem é, na minha opinião errada, primeiro porque são cada vez mais (felizmente) as equipas que agrupam as componentes a desenvolver (física, técnica, tática ou psicológica) e onde o treinador começa a preocupar-se desde o primeiro dia com os comportamentos (os princípios) que darão identidade à sua equipa (modelo de jogo); segundo também já se começa a perceber que não é uma pré-época com "cargas físicas" que garante toda uma época a um nível máximo de rendimento dos atletas.

Uma coisa que achei engraçada foi uma analise de um comentador, que pensa que é um especialista em tudo e mais alguma coisa, a falar em "nova atitude", a necessidade de "pôr os jogadores a correr" ou de "construir a equipa de trás para a frente". Será que ele julga que é com as conversas no balneário, os gritos durante os jogos, que se ganham jogos? Pois eu aposto que não. Só há uma maneira de jogar melhor e ganhar jogos, treinar, mas sobretudo treinar bem, o que não é igual a treinar muito…

Atenção, não estou a dizer que as conversas são escusadas, têm a sua importância claro, mas que não são o factor principal isso garanto…

Também é engraçado que antes se criticava tudo o que eram novos termos utilizados por treinadores, agora passam as suas análises a falar em transições, pressing, etc. …

Aproveitando um dos chavões desta altura, há aí alguns comentadores já em excelente forma para esta altura do ano…

sexta-feira, 10 de julho de 2009

DIÁRIO DE OBSERVADOR: Boa formação ou uma boa prospecção?

Estou de volta às minhas leituras, voltei a ter mais disponibilidade, com o fim dos torneios, mas não me consigo desligar do futebol.

Numa das minhas pesquisas encontrei uma entrevista de Hugo Vicente, director da "Coerver Coaching" Portugal, onde ele disse algo que retive, “ fala-se muito de formação em Portugal, mas questiono se há realmente formação ou se ela resulta de uma boa prospecção, porque é mais comum os clubes recolherem talentos noutros locais".

Esta frase tem muito de verdade. Embora eu ache que uma “boa prospecção” é fundamental para qualquer clube, a ênfase deve ser dada ao desenvolvimento dos nossos atletas. Infelizmente penso que esta doutrina não é seguida por muitos clubes, onde o principal objectivo é, no final de cada época, conseguir recrutar o maior número de atletas a outros clubes que durante o ano se preocuparam em desenvolver esses jogadores.

Há clubes que no final de cada época dispensam mais de metade dos seus jogadores, recrutando outros para o seu lugar. Na minha opinião fazem bem, se esses atletas têm mais qualidade, claro que devemos ficar com eles. Agora, algo tem de estar muito mal quando isso acontece. Ou trabalho nesse clube não está a ser feito da melhor forma, ou então há outros clubes que estão a trabalhar melhor. Assim, temos de rever a nossa metodologia e perceber se as pessoas que temos a trabalhar connosco são as melhores.

Nestes casos, é ridículo dizer que, o nosso clube tem uma boa formação, tentando passar uma imagem diferente. Mas o que mais me preocupa é que esta ilusão muitas vezes resulta.

Como estamos numa altura onde muitos jovens são abordados por clubes, outros que são dispensados e ainda que procuram outras possibilidades o meu conselho é, procurem informar-se sobre o que realmente se passa, com toda a certeza terão pessoas que vos podem indicar e ajudar a optar da melhor maneira…

terça-feira, 30 de junho de 2009

DIÁRIO DE TREINADOR: O último jogo...

Este tempo de ausência foi devido à participação das nossas equipas de escolas em alguns torneios.

Este período foi extremamente positivo, houve momentos de alegria, felicidade, mas sobretudo de grande emoção. Tenho tido a sorte de conseguir ter bons grupos de trabalho e este não foi excepção. Dessa forma, é muito complicado quando nos apercebemos que nos temos de “separar” destes amigos, é isso que são os meus atletas, amigos.

O último torneio que fomos foi muito bom, mas para contar ninguém melhor que os miúdos.

“Partimos de autocarro às 10:30 de dia 26 de Junho. Foi uma viagem muito divertida porque vimos filmes, jogámos psp e ouvimos música. Parámos por volta das 13:00 para almoçar numa estação de serviço, ficámos sentados numas mesas de campismo e depois alguns foram comprar gelados. De seguida recomeçámos a viagem.

Chegámos ao hotel, perto das 15:30. Era um hotel muito bom. Fomos todos para um dos quartos para fazer a divisão por grupos pelos quartos e para definirmos as regras que tínhamos de cumprir. Cada grupo foi para os seus quartos, 101, 201,301,401,501, 504.

Às 17horas partimos para o estádio onde decorria o torneio, era um campo muito bom. Levantámos as senhas do jantar e fomos para o local onde serviam as refeições, a comida estava muito boa.

A primeira equipa a jogar foram os “Escolas B”, às 21:15, contra uma equipa espanhola chamada Deportivo Ciudad, jogaram muito bem e venceram por 8-0. Os “Escolas A” jogaram às 21:45 contra o SL Benfica e infelizmente perderam por 6-1 mas jogaram bem. Nos dois jogos apoiámos muito as equipas junto da nossa grande claque.

À meia-noite fomos para o hotel, estávamos cansados e, depois de os treinadores terem passado por todos os quartos, fomos dormir.

No dia seguinte acordámos cedo e fomos tomar o pequeno-almoço. A seguir quarto 501 como tinha um plasma organizou um torneio de playstation.

Ao meio dia, fomos de novo para o estádio levantar novamente as senhas para irmos almoçar. Depois fomos ao museu do papel e aprendemos como se faz o papel, também fomos ao zoo de aves onde estivemos com uma arara que “abanava o capacete” connosco. A seguir regressámos para o jantar.

Os “Escolas B” jogaram às 20:45 contra a equipa da casa, foi um jogo difícil mas mais uma vez jogaram muito bem e ganharam por 1-0 e assim iam à final. Os “escolas A” jogaram contra o União de Leiria e ganharam por 2-0, foi um grande jogo.

Tal como ontem chegámos tarde ao hotel, desta vez ficámos algum tempo acordados, os misters passaram por todos os quartos e ficaram um bocado em cada um a conversar e a rir.

No último dia tivemos de acordar mais cedo, desta vez jogávamos de manha, os “Escolas A” jogaram às 09:45 contra o Maravillas de Espanha e ganharam por 3-1. Os “Escolas B” jogaram a final contra o Calasanz de Espanha e apesar de jogarem muito melhor não conseguiram marcar e foram a penalties, ai eles tiveram mais sorte e ganharam por 6-5.

Hoje foi o último jogo que fizemos juntos e o mister comoveu-se quando falou connosco.

Gostámos muito deste torneio, foi muito divertido.”

Pois é, foi o meu último jogo com este grupo fantástico, são uns miúdos incríveis e que terão aqui um amigo para sempre. Dei tudo o que podia e sabia para ajudar a evolução destes jovens, tanto como atletas quer como pessoas. Grande época! A todos eles o meu OBRIGADO!