Frases que dizem muito...

"A forma não é física. A forma é muito mais do que isso. O físico é o menos importante na abrangência da forma desportiva. Sem organização e talento na exploração de um modelo de jogo, as deficiências são explícitas, mas pouco têm a ver com a forma física." (José Mourinho)

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

CULTURA DESPORTIVA: Sevilla Fútbol Club

A semana passada fui a Sevilha numa viagem curta mas que me fascinou. Conhecer outras realidades, novas pessoas e com elas novas formas de ver o futebol e particularmente o futebol jovem. Tive oportunidade de visitar a Ciudad Deportiva José Ramón Cisneros Palacios e conhecer o director da "cantera" do clube, bem como o responsável pelo departamento de metodologia de treino.

Observei um pouco o treino da equipa de juvenis enquanto trocava algumas ideias sobre a forma como eles organizavam as suas equipas técnicas, como estavam a tentar modificar um pouco a sua metodologia de treino.

Procurei saber mais sobre a escola de futebol António Puerta (atleta do clube que faleceu) que funciona nas instalações do clube mas com total autonomia, recolhi informações sobre como faziam o recrutamento para as suas equipas, quais os clubes da Andaluzia e de Espanha que melhor estão a trabalhar na formação, ou seja, recolhi o maior número de informação possível.

Posteriormente voltei para o centro da cidade e para o estádio Ramón Sánchez Pizjuan onde conversei com algumas pessoas interessantes, uma delas o técnico da equipa de infantis do Sevilha que também é responsável por uma escola de futebol que funciona num colégio particular. Foi curiosa a conversa, devido ao torneio “Mundialito”, tem algumas recordações de equipas, jogadores e técnicos portugueses.

Por último assisti ao jogo Sevilla vs FC Porto. Gravei um filme que me fez criar esta nova categoria, “Cultura Desportiva”. É isto que o vídeo retrata!
video

DIÁRIO DE TREINADOR: Texto em jeito de desabafo...

Nunca escondi aqui que tenho como principal objectivo, não só ser treinador, mas coordenar o futebol de formação de um clube.

Irei aproveitar este “post” para contar uma experiência recente…

Na época de 2009/2010 fui convidado por um clube onde estava a trabalhar para coordenador da escola de futebol, em conjunto com outro colega que tinha sido escolhido pela direcção. O objectivo principal seria, aumentar bastante o número de alunos, ou seja, os directores tinham como preocupação clara o aspecto financeiro. Importa aqui dizer que o meu nome surgiu por indicação de outros colegas e não por escolha pessoal dos directores. Eu aceitei com a esperança de conseguir fazer tudo o resto que eles nem pensaram.

Comecei por criar um documento que fosse a base de todo o nosso trabalho. Que mostrasse o que queríamos no imediato, o que queríamos atingir daqui a 1 ano, a 3 anos. Quais os meios para o fazer etc. Procurei definir a metodologia a seguir, até ali era um pouco ao sabor de cada treinador. Surge o primeiro problema, não tinha a mesma visão do futebol de formação que o outro coordenador… Tentou chegar-se a um consenso.

A seguir organizei os horários, as turmas, o número de alunos limite em cada turma em função da faixa etária. Segundo problema, para os directores e o outro coordenador, teríamos de aceitar todos os alunos e nunca recusar nenhum, ou seja, levou a uma massificação e a qualidade logicamente nunca poderia ser igual.

Quis criar um planeamento de actividades para estarmos constantemente a proporcionar aos alunos jogos e torneios, as ordens foram para reduzir e teriam de ser sempre no nosso estádio (sobrelotado) … Fora era necessário ter treinadores para isso, e logicamente os gastos seriam maiores.

Outro aspecto onde tentei ter influência era na escolha dos treinadores, parecia-me lógico enquanto coordenador, se havia uma metodologia a seguir teria de se escolher gente com um determinador perfil. Impossível de fazer, a direcção utilizava a escola de futebol para aumentar a oferta de ordenado aos treinadores de competição, isto é, por exemplo o treinador dos juvenis iria receber x da competição e ainda y porque teria de ter 2 turmas na escola de futebol…

Claro que tudo isto começou a impedir que vários outros aspectos, considerados essenciais, fossem postos em prática, desde a elaboração de relatórios mensais por parte dos treinadores, seja o controlo das presenças dos alunos, do acompanhamento constante e individual das suas aprendizagens, nada era feito…

Foi conseguido o aumento do número de alunos (+/- 300), ou seja, objectivo cumprido, a verba que entrava no clube era muito superior. Pensei que com isso eu tivesse possibilidade de começar a inserir outros objectivos pouco a pouco. Errado, só deu mais problemas porque continuavam a querer mais e mais alunos, o dinheiro nem passava pela coordenação da escola de futebol para pagar às pessoas que mais mereciam, os treinadores. Começou a ser claro que, estando eu com outras ideias, os atritos surgiriam cada vez com mais frequência.

Bem como vêm uma série infindável de situações que ainda hoje se arrastam, a diferença é, que quem lutava para modificar tudo isso já não está (estou) no clube. Mostra que não é fácil conseguir implementar as nossas ideias…

Não quero com isto dizer que tenho todas as respostas, antes pelo contrário, cada vez mais procuro evoluir e ganhar novas ideias, tenho tido a oportunidade de conhecer novas organizações e estruturas, tudo isso me vai enriquecendo. Ainda há uma semana estive em Sevilha onde conheci um pouco de outra realidade (irei falar sobre esta experiência brevemente), tenho como objectivo lá voltar e também ir a outros locais fora de Portugal, experiências que já estão a ser planeadas, ou seja, continuo e continuarei em busca do meu sonho apesar do nosso futebol de formação estar cheio de gente com outros fins que não o melhor para os nossos jovens.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

ENTREVISTAS: Xavi Hernandez

O futebol é mais do que 22 jogadores e uma bola. Há muito que defendo, e falo neste espaço, que os clubes devem criar uma filosofia, não podem andar ao sabor das vontades de um ou outro treinador, nem dos dirigentes que continuo a achar que são os menos preparados no nosso desporto para os cargos que ocupam. Se todos os treinadores ou árbitros têm de fazer variados cursos porque é que qualquer um pode ser dirigente e muitas vezes aproveitar-se do futebol? Enfim, outros assuntos.

Voltando ao tema, cada vez mais sou da opinião que é fundamental criar a tal filosofia de clube. Para reforçar esta ideia vou aproveitar a entrevista de um dos melhores jogadores do mundo, Xavi Hernandez.

O Barcelona é a equipa de referência para o Mundo neste momento, e Xavi diz que é bom que assim seja. Por uma questão de princípio. "É bom que o ponto de referência para o futebol mundial seja o Barcelona, ou seja a Espanha. Não só porque é nosso, mas por causa do que é. Porque é futebol de ataque, não é especulativo, não espera", refere.

O médio do Barcelona explica que isso começa desde cedo, em "La Masia". "Algumas academias de formação preocupam-se em ganhar, nós preocupamo-nos com a educação. Vemos um miúdo que levanta a cabeça, passa à primeira e pensamos: 'Sim, vai dar'. O nosso modelo foi imposto pelo Cruijff. É o modelo do Ajax. Anda tudo à volta de meiinhos. Rondo, rondo, rondo. Sempre, todos os dias. É o melhor exercício que há. Aprendemos a ser responsáveis e a não perder a bola. Se perdermos a bola vamos para o meio. Pum-pum-pum-pum, sempre um toque. Se vamos para o meio é humilhante, os outros riem-se de nós."

Xavi descreve a sua forma de jogar, "O que faço é procurar espaços. A toda a hora. Estou sempre à procura. A toda a hora, a toda a hora. Aqui? Não. Ali? Não. As pessoas que não jogaram nem sempre percebem como é difícil. Espaço, espaço, espaço. É como na PlayStation. Penso merda, o defesa está aqui, jogo para ali. Vejo o espaço e passo."

Sendo esta uma ideia de jogo assimilada pelos vários companheiros torna tudo mais fácil, diz Xavi. Que revela ainda, "Há tantas opções de passe. Às vezes, até penso para comigo: o não-sei-quem vai ficar aborrecido porque fiz três passes e ainda não lhe dei a bola. É melhor dá-la ao Dani Alves, porque ele já subiu pela ala três vezes. Quando o Messi não está envolvido, é como se ficasse aborrecido... e então o próximo passe é para ele."

Naturalmente, "O sucesso validou a nossa abordagem". "Fico feliz, de um ponto de vista egoísta, porque há seis anos eu estava extinto; os jogadores como eu estavam em vias de extinção. Resumia-se a jogadores de dois metros, força, no meio, derrubes, segundas bolas, ressaltos..."

"Sou um romântico. Gosto que o talento, a habilidade técnica, sejam valorizados sobre a condição física", admite. E recorda o duelo da época passada com o Inter de José Mourinho: "O resultado é um impostor. Podemos fazer as coisas muito bem - no ano passado fomos melhores que o Inter -, mas não ganhamos. Há algo maior que o resultado, mais duradouro. Um legado. O Inter ganhou a Liga dos Campeões, mas ninguém fala deles."

Xavi admite, no entanto, que o Barcelona precisa de resultados. "Se estivermos dois anos sem ganhar tem de mudar” mas conclui com a ideia fundamental, "Mas mudam os nomes, não a identidade."


quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

DIÁRIO DE OBSERVADOR: Atitudes diferentes...

Esta semana fui observar mais uns jogos de futebol de formação. Num desses jogos houve uma situação que me despertou o interesse de partilhar com as pessoas que por aqui passam.

A dada altura do jogo que estava a decorrer de forma tranquila, dois miúdos "pegaram-se" um com o outro. Prontamente o árbitro interrompeu o jogo e falou com os miúdos de forma a que a situação não continuasse.

Fiquei curioso para ver o que os treinadores iriam fazer. Aconteceram duas atitudes diferentes.

O treinador da equipa da casa não disse nada ao miúdo, deixando o jogo decorrer como até ali, o outro chamou o seu atleta, retirou-o do campo e teve uma conversa com ele, inclusive de costas para o jogo, mostrando que naquela altura a sua preocupação era com a situação que aquele jogador tinha protagonizado.

Em primeiro queria salientar a atitude do árbitro, sem expulsar nenhum jogador, parou aquela situação tendo-a resolvido de forma pedagógica e de acordo com a idade dos jogadores (sub-10).

Em seguida, e referindo que não acredito em fórmulas mágicas que todos temos de seguir, agindo da forma x ou y, a atitude do segundo treinador pareceu-me correcta e apropriada à situação. Temos de olhar para a parte pedagógica destes jogos e não apenas para a vertente desportiva em busca de resultados. Muitas vezes não se ganha o jogo mas ganham-se miúdos com bons valores e atitudes.