Frases que dizem muito...

"A forma não é física. A forma é muito mais do que isso. O físico é o menos importante na abrangência da forma desportiva. Sem organização e talento na exploração de um modelo de jogo, as deficiências são explícitas, mas pouco têm a ver com a forma física." (José Mourinho)

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

DIÁRIO DE TREINADOR: Relação treinador-atleta

Ontem tive mais uma das minhas conversas com colegas que me fazem vir para casa pensar e no fim escrever. Esta é a forma que encontro para concluir estes temas que me surgem, sou da opinião que ser treinador não é apenas prescrever exercícios aos miúdos, há muito mais que isso.

Ontem o tema era a nossa relação com os miúdos e como tratávamos os mesmos. Isto tudo porque um treinador não convocou um miúdo e o pai veio questionar o porquê! No final a maioria apoiou um colega que disse que os devíamos tratar todos da mesma maneira. Eu não concordo, embora não tenha discutido, e passo a explicar porquê.

Sou da opinião que quem faz bem o que lhe é pedido que dá o máximo e se empenha ao serviço da equipa, merece ser distinguido e incentivado, bem como quem faz mal tudo o que lhe é proposto e não se empenha, merece rapidamente um feedback negativo para que haja uma eventual melhoria futura de atitudes e comportamentos.

Para mim todos os miúdos são diferentes, têm as suas particularidades, é isso que temos de perceber, não podem ser todos postos no mesmo saco e rotulados da mesma maneira.

Resumindo e utilizando uma frase de Jorge Araújo, “a quem lidera compete TRATAR TODOS COM JUSTIÇA, NUNCA TODOS POR IGUAL!

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

DIÁRIO DE TREINADOR: Um mês de trabalho


Há um mês que voltei aos treinos, o discurso continua igual, isto é, a equipa tem qualidade mas há muito trabalho ainda para fazer. Mas não será isso que nos motiva? Também…

Penso que todos os treinadores gostam de ver as suas equipas a ficarem mais fortes e organizadas, os seus jogadores a desenvolver as suas capacidades e a evoluir, o nosso modelo de jogo a ser visível aos poucos, etc.

Este ano estou com um número mais elevado de jogadores, vai ainda ser mais difícil gerir as convocatórias de modo a jogarem todos mais ou menos o mesmo. Outro dos problemas com que me deparo é que o plantel não é equilibrado, há alguns miúdos que ainda terão de evoluir mais um pouco, mas este aspecto está a ser levado em conta e daqui a uns tempos pode ser que não se note tanto.

Passado este mês já consegui fazer a minha “análise” aos miúdos. Já sei quem são os que estão mais vezes distraídos, já identifiquei os líderes da equipa, os que precisam de constantes incentivos para treinarem a intensidades elevadas, os que é necessários estabelecer objectivos à parte dos da equipa, etc. Por exemplo, no último treino, há um miúdo que realizou uma acção que não era habitual, prontamente parei o treino e todos os atletas bateram as palmas a esse colega pondo esse miúdo a rir por perceber que finalmente tinha realizado o que lhe tinha pedido.

São estas pequenas coisas que me dão uma alegria imensa por trabalhar com os miúdos, perceber que podemos fazer diferença na sua evolução…

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

DIÁRIO DE TREINADOR: Gestão do tempo de treino

“Se me dizes, eu esqueço. Se demonstras, eu lembro-me. Se me dás a oportunidade de experimentar, eu entendo”.

Esta frase que li há pouco tempo resume a melhor forma de um treinador actuar. Esta semana observei um treino onde os treinadores perderam muito tempo na instrução, isto quando estamos a falar de uma equipa de futebol de formação. Nestas idades os miúdos não conseguem estar atentos ao que o treinador está a dizer durante muito tempo, querem jogar, querem participar.

A nossa missão como treinadores de jovens é desenvolver e capacitar os atletas que temos à disposição na nossa equipa. Assim, temos de transmitir que eles nunca estão completos, que é sempre possível melhorar e adquirir novas competências, sendo que a melhor maneira é experimentar.

Existe uma frase comum que eu próprio costumo utilizar, "uma equipa deve treinar como joga e jogar como treina". Com isto quero dizer que devemos ter o máximo de intensidade no treino e aproveitar ao máximo para trabalhar a nossa forma de jogar, aumentar a capacidade de concentração, confiança, motivação dos nossos atletas.
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Resumindo temos de fazer uma boa gestão do treino de forma a fornecer instrumentos aos nossos miúdos que lhes permitam estar melhor preparados para colocar em prática o modelo e estratégias da equipa.

domingo, 28 de setembro de 2008

DIÁRIO DE OBSERVADOR: Relação Treinador-Atleta

Depois de mais um fim-de-semana a observar vários jogos, resolvi falar sobre a relação treinador-jovem atleta.

Qualquer jovem atleta quando faz parte de uma equipa precisa de sentir que alguém está disposto a “perder” tempo com a sua formação. Ora é isto que me faz confusão por perceber que muitos treinadores de equipas de futebol de formação não estão dispostos a despender este tempo.

Eu não me importo de “perder” tempo a trabalhar com as minhas equipas, com os jovens com que me vou cruzando neste meu percurso, tento lhes transmitir que com dedicação podem crescer juntamente com o projecto. Esse é outro aspecto importante pois os jovens de hoje são exigentes e não se satisfazem com projectos minimalistas e onde a sua presença é apenas vista como mais uma, dessa forma é preciso principalmente envolvê-los no nosso projecto.

Não há uma formula infalível, não há treinadores iguais, por isso cada treinador terá a sua estratégia, embora como tenha dito no inicio, me pareça que há muitos treinadores que se preocupam pouco com esta relação com os jovens atletas e não percebem a força que essa relação pode ter

Num dos últimos livros que li, o seleccionador de rugby Tomaz Morais refere dois aspectos com que estou totalmente de acordo, é preciso capacitar e responsabilizar. Assim, à medida que vamos capacitando os miúdos é necessários dar-lhe novas responsabilidades. Este é, sem dúvida um factor que contribui para que não haja quebras motivacionais.

Esta é uma força incrível que os jovens têm, a sua motivação por estarem a desempenhar uma actividade que adoram, não a deixem desaparecer…

domingo, 21 de setembro de 2008

DIÁRIO DE TREINADOR: Primeiro teste

Esta semana tive o primeiro teste depois de abraçar um novo projecto, mais um momento de avaliação do grupo de trabalho…

Tenho duas semanas de treinos com estes miúdos, a primeira semana com a preocupação de avaliar todos os jogadores presentes nas captações a segunda já a trabalhar de acordo com o modelo de jogo que quero implementar na equipa, embora ainda haja adaptações para fazer de acordo com os jogadores do plantel.

Esta semana o trabalho incidiu mais na organização ofensiva. E porquê? Sou da opinião que devemos começar por ai quando se trabalha com os miúdos pela primeira vez, é mais atractivo para os miúdos quando proporcionamos mais hipóteses de finalizar, de ter sucesso, de marcar golos…

Falando no jogo, a primeira coisa que disse aos miúdos foi que nem queria saber do resultado, que era natural que as coisas não nos saíssem perfeitas, tinha sido uma semana em que eles também se tiveram de adaptar a uma forma de trabalhar, a um novo “mister”.

Acabando o jogo quais as conclusões? Que há muito trabalho pela frente, mas estou confiante num percurso positivo. Tenho um bloco de notas cheio de aspectos a trabalhar, o que até é normal, a organização defensiva tem muito a melhorar em termos posicionais, as transições têm de ser muito mais rápidas, em termos de dinâmica ainda estamos longe, etc. Há também coisas positivas claro agora segue-se mais uma semana de trabalho…

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

DIÁRIO DE OBSERVADOR: Breve reflexão

Um dos assuntos que me interessa no futebol jovem é, a detecção, selecção, recrutamento de “talentos” e o seu posterior desenvolvimento.

Mas o que é isto dos talentos? Para o Prof. Júlio Garganta “um talento é alguém capaz de uma performance acima da média num dado domínio e em vários momentos.”. Não sei se ser um talento é apenas estar acima da média, parece-me que tal como disse há pouco tempo o Sr. Aurélio Pereira, a designação de talento está quase a tornar-se uma banalidade. Um talento tem de ser muito mais que isso.

Nos dias de hoje, é unânime que sem um processo de detecção, selecção e recrutamento de “talentos” os treinadores terão dificuldades em preparar uma equipa para competir ao mais alto nível, para além disso os clubes, devido às dificuldades financeiras começam a olhar para o futebol de formação de outra forma. Dessa forma surge a necessidade de criar departamentos de selecção e detecção de talentos nos clubes de forma a potenciar todo o processo de formação.

Tem-se dito que o segredo para o recrutamento de um atleta para um determinado clube é muitas vezes “chegar” primeiro, assim, este processo, na maior parte dos clubes, incide essencialmente em jovens com sete ou mais anos de idade, existindo para isso estratégias por parte dos clubes para o conseguir. Para mim outra das vantagens deste recrutamento nestas idades é ter um maior processo de evolução no clube de forma a potencializar o seu talento. Importa aqui referir a importância de possuir treinadores e treinos apropriados que possibilitarão aos jovens jogadores um maior desenvolvimento das suas qualidades.

Para que este processo de identificação e recrutamento de talentos ocorra de forma organizada, é essencial que o clube defina elementos chave para sabermos quais as características que pretendemos identificar nos jogadores. Era um assunto que poderia aqui ser muito explorado e desenvolvido mas, apenas dou um exemplo muito conhecido. O sistema TIPV (TIPS em inglês) utilizado pelo Ajax, onde o T simboliza técnica, aquilo que o jogador pode fazer com a bola; I é para inteligência, entendida aqui como cultura táctica; P é para personalidade, um aspecto muito importante para os detectores de talentos e formadores do Ajax; V significa velocidade, pois para jogar no Ajax é muito importante não só a velocidade simples, mas também é imperioso ter rapidez com a bola nos pés.

Para concluir este assunto, eu pessoalmente penso que é de extrema importância neste processo ter definido no clube o modelo de jogador pretendido. Este é um aspecto que muitas vezes penso ser descurado e que leva muitas vezes a que jogadores acabem por não se adaptar a determinada realidade…

terça-feira, 9 de setembro de 2008

DIÁRIO DE OBSERVADOR: Formas de trabalhar...

Como já aqui referi anteriormente, costumo observar outros treinos para tentar retirar algumas coisas que me façam enriquecer como treinador.

Há uns dias observei um treino na chamada “velha guarda”, treino por circuito, baseado naquilo a que os treinadores chamaram de resistência física.

Existirem este treinos, com toda a informação que há nos dias de hoje é incrível. Mas agora correm com uma bola nos pés, já é treino integrado. Será que isto se justifica?

No outro dia voltei a ver o Karaté Kid, um filme já com uns anos. A dada altura o miúdo vê um poster de um homem a partir um grande tronco de uma árvore e pergunta ao mestre se conseguia fazer aquilo. A resposta foi, “não sei, nunca fui atacado por uma árvore”.

É verdade que estamos a falar de karaté, mas esta resposta serve para esta situação. O que nos vale que os nossos miúdos consigam dar 50 voltas ao campo a correr? Para mim pouco ou nada…

“Um pianista não corre à volta do piano nem faz flexões com os dedos, limita-se a tocar piano…”

DIÁRIO DE TREINADOR: O primeiro treino


Ontem iniciei a época desportiva da minha nova equipa. Foi o primeiro treino, de uma semana dedicada a conhecer os atletas. Em relação à época anterior esta equipa onde estou a começar “perdeu” alguns jogadores que foram para uma equipa teoricamente superior.

No fim do primeiro treino posso dizer que fiquei satisfeito, são miúdos com potencialidades e penso que se pode fazer um bom trabalho. Por enquanto a equipa não está definida, sei que virão alguns jogadores treinar nas próximas semanas, mas os miúdos que já “assinaram” tem muita qualidade agora é equilibrar o plantel…

Daqui a 2 semanas começam os jogos de pré-época altura em que quero ter 90% da equipa definida para começar a trabalhar de forma ainda mais intensa o modelo de jogo, já que estas semanas serão de adaptação, tanto dos jogadores ao modelo de jogo como do modelo de jogo aos jogadores que tenho.

Foi um treino que me deixou satisfeito, podemos fazer um grupo muito engraçado, e os miúdos parecem ter gostado do treino, também para eles a forma de trabalhar é um pouco diferente, mas acredito que no final todos estaremos mais evoluídos e isso é o meu grande objectivo.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

DIÁRIO DE TREINADOR: De regresso ao trabalho...


Estou de regresso aos treinos, confesso que já sentia saudades. Tenho a sorte de fazer aquilo que gosto, assim o regresso é sempre encarado de forma positiva.

Foi um começo tranquilo, com os miúdos das escolas de formação. Estou também algo ansioso para começar esta vertente da nova época. O novo projecto onde estou inserido vai-me com certeza enriquecer enquanto treinador. Irei presenciar uma nova metodologia de treino, embora no fundo não seja uma novidade, conheço alguns trabalhos do autor desta mesma forma de trabalhar, e também estive presente numa acção de formação teórico-prática que o autor desta metodologia deu aqui há uns anos num seminário.

Vai ser interessante conjugar esta metodologia com a metodologia que costumo seguir, essa é para mim a parte mais rica do trabalho prático que irei desenvolver.
Ainda estou a tentar integrar mais projectos, quero continuar a aprender e a ter acesso ao mais variado número de realidades.

Assim, fica oficialmente marcado o inicio de mais uma época de trabalho bem como o normal funcionamento deste espaço.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

DIÁRIO DE OBSERVADOR: Mudança de mentalidades...


Nos últimos dias os jogos olimpicos têm sido o grande motivo de conversas entre os interessados em desporto. Agora toda a gente está desiludida e procura-se responsáveis para uma prestação aquém das expectativas.

Toda a gente se ri da frase de Marco Fortes a dizer que de manhã se sente bem é na cama. Quem o conhece minimamente sabe que ele éum rapaz muito divertido e que tudo o que diz é para animar quem está perto dele, foi isso que se passou ele apenas quis brincar com a situação e não arranjar desculpas, mas pronto há que atacar tudo e todos e ele não é excepção. Eu continuo com a minha opinião sobre ele e esta situação.

Para mim o mal do desporto em Portugal é o mesmo que muitos clubes de futebol (lógicamente tenho de relacionar com a temática deste blogue), pensam nos 100 metros em vez de pensarem na maratona, isto é, pensam nos resultados a curto prazo em vez de se preocuparem em criar uma estutura que sustente os resultados a médio longo prazo.

No fim de todos os jogos olimpicos eu oiço que é preciso apostar no desporto, principalmente no desporto escolar que, digasse de passagem, deixa muito a desejar. Será desta? O mesmo se passa com os clubes, vamos apostar agora nas equipas séniores e equecer as camadas jovens, porque este ano temos de ganhar, subir de divisão, etc.

Claro que nem toda a gente pensa desta forma o que muitas vezes causa incompatibilidades entre pessoas e alguns projectos interessantes são abandonados, pessoas empenhadas e competentes se perdem, muitas vezes com a frase que “não continuam arranjamos outros e ainda ficam melhor servidos”.

Enfim, é necessário mudar muitas mentalidades…

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

DIÁRIO DE TREINADOR: O factor sorte...


Neste periodo de férias, aproveito para estar com amigos de longa data, a fazer coisas banais como jogar as cartas, conversar, ir à praia, etc. No outro dia estava no café, junto a uma maquina de flippers onde estava a jogar um rapaz que todas as noites passa ali algum tempo. O jogo estava a correr bem e alguém diz, “este gajo tem mesmo sorte”

Será que existe este fenómeno de SORTE? Há um provérbio chinês que define a sorte como o ponto onde a preparação encontra a oportunidade. Concordo plenamente, as pessas que têm aquilo a que muita gente chama sorte são as que se preparam para reconhecer e aproveitar as aportunidades.

Todos se lembram daquela final da liga dos campeões entre o Manchester United e o Bayern Munique, para mim o Manchester não ganhou por sorte, mas por ter a capacidade de pressionar a equipa adversária e consequentemente aumentar as probabilidades de sucesso. As vezes esta estratégia não resulta em sucesso mas com toda a certeza as probabilidades de tal acontecer aumentam.

Outro aspecto desta SORTE é explicado numa frase do golfista Gary Player “Quanto mais pratico, mais sorte tenho”. Esta é na minha opinião o grande factor, aquele rapaz tem sorte a jogar flippers porque joga todos os dias, praticando…

Concluindo, temos de praticar muito para melhorar os diversos aspectos da nossa actividade, bem como tentar aumentar as probabilidades de obter sucesso, assim teremos SORTE.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

DIÁRIO DE TREINADOR: Novo projecto


Para a próxima época irei iniciar um novo projecto. Admito que estou ansioso para começar a trabalhar, tenho esperança de fazer um bom campeonato. Ainda não conheço todos os miúdos que compõem a minha nova equipa, embora esteja a procurar recolher o maior número de informações possíveis para em Setembro quando iniciar os treinos não começar do zero.

Um dos próximos passos vai ser falar com os encarregados de educação da minha antiga equipa, tinha-me comprometido com eles mas como já aqui referi anteriormente o clube alterou muito a sua postura e inviabilizou a minha continuidade, assim irei esclarecer o porque de não continuar e perceber até que ponto alguns dos miúdos me puderam acompanhar nesta nova aventura. Há miúdos que têm muita qualidade e com certeza poderão ser mais-valias para a minha futura equipa.

Irei continuar também ligado a escolas de futebol, é um trabalho diferente mas que gosto de fazer e acredito que me ajuda a melhorar enquanto treinador. Este parâmetro ainda não está completamente resolvido, quero conjugar bem o horário para conseguir treinar em mais do que um projecto, quero continuar a conhecer novas formas de trabalhar, de organização, etc.

Vou continuar com este espaço e com esta categoria, diário de treinador, onde irei falar da minha semana de trabalho. É uma forma de eu também pensar no meu trabalho e em como posso melhorar.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

FUTEBOL JOVEM E O MUNDO: FC Schalke 04

Esta semana vou retomar a crónica “futebol jovem e o mundo”. Irei até à Alemanha falar do FC Schalke 04 e do director da academia do clube, Bodo Menze.
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Actualmente o Schalke está a ter um melhor desempenho tanto a nível económico como de resultados desportivos. Esta situação é congruente com uma melhor organização do clube. Os departamentos do futebol profissional, amador e de formação trabalham em conjunto com um objectivo em comum: Jogar futebol ao nível mais elevado possível.
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Ao longo dos anos o futebol alemão tinha uma visão que hoje é considerada no mínimo desactualizada, onde era dada uma importância enorme à parte física, o Schalke não fugia à regra mas neste momento a sua forma de pensar é diferente e o desenvolvimento técnico é agora o principal.

Neste momento o Shalke tem na sua academia 28 treinadores e 8 supervisores que trabalham todos juntos numa estrutura organizada. O clube tem um plano ao qual eles chamam de “curriculum” que aplicam às diferentes idades, nesse plano é dada igual importância às vertentes táctica, técnica, física e mental, embora seja dada diferente acentuações conforme as idades que se está a trabalhar. Por exemplo, nos mais jovens o desenvolvimento técnico é a grande prioridade com muitas situações de 1x1. Conforme o desenvolvimento vão sendo introduzidos aspectos tácticos.

Bodo Menze é a favor do Método de Coerver, “Nós estudámos o método de Wiel Coerver e pretendemos integrar cada vez mais no nosso programa. Os resultados irão aparecer nos próximos anos”. O director refere ainda o que pensa do treino de jovens “ O treino de jovens não é fácil de planear, não podemos fazer uma lista objectivos a serem aplicados e no final do treino ir riscando. A maior qualidade que tem de ter um treinador de jovens é paciência. Às vezes nós não vemos logo desenvolvimentos mas se tivermos paciência no fim tudo irá resultar”. Repetição é a palavra mágica neste programa do clube alemão.


O clube tem um modo de jogar que quer aplicar a todas as equipas jovens, mas isto não quer dizer que todas as equipas jogam da mesma maneira, os jogadores precisam de conhecer diferentes sistemas de jogo, etc., mas há aspectos que têm sempre de estar presentes como fazer “campo pequeno” quando a equipa perde a posse de bola, transições rápidas, fazer “campo grande” em posse de bola com bons posicionamentos, criar ajudas constantes entre os jogadores com posicionamentos em triângulo e usar as alas o mais possível.

O Schalke 04 é um clube com uma importância extraordinária na sua região, dessa forma não pode apenas ter a preocupação de fazer jogadores para a primeira, mas também de estimular o futebol jovem da região. Menze, em relação a este tema, refere “Nós trabalhamos em conjunto com sete clubes da região através de um projecto que designado de “futebol em Gelsenkirchen”. Esses clubes podem trazer os treinadores para formações e podem utilizar material educacional. Jovens talentosos desses clubes terão a hipótese de treinar na nossa academia. Outro dos aspectos deste projecto é a marcação de vários jogos amigáveis das nossas equipas com esses clubes”.

Para além deste projecto que é considerado o mais importante para Bodo Menze existe ainda outros dois que o director faz questão de referir: o “Super 4” que é um torneio 4x4, realizado nas férias de verão, e que traz à academia 32 equipas durante dois dias. O outro projecto diz respeito a uma colaboração do clube com 28 escolas da região.
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Este clube funciona com base no lema “aprender a jogar, jogando”. Assim, existe um enorme investimento em criar as melhores condições para o desenvolvimento dos jovens e do futebol da região, “Nos investimos também no scouting a nível regional. Com os mais novos nos fazemos apenas uma observação e recrutamento dentro da cidade, com os mais velhos, essa área é expandida. Acima de tudo queremos jogadores com talento ao nível da mobilidade, velocidade, raciocínio e tomada de decisão. Depois através de conversas tentamos perceber o seu carácter e personalidade, este é um critério importante de forma a pode-los integrar na nossa academia. Nos damos mais atenção aos jovens entre os 8 e 12 anos de idade, pois estão dentro da zona de maior desenvolvimento.”

Devo confessar que fiquei surpreendido com a organização, ideias e projectos deste clube, já conhecia a realidade de alguns clubes alemães e o Schalke tem uma visão diferente dos restantes. Fiquei bastante interessado em saber mais sobre este clube. Fico contente que as mentalidades estejam a ser alteradas neste país.

Este texto é apenas um resumo para dar a conhecer esta realidade, havia mais coisas a dizer mas iria tornar-se chato. Mais uma vez retirei algumas ideias e conhecimentos que me enriquecem enquanto treinador, ou outra função relacionada com o futebol jovem e isso é importante. Procurem saber sempre mais....

terça-feira, 22 de julho de 2008

DIÁRIO DE TREINADOR: Nada se faz por acaso...


Uma das vantagens que esta fase de férias tem é, existir mais tempo para pensar em determinados aspectos da nossa vida desportiva. É natural nesta fase existir um balanço final da época desportiva, um planeamento da próxima, etc. Eu não sou diferente embora o planeamento da próxima época ainda esteja dependente de algumas coisas.

Como já referi num post anterior tenho aproveitado também para ler alguns livros e artigos que me despertam interesse, continuo a elaborar um documento (quanto mais escrevo, mais tenho para escrever) e tenho também aproveitado para trocar ideias com algumas pessoas. Foi numa destas conversas que surgiu o tema para este post.

Num jantar com alguns treinadores, a dada altura da conversa chegámos ao tema do modelo de jogo, onde eu disse que tinha estado a pensar e que tinha alterado algumas coisas na tentativa de o melhorar, de o fazer evoluir. Uma das pessoas que estava presente questionou-me se eu estava sempre a alterar o meu modelo de jogo, que ele não o fazia que ele já tinha pensado no seu e que como para ele aquele era bom não o mudava.

Eu como treinador procuro ser sempre melhor, saber sempre mais e procuro sempre ter o modelo de jogo o mais evoluído possível, resumidamente foi isto que lhe respondi. Continuando fiquei a saber que o modelo de jogo dele tinha sido feito por outra pessoa, que ele tinha gostado e que assim também o utiliza. Agora eu pergunto, será isto o mais correcto?

Aposto que todos responderam que não, é aproveitar o trabalho de outra pessoa. Pois eu penso que mesmo que o modelo de jogo dele seja o melhor do mundo ele não será capaz de o por em prática da melhor maneira. Não basta apresentar o modelo de jogo aos jogadores num power point, temos de o por em prática, eu duvido que se uma pessoa copia um modelo de jogo saiba construir exercícios para o potenciar. Os treinadores são diferentes pela interpretação que fazem das coisas a que têm acesso. Por exemplo, há pessoas que compram aqueles livros de 1001 exercícios e pensam que está o trabalho feito. Se assim fosse errámos todos grandes treinadores.

Nada se faz por acaso, também uma boa equipa não se faz facilmente, temos de nos dedicar, de pensar sobre o que estamos a fazer...

segunda-feira, 14 de julho de 2008

DÍÁRIO DE TREINADOR: Novas ideias...


Hoje foi contar-vos como têm sido os meus dias, nesta fase que nem estou bem de férias nem estou a trabalhar como era habitual.

Como é perceptível pela categoria futebol jovem e o mundo, gosto de conhecer novas realidades, outras formas de trabalhar outras ideias. Assim, procuro ler o maior número de livros, revistas da especialidade, artigos na internet, blogues, etc. É isso que tenho feito. Tinha alguns livros em “atraso” que tenho estado a ler. Um aspecto que quero aqui referir é a variedade que procuro, isto é, para além de livros de futebol que é a grande maioria, tenho encontrado livros de psicologia, actividade física e saúde, pedagogia que vou achando interessantes e com os quais procuro aprofundar mais os meus conhecimentos.

Mais uma vez volto aqui a referir que considero que não há verdades absolutas, isto é, eu quando leio um livro tento retirar o máximo de informação possível mas tenho a preocupação de reflectir sobre cada coisa que é “dita” por aqueles autores.

Neste momento já tenho ideias que quero experimentar na próxima época, aspectos onde penso me podem ajudar a ser um melhor formador, porque é com esse objectivo que entro para cada época, formar!

Continuo a pensar em novos exercícios para trabalhar determinadas situações do meu modelo de jogo, o meu documento continua a crescer dia após dia. Procuro conversar com diversas pessoas deste meio, para falarmos sobre o que se acontecendo, quero aqui também referir que não gosto de "discutir" pessoas mas sim ideias...

Este fim-de-semana fui para a praia e enquanto de um lado se jogava as cartas do outro se ouvia música, eu estava de volta de um livro sobre futebol.

Já é altura de me desligar...

domingo, 13 de julho de 2008

DIÁRIO DE OBSERVADOR: Uma história interessante...


Vou contar uma história que não se passou comigo, foi um colega que me contou mas que acho interessante contá-la neste espaço.

Num bairro de uma cidade periférica, tal como em outros locais, predomina os prédios e as pequenas pracetas. Numa dessas pracetas “brincavam” dois irmãos que ainda conseguem preservar o que todos nós sentimos falta, ser o “puto de rua”. Não estavam a ter a melhor brincadeira, atiravam pedras um ao outro, com o enorme risco de acertar num dos carros ali estacionados.

A dada altura uma senhora passou por eles e prontamente os reprimiu dizendo que não deviam estar ali a fazer aquilo, mas como crianças que são não ligaram e continuaram o que para eles era divertido. O meu colega estava à janela do prédio e presenciou esta cena, como também ele achava que não era a brincadeira mais correcta e porque o seu carro também estava por ali, perguntou porque se eles não preferiam brincar a outra coisa, eles responderam que não tinham mais nada para brincar. O meu colega desceu e foi ter com estes jovens, pediu-lhes que o acompanhassem até ao carro. Quando chegou ao local abriu a mala do carro e retirou de lá uma bola vazia que andava por lá.

Foi automático, os miúdos pegaram logo na bola e começaram a jogar um contra o outro, cada um com o objectivo de fintar mais que o outro, um era o Ronaldo outro o Quaresma, esqueceram logo as pedras e as outras brincadeiras. Agora, cada vez que o meu colega passa, correm atrás de carro para ver se há mais uma bola...

Tal como vinha num jornal este fim-de-semana, “Eles não sabem, nem sonham, que o sonho comanda a vida, que sempre que um homem sonha o mundo pula e avança como bola colorida entre as mãos de uma criança.”

quinta-feira, 10 de julho de 2008

DIÁRIO DE TREINADOR: Falta de organização/ambição


Afinal parece que ainda não é esta semana que este espaço volta ao seu normal funcionamento. Surgiram outros assuntos na minha vida desportiva que me levaram a despender algum tempo extra a essa vertente.

Este ano quando terminei a época tudo ficou “conversado” para continuar com as minhas actuais funções e ainda que teríamos a liberdade da direcção para avançar com um projecto para a formação, algo que considerava e continuo a considerar ser um passo importante para aquele clube, aliás todos os clubes devem caminhar no sentido de aperfeiçoar as estruturas que já possuem. Assim sendo, um grupo pequeno de pessoas meteu-se ao trabalho na elaboração desse projecto, aliás já aqui referi que tenho um documento orientador para um departamento de formação mas este projecto iria também abranger um departamento de marketing, alguns aspectos de administração etc. daí a razão de ser um grupo de pessoas cada um com as suas competências.

Depois desse trabalho iniciado, as captações feitas para a próxima época, as equipas técnicas começarem a planear o trabalho da próxima época já com base no futuro projecto, foi-nos dito pela direcção que as condições iriam mudar. Não importa aqui referir que tipo de alterações foram feitas, o importante é que pôs tudo isto em causa, o projecto já não vai para a frente, a maioria dos treinadores ira abandonar o clube e pior ainda tudo o que já foi conquistado até aqui com muito trabalho irá ser praticamente abandonado.

Ficou assim definido finalmente o que este clube pretende, apostar tudo no futebol sénior, abandonar um trabalho fantástico que estava a ser feito no clube ao nível das escolas de futebol e do futebol de formação.

No meu caso pessoal provavelmente serei um dos que irá abandonar o clube, não que essas condições alterem muito o meu trabalho, mas porque não gosto desta falta de estrutura do clube, esta falta de ambição.

Assim, neste momento, existe um projecto muito bom, pessoas muito competentes que o iriam colocar em prática e infelizmente foi tudo abandonado. Assim estou sujeito a ficar afastado da próxima época desportiva, depende das possibilidades que me surjam do que ainda me vai ser dito pela direcção do clube, mas ainda assim fico de consciência tranquila por ter sido fiel aos meus princípios. Onde quer que esteja a trabalhar, seja em que função for não gosto de um espírito comodista, quero sempre mais e melhor e isso faz-se com trabalho, com ideias...

Concluindo é com uma enorme pena que vejo clubes com um potencial fantástico ficarem parados, a ter nos seus quadros pessoas competentes com vontade e ideias concretas para melhorar o que já existe e o clube a não querer ouvi-las e a deixá-las irem para outros clubes, para outros projectos. O futuro provavelmente irá dar razão ao grupo de pessoas que pensa como eu e que neste momento ficaram desiludidas com o futebol...

segunda-feira, 7 de julho de 2008

DIÁRIO DE TREINADOR: Opções do treinador


Voltando esta semana ao funcionamento “normal”, hoje é dia de mais um post do diário de treinador.

Numa altura em que muitos dos treinadores estão a pensar na próxima época e a aproveitar as férias, no meu caso os treinos continuam, optámos por continuar este mês com os treinos na escola de futebol. Assim, tenho aproveitado para potencializar alguns processos na turma que será a base das nossas equipas de escolas B e C.

Mas não é esse assunto que vou aqui abordar, irei voltar a falar dos treinos da captação. No último treino de captação optei por realizar um jogo entre os atletas que já pertenciam à minha equipa e os miúdos que estavam ser observados.

Algumas das pessoas que estão a ler este texto podem perguntar. Qual o meu objectivo com este jogo no último treino?

Não sei se foi correcto o que fiz em termos pedagógicos, realmente tive muitas dúvidas, mas acabei por ir com esta ideia para a frente. Por diversas ocasiões, no final deste período de captações ouvimos pais e miúdos a dizer, “não fui escolhido mas jogava melhor que muitos que foram”, “o meu filho tinha claramente lugar naquela equipa”. Ora este treino foi um pouco para tirar essas “ilusões” aos pais e aos jovens. O resultado final desse jogo foi desequilibrado, tal como eu esperava.

No final do treino pedi a todos os atletas que estavam a ser observados para ficarem mais um pouco no treino para eu conversar com eles, enquanto aos restantes disse que podiam ir embora. Essa conversa foi baseada nesse jogo. Perguntei o que eles tinham achado do jogo e prontamente me responderam que eles jogavam muito bem (também os pais referiram o mesmo no final do treino). Aproveitando essa resposta tentei que eles percebessem porque seria difícil para eles entrar naquele grupo, que apenas 1 ou 2 iriam ter essa possibilidade. Eles entenderam e perguntaram-me se já tinha decidido, respondi-lhes que não, mas que cada um deles observasse os colegas à sua volta, o que cada um tinha de bom e o que tinham de melhorar. Deixei-os conversar um pouco entre eles e no fim disse, “joguem muito à bola durante as férias, divirtam-se, aproveitem e em Setembro venham cheios de força...”

Mais uma vez refiro que não sei se foi a melhor opção, foi a minha com um determinado objectivo. Acho que correu bem, pelo menos cumpri esse mesmo objectivo, se calhar noutro clube não tinha o mesmo resultado, tenho aqui de referir que a maioria dos atletas presentes nestes treinos são da nossa escola de formação, que já me conhecem há 1 ou 2 anos e eu a eles.
Foi um mês produtivo, onde já foi feita uma pré-selecção, agora é planear a próxima época, embora esta semana tenha recebido algumas informações por parte do clube que podem alterar muito deste trabalho... Esta semana haverá mais novidades....

terça-feira, 1 de julho de 2008

DIÁRIO DE TREINADOR: Mês dedicado às captações


Pois é estou de volta e qual a melhor categoria para recomeçar que o diário de treinador?!

O campeonato acabou depois de 29 jogos oficiais. Foram jogos que me deram um enorme prazer, com um grupo de 15 miúdos fantásticos, cada um com as suas personalidades mas que no conjunto funcionaram muito bem.

Terminada a época, achei por bem convocar uma reunião com os encarregados de educação de forma a realizar o balanço da época e de modo a começar já a preparar a época. Também os pais formaram um grupo interessante e muito positivo, desejo sinceramente que continue desta forma, pois também eles são importantes para que toda a equipa tenha uma evolução constante como até agora se verificou.

Em relação ao trabalho de campo propriamente dito, para a próxima época irei ficar sem dois dos 15 jogadores actuais. Um guarda-redes que me disse que ía deixar de jogar futebol, guarda-redes esse que iria abandonar a equipa de qualquer maneira visto ser de 1997 e que assim será infantil na próxima época. Outra das baixas para a próxima época admito que me custou muito, trata-se do atleta de nacionalidade espanhola que tanto referi aqui devido aos problemas burocráticos que tive para o inscrever. Foi um miúdo que teve uma evolução um extraordinária, era o jogador que utilizava para melhorar as contenções dos restantes colegas porque tem uma capacidade técnica fora do normal. Desejo-lhe a melhor sorte do mundo e que continue a jogar futebol no país de nuestros hermanos. Quem sabe se o sonho não se concretiza e daqui a uns anos está a jogar no Barnabéu com a camisola do Real Madrid. Obrigado Diego!

Este mês de Junho foi dedicado a captações, a maioria dos atletas presentes são oriundos da nossa formação, que continua a dar provas de estar no bom caminho. Apareceram também miúdos de outros clubes. No global posso dizer que há atletas de qualidade que em Setembro continuaram a prestar provas e que num futuro, caso sejam seleccionados, serão integrados na equipa da melhor maneira possivel.

Por hoje fico por aqui, há mais a dizer, hoje apenas falei destes assuntos por alto mas irei especificar este assunto dos treinos de captação, bem como dos processos que utilizo na preparação da próxima época.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

CRÓNICA SEMANAL: "uma forma moderna de escravatura"


Pois é, o Euro’2008 está quase a começar, já temos os jogadores escolhidos! Começamos a sentir aquele nervosismo destas alturas, a ansiedade de jogadores, técnicos e adeptos. Ainda agora acabou o campeonato e todas as conversas, discussões debates, em que todos participamos um pouco, já está aí outra competição para prender a atenção. Não será assim o futebol “uma forma moderna de escravatura” como diz o sociólogo francês Jerôme Segal?

Mas não podemos olhar apenas para esta escravatura dos adeptos e das suas emoções. Sendo este espaço dedicado ao futebol Jovem, parece-me importante fazer uma ligação com esta realidade. Na conferência de imprensa de segunda-feira, onde se deu a conhecer os seleccionados, Gilberto Madaíl referiu que tinha de se investir na formação, chegou até a falar em 2 milhões de euros, para combater o crescimento do número de estrangeiros nas camadas jovens. É neste ponto que quero falar de uma nova forma de escravatura.

Se olharmos com atenção para os estrangeiros no futebol de formação no nosso país, vemos que a maioria provém de África e América do Sul, zonas onde há menos recursos, sejam eles materiais, físicos e sobretudo financeiros. Assim, as agentes/empresários visitam as famílias, prometem contratos na Europa, convencem-nas, muitas vezes, a endividar-se para comprar o bilhete de avião à procura de um sonho. Quantos conseguiram vingar no futebol sénior? E depois o que acontece? Por cada craque que aparece dessas regiões “há dezenas de milhares de jovens na miséria”.

Esta necessidade de se segurar este sonho Europeu leva a que alguns desses jovens utilizem todas as formas possíveis para o conseguir, seja alterar documentação para serem mais novos, utilizarem doping, etc.

Acho que o futebol necessita de ser repensado, ainda mais quando falamos de jovens e do futebol de formação, fiquei satisfeito com o anúncio de Gilberto Madaíl, também em Inglaterra vão apostar forte, finalmente perceberam que não chega ter a melhor liga do Mundo se nela só estão atletas estrangeiros.
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terça-feira, 13 de maio de 2008

DIÁRIO DE TREINADOR: Cada vez melhores...


Esta semana jogava contra o primeiro classificado desta 3ª fase, uma equipa só com vitórias, inclusive já nos tinha ganho em nossa casa no tal jogo atípico onde o clube marcou mal a hora e, assim, não tivemos tempo para a palestra nem para aquecer. Este jogo tinha uma importância especial para mim, queria mostrar que a nossa equipa é bem mais forte do que mostrou naquele jogo.

Apesar desta preocupação a semana de trabalhou continuou a ser dedicada a melhorar o nosso modelo de jogo, como já disse anteriormente, nesta terceira fase apenas me preocupa a nossa forma de jogar, não quero saber se ganhamos ou perdemos, desde que a equipa jogue bem. Isso tem sido conseguido, a equipa está a jogar de uma forma brilhante, os miúdos têm evoluído imenso. Os adversários com quem temos jogado nesta terceira fase também têm contribuído para isso. São equipas com o nosso nível e, dessa forma, temos novas dificuldades todos os jogos.

Voltando ao jogo na palestra procurei aumentar os níveis de confiança dos miúdos, eu sei do que eles são capazes, agora eles têm de acreditar em si enquanto equipa.

O jogo começou e desde o primeiro minuto que assumimos o jogo, com uma organização ofensiva muito forte não estávamos a deixar o adversário criar perigo enquanto nos íamos tendo algumas jogadas onde poderíamos ter alterado o resultado. Foi de forma natural que aos 10 minutos da primeira parte marcámos golo, por sinal um grande golo num remate espectacular que levou a bola a entra no ângulo. Apesar de ter sido golo corrigi o miúdo que o marcou, pois rematou para o lado onde estava o guarda-redes! A primeira parte continuou com alguma desorientação da equipa adversária, acredito que não estavam à espera que criássemos tantas dificuldades e que dominássemos o jogo daquela forma. O intervalo chegou com o resultado (curto) de 0-1.

Ao intervalo procurei mostrar aos miúdos que apenas estivámos no meio deste jogo, que eles tinham de continuar a lutar pela vitória, de uma coisa podiam já estar certos estavam a fazer mais um grande jogo e a ser superiores.

A segunda parte decorreu da mesma forma, ou seja, continuámos a jogar muito bem, embora o domínio não tenha sido tão visível como na primeira parte. O tempo foi passando com os miúdos a resolverem todas as situações que iam aparecendo, até que no último minuto de jogo, na nossa única falha defensiva o adversário tem espaço para rematar e empata o jogo. Foi injusto para os miúdos, como já referi pouco me interessa os resultados, queria apenas jogar cada vez melhor, o que se verifica e mostrar que perdemos aquele jogo devido às circunstâncias do mesmo.

No final mostrei-lhes o quanto estava orgulhoso deles, estão mesmo a jogar muito. Sinceramente e sem falsas modéstias somos a equipa que melhor joga nesta terceira fase, não estamos em primeiros é certo, mas é muito bom ver os miúdos a jogar desta forma. Aproveito para referir novamente a importância de ter estes adversários, que criam dificuldades, que nos fazem evoluir cada vez mais, só mostra que a associação deveria reformular um poucos os campeonatos, a segunda fase deveria logo ser desta forma...

sexta-feira, 9 de maio de 2008

FUTEBOL JOVEM E O MUNDO: AC Milan

Esta semana escolhi o AC Milan e Eddie Marles, director do clube para a América do Norte e América Latina. Vou falar um pouco sobre um programa que o clube tem para o futebol de formação, os campos de férias. Este programa iniciou, em Maryland, Baltimore em 1999. Desde essa altura alargaram-no a mais 10 estados americanos, bem como a 8 locais no Canada. O mesmo se passa com outras zonas do globo sendo, actualmente, considerado o número um nestas iniciativas, envolvendo mais 100,000 crianças todos os anos. Estes campos criados pelo AC Milan, recebem rapazes e raparigas desde os 6 anos até aos 17.

Eddie Marles nasceu na Colômbia, onde desenvolveu o seu gosto pelo futebol, mas emigrou cedo para os Estados Unidos com os seus pais. Em relação à sua associação com o AC Milan começou de uma forma curiosa. Marles tinha uma empresa que começou a prestar serviços de catering para o clube, foi assim que o staff técnico do clube o conheceu. Mais tarde começou a pesquisar mais sobre o clube e os seus objectivos, sobre os programas e territórios que abrangiam. Foi assim que se associou a este programa através das suas capacidades de organizar eventos.

Em relação ao programa, o foco é o desenvolvimento integral do jovem. É o pensamento que todos têm de ter. Também dão grande importância ao criar um ambiente divertido enquanto aprendem. Já em relação ao staff técnico Marles refere "Os treinadores são muito experientes e dinâmicos, a maioria deles viajam por mais de 40 países onde temos este programa". "As manhãs são dedicadas geralmente dedicadas ao treino técnico enquanto as tardes, dedicamos a conceitos tácticos e jogos". Esta forma de organização está também dependente dos miúdos que frequentam os campos. "Em algumas regiões há crianças extremamente talentosas, enquanto em outras eles apenas estão a aprender a movimentar-se, nós tentamos ensinar as crianças a serem coordenadas. É incrível ver quanto evoluem estes jovens numa semana com um bom método de ensino".

Muitos destes jovens que têm participado nestes campos acabam por ingressar nas academias da Florida, Califórnia, Toronto e no resto do mundo, neste momento são mesmo considerados uma peça fundamental na estrutura do clube.

Voltando ao staff técnico presente nestes programas, são treinadores altamente certificados, muitos deles são ex-jogadores, embora Eddie Marles refira que ser ex-jogador não significa que possa ser um treinador, é na verdade uma mais-valia. "Todos os nossos ex-jogadores continuam a fazer parte da nossa instituição. Desde Leonardo a Baresi. É como uma família e, nunca se abandona a família. Se notarem toda a estrutura do Milan é composta de ex-jogadores. Ancelotti, Tasotti, Costacurta, Baresi, Evani e Galli. Actualmente o staff está sob um programa de treino e actualização de forma a implementar a nova plataforma de treino, é um sistema que é considerado dos mais avançados do Mundo, para programas com jovens".

Este programa tem muitas particularidades que atraem os jovens, desde a presença de figuras do clube, como Paolo Maldini, Gennaro Gattuso, Alessandro Nesta e Clarence Seedorf. Depois têm também pacotes de viagens para Itália, sejam apenas para o jovem ou em conjunto com os pais.

É um programa de treino interessante, penso que poderia ser aproveitado por muitos clubes de forma a atrair jovens para os seus quadros.

O verão passado estive prestes a fazer parte de um programa semelhante num clube inglês, era uma oportunidade de me enriquecer enquanto treinador, conhecendo outras formas de trabalhar. Desde que comecei esta categoria, Futebol Jovem e o Mundo, tenho pesquisado bastante sobre clubes, treinadores e programas, não se compara com a vivência da própria realidade, é certo, mas considero que me tem feito evoluir na minha função de treinador e, sendo o meu sonho coordenar o futebol jovem de um clube, quanto mais realidades conhecer mais ideias consigo adquirir.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

CRÓNICA SEMANAL: Importância da vertente social dos clubes


Esta semana, fui observar um jogo de uma equipa na qual conheço alguns treinadores. Esse clube está numa zona onde existem várias equipas, muitas delas com alguma dificuldade em ter atletas suficientes em todos os escalões, assim, muitas vezes os miúdos têm de jogar pelo escalão superior.

Fiquei a ver esse jogo com um desses treinadores. A dada altura perguntei porque não ia buscar os melhores miúdos dessas equipas, já que a distância não era muita e assim já poderiam jogar no escalão correcto e inclusive aumentar a qualidade da equipa, isto é, criar um pequeno departamento de prospecção, ou algo semelhante. A resposta surpreendeu-me, foi-me dito que isso não era possível porque muitos desses miúdos têm dificuldades financeiras e não poderiam pagar a mensalidade que naquele clube é exigida enquanto são atletas de formação.

Ora o futebol nunca foi considerado um desporto de elite e assim tem de continuar, disponível para todos, independentemente do tamanho, capacidades, cor ou credo. Como actividade, oferece valores educacionais, benefícios para a saúde, oportunidades sociais e desportivas. Podemos mesmo afirmar que é um óptimo veículo para o desenvolvimento pessoal e, na maioria das vezes, são estes miúdos que têm mais dificuldades que precisam destas actividades. Concordo que a formação deve ser paga, não é isso que está em questão, mas se podemos ajudar esses miúdos não o devemos fazer?

Há uns tempos apresentei uma série de ideias a uma pessoa ligada a um clube, a resposta que obtive foi, arranja recursos financeiros para implementarmos isso. Eu então penso ao contrário, devemos implementar as ideias para trazermos mais verbas financeiras para o clube. É como esta situação, podemos não receber compensações financeiras directamente dos miúdos, mas se com eles aumentarmos a qualidade das nossas equipas, mais atractivo se torna o clube para outros miúdos, esses sim com possibilidades de pagar a mensalidade. Pode ainda haver a possibilidade de uma futura transferência para um clube de maior dimensão.

Todos os clubes deveriam ter programas desportivos, sociais e promocionais capazes de chegar a públicos mais alargados. É por isso que dou tanta importância à existência de uma pessoa responsável por estes assuntos, podemos chamar de coordenador se quiserem, não interessa a designação mas, se um clube quer crescer, tem de fazer a diferença com a qualidade dos serviços que presta à sociedade onde está inserido.
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terça-feira, 6 de maio de 2008

DIÁRIO DE OBSERVADOR: Pais também têm culpa...

Nesta categoria, diário de observador, normalmente falo de situações com que me deparo em diversos jogos que vejo. Desta vez irei falar, não de um jogo mas, de uma situação que ocorreu durante um treino na escola de futebol da qual faço parte.

Neste momento ocupo um lugar, que alguns chamam de coordenador técnico, isto é sou eu que observo todos os treinos que estão a ocorrer e se necessário intervenho de modo a aumentar a qualidade dos mesmos.

A situação ocorreu na nossa turma de miúdos de 2001/2002. Nessa turma existem dois miúdos que são irmãos, um de 2001 outro de 2002. O miúdo mais velho teve alguns problemas de integração ali na nossa escola, no inicio chorava muito, isolava-se etc. Há uns meses entrou o irmão mais novo que se conseguiu integrar melhor, inclusive ajudou na integração do mais velho. Importa ainda referir que os pais acompanham sempre os miúdos, ficando a mãe na bancada a assistir enquanto o pai se coloca mesmo encostado à vedação que está a delimitar o campo.

Neste treino o mais novo apareceu com uma bolha no pé que lhe estava a provocar algumas dores e que o levou a abandonar o treino, indo ao encontro da mãe na bancada. O mais velho apercebendo-se disso começou a olhar constantemente para o pai e, a dada altura, o pai retirou-o do campo, sem informar o treinador e sem ser pelo sítio indicado para o fazer.

Prontamente intervimos chamando o pai e o jovem, esclarecemos que aquela não era a forma correcta de actuar, o miúdo começou logo a dizer que não queria mais treinar, queria ficar com o pai. Nós temos um psicólogo que acompanha o treino, que tentou conversar com o miúdo enquanto nós falávamos com o pai sobre os problemas que esse miúdo tinha para se integrar ali.

Chegando ao fim da conversa, conclui que o grande responsável pelo miúdo ser assim é do pai e passo a explicar. Este miúdo com 6 anos (faz sete brevemente) ainda não se veste uma única vez sozinho, é o pai que faz sempre essa tarefa, isto mostra que o miúdo é super protegido, ou se quiserem mimado pelo pai, não criou autonomias, esta dependente dele para tudo, essa é a razão para todos os seus problemas de integração.

Identificado o problema, cheguei à conclusão que tenho de ter atenção a essa situação, o treinador dessa turma não pode prejudicar o seu treino nem os outros miúdos. Assim, o treinador deixa de ter essa preocupação e irei ser eu a actuar em relação ao miúdo de forma a desligá-lo do pai e a torná-lo autónomo, esse meu trabalho será em conjunto com o psicólogo, embora cada um actue numa área diferente deste problema.

Estou a contar esta situação para mostrar que muitas vezes são os pais que “estragam” os filhos, como se costuma dizer, devemos “ensinar a pescar” mais do que “dar um peixe”.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

DIÁRIO DE TREINADOR: Que orgulho...

Esta semana iniciava a segunda volta desta terceira fase contra a equipa que tinha empatado. Sendo o jogo em minha casa estava com esperança de um resultado positivo e assim distanciar-me dessa mesma equipa.

Quando fui para o relvado logo uma coisa chamou a atenção, a equipa adversária tinha convocado miúdos da equipa A, isto é, atletas mais velhos que nasceram em 1997. Alertei os meus miúdos para essa situação, ou por outra, tentei com isso motivá-los ainda mais para este jogo importante.

O jogo iniciou com um remate directo de um desses miúdos mais velhos à baliza, mostraram assim como seria o jogo, utilizar esses miúdos e a vantagem de serem mais velhos. Ainda bem que tenho uns miúdos que me deixam orgulhoso, da sua forma de jogar, em quem confio para todos os jogos sem precisar de utilizar miúdos mais velhos, aliás tenho até 3 miúdos de 1999. É a velha questão, interessa os resultados desportivos ou a formação dos jovens?

O resultado foi-se mantendo ao longo da primeira parte com a minha equipa a mostrar que não é o tamanho nem a força que ganha jogos, inclusive, aos quinze minutos, chegámos mesmo à vantagem através de um lance de bola parada. Poucos minutos depois num lance individual vencido pelo jogador da equipa adversária em velocidade, há um cruzamento onde a bola sofre um desvio e vai parar aos pés do avançado que apenas teve de empurrar fazendo a igualdade com que chegámos ao intervalo.

Ao intervalo dei os parabéns aos miúdos estavam com uma atitude fantástica, em termos de jogo eram eles que pareciam os mais velhos, os mais maduros. Mais uma vez disse que acreditava neles para vencer este jogo.

Na segunda parte num lance semelhante a equipa adversária volta a marcar golo, ficando em vantagem. Esse golo despertou nos meus miúdos um espírito guerreiro incrível, não tiveram medo nenhum de ir para cima deles e não fosse os remates distantes, os adversários nem criavam perigo. Perto do final um lance magnífico, que pode servir para resumir o jogo, um dos meus jogadores de 1999 à entrada da área dá um “cabrito” num desses miúdos de 1997 e, sem deixar a bola cair, remata colocando a bola no ângulo superior direito do guarda-redes, espectacular. Os miúdos festejaram os pais festejaram os pais dos adversários bateram às palmas. Mas no último lance do jogo o ditado, água mole em pedra dura, tanto bate até que fura, cumpriu-se e num remate distante conseguiram marcar de novo vencendo o jogo por 3-2.

Perdemos, é certo, mas saí do jogo com um orgulho imenso nestes miúdos, perdoem-me o que vou dizer, mas jogamos muito. No final disse a todos, “parabéns, estou muito satisfeito, mostraram que nem com miúdos mais velhos mereciam ganhar, no inicio da época escolhi para a equipa cada um de vocês, é com vocês que adoro trabalhar durante a semana e nenhum atleta da equipa A tinha lugar nesta equipa, vocês estão a evoluir de uma forma fantástica é isso que tem de ser importante e não se ganham hoje. Agora, imaginem esta equipa para o ano a jogar com vocês... "

quinta-feira, 1 de maio de 2008

FUTEBOL JOVEM E O MUNDO: Arsenal


Desta vez continuo por Inglaterra e agora vou até Londres. Vou falar do Arsenal, clube que me fascina há muitos anos pela sua aposta em jovens e de Liam Brady responsável pelo futebol jovem do clube há sensivelmente 12 anos.

Como Liam Brady cresceu no clube, já que entrou no arsenal em 1970 como uma jovem promessa, foi fácil aceitar o cargo que hoje ocupa. Uma espécie de retribuição, já que foi sempre muito bem tratado.

Nos últimos anos, jogadores como Aslhey Cole, Steve Sidwell, Jermaine Pennant, Justin Hoyte e Cesc Fabregas chegaram à primeira equipa do arsenal, sob o comando de Arsene Wenger, vindos na fantástica academia no clube situada Hertfordshire. Assim, hoje é muito fácil atrair jovens para o clube.

Quando Brady chegou, o clube estava em transformação, Arsene Wenger tinha convencido o clube a ter um novo centro de treinos, o responsável pelo futebol jovem do clube teve então de fazer pressão para a formação fazer parte dessa estrutura. Hoje em dia possuem um campo apropriado para qualquer estado meteorológico, uma área coberta e cinco fantásticos para a prática de futebol.

O departamento de formação do clube é uma estrutura enorme. Têm dez pessoas a tempo inteiro a trabalhar e cerca de 30 que trabalham em regime part-time. Há ainda vários observadores que o clube possui. Em relação a este tema dos observadores há uma curiosidade que Liam Brady refere “Nós não temos observadores em Manchester ou Newcastle e sítios desse género, não tem qualquer fundamento pois eles têm de ir para os clubes locais.” Apesar disso o Arsenal possui imensos observadores por toda a Inglaterra, maioritariamente em Londres, Escócia, Irlanda e em toda a Europa.

Como politica para o futebol jovem, o clube está concentrado em observar todos os atributos que pensam ser vitais, mas sobretudo dão muito valor à técnica individual dos jogadores. Para os responsáveis os jogadores têm de ser atléticos assim, possuem um programa de desenvolvimento físico, onde os atletas têm de ser dedicados e onde recebem orientação nesse aspecto.

Brady refere um aspecto que espera que brevemente se venha a alterar no clube, “Nós não temos jogadores ingleses suficientes no clube. Espero que nos próximos dois, três anos essa situação tenha sido alterada já que temos um óptimo grupo de jovens jogadores a aparecer”. Mas não se pense que é contra a contratação de atletas estrangeiros, “ Assinar com jovens estrangeiros é essencial para o Arsenal. Se nós pensarmos que existe um jogador especial e que nós pensamos que podemos ficar com ele, vejam o exemplo do Cesc Fabregas, nós trabalhamos arduamente para que isso aconteça. Penso que com as facilidades e a estrutura que temos, nós conseguimos atrair esses jovens.”

Claro que todo este trabalho resulta também por culpa de Arsene Wenger que é conhecido por apostar nos jovens “Enquanto a direcção e o treinador na equipa principal nos der o apoio que precisamos para continuar com o nosso trabalho, nós seremos cada vez mais fortes, se perdemos esse apoio aí será um problema”. Brady confirma ainda que os jovens muitas vezes escolhem o clube pela aposta que o técnico francês faz nos jovens, “ Eles sabem que irão ter uma oportunidade se forem suficientemente bons enquanto no comando estiver Arsene Wenger”.

Hoje em dia um clube como o Arsenal têm de ter os melhores jogadores no clube por isso é que os observadores desempenham um papel tão importante nos clubes de sucesso. Se depois tivermos os melhores treinadores para os trabalharmos e uma estrutura que apoie estes jovens e aposte neles seguramente todos este processo será um sucesso.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

CRÓNICA SEMANAL: Seriedade e Honestidade


Esta semana venho falar de seriedade e honestidade, dois conceitos que, por diversas vezes, estão ausentes no nosso país e também no futebol jovem.

Como costumo dizer, treinar jovens poderá ser também um risco e, tanto maior é o risco quanto mais impreparados, os intervenientes no processo estiverem. Assim, é essencial existir seriedade no trabalho que fazemos, temos de nos dedicar ao que fazemos. Uma das razões que me levou a começar a escrever, primeiro no meu blogue, depois em colaboração com outros espaços foi por tudo o que isso implicava. Como gosto de ser sério naquilo que faço, dedico a cada texto que faço algum tempo, seja para pesquisa de literatura da especialidade, conhecer novas realidades, seja para realmente pensar no porquê das diversas situações.

Há textos, livros fantásticos que gosto de ler e que podia utilizar, mas como disse gosto de pensar nas coisas, gosto de ter um espírito critico, não devemos aceitar tudo como verdades absolutas. Assim, não me parece sério nem honesto copiar textos, exercícios, ideias, etc. e utilizá-los como se fossem da nossa autoria, não há fórmulas mágicas, as coisas que consideramos boas podem não estar adaptadas à nossa realidade, por exemplo, a maneira de ser daquele treinador pode não ser a mais adequada para aplicar na minha equipa nem aos jovens com que estou a lidar.

Temos de ser honestos para os miúdos, eles não merecem a nossa falta de seriedade e preparação, não podemos aproveitar o que os outros fazem, algumas vezes com esforço, para parecermos algo que não somos.

Ultimamente também é visível a alteração de postura de diversos treinadores e dirigentes, que agora, constantemente, fazem declarações polémicas. Claro que se os questionarmos eles nos dizem, o Mourinho também é assim e é considerado dos melhores técnicos do Mundo. É verdade, mas essa é a sua maneira, sempre teve essa postura, agora sinceramente muito utilizam essa estratégia para disfarçar a sua falta de competência.

Resumindo vamos todos tentar ser sérios e honestos naquilo que fazemos!
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terça-feira, 29 de abril de 2008

DIÁRIO DE OBSERVADOR: Que medida tomar?

Nesta categoria é habitual falar de problemas, que vou observando nos diversos jogos em que estou presente seja como observador ou treinador.

Esta semana, o problema está repleto de aspectos que importa referir. A dada altura de um jogo de escolas o treinador resolve trocar de avançado, o jogador quando se apercebe que vai ser substituído dirige-se para a linha claramente chateado, até aqui tudo normal, nenhum atleta gosta de sair, mesmo neste escalão onde quem sai pode voltar a entrar, o problema foi a atitude que esse atleta teve quando passou pelo seu colega que entrou para o substituir, o seu companheiro, como é normal, estendeu a mão para o cumprimentar e efectuar a troca enquanto o jogador que ia a sair recusou o cumprimento e ainda reclamou com esse miúdo.

É uma atitude reprovável entre colegas de equipa e entre miúdos, mas ainda houve algo que ainda me custou mais observar.

O Treinador viu aquela atitude e não disse nada ao miúdo, continuou a comandar a sua equipa como se nada fosse, passados poucos minutos a equipa adversária marcou um golo a primeira coisa que o treinador fez foi voltar a chamar o atleta que tinha sido substituído e colocá-lo em campo no lugar do jogador que tinha entrado na sua posição.

Para mim é uma situação onde ocorrer diversos “erros pedagógicos” nem sei qual devo considerar o pior se o treinador deixar que tal aconteça na sua equipa, se fingir que não viu, ou ainda acabar por dar razão a estas situações de conflitos quando voltou a trocar esses jogadores.

Houve uma pessoa, junto ao banco, que reclamou da situação, não sei qual q relação com a equipa, mas imaginando que seja o pai do miúdo que entrou e voltou a sair e, embora considere que o treinador não deve explicar as suas opções tácticas aos pais, neste caso é compreensível um pai pedir justificações.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

DIÁRIO DE TREINADOR: Um jogo complicado


Esta semana objectivo era continuar a conciliar as boas exibições com os bons resultados. Seguindo a minha metodologia de treino, mais uma vez toda a semana foi dedicada a melhorar a nossa forma de jogar, ao nosso modelo de jogo.

O jogo desta semana estava marcado para as 11 Horas da manhã e assim que chegámos ao campo do adversário identifiquei logo a nossa primeira dificuldade, o calor intenso que se verificava.

O jogo começou e desde cedo os miúdos controlaram o jogo, embora a nossa organização ofensiva não estivesse a dar os resultados pretendidos, a falta de dinâmica e velocidade estava a impedir que a equipa criasse o número de oportunidades de golo que tem conseguido nos últimos jogos. Já ao nível da organização defensiva a equipa esteve muito bem impedindo a equipa adversário de se chegar perto da nossa baliza. Assim, a primeira parte acabou com o resultado de 0-0 tendo o guarda-redes adversário efectuado duas boas defesas impedindo a minha equipa de ir para os balneários em vantagem.

No intervalo, tive a preocupação de refrescar os atletas enquanto referia que apenas precisávamos de aumentar um pouco o ritmo para conseguir vencer este jogo. Tive uma conversa em particular com dois jogadores, onde lhes transmiti que iriam começar a segunda parte no banco para assim conseguir lançá-los na segunda parte mais frescos na tentativa de resolver definitivamente o jogo.

A segunda parte começou da mesma forma. Um jogo com pouca velocidade mas sempre com o controlo da minha equipa. Por volta dos 10 minutos lancei os dois miúdos com quem tinha conversado e a estratégia resultou, entraram com mais velocidade que os restantes jogadores e assim o domínio do sector intermédio foi total criando a equipa mais oportunidades de golo. Aos 15 minutos, através de um passe extraordinário do defesa central, o avançado fica isolado na frente do guarda-redes e, após olhar para a baliza e observar de que lado se encontrava o guarda-redes rematou cruzado inaugurando o marcador. Este miúdo está a evoluir de uma forma fantástica é de 1999 e nos últimos jogos tem sido uma peça muito importante no nosso processo ofensivo.

O jogo chegou ao fim com o resultado de 1-0, um resultado curto para o que se passou, embora o adversário tenha estado muito bem conseguindo impedir a minha equipa de chegar à vantagem mais cedo. Foi um resultado importante num jogo muito complicado.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

FUTEBOL JOVEM E O MUNDO: Queens Park Rangers


Hoje irei falar do Queens Park Rangers e do homem responsável pelo desenvolvimento do futebol jovem Joe Gallen.

No clube inglês Gallen começou na categoria de sub-9, depois sub-11 até subir aos sub-17. Neste momento para além de ser treinador dos sub-18 é o responsável por todo o programa do futebol jovem do clube, isto é, desde os sub-7 até aos sub-19. Um programa que o técnico considera ser de longo prazo, isto é, não é algo que esteja concluído amanhã.

A semana de Gallen começa com uma reunião com o responsável pela prospecção para discutirem os jogadores que despertaram o interesse dos observadores nessa semana “Tudo o que estou interessado em saber é, quem eles viram, conseguimos ficar com eles e como conseguimos, podem ter 8, 12, 14 não interessa”. De seguida veste o papel de treinador durante o resto da manha até à hora de almoço. Nessa altura pega no telefone para efectuar os contactos necessários para trazer os jovens referenciados. À tarde volta aos treinos. Apenas o fim-de-semana tem uma rotina diferente, sábado de manha tem o seu jogo com a equipa de sub-18, à tarde desempenha as funções de observador caso pense ser necessário, já o domingo é dedicado a ver os jogos das equipas jovens do clube de modo a acompanhar o seu desenvolvimento. Outro aspecto que gostaria de salientar é a visita que Gallen faz às quintas-feiras, com o seu colaborador Jonh O´Brien, a alguns centros de estágio.

Joe Gallen tem algumas ideias que me parecem importantes de referir neste artigo, o técnico diz que não conhece um treinador que consiga transformar um mau jogador num bom jogador “Não me interpretem mal, não temos de treinar e melhorar os atletas, mas nós temos de ter a qualidade certa no inicio”

Outra ideia que quero referir é a de o treinador dizer que não querem contratar jogadores pequenos, sabe que é uma ideia polémica mas assume que “Se alguém sente que isso não é importante no jogo está a cometer um erro, não me interpretem mal haverá sempre espaço para fantásticos jogadores que sejam pequenos mas, regra geral, nós precisamos presença física e é preciso velocidade para ter sucesso”.

Não concordo muito com estas últimas ideias do treinador inglês, penso que, embora a qualidade inicial seja importante, acho que podemos tornar um mau jogador em bom jogador ao nível cognitivo, isto é, compreensão do jogo. Também penso que o factor físico não é assim tão fundamental, talvez o seja um pouco mais no futebol inglês.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

CRÓNICA SEMANAL: Lei de transferências


Hoje venho falar da lei que em vigor nesta época de 2007/2008, relacionada com as transferências de jogadores menores de 14 e que veio alterar, de forma substancial, a postura dos dirigentes desportivos.

Esta lei poderá ter duas leituras diferentes, a de um clube “grande”, claramente beneficiados (quem será que fez esta lei?) e a visão dos clubes “pequenos”.

Com esta nova lei, os chamados clubes grandes conseguem, facilmente, adquirir os jogadores dos clubes pequenos sem que haja lugar a qualquer indemnização, basta o acordo com o encarregado de educação. Assim, os clubes formadores, deixam de receber a verba a que tinham direito, anteriormente, pela formação do atleta. Será então esta nova lei justa?

Os clubes grandes e as pessoas que concretizaram esta lei defendem-se, dizendo que numa futura transferência os clubes que os formaram têm sempre direito a uma percentagem e assim serão compensados, dando o exemplo do Real Massamá e a verba que recebeu com o Nani na transferência para Manchester. Ora todos nós sabemos que grande parte dos jogadores que chegam aos juniores dos grandes não conseguem sequer chegar às equipas principais, assim, a hipótese de os primeiros clubes responsáveis pela formação dos atletas receberem alguma compensação é muito reduzida. Será que assim é viável continuar a investir na formação?

Eu sou da opinião que sim embora entenda que cada vez se torna mais difícil para os clubes pequenos, muitos deles vivem dessas verbas que recebem pelas transferências dos seus jovens, lembro-me do caso do núcleo de Sintra e da verba importante que recebeu com a transferência do atleta Estrela para o SL Benfica. Clubes destes têm uma grande importância a nível social e assim muitos deles correm o risco de acabar, deixando muitos jovens sem a possibilidade de praticar desporto.

Claro que se um dirigente de um clube grande vier falar desta mesma lei vai dizer que é a mais correcta, que assim os clubes pequenos já não dificultar a transferência dos seus atletas para uma realidade melhor e pedir verbas elevadas. Se esta lei é assim tão boa porque se fazem pactos de não agressão entre os clubes grandes para não se tentar contratar jogadores aos rivais?

Concluindo esta lei, na minha opinião, reflecte a realidade do nosso país, os grandes cada vez mais grandes e os pequenos cada vez mais pequenos...
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terça-feira, 22 de abril de 2008

DIÁRIO DE OBSERVADOR: Pedagogia


Esta semana vou aproveitar uma situação particular para falar do papel dos árbitros no futebol jovem.

Chegado ao intervalo de jogo que estava a observar, vejo o arbitro dirigir-se ao treinador de uma das equipas, achei estranho pois estava a ser um jogo muito correcto de ambas as equipas, assim, prestei atenção ao que foi dito: “Senhor treinador, o seu avançado já entrou várias vezes em carrinhos e em duas ocasiões atingiu os adversários, se possível converse com o jogador para ter atenção a essa situação”. O treinador prontamente agradeceu a indicação e prometeu ter uma conversa com esse jogador no balneário.

Ora parece-me ser esta a postura correcta que deve ter um árbitro num jogo de atletas tão jovens como era neste caso, apenas penso que também poderia ter tido uma conversa com o jogador aquando da ocorrência dessas situações.

Ainda há pouco tempo, Rui Mâncio, coordenador das selecções de futebol da Madeira, apresentou uma proposta de inserir um cartão azul, a ideia seria “promover a formação, com qualidade, num espaço que pretende ser pedagógico”.

Concordo com esta ideia de ser um espaço pedagógico mas, quantos dos intervenientes num jogo de futebol estão preparados a esse nível?
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Neste espaço estou constantemente a relatar atitudes reprováveis que vou assistindo por esses campos, desta vez observei uma atitude positiva mas infelizmente nem sempre é assim. Por esta razão, entre muitas outras, considero que os treinadores que vêm das faculdades de desporto estão mais capacitados para o treino de jovens. Na maioria dos cursos existem as cadeiras de pedagogia e psicologia do desporto. Nos cursos da associação, seja de treinadores seja de árbitros dão a devida importância a estes aspectos?

segunda-feira, 21 de abril de 2008

DIÁRIO DE TREINADOR: Pequenos grandes jogadores


Depois de na semana passada os miúdos efectuarem um excelente exibição, esta semana procurávamos manter este nível, ou melhor como treinador espero sempre melhorar. A semana foi marcada pelo mau tempo que dificultou o decorrer normal dos treinos.

Quem tem acompanhado os últimos textos desta categoria sabe que vou variando os sistemas tácticos sempre de acordo com o meu modelo de jogo. Esta semana voltei ao mais habitual, isto porque queria confirmar se os miúdos tinham melhorado num aspecto importante da minha forma de jogar e que é mais potencializado num dos sistemas.

A equipa adversária vinha de dois resultados positivos por isso, aguardava o jogo com alguma expectativa. A equipa que defrontei esta semana destacava-se pelo nível físico, ou melhor, comparando com a minha equipa onde os miúdos são muito pequenos, a diferença era bem visível.

O jogo iniciou com o domínio da minha equipa e aos 5 minutos surge o primeiro golo naturalmente, uma jogada bonita finalizada de forma inteligente pelo jogador mais pequeno em campo, o meu avançado de 1999. Aos 15 surge o segundo numa grande jogada individual, fiquei extremamente contente, este miúdo merecia, é claramente o que mais tem evoluído. A primeira parte terminou com o resultado de 2-0.

Ao intervalo alertei os meus jogadores que tínhamos de continuar a jogar bem e que queria ver mais vezes os “processos ofensivos” que temos trabalhado.

Foi o que aconteceu, logo no inicio da segunda parte a equipa consegue o terceiro golo num movimento típico do nosso modelo de jogo, estes são os golos que mais me deixam satisfeito. Na jogada seguinte, num lance infeliz do meu guarda-redes, a equipa adversária reduz. Os miúdos continuaram à procura de mais golos e em pouco tempo, numa jogada idêntica à do golo anterior, fazemos o 4-1, incrível como estava tudo a sair de forma simples, realmente o outro sistema potencializou este movimento. Ainda marcamos mais dois golos de jogadas muito bonitas e a equipa adversária também marcou mais um golo da mesma forma, isto é, o meu guarda-redes teve um dia muito infeliz. Assim, tive de ter especial atenção com este miúdo de forma a motivá-lo.

Fizemos mais uma grande exibição, os últimos dois jogos foram excelentes, estou muito satisfeito com o trabalho realizado. Estes miúdos estão a ficar uns pequenos grandes jogadores.